{"id":95800,"date":"2016-08-27T10:49:09","date_gmt":"2016-08-27T13:49:09","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=95800"},"modified":"2016-08-27T10:49:09","modified_gmt":"2016-08-27T13:49:09","slug":"revitalizar-o-velho-chico-e-mudar-as-atividades-produtivas-dizem-pesquisadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=95800","title":{"rendered":"Revitalizar o Velho Chico \u00e9 mudar as atividades produtivas, dizem pesquisadores"},"content":{"rendered":"<p>A continuidade do modelo econ\u00f4mico atual na Bacia do Rio S\u00e3o Francisco, com atividades que consomem muita \u00e1gua e provocam devasta\u00e7\u00e3o dos biomas, e a falta de informa\u00e7\u00f5es sobre a real necessidade por \u00e1gua podem atrapalhar ou mesmo inviabilizar a revitaliza\u00e7\u00e3o do manancial.<\/p>\n<p>A opini\u00e3o \u00e9 compartilhada pelo engenheiro agr\u00f4nomo Jo\u00e3o Suassuna, pesquisador da Funda\u00e7\u00e3o Joaquim Nabuco (Fundaj), e pelo soci\u00f3logo Adriano Martins, que participou de uma peregrina\u00e7\u00e3o pelas cidades cortadas pelo rio na d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n<p>Especialista em conviv\u00eancia com o semi\u00e1rido, Suassuna se diz incr\u00e9dulo com o plano Novo Chico, lan\u00e7ado pelo governo do presidente interino Michel Temer. Ele relata que o Rio S\u00e3o Francisco praticamente n\u00e3o tem mais mata ciliar, o que provoca assoreamento e, em consequ\u00eancia, a baixa reprodu\u00e7\u00e3o de peixes. Al\u00e9m disso, ele cita que \u00e9 urgente solucionar o problema dos esgotos que s\u00e3o lan\u00e7ados sem tratamento na calha do rio. O novo programa prev\u00ea a\u00e7\u00f5es para  prote\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o das nascentes, controle de processos erosivos e recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas. Na primeira fase, ter\u00e3o prioridade as obras de abastecimento de \u00e1gua e de esgotamento sanit\u00e1rio que est\u00e3o em andamento, com investimento total de R$ 1,162 bilh\u00e3o. <\/p>\n<p>O pesquisador conta que, no in\u00edcio do governo Lula (o primeiro mandato do ex-presidente foi de 2003 a 2006), houve uma preocupa\u00e7\u00e3o e uma inten\u00e7\u00e3o de atacar esse problema. No entanto, com o advento do projeto da transposi\u00e7\u00e3o, os recursos acabaram sendo redirecionados.<\/p>\n<p>\u201cO governo Temer chega agora com o plano Novo Chico e tenta acelerar essas quest\u00f5es da revitaliza\u00e7\u00e3o, mas estamos numa crise muito s\u00e9ria, com falta de recursos. N\u00e3o acredito, em hip\u00f3tese alguma, que esse plano v\u00e1 para frente. Deveria haver prioridade na conclus\u00e3o da transposi\u00e7\u00e3o e deixar para mais tarde, depois que come\u00e7ar a resolver os problemas de abastecimento do povo, o investimento na revitaliza\u00e7\u00e3o do rio.\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/revitalizar_sf.jpg\" alt=\"\" \/><em>Revitalizar o S\u00e3o Francisco passa por mudar as atividades produtivas (Chesf\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Suassuna aponta que \u00e9 necess\u00e1rio realizar um trabalho intenso comandado por hidr\u00f3logos para saber qual a oferta e a demanda por \u00e1gua do S\u00e3o Francisco. Ele relata, por exemplo, que existe um uso exacerbado da \u00e1gua dos aqu\u00edferos (\u00e1guas subterr\u00e2neas), principalmente pela agricultura irrigada.