{"id":93544,"date":"2016-08-02T14:56:46","date_gmt":"2016-08-02T17:56:46","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=93544"},"modified":"2016-08-02T14:56:46","modified_gmt":"2016-08-02T17:56:46","slug":"crescimento-de-crimes-na-zona-rural-acompanha-ritmo-da-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=93544","title":{"rendered":"Crescimento de crimes na zona rural acompanha ritmo da cidade"},"content":{"rendered":"<p>O n\u00famero de crimes violentos em Minas Gerais mais que dobrou nos \u00faltimos quatro anos e o ritmo de crescimento desse problema na zona rural tem acompanhado o das cidades. A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 do coordenador do Centro de Pesquisa em Seguran\u00e7a P\u00fablica da PUC Minas, Lu\u00eds Fl\u00e1vio Sapori. Ele participou do Debate P\u00fablico Seguran\u00e7a no Campo, realizado no Plen\u00e1rio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na tarde desta segunda-feira (1\u00ba\/8\/16).<\/p>\n<p>Promovido pelas Comiss\u00f5es de Seguran\u00e7a P\u00fablica e de Agropecu\u00e1ria e Agroind\u00fastria, o evento teve como objetivo discutir o crescimento da viol\u00eancia na zona rural e propor alternativas para enfrent\u00e1-lo. Participaram do debate trabalhadores rurais ligados \u00e0 Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e produtores vinculados \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o dos Sindicatos dos Produtores Rurais do Centro de Minas (Asprocem), que, juntos, lotaram o Plen\u00e1rio.<\/p>\n<p>Segundo Lu\u00eds Sapori, se, em 2012, a m\u00e9dia mensal de crimes violentos era de aproximadamente 5 mil (60 mil ao ano), o n\u00famero de 2015 chegou a 11 mil, totalizando 132 mil crimes violentos anuais. Os dados s\u00e3o da Secretaria de Estado de Seguran\u00e7a P\u00fablica (Sesp), que considera crimes violentos: homic\u00eddio tentado e consumado, estupro tentado e consumado, roubos e extors\u00f5es mediante sequestro, al\u00e9m de sequestros e c\u00e1rceres privados.<\/p>\n<p>\u201cEsse n\u00famero de crimes violentos \u00e9 o maior da hist\u00f3ria de Minas Gerais. \u00c9 um esc\u00e2ndalo, uma vergonha. O sentimento de inseguran\u00e7a no campo \u00e9 o mesmo vivenciado nas cidades em todas as regi\u00f5es do Estado\u201d, criticou o especialista. Ele refutou o argumento de que o aumento da criminalidade violenta em Minas estaria seguindo uma tend\u00eancia nacional. \u201cApenas em alguns estados, como Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro, o n\u00famero \u00e9 crescente. Mas, em outros, como Esp\u00edrito Santo e S\u00e3o Paulo, a viol\u00eancia est\u00e1 caindo\u201d, destacou.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/trabalhadores_almg.jpg\" alt=\"\" \/><em>Trabalhadores e produtores rurais lotaram o Plen\u00e1rio da Assembleia de Minas durante debate p\u00fablico nesta segunda-feira (1\u00ba de agosto de 2016) &#8211; Foto: Willian Dias \/ ALMG<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Tr\u00e1fico <\/strong>&#8211; Na avalia\u00e7\u00e3o de Lu\u00eds Fl\u00e1vio Sapori, uma das maiores causas desse incremento \u00e9 a chegada, ao meio rural, do tr\u00e1fico de drogas, especialmente do crack. \u201cEssa droga gera consumidores compulsivos, que roubam para alimentar o v\u00edcio. Mas o problema maior \u00e9 o traficante. Tr\u00e1fico significa arma de fogo e homic\u00eddios\u201d, explica.