Sigma Lithium retoma produção de lítio no Vale do Jequitinhonha e anuncia R$ 600 milhões em investimentos

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Vista aérea da Planta Industrial Greentech da Sigma Lithium, em Araçuaí e Itinga (MG)
Planta Industrial Greentech da Sigma Lithium, na Grota do Cirilo, entre Araçuaí e Itinga. Foto: Divulgação/Sigma Lithium

Araçuaí e Itinga (MG) — Duas semanas depois de reabrir as portas da Planta Industrial Greentech, na Grota do Cirilo, a Sigma Lithium começa setembro com a produção de lítio a pleno vapor, um plano de R$ 600 milhões em novos investimentos para 2027 e o melhor resultado da sua história. A empresa, maior produtora de lítio do Brasil, pretende entregar 240 mil toneladas de concentrado de lítio nos próximos doze meses e 330 mil toneladas em 2027.

Sigma Lithium de volta ao trabalho no Vale do Jequitinhonha

A volta completa da produção foi anunciada em 21 de agosto e informada aos investidores da Bolsa de Nova York no primeiro dia útil seguinte. Desde então, a planta trabalha em capacidade máxima. Os turnos voltaram ao normal, o refeitório encheu de novo e as linhas de produção não pararam mais.

Um detalhe que passou despercebido para muita gente: a venda dos finos de lítio — um produto mais miúdo, de alta pureza, que responde por quase metade do faturamento da empresa — não parou em nenhum momento durante julho e agosto. Por isso, a Sigma manteve todas as metas de produção que havia prometido ao mercado.

“Isso permite à companhia focar no que fazemos de melhor: produzir lítio de forma responsável”, afirmou Ana Cabral, presidente da empresa.

O melhor trimestre da história da Sigma Lithium

Os números de abril a junho, divulgados em agosto, mostram a empresa no seu melhor momento:

  • Quase metade do que entrou virou lucro operacional: a chamada margem EBITDA chegou a 47%, a maior já registrada pela Sigma. No trimestre anterior, era de 39%.
  • Faturamento de US$ 55 milhões (cerca de R$ 300 milhões) no trimestre e US$ 97 milhões no primeiro semestre.
  • Produção de 35,4 mil toneladas de concentrado de lítio, 52% a mais do que nos três meses anteriores.
  • Custo mais baixo: produzir cada tonelada custou US$ 668, mais de 30% menos do que antes.
  • Dívida menor: a empresa pagou um quarto da dívida no último ano e quase metade em dois anos. A meta é quitar ou renegociar o restante até o fim de setembro.

Tecnologia de ponta e uma planta industrial ainda maior

Junto com a volta, a empresa aprovou uma nova etapa de modernização dos equipamentos: caminhões de grande porte, com capacidade para 75 toneladas, e escavadeiras de 98 toneladas, da fabricante SANY. São máquinas de última geração, mais eficientes, que aumentam a produtividade com menos consumo e menos viagens.

Os R$ 600 milhões previstos para 2027 vão para o aumento da produção de lítio aqui no Vale do Jequitinhonha. O objetivo final é chegar a 830 mil toneladas por ano em 2028, com duas novas plantas industriais Greentech. A empresa calcula que, dependendo do preço do lítio no mundo, pode gerar entre US$ 166 milhões e US$ 1 bilhão por ano em caixa — num ciclo de demanda que a direção chama de “uma década de crescimento”, puxado pela inteligência artificial e pelas baterias que guardam energia.

Lítio verde: tecnologia limpa feita no Vale

Planta Industrial Greentech da Sigma Lithium ao entardecer, no Vale do Jequitinhonha
A Planta Industrial Greentech da Sigma Lithium ao entardecer. Foto: Divulgação/Sigma Lithium

A Planta Industrial Greentech é o que diferencia a Sigma no mundo. A tecnologia usada na Grota do Cirilo não tem barragem de rejeitos: o material que sobra é empilhado a seco, com segurança. A água é toda reaproveitada, o processo não usa produtos químicos tóxicos e a energia vem de fonte renovável. É por isso que o lítio verde produzido em Araçuaí e Itinga é vendido no mundo inteiro — e a meta da empresa é ter uma operação 100% circular ainda em 2026.

O que a retomada da Sigma Lithium significa para Araçuaí e Itinga

A Sigma sustenta cerca de 19 mil empregos, diretos e indiretos, e é fonte de renda para mais de 80 mil pessoas no Vale do Jequitinhonha. A volta da produção devolveu o movimento ao comércio de Araçuaí e Itinga e a rotina a centenas de famílias que vivem da planta. Para muita gente da região, trabalhar na Sigma significou parar de sair para colher café ou cortar cana em outro estado.

Investidores aprovam

Na Bolsa de Nova York, as ações da Sigma Lithium (SGML) subiram mais de 4% na abertura do primeiro dia de negociação depois do anúncio da volta. Com custos em queda, metas mantidas e equipamentos de nova geração, a empresa entra no segundo semestre com a construção da segunda planta industrial no centro dos planos.

Fontes e referências

Por Juvenal Ribeiro — Redação Aconteceu no Vale

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