{"id":99863,"date":"2016-10-24T09:02:51","date_gmt":"2016-10-24T12:02:51","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=99863"},"modified":"2016-10-24T09:02:51","modified_gmt":"2016-10-24T12:02:51","slug":"fundacao-renova-tera-r-11-bilhoes-para-recuperar-a-bacia-do-rio-doce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=99863","title":{"rendered":"Funda\u00e7\u00e3o Renova ter\u00e1 R$ 11 bilh\u00f5es para recuperar a Bacia do Rio Doce"},"content":{"rendered":"<p>Com uma vasta experi\u00eancia em resolver conflitos, como o de ruralistas e ambientalistas, o bi\u00f3logo Roberto Waack assumiu talvez o maior desafio de sua carreira: lidar com o &#8220;um ano depois&#8221; do maior acidente ambiental do Brasil, o rompimento da barragem de lama da Samarco. Waack, de 56 anos, \u00e9 o presidente da Funda\u00e7\u00e3o Renova, organiza\u00e7\u00e3o independente criada para implementar os programas de repara\u00e7\u00e3o, restaura\u00e7\u00e3o e reconstru\u00e7\u00e3o das regi\u00f5es impactadas pelo rompimento da barragem.<\/p>\n<p>O acidente, que completa um ano em 5 de novembro, deixou 18 mortos, um desaparecido e um rastro de destrui\u00e7\u00e3o de Mariana (MG), onde ficava a barragem do Fund\u00e3o, at\u00e9 a foz do Rio Doce, no Esp\u00edrito Santo. A funda\u00e7\u00e3o vai gerir R$ 11 bilh\u00f5es com a miss\u00e3o de recuperar e compensar comunidades e recursos ambientais nos pr\u00f3ximos dez anos. Veja a seguir trechos da entrevista:<\/p>\n<p><strong>A Funda\u00e7\u00e3o Renova assume o trabalho de compensa\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o quase um ano depois do acidente com quais desafios?<\/strong> Temos tr\u00eas agendas priorit\u00e1rias. Uma \u00e9 emergencial: tem de tirar a lama do rio, terminar a conten\u00e7\u00e3o, construir novos diques, continuar a dragagem. Cerca de 1\/4 da lama desceu o rio, mas 3\/4 ainda est\u00e3o na regi\u00e3o, a at\u00e9 100 km do local de origem. Tem de dar um destino para ela. Essa \u00e9 uma frente de engenharia, de curto prazo, que termina no meio do ano que vem. A segunda \u00e9 uma frente de intelig\u00eancia, que \u00e9 como lidar com a restaura\u00e7\u00e3o do rio inteiro, recompor pesca, etc. \u00c9 um campo de fronteira de conhecimento sobre como se restaura, e de conex\u00e3o com a sociedade que mora ali, com o agroneg\u00f3cio, com o pequeno e o m\u00e9dio produtor, que sempre teve problema em atender o C\u00f3digo Florestal e agora se questiona: \u2018s\u00f3 porque teve a ruptura da barragem agora eu vou ter de fazer isso?\u2019. O terceiro grande desafio \u00e9 o de governan\u00e7a. S\u00e3o 39 munic\u00edpios, dois Estados, a Uni\u00e3o, o Minist\u00e9rio P\u00fablico, os tribunais de contas, a Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas. Todo mundo interessado em solu\u00e7\u00f5es, com a expectativa de usar esse recurso, que n\u00e3o pode ser mal gasto.<\/p>\n<p><strong>Qual deles \u00e9 o mais dif\u00edcil?<\/strong> N\u00e3o me assusta o primeiro, acho que a engenharia vai dar conta. O desafio da governan\u00e7a \u00e9 monstruoso e acho que \u00e9 o mais dif\u00edcil. Mas se der certo vai ser um exemplo emblem\u00e1tico de restaura\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 de um desastre causado pelo homem, mas para desastres ambientais que v\u00eam pela frente, que a gente sabe que vai ter. Por exemplo, se depois do acidente de Petr\u00f3polis e Teres\u00f3polis (deslizamentos de terra ap\u00f3s fortes chuvas em 2011) tivesse tido um modelo de gest\u00e3o, n\u00e3o teria acontecido o que aconteceu, que o dinheiro sumiu e hoje continua do mesmo jeito que era antes do acidente. O desafio da restaura\u00e7\u00e3o \u00e9 parecido com o que estamos trabalhando na Coaliz\u00e3o (Brasil, Clima, Florestas e Sociedade, da qual Waack \u00e9 um dos l\u00edderes e re\u00fane mais de 130 organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e do setor produtivo). Tem a ver com conciliar, ouvir, envolver o agroneg\u00f3cio, exatamente o desafio da Coaliz\u00e3o, com a diferen\u00e7a que tem o recurso, que \u00e9 uma diferen\u00e7a substancial. O produtor s\u00f3 vai fazer isso se perceber que vale a pena do ponto de vista econ\u00f4mico. Ter uma organiza\u00e7\u00e3o com um recurso que n\u00e3o existe hoje no Brasil para cumprir a meta de recompor 12 milh\u00f5es de hectares e a gente ainda n\u00e3o conseguiu convencer o mainstream econ\u00f4mico de que vale a pena investir nisso. A\u00ed tem a possibilidade de alavancar uma agenda que vai al\u00e9m do Rio Doce, que \u00e9 uma agenda nacional.