{"id":90108,"date":"2016-06-24T17:36:39","date_gmt":"2016-06-24T20:36:39","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=90108"},"modified":"2016-06-24T17:36:39","modified_gmt":"2016-06-24T20:36:39","slug":"relatorio-do-mpmg-constata-que-barragem-de-mariana-nao-teria-rompido-com-drenagem-adequada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=90108","title":{"rendered":"Relat\u00f3rio do MPMG constata que barragem de Mariana n\u00e3o teria rompido com drenagem adequada"},"content":{"rendered":"<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico de Minas Gerais (MPMG) finalizou relat\u00f3rio em que constata que o rompimento da barragem de Fund\u00e3o, ocorrido em novembro de 2015 no munic\u00edpio de Mariana, teve in\u00edcio no chamado \u201crecuo\u201d, na regi\u00e3o pr\u00f3xima \u00e0 \u201combreira\u201d esquerda, de forma abrupta, sem qualquer sinaliza\u00e7\u00e3o, e rapidamente se expandiu para todo o corpo da barragem. O documento, elaborado com estudos realizados pela Geomec\u00e2nica e o Norwegian Geotechnical Institute (NGI), apresenta as causas principais do desastre que causou 19 mortes e provocou uma corrida de lama ao longo de 600 km de rios. Segundo o relat\u00f3rio, sob condi\u00e7\u00f5es drenadas, a barragem n\u00e3o teria rompido.<\/p>\n<p>De acordo com as provas documentais e testemunhais que fazem parte dos inqu\u00e9ritos civis conduzidos pelo MPMG, em 2013, na eleva\u00e7\u00e3o aproximada de 864m o eixo da barragem foi recuado a partir da sua regi\u00e3o central em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 ombreira esquerda. Como consequ\u00eancia da mudan\u00e7a no eixo e a cria\u00e7\u00e3o do \u201crecuo\u201d, a nova se\u00e7\u00e3o da barragem, acima da eleva\u00e7\u00e3o de 864m, passou a ter como funda\u00e7\u00e3o rejeitos que eram menos resistentes e menos perme\u00e1veis do que o esperado.<\/p>\n<p>Consta no relat\u00f3rio que, para explicar a ruptura r\u00e1pida, catastr\u00f3fica, e sem aviso, os rejeitos na funda\u00e7\u00e3o da barragem precisariam n\u00e3o apenas ser de baixa resist\u00eancia e menos perme\u00e1veis, mas, principalmente, suscet\u00edveis \u00e0 liquefa\u00e7\u00e3o est\u00e1tica.<\/p>\n<p>Com base nas an\u00e1lises realizadas, a ruptura da barragem pode ser explicada pela r\u00e1pida  (n\u00e3o drenada)  ruptura progressiva em uma camada fraca ou zona fraca existente abaixo da barragem na regi\u00e3o do \u201crecuo\u201d em torno da eleva\u00e7\u00e3o de 860m.<\/p>\n<p>Outras conclus\u00f5es:<\/p>\n<p>1) Sob condi\u00e7\u00f5es drenadas, mesmo se o len\u00e7ol fre\u00e1tico tivesse chegado \u00e0 superf\u00edcie do material de rejeito  devido   a,   por   exemplo, um mau   funcionamento   do   sistema   de drenagem, a barragem de Fund\u00e3o n\u00e3o teria rompido;<\/p>\n<p>2) Como consequ\u00eancia da mudan\u00e7a no eixo e a  cria\u00e7\u00e3o  do \u201crecuo\u201d,  os alteamentos  acima da eleva\u00e7\u00e3o  864m  passaram  a  ter como  funda\u00e7\u00e3o  rejeitos  que  eram  menos  resistentes  e menos  perme\u00e1veis  do  que  o esperado;<\/p>\n<p>3) A ruptura da  barragem de  Fund\u00e3o  aconteceu  sob condi\u00e7\u00f5es  n\u00e3o drenadas,  propiciada pela   ocorr\u00eancia  de  pelo   menos  uma camada   de   baixa   permeabilidade  e   baixa resist\u00eancia em, pelo   menos, uma   \u00fanica   se\u00e7\u00e3o   da barragem, que apresentava res\u00edduos altamente  heterog\u00eaneos  na  sua  funda\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>4) A an\u00e1lise de elementos finitos considerando  a  constru\u00e7\u00e3o  cont\u00ednua  da  barragem  na \u00e1rea do  recuo no  lado  esquerdo  da  barragem, acima  da  eleva\u00e7\u00e3o  864  m, indica que a  tens\u00e3o e  cisalhamento  horizontal aumenta  com  a  eleva\u00e7\u00e3o  da  crista,  onde  o  talude  m\u00e9dio  de jusante muda  de  uma  leve  inclina\u00e7\u00e3o  para  uma  inclina\u00e7\u00e3o  mais  acentuada;<\/p>\n<p>5) Um ponto local  situado  nesta camada  de  baixa  resist\u00eancia  poderia estar  no  estado de ruptura   mesmo   quando   o   fator  de   seguran\u00e7a obtido   em  uma   an\u00e1lise   de estabilidade convencional n\u00e3o  indicasse  qualquer  problema;<\/p>\n<p>6) Quando a  altura  da  barragem  atingiu um  n\u00edvel  cr\u00edtico,  em  torno  da  eleva\u00e7\u00e3o  898  m, o ponto  local, em  estado  de  ruptura,  se  expandiu progressivamente  levando  a  uma  ruptura global como em um \u201cefeito domin\u00f3\u201d.<\/p>\n<p>7) Esse n\u00edvel cr\u00edtico \u00e9 fun\u00e7\u00e3o da permeabilidade, da resist\u00eancia ao cisalhamento da zona<br \/>\nfraca, associada \u00e0 taxa de eleva\u00e7\u00e3o da barragem,ao n\u00edvel d\u00b4\u00b4agua e, principalmente, altura da barragem.<\/p>\n<p><em>(Fonte: MPMG)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico de Minas Gerais (MPMG) finalizou relat\u00f3rio em que constata que o rompimento da barragem de Fund\u00e3o, ocorrido em novembro de 2015 no munic\u00edpio de Mariana, teve in\u00edcio no chamado \u201crecuo\u201d, na regi\u00e3o pr\u00f3xima \u00e0 \u201combreira\u201d esquerda, de forma abrupta, sem qualquer sinaliza\u00e7\u00e3o, e rapidamente se expandiu para todo o corpo da barragem. 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