Doações de órgãos aumentam quase 20% no Leste de Minas

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MG Transplantes completa 14 anos na região e comemora avanço social e cultural. Em todo o Estado, em 2013, foram realizadas 2.307 intervenções

Portador de insuficiência renal crônica, Elias Soares, de 50 anos, morador de Coronel Fabriciano, no Vale do Aço, ficou cinco anos na fila, a espera de um transplante. A oportunidade de uma vida nova surgiu em julho do ano passado quando recebeu o rim de um doador vítima de morte encefálica. Agora, um ano depois, Elias comemora os benefícios do transplante: “a minha qualidade de vida deu um salto enorme. Antes eu tomava muitos medicamentos e, hoje, uso apenas os imunossupressores, contra a rejeição”.

Segundo o coordenador do CNCDO Leste, o médico Célio Magalhães, houve uma maior conscientização da população do Estado – Foto: Divulgação

Elias foi uma das 24 pessoas que, em 2013, fizeram transplante de rins no Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga, unidade de saúde que é referência nesse tipo de procedimento na região Leste de Minas. O serviço de captação é feito pela Central de Doação, Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO) Leste, com sede em Governador Valadares. A central regional registrou um total de 420 doações de órgãos e tecidos (rins, córneas, fígado, etc.) em 2013, número 18,64% maior que o de 2012. De janeiro a junho deste ano, foram 110 captações, a maioria de córnea.

Em 2014, o MG Transplantes completa 14 anos no Leste do Estado. Segundo o coordenador do CNCDO/Leste, Célio Magalhães, a existência de uma central de captação na região tem representado um avanço social com a ampliação do acesso dos pacientes com doenças crônicas à procedimentos de alta complexidade, como o transplante, desafogando os grandes centros. Ele ainda acrescenta que profissionais de saúde também ganham em experiência e qualificação.

Conscientização

De acordo com Célio Magalhães, ao longo desses 14 anos de existência da Central Leste houve uma maior conscientização da população quanto à importância das doações, mas é preciso avançar. “Ainda esbarramos em questões culturais e religiosas e, principalmente, na baixa notificação de potenciais doadores por parte dos hospitais que possuem UTI’s”, afirma o médico. Ainda segundo Célio Magalhães, a busca ativa na rede hospitalar da macrorregião, feita pela equipe da CNCDO, é que tem permitido o aumento do número de captações. Para facilitar a abordagem da equipe junto às famílias, o médico aconselha as pessoas a manifestarem em vida o desejo de ser um doador “porque o parente acaba por consentir com a doação, realizando a última vontade do ente querido”.

O aumento no número de doações representa maiores chances de transplante para pacientes, como a professora aposentada Jane Henriques que, há dois anos, espera por um rim. Jane mora em Ipatinga e faz hemodiálise três vezes por semana no hospital Márcio Cunha. “Se eu tivesse um doador compatível minha vida mudaria muito. Por causa da hemodiálise, tenho várias limitações, inclusive de lazer”, afirma a aposentada, acrescentando que “a doação de órgãos é um gesto que permite que outra pessoa viva com qualidade. E esse é o meu desejo”.

Como funciona

A CNCDO do Leste de Minas abrange uma população de quase dois milhões de habitantes, em mais de 100 municípios. A equipe, composta por cinco médicos, três psicólogos, cinco enfermeiros, dois técnicos de enfermagem e assistente social, é capacitada para atuar nos casos de doações de córneas, rins e de múltiplos órgãos.

O coordenador da CNCDO regional explica que as córneas podem ser retiradas dos doadores até seis horas após o óbito. Nos casos de múltiplos órgãos é necessário a confirmação da morte encefálica por meio de dois testes neurológicos com intervalo mínimo de seis horas e, ainda, um teste gráfico. O hospital deve fazer a notificação do potencial doador à equipe da Central do MG Transplante na região que, imediatamente, se dirige à unidade de saúde e faz a abordagem junto à família. Se autorizado pelos familiares, os órgãos são retirados e distribuídos, respeitando a lista de espera do MG Transplantes e a compatibilidade entre doador e receptor. Segundo o médico Célio Magalhães, as córneas são encaminhadas para o Banco de Olhos de Governador Valadares e, caso não haja receptor regional, são encaminhadas para o Banco de Olhos de Belo Horizonte.

MG Transplantes

O MG Transplantes realizou 2.307 transplantes em 2013 e, de janeiro a abril deste ano, já são 663 intervenções. Desde a criação do MG Transplantes, em 1992, até hoje, foram realizados 28.801 cirurgias desta natureza. Minas Gerais ocupa a quarta posição no país em número de notificações para doações de múltiplos órgãos. A taxa de efetivação é de 38%, a maior entre os estados primeiros colocados, e 9% superior à média nacional. O MG Transplantes foi a Central Estadual de Transplantes que mais cresceu no país nos últimos 6 anos. “Em 2014 esperamos atingir a marca de 14 doações de múltiplos órgãos para cada um milhão de pessoas, índice considerado excelente para as dimensões do Estado”, destacou o diretor do MG Transplante, Charles Simão Filho. (Agência Minas)

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