O morador de rua que passou em primeiro lugar em um concurso público em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, foi preso nessa quinta-feira (21/4) por furto. Valter Fonseca dos Santos, de 41 anos, foi liberado após pagar fiança e negou o crime.
Conforme o boletim de ocorrência da Polícia Militar (PM), a vítima, uma mulher de 20 anos, estava em um ponto de ônibus no bairro Rosário, na manhã de quinta-feira, mexendo distraidamente no celular. Enquanto isso, alguém passou e pegou a mala, que estava no chão e tinha alguns objetos de valor como o notebook dela.
Aos militares, a vítima disse que não seria capaz de descrever o autor porque não o viu. Mas em um rastreamento feito pela polícia, a mala foi encontrada em um lote vago, a 50 metros de distância do local do furto. O mesmo lote onde Valter Fonseca dorme e guarda seus pertences.
Ele foi encontrado no local mexendo na mala e acabou sendo preso pelo crime, mas negou que seja o autor. Na delegacia, ele afirmou que foi ao lote para buscar algumas roupas quando viu a mala ali com alguns objetos para fora.
Empossado no início do mês, atualmente, o morador de rua trabalha como coveiro no cemitério da cidade, após passar em primeiro lugar para o cargo. A prefeitura da cidade informou que a passagem pela polícia não influi em sua nomeação, já que ele não foi condenado.
Um conhecido de Valter, que preferiu não se identificar, duvida que o morador de rua tenha sido o autor do crime. “Ele sempre sofreu muita discriminação por ser morador de rua, negro, nordestino. E isso piorou quando ele passou no concurso, ele era xingado na rua, rebaixado por ter passado para o cargo de coveiro. Isso o deixava muito desmotivado e deprimido. Ele já chegou a ser agredido na rua. Agora, você acha que uma pessoa que ficou 14 anos na rua, passando fome e frio, dormindo no chão, sem nunca ter tido uma passagem sequer pela polícia, seria tão inconsequente assim logo ao conseguir um emprego?”.
Valter estudava em bancos de praça (Foto: Selma Cruz / Prefeitura de Patos de Minas)
(Fonte: O Tempo)