{"id":92152,"date":"2016-07-16T11:03:50","date_gmt":"2016-07-16T14:03:50","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=92152"},"modified":"2016-07-16T12:28:16","modified_gmt":"2016-07-16T15:28:16","slug":"92152","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=92152","title":{"rendered":"Professor da UFRJ condenado por terrorismo \u00e9 deportado sumariamente do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Um dia ap\u00f3s mais um atentado terrorista na Fran\u00e7a, o f\u00edsico Adl\u00e8ne Hicheur, de 39 anos, nascido na Arg\u00e9lia e naturalizado franc\u00eas, foi deportado do Brasil, onde morava havia tr\u00eas anos. O f\u00edsico j\u00e1 esteve preso na Fran\u00e7a, ap\u00f3s ser condenado a cinco anos de pris\u00e3o sob a acusa\u00e7\u00e3o de planejar atentados terroristas. Ap\u00f3s cruir dois anos de cadeia, obteve liberdade provis\u00f3ria e se mudou para o Rio, onde se tornou professor visitante do Instituto de F\u00edsica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<\/p>\n<p>Em janeiro deste ano a revista &#8220;\u00c9poca&#8221; divulgou que a Pol\u00edcia Federal monitorava Hicheur em fun\u00e7\u00e3o de suas supostas atividades terroristas &#8211; o f\u00edsico sempre negou pratic\u00e1-las. Na \u00e9poca ele chegou a pedir desligamento da UFRJ e cogitou voltar para a Europa, mas foi convencido por colegas a permanecer no Brasil como pesquisador &#8211; ele deixou de dar aulas. Seu contrato com a UFRJ terminaria em julho, mas a universidade decidiu renov\u00e1-lo por mais um ano. Por isso, encaminhou aos \u00f3rg\u00e3os federais a documenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a renova\u00e7\u00e3o do visto. Nesta sexta-feira (15), no entanto, foi publicada no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o uma decis\u00e3o do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a negando o pedido de renova\u00e7\u00e3o, sem exposi\u00e7\u00e3o de justificativas &#8211; isso n\u00e3o \u00e9 exigido por lei.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador Ignacio Bediaga, que trabalha no Centro Brasileiro de Pesquisas F\u00edsicas (CBPF) e foi respons\u00e1vel pelo convite ao f\u00edsico para que viesse trabalhar no Brasil, Hicheur estava em sua casa, na Tijuca (zona norte do Rio), na manh\u00e3 desta sexta-feira, apresentando por videoconfer\u00eancia (pelo computador) para colegas do Centro Europeu para F\u00edsica de Part\u00edculas uma pesquisa que desenvolveu na UFRJ quando agentes da Pol\u00edcia Federal chegaram e avisaram que Hicheur seria imediatamente deportado. Os policiais aguardaram o fim da apresenta\u00e7\u00e3o e a organiza\u00e7\u00e3o da bagagem do f\u00edsico, que no in\u00edcio da tarde foi levado ao aeroporto do Gale\u00e3o, na Ilha do Governador (zona norte).<\/p>\n<p>Segundo a UFRJ, a vice-reitora da institui\u00e7\u00e3o, Denise Nascimento, esteve no aeroporto para tentar impedir a deporta\u00e7\u00e3o, sem sucesso. O voo levando Hicheur partiria \u00e0s 22h25 para Lisboa &#8211; dali, segundo Bediaga, ele seria encaminhado para a Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>A UFRJ divulgou nota em que repudia a &#8220;sum\u00e1ria deporta\u00e7\u00e3o&#8221; de Hicheur: &#8220;A Reitoria da UFRJ foi surpreendida (&#8230;) com a not\u00edcia da sum\u00e1ria deporta\u00e7\u00e3o do professor visitante Adlene Hicheur. Manifestamos extrema preocupa\u00e7\u00e3o com a a\u00e7\u00e3o, anunciada sem apresenta\u00e7\u00e3o de justificativas claras e aten\u00e7\u00e3o a princ\u00edpios democr\u00e1ticos b\u00e1sicos, como direito \u00e0 defesa&#8221;, acusa a institui\u00e7\u00e3o de ensino. &#8220;O pedido de renova\u00e7\u00e3o de contrato do professor foi analisado pelos v\u00e1rios colegiados da UFRJ e aprovado. O professor desenvolveu na UFRJ novas linhas de pesquisa, assim como deu continuidade a trabalhos j\u00e1 em andamento quando da sua contrata\u00e7\u00e3o&#8221;, conclui a nota.<\/p>\n<p>Bediaga tamb\u00e9m criticou a deporta\u00e7\u00e3o: &#8220;Ele \u00e9 um pesquisador muito respeitado, estava desenvolvendo seu trabalho e jamais imaginaria que de repente pudesse acontecer isso. Foi um desrespeito absurdo&#8221;, avaliou. &#8220;Ele est\u00e1 sendo levado para a Fran\u00e7a e pode ser preso novamente, sendo que o visto para entrar no Brasil \u00e9 da Arg\u00e9lia, ent\u00e3o, em caso de deporta\u00e7\u00e3o, teria que ser mandado de volta \u00e0 Arg\u00e9lia, n\u00e3o \u00e0 Fran\u00e7a&#8221;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p>Especializado em part\u00edculas elementares, Hicheur desenvolvia at\u00e9 2009 uma carreira acad\u00eamica reconhecida internacionalmente. \u00c0 \u00e9poca, fazia p\u00f3s-doutorado na Escola Polit\u00e9cnica Federal de Lausanne, na Su\u00ed\u00e7a, e trabalhava no Centro Europeu para F\u00edsica de Part\u00edculas. Foi quando se afastou para tratamento m\u00e9dico devido a problemas na espinha e no nervo ci\u00e1tico. Na casa dos pais, na Fran\u00e7a, come\u00e7ou a frequentar um f\u00f3rum na internet que re\u00fane jihadistas e trocou mensagens com um interlocutor que se identificava como &#8220;Phenix Shadow&#8221; &#8211; segundo a pol\u00edcia era Mustapha Debchi, apontado pelo governo da Fran\u00e7a como integrante da organiza\u00e7\u00e3o terrorista Al Qaeda.