{"id":93522,"date":"2016-08-02T13:38:52","date_gmt":"2016-08-02T16:38:52","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=93522"},"modified":"2016-08-02T13:38:52","modified_gmt":"2016-08-02T16:38:52","slug":"descaso-com-rodovias-do-norte-de-minas-e-vale-do-jequitinhonha-causa-prejuizos-imensuraveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=93522","title":{"rendered":"Descaso com rodovias do Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha causa preju\u00edzos imensur\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<p>Em um local carente como o Vale do Jequitinhonha, a dificuldade de acesso provocada pelo mau estado de conserva\u00e7\u00e3o das BRs 367 e 251 \u00e9 apontada por moradores e lideran\u00e7as como o mais perverso dos desafios enfrentados na regi\u00e3o. O problema atinge n\u00e3o s\u00f3 o com\u00e9rcio das cidades, mas tamb\u00e9m impede o deslocamento de estudantes e dificulta o atendimento m\u00e9dico. Existem trechos que, por serem de terra ou por terem buracos, s\u00e3o quase imposs\u00edveis de ser vencidos por uma ambul\u00e2ncia, causando um preju\u00edzo dif\u00edcil de ser medido financeiramente, mas definitivamente muito sentido por uma popula\u00e7\u00e3o predominantemente pobre.<\/p>\n<p>Presidente da Associa\u00e7\u00e3o Comercial de Ara\u00e7ua\u00ed, Elzita de Souza diz que os supermercados da regi\u00e3o t\u00eam dificuldades em repor suas mercadorias. \u201cO fluxo de produtos est\u00e1 comprometido, as lojas est\u00e3o com problemas para reposi\u00e7\u00f5es. Como somos uma cidade-polo, muita gente que \u00e9 da regi\u00e3o e fazia compras aqui n\u00e3o vem mais. Ent\u00e3o, o com\u00e9rcio est\u00e1 perdendo tanto pelo comprador, que n\u00e3o chega at\u00e9 aqui, quanto pelos produtos que acabam faltando\u201d, detalha.<\/p>\n<p>J\u00e1 o secret\u00e1rio municipal de Administra\u00e7\u00e3o e Planejamento de Almenara, Jos\u00e9 Rodrigues, destaca que o munic\u00edpio est\u00e1 ilhado, pois \u00e9 \u2013 ou deveria ser \u2013 atendido pelas duas rodovias. Segundo ele, as duas principais atividades econ\u00f4micas da regi\u00e3o, o gado de corte e a extra\u00e7\u00e3o de granito, est\u00e3o praticamente paralisadas, j\u00e1 que n\u00e3o existe como escoar a produ\u00e7\u00e3o. \u201cA cada cem cabe\u00e7as de gado, estamos perdendo 30, que morrem na estrada por conta de dificuldades no transporte. E os caminh\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o conseguindo trafegar com o granito, que \u00e9 o segundo principal produto do vale, mas \u00e9 muito pesado, e, por isso, a carga n\u00e3o consegue passar pelas estradas ou pelas pontes de madeira. Est\u00e1 muito dif\u00edcil\u201d, lamenta.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/prejuizos_367.jpg\" alt=\"\" \/><em>Falta de pavimenta\u00e7\u00e3o causam preju\u00edzos imensur\u00e1veis (Foto: Omar Freire \/ Divulga\u00e7\u00e3o)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Sa\u00fade<\/strong><\/p>\n<p>Os doentes das cidades ao longo das duas rodovias n\u00e3o sabem o que \u00e9 pior: passar pela enfermidade ou encarar a viagem para serrem atendidos. A situa\u00e7\u00e3o revolta a gestora do hospital S\u00e3o Vicente de Paulo de Ara\u00e7ua\u00ed, Maristane Alves. Formada h\u00e1 21 anos em enfermagem, ela fez quest\u00e3o de voltar para o Vale do Jequitinhonha para ajudar seus conterr\u00e2neos, mas constantemente v\u00ea seu esfor\u00e7o ser consumido pela rodovia.<\/p>\n<p>\u201cA situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito grave e desumana, chega a ser primitiva. Constantemente, quando temos que transferir um paciente para Diamantina, que \u00e9 a refer\u00eancia, ele chega ao destino pior do que saiu por conta da situa\u00e7\u00e3o da estrada\u201d, relata.<\/p>\n<p>Maristane aponta que, al\u00e9m da ambul\u00e2ncia balan\u00e7ar demais, ela corre o risco de ter um problema mec\u00e2nico e deixar o doente ilhado no meio da estrada. Por conta disso, n\u00e3o \u00e9 raro que um caso mais grave seja tratado no pr\u00f3prio hospital. \u201cNossa estrutura atende casos de at\u00e9 m\u00e9dia complexidade, mas alguns, de pacientes mais complicados, t\u00eam que ser resolvidos aqui mesmo, pois n\u00e3o sabemos o que vai acontecer na rodovia\u201d, finaliza.