{"id":96150,"date":"2016-09-01T09:42:13","date_gmt":"2016-09-01T12:42:13","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=96150"},"modified":"2016-09-01T09:42:13","modified_gmt":"2016-09-01T12:42:13","slug":"destituicao-de-dilma-rousseff-divide-opinioes-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=96150","title":{"rendered":"Destitui\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff divide opini\u00f5es na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p>A Argentina, principal s\u00f3cia do Brasil no bloco regional Mercosul, reagiu com cautela \u00e0 destitui\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff, cujo mandato presidencial ser\u00e1 conclu\u00eddo por seu vice, Michel Temer. Em nota divulgada nessa quarta-feira (31\/08), o Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores afirmou que \u201crespeita o processo institucional verificado no pais-irm\u00e3o\u201d e reafirmou a vontade de continuar o processo de integra\u00e7\u00e3o, num contexto de \u201crespeito aos direitos humanos, \u00e0s institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e ao direito internacional\u201d.<\/p>\n<p>As rea\u00e7\u00f5es ao<em>\u00a0impeachment\u00a0<\/em>de Dilma e \u00e0 posse de Temer deixaram em evid\u00eancia a crise que se instalou no Mercosul no fim de junho, quando o Uruguai concluiu seu mandato como presidente\u00a0<em>pro tempore<\/em>\u00a0do bloco. Cada um dos cinco pa\u00edses exerce o cargo rotativo por seis meses, antes de entreg\u00e1-lo ao pr\u00f3ximo, em ordem alfab\u00e9tica.<\/p>\n<p>A partir de agosto, seria a vez da Venezuela, mas tr\u00eas dos quatro membros fundadores se opuseram. O Brasil, governado interinamente por Michel Temer, argumentou que os venezuelanos n\u00e3o haviam cumprido os requisitos necess\u00e1rios para serem considerados membros plenos. A Argentina e o Paraguai consideram que o presidente da Venezuela, Nicol\u00e1s Maduro, est\u00e1 violando a cl\u00e1usula democr\u00e1tica (condi\u00e7\u00e3o para integrar o bloco) ao mandar prender l\u00edderes opositores.<\/p>\n<p>A Venezuela \u2013 que assumiu a presid\u00eancia do Mercosul \u00e0 revelia do Brasil, da Argentina e do Paraguai e em meio a uma grave crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica &#8211; foi o mais duro a reagir contra o\u00a0<em>impeachment<\/em>\u00a0de Dilma. Em comunicado divulgado pelo Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, anunciou que vai retirar definitivamente seu embaixador em Bras\u00edlia, \u201cpara resguardar a legalidade internacional e em solidariedade ao povo do Brasil\u201d.<\/p>\n<p>O Equador e a Bol\u00edvia tamb\u00e9m prometeram retirar seus embaixadores de Bras\u00edlia. E, juntamente com a Nicar\u00e1gua, denunciaram o que consideram ser um \u201cgolpe parlamentar\u201d contra Dilma Rousseff perante a Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA), cujo secret\u00e1rio-geral, Lu\u00eds Almagro, foi ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Uruguai, no governo do ex-guerrilheiro Jose \u201cPepe\u201d Mujica.<\/p>\n<p>Almagro tem sido um dos maiores cr\u00edticos da Venezuela. Segundo ele, a democracia naquele pa\u00eds deixou de existir, quando Maduro come\u00e7ou a perseguir seus opositores, que nesta quinta-feira (1\u00ba) convocar\u00e3o uma grande marcha de protesto. Eles conquistaram maioria no Congresso em dezembro e est\u00e3o juntando assinaturas para convocar um referendo revogat\u00f3rio com o objetivo de destituir Maduro antes do\u00a0 fim de seu mandato em 2019. O objetivo \u00e9 realizar o plebiscito antes do fim do ano, para realizar novas elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Depois desse prazo, mesmo se Maduro for derrotado nas urnas, o vice dele assumir\u00e1 o poder.