<\/p>\n<p>Esse fator, avalia Sapori, explicaria apenas uma parte do problema, sendo a outra evidenciada pela atua\u00e7\u00e3o deficiente das pol\u00edcias, da Justi\u00e7a e do sistema carcer\u00e1rio. Na opini\u00e3o dele, em Minas, a impunidade teria aumentado nos \u00faltimos cinco anos, facilitando a a\u00e7\u00e3o dos criminosos. \u201cAtualmente, no campo, h\u00e1 quadrilhas especializadas em roubos de cargas de frutas e de sacas de caf\u00e9. Elas praticam crimes por anos e anos e nenhuma medida \u00e9 tomada\u201d, criticou.<\/p>\n<p>Para ele, o atual governo do Estado n\u00e3o prioriza a \u00e1rea de seguran\u00e7a e muito menos a integra\u00e7\u00e3o entre as Pol\u00edcias Militar e Civil. \u201cQuando acontece um assalto em uma \u00e1rea rural, \u00e9 chamada a PM, mas ela n\u00e3o vai resolver o problema, pois isso depende de investiga\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o houver trabalho de intelig\u00eancia, se o delegado n\u00e3o conversar com o comandante da PM de cada regi\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 como melhorar\u201d, advertiu.<\/p>\n<p><strong>Conselhos <\/strong>&#8211; Como medidas para reduzir a criminalidade no Estado, Lu\u00eds Sapori apontou solu\u00e7\u00f5es de curto, m\u00e9dio e longo prazo. A curto prazo, ele sugeriu a organiza\u00e7\u00e3o local dos produtores rurais, priorizando a cria\u00e7\u00e3o de Conselhos de Seguran\u00e7a P\u00fablica (Conseps), reunindo dirigentes das pol\u00edcias e do Minist\u00e9rio P\u00fablico na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A m\u00e9dio e longo prazos, o especialista defendeu a prioriza\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a p\u00fablica pelo governo estadual, a atua\u00e7\u00e3o conjunta das Pol\u00edcias Militar e Civil, al\u00e9m do fim da influ\u00eancia pol\u00edtico-partid\u00e1ria na indica\u00e7\u00e3o de delegados. Outra a\u00e7\u00e3o seria a montagem de uma for\u00e7a-tarefa de investiga\u00e7\u00e3o em cada uma das 17 regi\u00f5es de Minas, com prazo para apresenta\u00e7\u00e3o de resultados. Por fim, ele sugeriu o investimento nas patrulhas rurais e, ainda, a cria\u00e7\u00e3o de redes de produtores rurais protegidos, nos moldes da rede de vizinhos protegidos.<\/p>\n<p><strong>PIB rural <\/strong>&#8211; O presidente da Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Estado de Minas Gerais (Faemg), Roberto Sim\u00f5es, questionou a falta de recursos para a seguran\u00e7a rural: \u201c42% do PIB mineiro em 2015 foi gerado na agropecu\u00e1ria. Ser\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 dinheiro para proteger um setor que gera tanta renda e emprego? Ningu\u00e9m pode nos acudir?\u201d, questionou.<\/p>\n<p>Entre outras medidas para reverter o atual quadro de inseguran\u00e7a no campo, ele prop\u00f4s a implanta\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edcia especializada no meio rural e ainda, a amplia\u00e7\u00e3o do efetivo policial. Tamb\u00e9m solicitou a reativa\u00e7\u00e3o de postos e barreiras de fiscaliza\u00e7\u00e3o, mais investimentos em telefonia m\u00f3vel na \u00e1rea rural e a aprova\u00e7\u00e3o do Projeto de Lei Federal 3.722\/12, que altera o Estatuto do Desarmamento, ampliando a utiliza\u00e7\u00e3o de armas nas propriedades rurais.