Centro Histórico de Grão Mogol é reconhecido como patrimônio cultural de Minas Gerais

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O Conselho Estadual do Patrimônio Cultural de Minas Gerais (Conep) aprovou, por unanimidade, em reunião realizada na sede do Iepha-MG, o tombamento do Centro Histórico de Grão Mogol. Localizado na região Norte do estado, o Centro Histórico se junta a outros bens culturais já protegidos por tombamento e reconhecidos como patrimônio cultural de Minas Gerais.

O secretário de estado de Cultura de Minas Gerais, Angelo Oswaldo, destaca a importância do tombamento do núcleo histórico para os mineiros. “Grão Mogol é uma significativa cidade histórica, com valores patrimoniais e culturais muito característicos da região mineradora, tornando-se um dos pontos importantes de exploração do diamante”, diz.

Segundo o secretário, “o município desenvolveu um processo sociocultural de grande significado que é reconhecido agora como patrimônio de todos os mineiros”. Angelo Oswaldo acrescenta que o reconhecimento do Centro Histórico de Grão Mogol como bem cultural de Minas Gerais “deve ser recebido com muita alegria por toda comunidade grão-mogolense”.

A presidente do Iepha-MG, Michele Arroyo, ressalta que a atuação do Instituto no Norte de Minas Gerais contribuiu para o tombamento do Centro Histórico de Grão Mogol. Segundo ela, nos últimos anos, o Iepha realizou um trabalho intenso em parceria com as comunidades locais e universidades, com o objetivo de pesquisar e compreender a região do Rio São Francisco como patrimônio cultural de Minas Gerais.

“O tombamento de Grão Mogol reafirma um momento do Iepha de olhar para a diversidade dos centros históricos que o estado possui”, ressalta Michele Arroyo, observando ainda que este contexto permite fortalecer o diálogo com o poder público em relação à preservação do patrimônio cultural da cidade.

Membro do Conep, o professor da Universidade de Montes Claros, Denilson Meireles, também destaca a relevância dos trabalhos realizados pelo Iepha-MG no Norte de Minas Gerais. Para ele, a região recebe merecido reconhecimento do Estado de Minas Gerais.

“O inventário Cultural do Rio São Francisco, produzido pela equipe do Iepha, somado ao tombamento do Centro Histórico de Grão Mogol, demonstram o quanto o Norte de Minas Gerais contribui com a sua diversidade para o fortalecimento da cultura mineira”, relata o professor.

Em 2016, o Conep realizou seis reuniões, sendo duas ordinárias e três extraordinárias. Destes encontros destacam-se as seguintes deliberações: tombamento do edifício sede do antigo Banco Mineiro da Produção, deliberação sobre perímetro para estudo de proteção dos núcleos históricos de Januária, Perdões e Ouro Fino e o tombamento do Centro Histórico de Grão Mogol.

O Conselho volta a se reunir no próximo dia 6 de janeiro (Dia de Reis) para a votação do pedido de reconhecimento das Folias de Minas como patrimônio cultural de natureza imaterial de Minas Gerais.

Grão Mogol

O Centro Histórico de Grão Mogol constitui patrimônio material que, no presente, é referência do processo de ocupação do Norte de Minas Gerais e documenta aspectos construtivos da arquitetura vernácula mineira e do modo de ser e de viver de seus habitantes.

Sua formação, na interseção de caminhos de tropas e mercadorias que cruzavam a antiga Serra de Santo Antônio do Itacambiruçu rumo à Bahia, ainda no Século 18, tem origem na extração clandestina do diamante nos cursos d’água nas proximidades do Distrito Diamantino. A localização isolada, de difícil acesso, criou um sentido de pertencimento e autonomia que persistem na sua população.

A arquitetura do Centro Histórico representa a mistura entre o sistema construtivo típico do litoral e a paisagem circundante, caracterizando-se pela extensa utilização da pedra local. A simplicidade formal e o despojamento técnico são característicos do núcleo, periférico em relação aos centros urbanos mais ricos.

Tendo passado pelos diferentes ciclos históricos da economia mineira, inclusive da decadência da mineração, Grão Mogol preserva, na sua estrutura, a escala urbana e a modéstia daquele momento de conquista do território.

O Centro Histórico representa a mistura entre o sistema construtivo típico do litoral e a paisagem circundante, caracterizando-se pela extensa utilização da pedra local (Divulgação/Agência Minas)

(Com Agência Minas)

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