{"id":90353,"date":"2016-06-27T18:43:08","date_gmt":"2016-06-27T21:43:08","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=90353"},"modified":"2016-06-27T18:43:08","modified_gmt":"2016-06-27T21:43:08","slug":"receitas-tradicionais-e-cuidados-na-fabricacao-garantem-valorizacao-do-queijo-artesanal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=90353","title":{"rendered":"Receitas tradicionais e cuidados na fabrica\u00e7\u00e3o garantem valoriza\u00e7\u00e3o do queijo artesanal"},"content":{"rendered":"<p>A tradi\u00e7\u00e3o do queijo e a hist\u00f3ria de Minas Gerais se entrela\u00e7am e se completam. E a cada dia os que t\u00eam se dedicado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o dessa iguaria t\u00e3o t\u00edpica do estado est\u00e3o aprimorando o capricho nas receitas que passam de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o. O resultado pode ser vistos nos ganhos de qualidade, de sabor e, principalmente, de valor. O pre\u00e7o dos melhores queijos chega a, no m\u00ednimo, triplicar quando o produtor deixa de fazer o queijo fresco e investe em t\u00e9cnicas para matur\u00e1-lo.<\/p>\n<p>E se h\u00e1 a garantia de origem, a valoriza\u00e7\u00e3o pode ser ainda maior. Duas das regi\u00f5es reconhecidas como produtoras do queijo minas artesanal j\u00e1 t\u00eam indica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica reconhecida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi): Serro e Canastra. As outras cinco \u2013 Arax\u00e1, Campo das Vertentes, Cerrado, Serra do Salitre e Tri\u00e2ngulo Mineiro \u2013, se organizam para buscar o mesmo status.<\/p>\n<p>Nas sete regi\u00f5es h\u00e1 cerca de 9 mil produtores do queijo artesanal que, pelo seu modo tradicional de fabrica\u00e7\u00e3o, foi registrado como Patrim\u00f4nio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan). A produ\u00e7\u00e3o di\u00e1ria \u00e9 estimada em 40 toneladas, o que movimenta cerca de R$ 480 mil por dia.<\/p>\n<p>\u00c9 o segredo da produ\u00e7\u00e3o que justifica a procura e a adora\u00e7\u00e3o pelos queijos mineiros de maior qualidade. Para eles, n\u00e3o h\u00e1 crise. As regi\u00f5es reconhecidas j\u00e1 garantem caracter\u00edsticas \u00fanicas aos redondos. A altitude, a temperatura, o tipo de solo, as pastagens das vacas leiteiras e at\u00e9 a umidade relativa do ar influenciam nos queijos de cada regi\u00e3o. As receitas de cada produtor e o cuidado da m\u00e3o de obra familiar acabam por dar o toque especial que tem sido apreciado al\u00e9m das fronteiras do estado e do pa\u00eds. <\/p>\n<p>O s\u00f3cio da Pra\u00e7a do Queijo e da Loja do Itamar, no Mercado Central de Belo Horizonte, Luiz Gustavo Gomes de Oliveira, recebe clientes de todo o mundo, que chegam procurando pelo queijo minas artesanal. S\u00e3o mais de 1,5 mil quilos da iguaria vendidos por semana pela fam\u00edlia que se dedica ao produto h\u00e1 32 anos. \u201cCada um tem seu diferencial. O leite, o clima e o capim influenciam no produto final. Mas todos fazem sucesso\u201d, afirma. A militar Hellen J\u00e9ssica Campos de Souza e sua m\u00e3e, a camareira Maria Campos, confirmam. Tanto que s\u00e3o de Juiz de Fora e sempre que passam por BH fazem quest\u00e3o de levar alguns dos redondos para casa. \u201cS\u00e3o \u00fanicos de Minas\u201d, afirma Hellen.<\/p>\n<p>O aposentado Ant\u00f4nio de Souza Pinto concorda e refor\u00e7a: \u201cT\u00eam mais gosto de queijo\u201d. Ele compra pelo menos meio quilo por semana. N\u00e3o fica sem. Ant\u00f4nio Danelon Grilo, propriet\u00e1rio da Loja Queijo de Minas, garante que n\u00e3o h\u00e1 crise para o mercado de bons queijos. \u201cTudo que chega, sai.