Pesquisador da UFVJM coordena expedição em busca de árvores gigantes na Floresta Amazônica

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Uma equipe de 25 pessoas, coordenada pelo professor Eric Bastos Gorgens, do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), realizou, durante um período de 10 dias no mês de agosto, a expedição Jari-Paru: em busca de árvores gigantes na Floresta Amazônica. “A expedição foi realizada numa parte da floresta que divide os estados do Amapá e Pará, onde foi identificada uma das mais altas árvores de floresta tropical registradas até hoje no Brasil, pertencente à espécie Dinizia excelsa, conhecida popularmente como angelim vermelho, capaz de sequestrar uma quantidade de carbono equivalente a uma floresta com dossel médio de 45 metros, e considerando que um hectare de floresta médio tem em torno de 500 árvores”, afirma o professor.

De acordo com o professor Eric, a expedição foi um desafio do início ao fim, tanto científico quanto físico, pois foi realizada dentro de uma região remota, com baixa densidade populacional, acessada através de uma viagem pelo Rio Jari, num percurso de aproximadamente 200 Km rio adentro, com características bem atípicas de navegação, por se tratar de um rio de corredeiras. No entanto, com os apoios necessários de várias instituições envolvidas e, especialmente, das comunidades residentes no entorno da região visitada, a expedição obteve o êxito esperado.

Segundo o professor Gorgens, os estudos sobre a existência das árvores gigantes tiveram início em 2017, quando ele trabalhava no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e então participou de um projeto que objetivava o mapeamento da biomassa da Floresta Amazônica Brasileira com vistas à quantificação de carbono. Em 2016, foi lançada a primeira missão em larga escala dedicada a levantar as informações utilizando tecnologia laser aerotransportada. Essa missão foi financiada pelo Fundo Amazônia e executada pelo Inpe. Entre 2016 e 2018, a missão sobrevoou 832 transectos cobrindo 375 hectares de floresta cada (12.5 km x 300).

Grupo de pesquisadores participantes da expedição (Foto: Rafael Aleixo)

“Dos transectos sobrevoados, sete deles apresentaram indivíduos acima de 80 metros. Desses, seis estavam localizados na região do Rio Jari, entre os estados do Pará e Amapá. A maior árvore localizada apresentou 88,5 metros de altura. Um recorde para a floresta tropical brasileira. A árvore estava localizada dentro da Floresta Estadual do Paru, na região do Pará. A existência de um conjunto de transectos com árvores gigantes, bem como a existência dentro de um mesmo transecto de uma grande quantidade de árvores gigantes indicava um sítio singular”, explica o professor.

Após avaliar todo o banco de dados e detectar que algo inédito havia sido encontrado, os pesquisadores sentiram a necessidade de conhecer de perto o que o sensor remoto havia registrado, ou seja, árvores com mais de 80 metros de altura. E a partir daí, do grande projeto de mapeamento da biomassa da Amazônia surge o subprojeto para o aprofundamento do estudo das árvores gigantes, uma vez que, quando uma leitura do sensor remoto revela uma árvore excepcionalmente alta, a confirmação de sua altura real é obtida por meios que não acompanham a tecnologia utilizada na sua identificação; é preciso que uma pessoa escale a árvore para medi-la, levando uma fita métrica ou cordas. E a expedição foi exatamente para a realização da tarefa de validação dos dados.

Árvore gigante identificada pelo sensor remoto aeroembarcado (Foto: Eric Gorgens)

De acordo com o professor Eric, a participação da UFVJM teve início em 2017, através de um projeto submetido ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), que teve como objetivo descobrir o motivo da discrepância existente entre a altura das árvores identificadas naquela região do mapa de biomassa da Floresta Amazônica e a altura das árvores emergentes na mesma região, até então registrada como sendo de 60 metros.

A Floresta Amazônica possui uma área de mais de 5 milhões de km², que abriga um terço das árvores do mundo e uma das coleções de diversidade biológica mais extensas da Terra. Nem os mais extraordinários números são suficientes para dimensionar a importância da maior floresta tropical do planeta. Estudos mostram ainda que essa densa cobertura tropical armazena uma quantidade de carbono equivalente a dez vezes ao que a humanidade libera na atmosfera a cada ano.

Segundo o professor da UFVJM, a Floresta Amazônica tem um papel fundamental, que vai desde a preservação da biodiversidade, por ser um local com grande quantidade de animais, vegetais, insetos, até a questão climática. “Toda a água que a floresta transpira vira chuva, e isso é fundamental para a sobrevivência de todos”.

O professor afirma que a pesquisa identificou sete regiões com árvores com altura superior a 80 metros e isso mostra a capacidade que a floresta tem de nos surpreender a cada dia. “Precisamos dar continuidade aos estudos sobre os dados para entender o que a faz ser tão única e especial a ponto de suportar árvores tão monumentais. Nosso desafio agora é continuar buscando conhecer e entender melhor a Amazônia”, conclui o professor.

Uma das árvores gigantes de angelim vermelho (Dinizia excelsa). Na foto, um exemplar com altura de 82 metros (Foto: Tobias Jackson)

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