<\/p>\n<p>Cuba (que est\u00e1 em pleno processo de reaproxima\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos, depois de mais de meio s\u00e9culo de guerra fria) tamb\u00e9m criticou o\u00a0<em>impeachment\u00a0<\/em>de Dilma. Mas a Venezuela foi al\u00e9m dos demais, ao prometer \u201ccongelar as rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e diplom\u00e1ticas com o governo [de Temer] que surgiu desse golpe parlamentar\u201d.<\/p>\n<p>Foi gra\u00e7as \u00e0 destitui\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, em 2012, que a Venezuela conseguiu aderir ao Mercosul. Sua entrada havia sido aprovada pelos governos dos quatro pa\u00edses fundadores, que na \u00e9poca eram todos de esquerda. Mas tinha sido vetada pelo Congresso paraguaio, dominada pelo Partido Colorado, de direita \u2013 atualmente no poder.<\/p>\n<p>Apesar de o\u00a0<em>impeachment<\/em>\u00a0estar previsto na constitui\u00e7\u00e3o paraguaia, o processo-rel\u00e2mpago que destituiu Lugo foi considerado um \u201cgolpe parlamentar\u201d pelos governos da regi\u00e3o, que suspenderam o Paraguai do Mercosul at\u00e9 o vice-presidente concluir o mandato e convocar novas elei\u00e7\u00f5es presidenciais. O vencedor, Hor\u00e1cio Cartes, \u00e9 do Partido Colorado que votou contra Lugo.<\/p>\n<p>Enquanto o Paraguai estava afastado \u2013 sem voz, nem voto \u2013, a Venezuela foi admitida no Mercosul e tinha at\u00e9 meados de agosto para incorporar centenas de normas e adquirir\u00a0<em>status<\/em>\u00a0de membro pleno. Isso n\u00e3o aconteceu, at\u00e9 porque a conjuntura internacional mudou: os pre\u00e7os das\u00a0<em>commodities<\/em>\u00a0(entre eles o do petr\u00f3leo, principal produto de exporta\u00e7\u00e3o venezuelano) ca\u00edram. As economias regionais deixaram de crescer ao ritmo da d\u00e9cada anterior, quando sobrava dinheiro para financiar planos sociais.<\/p>\n<p>De todos os membros do Mercosul, o Paraguai foi o mais cr\u00edtico da Venezuela. O maior jornal do pa\u00eds, o\u00a0<em>ABC Color<\/em>, deu menos destaque \u00e0 sa\u00edda de Dilma do que ao fim do \u201cbolivarianismo\u201d \u2013 movimento lan\u00e7ado pelo ex-presidente da Venezuela Hugo Chavez, que pregava a uni\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e a ado\u00e7\u00e3o de um modelo econ\u00f4mico regional alternativo, mais voltado para a \u00e1rea social. Em menor ou maior medida, a Argentina, o Brasil, a Bol\u00edvia, o Uruguai e o Equador \u2013 seguiram uma receita parecida, reduzindo de forma significativa a pobreza. \u201cTemer confirma o fim do Brasil bolivariano\u201d, anunciou o jornal.<\/p>\n<p>A presidente do Chile, Michelle Bachelet \u2013 que como Dilma foi v\u00edtima da ditadura militar e cumpre seu segundo mandato \u2013 emitiu comunicado manifestando respeito \u201cpelos assuntos internos de outros Estados e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 recente decis\u00e3o adotada pelo Senado brasileiro\u201d. Al\u00e9m de expressar confian\u00e7a de que o Brasil vai resolver seus desafios, Bachelet manifestou \u201capre\u00e7o e reconhecimento \u00e0 ex-presidenta Dilma Rousseff\u201d e afirmou que os dois pa\u00edses \u201cmantiveram rela\u00e7\u00e3o intensa e produtiva durante seu mandato\u201d.