\u201d Em sua banca o quilo dos mais vendidos custa de R$ 18,90 a R$ 22,50.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/producao_queijo_minas_artesanal.jpg\" alt=\"\" \/><em>Cuidados na fabrica\u00e7\u00e3o garantem valoriza\u00e7\u00e3o do queijo artesanal (Foto: Ag\u00eancia Minas)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>CAMPE\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<p>Outra iniciativa que agrega valor aos queijos das principais regi\u00f5es produtoras do estado s\u00e3o os concursos. Na quinta-feira, um queijo de Tiradentes, no Campo das Vertentes, saiu consagrado como o melhor artesanal do estado. A amostra do S\u00edtio da Conquista, da produtora L\u00facia Maria Resende, ficou em primeiro lugar no 9\u00ba Concurso Estadual do Queijo Minas Artesanal. Foram julgados 27 queijos, no Parque da Gameleira, durante a Megaleite. A segunda coloca\u00e7\u00e3o ficou com Jos\u00e9 Maria de Oliveira, que produz o queijo em Rio Parana\u00edba, no Cerrado. E o terceiro lugar do concurso foi conquistado por Geraldo Moreira da Silva, de Serra do Salitre. Jos\u00e9 Baltazar da Silva, do mesmo munic\u00edpio; e Reinaldo de Faria Costa, de Vargem Bonita, Regi\u00e3o da Canastra, ficaram com o quarto e o quinto lugar, respectivamente. Os jurados avaliaram crit\u00e9rios de apresenta\u00e7\u00e3o, cor, textura, consist\u00eancia, paladar e olfato.<\/p>\n<p>L\u00facia Resende produz 10 queijos por dia, com leite cru de vacas jersey. O chef Rafael Pires, do Pacco  &#038; Bacco, de Tiradentes, afirma que tem orgulho de servir o queijo campe\u00e3o em seu restaurante desde que o abriu. Ele atesta a qualidade da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O produtor do Queijo Dinho, da Serra da Canastra, Allan Diego da Silva, tamb\u00e9m participou do concurso. Ele conta que seus av\u00f3s produziam a iguaria para subsist\u00eancia. Seu pai, o Dinho, deu in\u00edcio ao trabalho mais comercial, com o produto fresco. H\u00e1 tr\u00eas anos, ele assumiu a produ\u00e7\u00e3o com o objetivo de agregar valor ao queijo. Passou a caprichar na matura\u00e7\u00e3o por, no m\u00ednimo, 22 dias. Entre os segredos da qualidade, Allan tamb\u00e9m cita o fato de ter o gado totalmente a pasto e os cuidados com a higiene na ordenha. Mas a receita da fam\u00edlia ele n\u00e3o conta de jeito nenhum. \u201cFizemos cursos de boas pr\u00e1ticas e todo o processo \u00e9 controlado\u201d, afirma o produtor que fabrica cerca de 15 pe\u00e7as por dia na Fazenda \u00c1gua Limpa, em Piumhi. Para ele, a dedica\u00e7\u00e3o \u00e9 de extrema import\u00e2ncia. \u201c\u00c9 igual matem\u00e1tica. Se come\u00e7ar errado, vai dar errado. Por isso, fazemos tudo da melhor maneira\u201d, refor\u00e7a. O leite sai direto da ordenha, \u00e0s 5h, e vai para a queijaria.<\/p>\n<p>Quando vendiam o queijo fresco, Allan conta que o quilo sa\u00eda a R$ 10. Agora, a pe\u00e7a do produto maturado, que tem de 900 gramas a 1 quilo, \u00e9 vendida por R$ 30. \u201cInvestimos cerca de R$ 50 mil na queijaria e na sala de ordenha. J\u00e1 recuperamos todo esse dinheiro e j\u00e1 estamos pensando em investir mais\u201d, afirma. Para ele, a crise econ\u00f4mica que o pa\u00eds atravessa n\u00e3o passou nem perto. \u201cJ\u00e1 temos encomendas at\u00e9 20 de julho. Tem fila de espera.