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/br_ara_1.jpg\" alt=\"\" \/><em>Acidentes por causa de buracos s\u00e3o comuns na regi\u00e3o (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Morte<\/strong><\/p>\n<p>O acidente com morte mais recente na BR\u2013367 foi no \u00faltimo dia 10, entre Ara\u00e7ua\u00ed e Itinga, quando o motociclista Alisson de Oliveira Soares, 30, e seu pai, Jo\u00e3o Batista Soares, 55, que ia na garupa, foram atingidos por uma caminhonete e morreram. Os dois tentavam desviar de buracos na pista e, por isso, trafegavam em baixa velocidade. A batida ocorreu durante uma freada da motocicleta.<\/p>\n<p><strong>Ex-diretor regional do DER-MG critica descaso<\/strong><\/p>\n<p>Durante o per\u00edodo em que a BR\u2013367 ficou sob responsabilidade do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG), Victor Antonio de Oliveira, 62, acompanhou de perto tudo que foi feito na rodovia. Hoje aposentado, ele fez carreira no \u00f3rg\u00e3o, primeiro como encarregado de conserva\u00e7\u00e3o e, depois, como chefe de transporte e tr\u00e2nsito na regi\u00e3o de Ara\u00e7ua\u00ed.<\/p>\n<p>Apesar da experi\u00eancia de quem j\u00e1 viu de tudo ao longo da pista, ele se emociona enquanto fala sobre os acidentes recentes na rodovia. \u201cEstamos perdendo amigos e pessoas queridas nessa estrada. Em menos de um ano, foram 12 pessoas. \u00c9 inaceit\u00e1vel\u201d, diz.<\/p>\n<p>Entre os problemas apontados por Oliveira, est\u00e1 o transporte de toras de eucalipto por carretas. \u201c\u00c9 um tr\u00e2nsito muito intenso e carregado. Aos poucos, foram abrindo buracos que aumentaram sem parar. Temos trechos em que as crateras comeram o asfalto completamente, n\u00e3o d\u00e1 nem para falar que tem pavimento mais por l\u00e1\u201d, pontua.<\/p>\n<p>Oliveira avalia que o problema \u00e9 simples de ser resolvido, mas falta vontade. \u201cA base sobre a qual a estrada foi feita \u00e9 boa, e a sinaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o horr\u00edvel. O problema \u00e9 mesmo a pavimenta\u00e7\u00e3o, completamente esburacada, mas esse conserto \u00e9 f\u00e1cil e seria barato e r\u00e1pido\u201d, garante, resumindo o sentimento que parece ser comum entre os moradores da regi\u00e3o: \u201cEstamos abandonados\u201d.<\/p>\n<p><strong>Diretor de escola relata sofrimento<\/strong><\/p>\n<p>O diretor do campus de Ara\u00e7ua\u00ed do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, A\u00e9cio Oliveira de Miranda, 42, sabe bem o drama que \u00e9 encarar as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es da BR\u2013367 em prol da educa\u00e7\u00e3o. Morador do munic\u00edpio de Chapada do Norte, ele encara os cerca de 80 km de dist\u00e2ncia entre as duas cidades todos os dias, sendo que, desses, cerca de 50 km s\u00e3o sem pavimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAs crian\u00e7as t\u00eam dificuldade em estudar, porque \u00e9 caro para elas se deslocarem nas condi\u00e7\u00f5es que temos. Nossos jovens est\u00e3o crescendo completamente sem perspectiva de continuar no Vale do Jequitinhonha e s\u00f3 pensam em tentar a vida em outras regi\u00f5es. \u00c9 muito triste, estamos perdendo nosso futuro\u201d, desabafa. <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/br_ara_1.jpg\" alt=\"\" \/><em>BR-367 em p\u00e9ssima condi\u00e7\u00e3o de tr\u00e1fego (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><em>(<strong>Fonte:<\/strong> O Tempo \/ <strong>Rep\u00f3rter:<\/strong> Jo\u00e3o Renato Faria)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um local carente como o Vale do Jequitinhonha, a dificuldade de acesso provocada pelo mau estado de conserva\u00e7\u00e3o das BRs 367 e 251 \u00e9 apontada por moradores e lideran\u00e7as como o mais perverso dos desafios enfrentados na regi\u00e3o. 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