<\/p>\n<p>J\u00e1 o coordenador do Departamento T\u00e9cnico de Desenvolvimento Econ\u00f4mico da Associa\u00e7\u00e3o Mineira de Munic\u00edpios (AMM), Leandro Rico, disse que os prefeitos reclamam que n\u00e3o t\u00eam mais condi\u00e7\u00f5es de custear despesas das pol\u00edcias em cada cidade. Segundo ele, a parceria se exauriu porque as prefeituras j\u00e1 fazem mais do que podem na \u00e1rea de seguran\u00e7a e \u00e9 necess\u00e1ria uma participa\u00e7\u00e3o maior do governo do Estado.<\/p>\n<p>O presidente da Federa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg), Vilson Luiz da Silva, criticou o argumento utilizado pela Pol\u00edcia Militar para n\u00e3o atender as ocorr\u00eancias na \u00e1rea rural: \u201cQuando acontece um crime no campo, o produtor liga para a PM e ela alega que n\u00e3o tem gasolina. Mas quando \u00e9 para multar, a Pol\u00edcia Ambiental vai com caminhonete nova ao local e penaliza o produtor\u201d.<\/p>\n<p><strong>Deputados querem delegacia especializada em roubo rural<\/strong><\/p>\n<p>O presidente da Comiss\u00e3o de Agropecu\u00e1ria, deputado Fabiano Tolentino (PPS), anunciou que protocolou na manh\u00e3 desta segunda (1\u00ba), um projeto de lei para a cria\u00e7\u00e3o do Plano Estadual de Seguran\u00e7a em Defesa do Campo. A proposta inclui a cria\u00e7\u00e3o de uma delegacia especializada em roubos e furtos rurais. \u201cN\u00f3s, do campo, n\u00e3o estamos mais vendo alternativas. A seguran\u00e7a p\u00fablica est\u00e1 um caos\u201d, salientou.<\/p>\n<p>Tolentino defendeu o uso de armamentos pelo produtor rural. \u201cN\u00f3s n\u00e3o temos armas, mas os bandidos t\u00eam\u201d, pontuou. Ele afirmou ainda que faltam investimentos e servidores nas Pol\u00edcias Militar e Civil. \u201cQueremos prioridade do governo no trabalho das pol\u00edcias para que possamos ter seguran\u00e7a no campo e na cidade tamb\u00e9m\u201d, destacou. Por fim, o parlamentar pediu a nomea\u00e7\u00e3o de 1.341 investigadores aprovados em concurso da Pol\u00edcia Civil.<\/p>\n<p>O deputado Jo\u00e3o Leite (PSDB) tamb\u00e9m disse ser a favor do porte de armas para propriet\u00e1rios rurais. Para ele, \u00e9 uma forma de os trabalhadores conseguirem se defender. Em sua opini\u00e3o, criminosos t\u00eam que ir para cadeia \u201cpara que produtores tenham sossego para trabalhar na terra&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Aus\u00eancia<\/strong> &#8211; O presidente da Comiss\u00e3o de Seguran\u00e7a P\u00fablica, deputado Sargento Rodrigues (PDT), criticou a aus\u00eancia do secret\u00e1rio de Estado da pasta na reuni\u00e3o. Lembrou, ainda, que a viol\u00eancia rural \u00e9 um problema s\u00e9rio em v\u00e1rias cidades de diferentes regi\u00f5es do Estado, exemplificando com o caso de um produtor rural mineiro que j\u00e1 foi roubado seis vezes este ano. \u201cLevaram m\u00e1quina, caf\u00e9 e muitas outras coisas\u201d, ressaltou. Ele tamb\u00e9m criticou o que chamou de \u201credu\u00e7\u00e3o de gastos\u201d na \u00e1rea de seguran\u00e7a p\u00fablica no Estado.<\/p>\n<p>O deputado Ant\u00f4nio Carlos Arantes (PSDB) foi enf\u00e1tico: &#8220;os produtores rurais pedem socorro&#8221;. Ele tamb\u00e9m relatou casos de assaltos no campo. \u201cFaltam estrutura e pessoas na pol\u00edcia, sim. Mas h\u00e1 muita omiss\u00e3o policial tamb\u00e9m. Grande parte dos crimes \u00e9 por falta de a\u00e7\u00e3o\u201d, ponderou. Ele tamb\u00e9m defendeu o porte de armas para produtores rurais.