{"id":94488,"date":"2016-08-12T21:37:21","date_gmt":"2016-08-13T00:37:21","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=94488"},"modified":"2016-08-12T21:37:21","modified_gmt":"2016-08-13T00:37:21","slug":"conheca-historias-de-superacao-de-mulheres-medalhistas-dos-jogos-rio-2016-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=94488","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a hist\u00f3rias de supera\u00e7\u00e3o de mulheres medalhistas dos Jogos Rio 2016"},"content":{"rendered":"<p>Quem v\u00ea as atletas nos p\u00f3dios dos Jogos Ol\u00edmpicos Rio 2016 pode n\u00e3o imaginar mas, para serem as melhores no que fazem, enfrentaram obst\u00e1culos que v\u00e3o al\u00e9m dos desafios trazidos pelo pr\u00f3prio esporte.<\/p>\n<p>Depress\u00e3o, abandono familiar, racismo, suor e l\u00e1grimas marcam as trajet\u00f3rias de algumas das mulheres que j\u00e1 garantiram medalha nesta 31\u00aa edi\u00e7\u00e3o dos Jogos Ol\u00edmpicos da Era Moderna. Conhe\u00e7a as hist\u00f3rias de tr\u00eas delas:<\/p>\n<p><strong>Rafaela Silva<\/strong><\/p>\n<p>Primeira medalhista de ouro do Brasil nesta edi\u00e7\u00e3o dos Jogos, a judoca Rafaela Silva, de 24 anos, emocionou a todos ao cair no choro ap\u00f3s a vit\u00f3ria contra a atleta Dorjs\u00fcrengiin Sumiya, da Mong\u00f3lia, na final na categoria at\u00e9 57 quilos no \u00faltimo dia 8.<\/p>\n<p><center><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/historia_mulheres_1.jpg\" alt=\"\" \/><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Kaol Porf\u00edrio\/Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/center><br \/>\n<\/br><br \/>\nN\u00e3o era para menos. Oito anos antes, na Olimp\u00edada de Londres, Rafaela chegou como favorita, por\u00e9m foi eliminada nas oitavas de final da competi\u00e7\u00e3o.  <\/p>\n<p>O abatimento pela derrota nos Jogos virou depress\u00e3o quando a atleta passou a receber mensagens racistas nas redes sociais de pessoas descontentes com a derrota.  <\/p>\n<p>Ap\u00f3s ser chamada de \u201cmacaca\u201d e ler que \u201cera uma vergonha para a fam\u00edlia\u201d, havia tomado uma decis\u00e3o: parar de lutar. <\/p>\n<p>&#8220;Foi um momento bem dif\u00edcil. Andava na rua e pensava \u201cvou lutar a Olimp\u00edada\u201d. Mas ca\u00eda a ficha. Lembrava que tinha sido eliminada e ficava muito chateada. Assistia televis\u00e3o e come\u00e7ava a chorar\u201d, relembra.<\/p>\n<p>A atleta de origem humilde cresceu na comunidade Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, e come\u00e7ou a praticar jud\u00f4 aos 5 anos, em uma academia na rua de casa. Ainda crian\u00e7a passou a treinar no Instituto Rea\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental do medalhista ol\u00edmpico Fl\u00e1vio Canto.<\/p>\n<p>No Rea\u00e7\u00e3o, j\u00e1 adulta, encontrou for\u00e7as para juntar os cacos e dar a volta por cima ap\u00f3s as sess\u00f5es de terapia com a psic\u00f3loga do projeto, Nell Salgado. Desde ent\u00e3o, a psic\u00f3loga assumiu o posto de guia da judoca.<\/p>\n<p>\u201cA Nell come\u00e7ou a fazer um trabalho volunt\u00e1rio para o Instituto Rea\u00e7\u00e3o e me perguntava se daqui a dois anos eu me via fora do jud\u00f4. A\u00ed eu dizia que o jud\u00f4 era minha vida e voltei a treinar\u201d, disse Rafaela.