\u201d<\/p>\n<p>Para evitar falsifica\u00e7\u00f5es, Allan da Silva conta que a associa\u00e7\u00e3o de produtores da regi\u00e3o est\u00e1 buscando a autoriza\u00e7\u00e3o para usar a placa de case\u00edna, para marcar os queijos. \u201c\u00c9 um tipo de tatuagem\u201d, explica o produtor. \u201cVai ser uma ferramenta mais para evitar que nossos clientes comprem gato por lebre\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n<p>Mois\u00e9s Ant\u00f4nio Barbosa, produz o Queijo Ouro Fino, na regi\u00e3o do Serro. S\u00e3o cerca de 30 quilos por dia. E a matura\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 o segredo para agregar valor. \u201c\u00c9 o que aprimora o gosto\u201d, explica. Jos\u00e9 Geraldo Moreira, que produz o queijo minas artesanal em Serra do Salitre confirma que suas pe\u00e7as s\u00e3o cada vez mais valorizadas. Tanto que ele tamb\u00e9m pretende aumentar sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>DIFERENCIADOS<\/strong><\/p>\n<p>Jo\u00e3o Jos\u00e9 de Melo produz queijos da linha imperial e da linha tropeiro tamb\u00e9m na Serra do Salitre. Na Fazenda Pav\u00e3o, ele capricha na matura\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as, que pode durar de 20 dias a at\u00e9 seis meses. \u201cQueremos oferecer bons queijos para quem aprecia bons vinhos\u201d, brinca. Para isso, ele tamb\u00e9m inova nas pr\u00e1ticas. Parte da produ\u00e7\u00e3o tem sido maturada na Serra da Mantiqueira. Ele busca diferenciais para p\u00fablicos mais exigentes. O quilo dos seus queijos varia de R$ 20,00 a R$ 100. E n\u00e3o tem faltado comprador. Tanto que ele j\u00e1 vende o produto em mais de 12 estados. \u201cN\u00e3o sofremos com a crise\u201d, garante. Para ele, a \u00fanica dificuldade deste mercado \u00e9 a falta de m\u00e3o de obra. \u201cSe o produto \u00e9 bom, o mercado t\u00e1 pedindo.\u201d<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio de estado da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento, Jo\u00e3o Cruz, observa que o queijo tem import\u00e2ncia econ\u00f4mica e cultura. Isso porque resgata tradi\u00e7\u00f5es, fixa o homem no campo e ainda faz parte das rotas gastron\u00f4micas do estado. Para ele, o queijo artesanal de qualidade tem um grande potencial de crescimento, como agroneg\u00f3cio. Por esse motivo que o Programa Queijo Minas Artesanal est\u00e1 sendo aprimorado. A ideia \u00e9 ajudar o produtor a agregar o valor ao queijo. Neste sentido, ele afirma que a secretaria tamb\u00e9m est\u00e1 apoiando o reconhecimento das outras cinco regi\u00f5es reconhecidas como produtoras no estado pelo Inpi.<\/p>\n<p>Com a indica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, a valoriza\u00e7\u00e3o dos produtos pode ter mais uma alavanca. \u201cIncentivar a melhoria da qualidade dos queijos artesanais \u00e9 o objetivo\u201d, afirma o presidente da Empresa de Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Extens\u00e3o Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), Glenio Martins de Lima Mariano. Ele garante que h\u00e1 mercado de sobra para os produtos de qualidade.<\/p>\n<p><strong>DE V\u00c1RIOS CANTOS<\/strong><\/p>\n<p>Regi\u00f5es reconhecidas como produtoras do queijo minas artesanal:<\/p>\n<p>\u00bb Arax\u00e1<br \/>\n\u00bb Campo das Vertentes<br \/>\n\u00bb Canastra<br \/>\n\u00bb Cerrado<br \/>\n\u00bb Serra do Salitre<br \/>\n\u00bb Serro<br \/>\n\u00bb Tri\u00e2ngulo Mineiro<\/p>\n<p><em>(Fonte: Estado de Minas\/Graziela Reis)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A tradi\u00e7\u00e3o do queijo e a hist\u00f3ria de Minas Gerais se entrela\u00e7am e se completam. E a cada dia os que t\u00eam se dedicado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o dessa iguaria t\u00e3o t\u00edpica do estado est\u00e3o aprimorando o capricho nas receitas que passam de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o. 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