<\/p>\n<p>Os argentinos \u2013 que enfrentam tr\u00eas anos de estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e cujo presidente, Mauricio Macri, em oito meses de governo anunciou ajustes, sem conseguir atrair os investimentos previstos \u2013 esperam que o\u00a0<em>impeachment<\/em>\u00a0acabe com o clima de incerteza pol\u00edtica que paralisava os neg\u00f3cios. Na imprensa, muitos analistas dizem que o panorama pode continuar complicado, com o surgimento de novas den\u00fancias e o PT na oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/dilma_destituida.jpg\" alt=\"\" \/><em>Dilma Rousseff em pronunciamento no Pal\u00e1cio da Alvorada (Jos\u00e9 Cruz\/Ag\u00eancia Brasil)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Ex-presidentes<\/strong><\/p>\n<p>Os ex-presidentes da regi\u00e3o que conviveram com 13 anos de governos petistas tamb\u00e9m se manifestaram. A antecessora da Mauricio Macri, Cristina Kirchner, expressou a sua opini\u00e3o sobre o<em>impeachment<\/em>\u00a0pelo Twitter: \u201cAm\u00e9rica do Sul, outra vez laborat\u00f3rio da direita mais extrema. Nosso cora\u00e7\u00e3o junto ao povo brasileiro, Dilma, Lula e os companheiros do PT. Se consumou no Brasil o golpe institucional\u201d, disse.<\/p>\n<p>Cristina \u00e9 acusada por Macri de ter esvaziado os cofres p\u00fablicos e deixado como heran\u00e7a uma infla\u00e7\u00e3o anual de dois d\u00edgitos \u2013 uma situa\u00e7\u00e3o que o obrigou a tomar medidas de ajuste, na esperan\u00e7a de atrair investimentos.<\/p>\n<p>O presidente do Uruguai, Tabar\u00e9 Vasquez, manteve sil\u00eancio. Seu antecessor, Jose \u201cPepe\u201d Mujica &#8211; que \u00e9 hoje senador do mesmo partido \u2013, afirmou em reuni\u00e3o com l\u00edderes sindicais que o<em>\u00a0impeachment\u00a0<\/em>de Dilma \u201cfoi um golpe anunciado\u201d, mas que serviu de li\u00e7\u00e3o: \u201cA companheira Dilma n\u00e3o teve cintura para negociar e, sobretudo, surpreendeu muita gente de suas pr\u00f3prias fileiras porque quis frear o peso da crise econ\u00f4mica com algum tipo de medida relativamente conservadora\u201d.<\/p>\n<p><strong>Imprensa<\/strong><\/p>\n<p>A not\u00edcia da sa\u00edda de Dilma e da posse de Michel Temer foi manchete na imprensa latino-americana, que refletiu o debate no Brasil entre aqueles descontentes com a crise &#8211; que acham que o PT afundou a economia &#8211; e os que dizem que a ex-presidenta foi julgada injustamente, por um crime menor e por pol\u00edticos comprovadamente corruptos.<\/p>\n<p>\u201cDilma disse que se consumou um golpe de Estado\u201d, noticiou o jornal argentino\u00a0<em>Clarin<\/em>, ao explicar que ela n\u00e3o foi julgada por corrup\u00e7\u00e3o \u2013 mas pela manipula\u00e7\u00e3o de contas p\u00fablicas (&#8220;pedaladas fiscais&#8221;). \u201c\u00c9 o fim de uma era no Brasil\u201d, acrescentou. O jornal de maior circula\u00e7\u00e3o na Argentina descreve Temer como um pol\u00edtico \u201cconciliador\u201d, que mede suas palavras e ter\u00e1 a dif\u00edcil tarefa de fazer os ajustes necess\u00e1rios. Acrescentou que considera &#8220;todos culp\u00e1veis\u201d pela situa\u00e7\u00e3o e opina que \u201co poder dominante\u201d se aproveitou das circunst\u00e2ncias \u201cpara transferir a responsabilidade da elei\u00e7\u00e3o de uma maioria nacional a meia centena de senadores\u201d, o que abre perigoso precedente na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O jornal argentino\u00a0<em>Pagina 12<\/em>, de esquerda, resumiu o\u00a0<em>impeachment<\/em>\u00a0em um t\u00edtulo de duas palavras: \u201cGolpe Consumado\u201d. Acrescentou que, mesmo destitu\u00edda, Dilma ter\u00e1 futuro politico. Seus opositores n\u00e3o obtiveram o apoio necess\u00e1rio de dois ter\u00e7os do Senado para inabilit\u00e1-la de exercer cargos pol\u00edticos durante oito anos. A agencia oficial<em>\u00a0Telam<\/em>\u00a0tamb\u00e9m ressalta a decis\u00e3o de Dilma de continuar se opondo aos \u201cgolpistas\u201d. <\/p>\n<p>(Ag\u00eancia Brasil)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Argentina, principal s\u00f3cia do Brasil no bloco regional Mercosul, reagiu com cautela \u00e0 destitui\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff, cujo mandato presidencial ser\u00e1 conclu\u00eddo por seu vice, Michel Temer. 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