<\/p>\n<p><center><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/historia_mulheres_2.jpg\" alt=\"\" \/><em>A judoca brasileira Rafaela Silva (Reuters\/Kai Pfaffenbach\/Direitos Reservados)<\/em><\/center><br \/>\n<\/br><br \/>\nFortalecida e mais confiante, os resultados come\u00e7aram a vir. Em 2013, conquistou a medalha de ouro no Mundial de Jud\u00f4 de 2013. Trabalhando corpo e mente, Rafela mirava os Jogos no Rio sem esquecer das li\u00e7\u00f5es que a competi\u00e7\u00e3o em Londres lhe trouxe.<\/p>\n<p>\u201cIsso ficou guardado em mim. S\u00f3 entrava na competi\u00e7\u00e3o pensando no que passei em Londres, que era uma sensa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o queria passar novamente\u201d.<\/p>\n<p>Com a medalha no peito, a judoca foi instigada por jornalistas a dar um recado \u00e0s pessoas que a ofenderam no passado: <\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o precisa de mensagem, a medalha j\u00e1 diz tudo. N\u00e3o \u00e9 a cor ou o dinheiro que faz voc\u00ea conquistar uma medalha. \u00c9 s\u00f3 a vontade, a garra e a determina\u00e7\u00e3o&#8221;, concluiu Rafaela. <\/p>\n<p><strong>Simone Biles<\/strong><\/p>\n<p>Os movimentos feitos pela ginasta norte-americana Simone Biles beiram a perfei\u00e7\u00e3o e deixaram plateia e atletas de outros pa\u00edses de queixo ca\u00eddo. Com seus 1,45 metros de altura, a menina de 19 anos chegou ao seu segundo ouro ao vencer a final individual feminina da gin\u00e1stica ol\u00edmpica contra a compatriota Alexandra Raisman.<\/p>\n<p><center><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/historia_mulheres_3.jpg\" alt=\"\" \/><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Kaol Porf\u00edrio\/Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/center><br \/>\n<\/br><br \/>\nA atleta j\u00e1 havia conquistado o t\u00edtulo por equipe pelos Estados Unidos na \u00faltima ter\u00e7a (9). As medalhas ol\u00edmpicas s\u00e3o as primeiras de uma carreira de tantos t\u00edtulos que fazem Bile parecer uma veterana.<\/p>\n<p>Ela ostenta nada menos que 17 medalhas em campeonatos nacionais e 14 medalhas em campeonatos mundiais.<\/p>\n<p>A menina de sorriso f\u00e1cil carrega um drama familiar vivido na inf\u00e2ncia.  A m\u00e3e era viciada em drogas e n\u00e3o conseguia cuidar dos quatro filhos. Simone, ent\u00e3o com 3 anos, e os irm\u00e3os passaram a viver em um orfanato em Ohio. At\u00e9 que o av\u00f4, Ron Biles, e a esposa dele, Nellie, adotaram Simone e sua irm\u00e3 Adria. Os outros dois irm\u00e3os foram morar com outros parentes.<\/p>\n<p>&#8220;Quando era mais nova me perguntava o que teria sido da minha vida se nada disso tivesse acontecido. \u00c1s vezes, ainda me pergunto se minha m\u00e3e biol\u00f3gica se arrepende e se queria ter feito as coisas de forma diferente, mas evito me prender a essas perguntas porque n\u00e3o sou eu quem tem que respond\u00ea-las&#8221;, declarou Simone a ve\u00edculos americanos.<\/p>\n<p><center><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/historia_mulheres_4.jpg\" alt=\"\" \/><em>Simone Biles, ginasta dos Estados Unidos (Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil)<\/em><\/center><br \/>\n<\/br><br \/>\nEm 2011, por apenas um ponto, ela n\u00e3o foi convocada para sele\u00e7\u00e3o de gin\u00e1stica art\u00edstica dos Estados Unidos. Tomou a decis\u00e3o de sair da escola e come\u00e7ou a ter aulas em casa, como \u00e9 permitido no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Abriu m\u00e3o de atividades comuns de uma garota da sua idade e passou a treinar incansavelmente. A carga hor\u00e1ria de treinos passou de 20 para 32 horas semanais. Um ano depois, ganhou o primeiro t\u00edtulo individual geral no mundial do esporte.  