Audiência pública discutirá atos de violência contra ambientalistas em Milho Verde

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Acontece nesta quinta-feira (10) uma audiência pública para debater os dois atentados sofridos pelo ambientalista Luiz Fernando Ferreira Leite, fundador e presidente do Instituto Milho Verde, no distrito de mesmo nome, que pertence à cidade do Serro, na região Central do Estado.

(Luís Fernando, presidente do Instituto Milho Verde, sofreu atentado no último dia 2 de julho)

Uma bomba explodiu na porta da casa do ambientalista no último dia 2 de julho. No momento do atentado, às 2h, não havia pessoas no local e ninguém ficou ferido. A casa está abandonada desde o dia 27 de março, quando o ambientalista sobreviveu a um atentado em que foi baleado, na porta da sua residência, que também abrigava o instituto.

A audiência da Comissão de Direitos Humanos está marcada para acontecer às 12h e será na sede da Associação Cultural e Comunitária de Milho Verde. O Instituto Milho Verde é uma organização não governamental que atua nas áreas de cultura, meio ambiente e desenvolvimento social há 15 anos na região.

Segundo release divulgado pela Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda), os problemas começaram depois que o instituto conseguiu com que o Monumento Natural da Várzea do Lajeado e Serra do Raio fosse decretada Unidade de Conservação de proteção integral, em 2011. A partir de então surgiram diversos conflitos, uma vez que a área protegida contém diversos posseiros e ocupantes irregulares, conforme explica o ambientalista Luiz Fernando.

“Mesmo depois de a unidade ser tombada ainda não houve regularização efetiva e as ocupações irregulares continuam. O Ministério Púbico já realizou diversas reuniões para discutir o assunto, mas os processos estão muito demorados pelo tema ser complicado devido ao coronelismo da região”, explica a vítima dos atentados.

Outro conflito recorrente na região ocorre na Área de Proteção Ambiental (APA) Estadual das Águas Vertentes, que é uma unidade de conservação em que o Instituto Milho Verde também atua. Fernando relata que na APA o problema é com desmatamento irregular. “Após o primeiro atentado que eu sofri o gerente da APA pediu demissão, pois ficou com medo de também se tornar vítima de ataques”, lembrou Luiz.

O secretário de meio ambiente do Serro também teve sua casa incendiada no mês de junho. Bruno Emiliano, outro ambientalista que atuava junto com Fernando no Instituto Milho Verde, também teve que deixar cidade.

“Outros funcionários do IEF sofrem ameaças constantes por parte dos ocupantes irregulares das Unidades. Muita gente ligada ao instituto está com medo, pensando em qual será o próximo atentado e quem será a próxima vítima. Hoje não tenho expectativas de voltar a viver em Milho Verde. A apuração dos atentados é muito lenta, e mesmo que eles encontrem o executor do crime, é mais complicado chegar até o mandante”, desabafa o ambientalista.

Brasil foi palco de mais de 50% das mortes de ambientalistas do mundo

Um outro ponto levantado pela Amda é sobre o elevado número de mortes de ambientalistas no Brasil. Segundo o último relatório da ONG Global Witness, entre 2002 e 2013, 908 ambientalistas foram assassinados em todo mundo. Deste número, mais da metade ocorreu no Brasil, com 448 mortes.

Estes casos se multiplicam, assegura o relatório, à medida que aumenta a concorrência pelos recursos naturais. O desmatamento da Amazônia é um bom exemplo disso. Após quatro anos seguidos de queda na superfície de mata perdida, em 2013 o desflorestamento voltou a aumentar 28%. De acordo com o documento, as regiões mais afetadas são também as que mais registraram violência contra os ativistas que tentam impedir a destruição da mata.

Entrevista com Luís Fernando (Nando)

(Associação Mineira de Defesa do Ambiente / O Tempo)

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