22 de novembro de 2017 - 19:50
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Jovens brasileiros sonham ser tudo, menos professor

Depois de perder posições em importantes rankings de educação nos últimos tempos, o Brasil enfrenta agora uma outra tendência preocupante. Pesquisa da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta que a parcela de alunos brasileiros de 15 anos que se interessa pelo magistério é zero.

Marta Moraes, coordenadora-geral do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (SEPE-RJ), lembra que na década de 50 o magistério era uma profissão que até a classe média alta procurava, nos anos 70 se tornou uma forma de ascensão social, muito valorizada e respeitada em termos políticos. Em termos salariais, a partir da década de 70 e de 80, porém, começou a haver uma desvalorização, que vem se acentuando cada vez mais.

“Essa pesquisa está confirmando o que o SEPE vem denunciando há muito tempo: nossa profissão vem sendo desvalorizada a cada ano pelos governos, que afirmam que educação é prioridade no momento da eleição. Terminada a eleição isso vira palavra solta ao vento. A gente tem hoje um processo de abandono da profissão e da própria rede pelos professores. Hoje o Estado perde de quatro a cinco professores por dia, o que é muito grave. Está havendo um esvaziamento na rede e nas nossas universidades, porque o jovem hoje não se interessa mais por essa profissão.”

A coordenadora-geral do SEPE lembra que a grande maioria dos professores é feminina, trabalha 40, 60 horas semanais e ainda enfrenta uma segunda jornada doméstica para cuidar da família.

“Você tem que trabalhar essa carga absurda, se deslocando de um lado para o outro. A quantidade de trabalho que as professoras levam para casa é muito grande. Você não tem políticas salariais para as profissionais de educação. Você tem políticas de gratificação, políticas que jogam uma escola contra a outra e que trabalham com uma lógica que não é a do serviço público e educacional, é uma política visando ao meritocrático”, critica.

Marta cita ainda as péssimas condições de trabalho nas escolas, alunos que chegam numa situação de absoluto abandono em suas casas, com famílias dilaceradas.

“Você fica como um médico, psicólogo, mediador de conflitos nas comunidades. É uma profissão com um desgaste muito grande e que não tem a menor valorização por parte do governo. O jovem que está iniciando uma carreira quer ver uma carreira que lhe garanta uma qualidade de vida, além de uma qualidade das condições de trabalho. A nossa, infelizmente, não tem nenhum desses atrativos. O “Pátria Educadora” é mais um lema. Todo governo que assume em nível federal, estadual e municipal fica nisso: o lema é muito bonito, a frase é muito bonita, mas a política criada muitas vezes é nefasta.”

A coordenadora dá como exemplo negativo e de falta de diálogo com o governo a reforma do ensino médio que, segundo ela, vai mais uma vez prejudicar os alunos.

“É assim que a gente vem sendo tratado: políticas criadas de cima para baixo com nomes bonitos mas que, na verdade, são políticas que não procuram valorizar nem o profissional de educação, nem a comunidade escolar e muito menos a educação como um todo. É lamentável, e a gente não vê uma luz no fim do túnel com relação a isso.”

Jovens brasileiros sonham ser tudo, menos professor (Foto: Pedro Ribas/ANPr/Fotos Públicas)

(Fonte: Sputnik Brasil)

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