<\/p>\n<p>O conte\u00fado dos e-mails foi divulgado pela revista &#8220;\u00c9poca&#8221;. Segundo a publica\u00e7\u00e3o, Phenix perguntou a Hicheur se ele estaria disposto a cometer um ataque suicida, e o f\u00edsico negou. Em seguida, Phenix questionou: &#8220;Caro irm\u00e3o, vamos direto ao ponto: voc\u00ea est\u00e1 disposto a trabalhar em uma unidade de ativa\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a? Que tipo de ajuda poder\u00edamos te dar para que isso seja feito? Quais s\u00e3o suas sugest\u00f5es?&#8221;<\/p>\n<p>Cinco dias depois, Hicheur respondeu: &#8220;Sim, claro&#8221; e afirmou que planejava deixar de morar na Europa, mas que poderia rever esse plano. O f\u00edsico escreveu que ficaria na Europa para &#8220;trabalhar no seio da casa do inimigo central e esvaziar o sangue de suas for\u00e7as&#8221; e sugeriu diversos alvos. &#8220;Precisamos trabalhar para acelerar a recess\u00e3o econ\u00f4mica, ou seja, atingir as ind\u00fastrias vitais do inimigo e as grandes empresas.&#8221; Hicheur tamb\u00e9m mencionou ataques a embaixadas: &#8220;Executar assassinatos com objetivos bem estudados: personalidades europeias ou personalidades bem definidas que perten\u00e7am aos regimes incr\u00e9dulos (em embaixadas e consulados, por exemplo).&#8221;<\/p>\n<p>As mensagens foram interceptadas pela pol\u00edcia francesa, que prendeu o f\u00edsico. Processado, foi condenado a cinco anos de pris\u00e3o. Detido em 2009, foi libertado em 2012. No in\u00edcio de 2013 foi convidado pelo CBPF, unidade de pesquisa do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o situado na Urca, zona sul do Rio, a participar de um projeto no Brasil. Durante tr\u00eas meses, com bolsa de estudos do CBPF, fez pesquisas e produziu um relat\u00f3rio. Voltou para a Europa, mas a pol\u00edcia su\u00ed\u00e7a o proibiu de entrar no pa\u00eds at\u00e9 2018. Por isso, n\u00e3o pode voltar ao local onde trabalhava antes da pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Hicheur foi ent\u00e3o convidado a estender a pesquisa no Brasil, auxiliado por bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq). Ele teve o curr\u00edculo aprovado por comiss\u00e3o composta por representantes do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e do CNPq. Recebeu ajuda mensal de setembro de 2013 a abril de 2015. Em julho de 2014 tamb\u00e9m se tornou contratado da UFRJ como professor visitante. Esse contrato precisa ser renovado anualmente e pode durar tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Por conta de um epis\u00f3dio ocorrido em 2015 na mesquita que frequenta em Vila Isabel (zona norte do Rio), o f\u00edsico virou alvo de investiga\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal, que chegou a fazer opera\u00e7\u00e3o de busca e apreens\u00e3o em sua casa e em seu gabinete na UFRJ. Quando o caso foi revelado, em janeiro deste ano, Hicheur divulgou carta em que afirma ter sido preso na Fran\u00e7a por conta de &#8220;minhas visitas aos chamados websites isl\u00e2micos subversivos&#8221;. Ele escreveu: &#8220;Fui privado da minha liberdade por dois anos apenas com base nisso. Nenhum outro elemento foi apresentado contra mim&#8221;. Hicheur disse que &#8220;a acusa\u00e7\u00e3o n\u00e3o sustentou o caso com fatos e evid\u00eancias&#8221; e que &#8220;o caso foi fabricado, usando-se partes pin\u00e7adas de uma conversa virtual com o objetivo de mostrar que haveria uma tenta\u00e7\u00e3o de considerar a viol\u00eancia como solu\u00e7\u00e3o para conflitos internacionais em pa\u00edses \u00e1rabes e mu\u00e7ulmanos como Iraque ou Afeganist\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/professor_ufrj.jpg\" alt=\"\" \/><em>Hicheur era pesquisador visitante na UFRJ (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o \/ Revista \u00c9poca)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><em>(Fonte: Estad\u00e3o Conte\u00fado \/ Via Hoje em Dia)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dia ap\u00f3s mais um atentado terrorista na Fran\u00e7a, o f\u00edsico Adl\u00e8ne Hicheur, de 39 anos, nascido na Arg\u00e9lia e naturalizado franc\u00eas, foi deportado do Brasil, onde morava havia tr\u00eas anos. 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