<\/p>\n<p>J\u00e1 o deputado In\u00e1cio Franco (PV) tamb\u00e9m criticou a aus\u00eancia do secret\u00e1rio de Estado e destacou a import\u00e2ncia da \u00e1rea rural para o desenvolvimento do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>O deputado Alencar da Silveira Jr. (PDT) concordou com o representante da AMM quanto \u00e0 situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil dos munic\u00edpios. \u201cAs prefeituras n\u00e3o aguentam mais arcar com despesas da \u00e1rea de seguran\u00e7a nos munic\u00edpios\u201d, disse ele, pedindo mais investimentos por parte do Estado.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edcia Ambiental \u00e9 alvo de cr\u00edticas<\/strong><\/p>\n<p>Na conclus\u00e3o dos trabalhos, diversos participantes do Debate P\u00fablico Seguran\u00e7a no Campo criticaram a atua\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Militar Ambiental, cujo rigor em aplicar multas contrastaria com as falhas na repress\u00e3o de outros crimes. Tamb\u00e9m pediram a libera\u00e7\u00e3o do uso de armas de fogo pelos produtores rurais. Todos relataram aumento do n\u00famero de assaltos e homic\u00eddios em seus munic\u00edpios.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ouvir as demandas, o subchefe do Estado-Maior da PM, coronel Robson Jos\u00e9 Queiroz, disse que a amplia\u00e7\u00e3o das redes de vizinhos protegidos e o refor\u00e7o da patrulha rural nos munic\u00edpios s\u00e3o, de fato, medidas para uma melhor articula\u00e7\u00e3o entre as for\u00e7as policiais e a popula\u00e7\u00e3o do campo.<\/p>\n<p>\u201cTemos apenas 71 redes na \u00e1rea rural, com patrulha rural em 251 munic\u00edpios. S\u00e3o n\u00fameros pequenos para um estado com a extens\u00e3o de Minas Gerais. Temos de trabalhar juntos, pois h\u00e1 muito a ser feito&#8221;, ponderou o oficial, que prometeu discutir as sugest\u00f5es apresentadas com a c\u00fapula da PM.<\/p>\n<p>O delegado de Pol\u00edcia Civil, Felipe Costa Marques de Freitas, ponderou que o aumento no consumo de drogas como o crack vem mudando o perfil dos crimes e dos criminosos no campo. Esses \u00faltimos se tornam mais agressivos e mais dispostos \u00e0 pr\u00e1tica de assaltos a m\u00e3o armada, mais rent\u00e1veis do que o furto. Ele tamb\u00e9m criticou a legisla\u00e7\u00e3o brasileira, que considera muito branda na puni\u00e7\u00e3o de criminosos.<\/p>\n<p>\u201cOs bandidos s\u00e3o liberados n\u00e3o porque queremos, a culpa \u00e9 da lei. A gente trabalha muito, \u00e9 triste ver as pessoas desiludidas com a pol\u00edcia. Estamos passando por um processo dif\u00edcil, mas temos esperan\u00e7a de que isso v\u00e1 mudar. A informa\u00e7\u00e3o deve chegar at\u00e9 n\u00f3s. Se voc\u00eas sabem quem s\u00e3o os criminosos, devem denunciar, devem ser testemunhas. Faremos o poss\u00edvel, mas voc\u00eas tamb\u00e9m t\u00eam de nos ajudar\u201d, pediu.<\/p>\n<p><em>(Fonte: ALMG)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero de crimes violentos em Minas Gerais mais que dobrou nos \u00faltimos quatro anos e o ritmo de crescimento desse problema na zona rural tem acompanhado o das cidades. A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 do coordenador do Centro de Pesquisa em Seguran\u00e7a P\u00fablica da PUC Minas, Lu\u00eds Fl\u00e1vio Sapori. 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