<\/p>\n<p>\u201cO que se sabe hoje \u00e9 que o S\u00e3o Francisco est\u00e1 correndo com pouca \u00e1gua, h\u00e1 a perspectiva de a represa de Sobradinho chegar ao volume morto em novembro, numa situa\u00e7\u00e3o em que o Nordeste est\u00e1 sedento. Se a transposi\u00e7\u00e3o estivesse em funcionamento, o rio n\u00e3o teria condi\u00e7\u00f5es de fornecer o volume suficiente para atender as necessidades dos nordestinos.\u201d<\/p>\n<p>Quase 25 anos atr\u00e1s, as condi\u00e7\u00f5es da bacia do rio S\u00e3o Francisco j\u00e1 chamavam a aten\u00e7\u00e3o de estudiosos e ambientalistas. Em 1992, quatro pessoas, entre elas o hoje bispo de Barra (BA), dom Luiz Cappio, e o soci\u00f3logo Adriano Martins, realizaram uma peregrina\u00e7\u00e3o por cidades da bacia desde a nascente at\u00e9 a foz, para dialogar com as popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas sobre a degrada\u00e7\u00e3o do manancial e buscar solu\u00e7\u00f5es para os problemas.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca, segundo Martins, a situa\u00e7\u00e3o mais vis\u00edvel era o desmatamento das matas ciliares, das regi\u00f5es de nascentes e das encostas, o que gerava o carreamento de terra para o leito do rio. Os impactos dos grandes barramentos, a exemplo da represa de Sobradinho, tamb\u00e9m foram notados pelos peregrinos. De acordo com o soci\u00f3logo, as obras alteraram o ciclo de vaz\u00e3o e cheia, fazendo com que as \u00e1guas cheguem \u00e0 foz sem for\u00e7a e provocando o avan\u00e7o do mar rio adentro.<\/p>\n<p>A falta de gest\u00e3o do uso das \u00e1guas tamb\u00e9m foi verificada na d\u00e9cada de 1990 e, de acordo com Martins, o problema persiste e se agrava a partir do avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio. \u201cH\u00e1 uma busca maior da \u00e1gua para fins produtivos. Existe um esfor\u00e7o do comit\u00ea de bacias [Comit\u00ea da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio S\u00e3o Francisco] para mediar esses conflitos, minor\u00e1-los, mas na hora da disputa, quem tem mais peso pol\u00edtico e mais poder econ\u00f4mico acaba levando vantagem.\u201d<\/p>\n<p><strong>Furo na \u00e1gua<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a Ag\u00eancia Nacional das \u00c1guas (ANA), 68% da \u00e1gua retirada do rio S\u00e3o Francisco s\u00e3o destinadas \u00e0 irriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo defende que a revitaliza\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco requer uma reorienta\u00e7\u00e3o da proposta de desenvolvimento da regi\u00e3o, revendo, por exemplo atividades como o plantio de eucalipto para produ\u00e7\u00e3o de celulose e monoculturas para exporta\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o altamente degradantes. Para ele, h\u00e1 atividades lucrativas que causam pouco impacto na regi\u00e3o da bacia, como a caprinocultura e a ovinocultura.<\/p>\n<p>\u201cPensar revitaliza\u00e7\u00e3o sem pensar a reorienta\u00e7\u00e3o do desenvolvimento da regi\u00e3o \u00e9 como fazer furo na \u00e1gua. \u00c9 poss\u00edvel evitar danos maiores, mas n\u00e3o revitaliza de fato.\u201d<\/p>\n<p>(Ag\u00eancia Brasil)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A continuidade do modelo econ\u00f4mico atual na Bacia do Rio S\u00e3o Francisco, com atividades que consomem muita \u00e1gua e provocam devasta\u00e7\u00e3o dos biomas, e a falta de informa\u00e7\u00f5es sobre a real necessidade por \u00e1gua podem atrapalhar ou mesmo inviabilizar a revitaliza\u00e7\u00e3o do manancial. 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