Mesmo assim, Biles n\u00e3o se enxerga como um dos grandes nomes dos Jogos Ol\u00edmpicos:<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o sou uma celebridade. Eu sou s\u00f3 a Simone Biles, mas \u00e9 maravilhoso ser reconhecida pelo meu sucesso e do meu pa\u00eds. Eu n\u00e3o sou a pr\u00f3xima Usain Bolt ou Michael Phelps. Sou a primeira Simone Biles\u201d.<\/p>\n<p><strong>Mayra Aguiar<\/strong><\/p>\n<p>Ao colocar no peito a medalha conquistada na Rio 2016, Mayra Aguiar tamb\u00e9m entrava para hist\u00f3ria do pa\u00eds por ser a primeira mulher a ganhar mais de uma medalha de bronze em Olimp\u00edadas.<\/p>\n<p><center><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/historia_mulheres_5.jpg\" alt=\"\" \/><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Kaol Porf\u00edrio\/Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/center><br \/>\n<\/br><br \/>\nQuatro anos antes, em Londres, Mayra ainda se recuperava do fim do sonho pelo ouro quando foi para a disputa pelo bronze sentindo muitas dores f\u00edsicas. O golpe que deu a vit\u00f3ria a Mayra fez o bra\u00e7o da atleta estalar. Mesmo assim, conseguiu trazer o bronze para casa.<\/p>\n<p>Manteve-se entre as melhores do mundo, mas as les\u00f5es tornaram-se duras advers\u00e1rias e levaram Mayra a se submeter a diversas cirurgias. <\/p>\n<p>Logo depois da Olimp\u00edada de Londres, passou por uma cirurgia para corrigir um problema no ombro. Recuperou-se a tempo de participar e levar o t\u00edtulo no Mundial de 2013.<\/p>\n<p>Em seguida, foi submetida a mais duas cirurgias: no joelho direito e no cotovelo esquerdo.<\/p>\n<p>Apesar das diversas interven\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas e per\u00edodos sem treinar por causa da recupera\u00e7\u00e3o, Mayra chegou \u00e0 Olimp\u00edada Rio 2016 como uma das esperan\u00e7as de medalha para o Brasil.<\/p>\n<p>Diante de uma torcida empolgada, a atleta viu o drama de Londres se repetir. Perdeu a semifinal para a francesa Audrey Tcheum\u00e9o e pouco tempo depois j\u00e1 voltava ao tatame para lutar pelo bronze contra a cubana Yalennis Castillo na categoria at\u00e9 78 kg .<\/p>\n<p>Assumindo uma postura agressiva, ela conseguiu um yuko, que a deixou em vantagem na luta. A estrat\u00e9gia da brasileira foi n\u00e3o recuar para defender o placar favor\u00e1vel. <\/p>\n<p>\u201cA hora em que consegui a pontua\u00e7\u00e3o, sabia que se ela sentisse que eu tinha parado, ela viria muito para cima. \u00c9 uma atleta muito agressiva, j\u00e1 foi vice-campe\u00e3 ol\u00edmpica, e sabe o valor de uma medalha. Ent\u00e3o, ela daria tudo ali. Na minha cabe\u00e7a, eu n\u00e3o poderia parar de lutar, eu teria que continuar agressiva, lutando. Pus na minha cabe\u00e7a que ela n\u00e3o tiraria essa medalha de mim\u201d.<\/p>\n<p><center><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/historia_mulheres_6.jpg\" alt=\"\" \/><em>Judoca brasileira Mayra Aguiar (Fernando Frazao\/Ag\u00eancia Brasil)<\/em><\/center><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><em>(Fonte: Ag\u00eancia Brasil)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem v\u00ea as atletas nos p\u00f3dios dos Jogos Ol\u00edmpicos Rio 2016 pode n\u00e3o imaginar mas, para serem as melhores no que fazem, enfrentaram obst\u00e1culos que v\u00e3o al\u00e9m dos desafios trazidos pelo pr\u00f3prio esporte. 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