<\/p>\n<p><strong>R$ 11 bilh\u00f5es ser\u00e3o suficientes para tantas a\u00e7\u00f5es?<\/strong> \u00c9 o or\u00e7amento que temos. A funda\u00e7\u00e3o foi criada para garantir que esse recurso vai ser alocado da maneira mais eficiente poss\u00edvel do ponto de vista de custo, de prazo e de tecnologias usadas. Usar tecnologias mais avan\u00e7adas, sustent\u00e1veis, \u00e9 uma das regras do jogo. Ent\u00e3o, se \u00e9 para fazer uma cidadezinha nova, vamos faz\u00ea-la com o que tem de mais moderno em termos de baixo carbono? Que seja autossuficiente em gera\u00e7\u00e3o de energia, com todo o sistema de mobilidade, tratamento de efluente, coleta de \u00e1gua. Essa \u00e9 a oportunidade.<\/p>\n<p><strong>A Samarco teve de adotar v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es. Qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o que voc\u00eas encontraram?<\/strong> O esfor\u00e7o da Samarco foi emergencial, e emergencial pressup\u00f5e coisas que v\u00e3o dar certo e coisas que n\u00e3o. A partir desse momento, a funda\u00e7\u00e3o vai come\u00e7ar a ajustar essas coisas, absorver parte importante dessas a\u00e7\u00f5es come\u00e7ar a dar o tom de longo de prazo. Por exemplo, as indeniza\u00e7\u00f5es. Foi feito um cadastro emergencial, com 8 mil pessoas, foi criado um cart\u00e3o e essas pessoas come\u00e7aram a receber o dinheiro, imediatamente. Esse cadastro n\u00e3o \u00e9 perfeito. J\u00e1 estamos vendo isso. Muita gente est\u00e1 l\u00e1 e n\u00e3o devia e h\u00e1 muita gente que devia estar l\u00e1 e n\u00e3o est\u00e1. Devemos chegar a 20 mil cadastrados. A quest\u00e3o dos reassentamentos est\u00e1 avan\u00e7ando, a relocaliza\u00e7\u00e3o da cidade j\u00e1 foi decidida, com participa\u00e7\u00e3o das pessoas. Agora tem uma discuss\u00e3o de como vai ser a cidade, onde vai ser a igreja, a pra\u00e7a, a escola, isso tudo est\u00e1 sendo discutido.<\/p>\n<p><strong>Nas semanas ap\u00f3s o acidente, centenas, talvez milhares de pessoas comuns, pequenas ONGs foram para a regi\u00e3o do Rio Doce dispostas a fazer alguma coisa. A funda\u00e7\u00e3o pretende integrar essa mobiliza\u00e7\u00e3o de algum modo?<\/strong> Acho que toda a hist\u00f3ria da ruptura da barragem tem um qu\u00ea de gatilho, de mobiliza\u00e7\u00e3o, de as pessoas falarem: preciso fazer alguma coisa. E isso vai desde jogar pedra na Samarco, na Vale, ou ir l\u00e1 ajudar a tirar lama, alguma coisa as pessoas sentiram que precisavam fazer. Acho que as pessoas n\u00e3o conseguem mais ignorar. Acho que integrar isso \u00e9 fundamental. O centro \u00e9 o indiv\u00edduo, a pessoa que sofreu, depois vem o entorno dele, as pequenas organiza\u00e7\u00f5es que o cercam, como a associa\u00e7\u00e3o de bairro, a associa\u00e7\u00e3o de pescador, onde ele participa. O terceiro s\u00e3o as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil que estejam envolvidas pela gera\u00e7\u00e3o de conhecimento.<\/p>\n<p><strong>Quem \u00e9?<\/strong> Roberto Waack \u00e9 bi\u00f3logo e mestre em economia. Fundador da Amata (empresa de madeira certificada), foi membro dos conselhos do Forest Stewardship Council (FSC), do WWF e do Global Reporting Initiative (GRI) e de empresas dos setores florestal e de agroneg\u00f3cios. \u00c9 uma das lideran\u00e7as da Coaliz\u00e3o Brasil, Clima, Florestas e Agricultura e presidente da Funda\u00e7\u00e3o Renova, que cuidar\u00e1 da restaura\u00e7\u00e3o do Vale do Rio Doce.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/rio_doce2.jpg\" alt=\"\" \/><em>Rio Doce em Governador Valadares (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><em>(Fonte: Hoje em Dia\/Estad\u00e3o Conte\u00fado)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com uma vasta experi\u00eancia em resolver conflitos, como o de ruralistas e ambientalistas, o bi\u00f3logo Roberto Waack assumiu talvez o maior desafio de sua carreira: lidar com o &#8220;um ano depois&#8221; do maior acidente ambiental do Brasil, o rompimento da barragem de lama da Samarco. 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