{"id":88682,"date":"2016-06-07T12:58:09","date_gmt":"2016-06-07T15:58:09","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=88682"},"modified":"2016-06-07T12:58:09","modified_gmt":"2016-06-07T15:58:09","slug":"setor-nuclear-quer-triplicar-numero-de-usinas-no-mundo-ate-2050","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=88682","title":{"rendered":"Setor nuclear quer triplicar n\u00famero de usinas no mundo at\u00e9 2050"},"content":{"rendered":"<p>O mundo tem atualmente 450 reatores nucleares para fins pac\u00edficos operando em 33 pa\u00edses e 50 em constru\u00e7\u00e3o. Empresas e na\u00e7\u00f5es que desenvolvem esse tipo de energia buscam agora triplicar o n\u00famero de usinas nucleares at\u00e9 2050, aumento que representaria 25% da eletricidade mundial.<\/p>\n<p>Durante o Congresso Mundial de Energia nuclear (AtomExpo 2016), que reuniu cerca de 5 mil pessoas de 55 pa\u00edses na \u00faltima semana em Moscou, a diretora-geral da Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Energia Nuclear, Agneta Rising, disse que acredita que a entrada de novos atores no mercado poder\u00e1 possibilitar esse aumento. Hoje, a energia nuclear responde por 11%, segundo ela.<\/p>\n<p>\u201cO aumento da demanda e a necessidade de energia limpa para reverter o quadro das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o nossos maiores est\u00edmulos. Triplicar \u00e9 poss\u00edvel, temos muita experi\u00eancia para fazer essa amplia\u00e7\u00e3o de novos pa\u00edses na comunidade nuclear. Mas, para isso, n\u00e3o podemos criar novos obst\u00e1culos nem recuar\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Durante o encontro, patrocinado pela estatal russa de energia nuclear Rosatom, o diretor-geral da empresa, Sergey Kirienko, disse que at\u00e9 2030 as centrais nucleares russas v\u00e3o impedir a libera\u00e7\u00e3o de 711 milh\u00f5es de toneladas de CO\u00b2. \u201cPrecisamos evitar que a temperatura na terra continue subindo, e a energia nuclear \u00e9 fundamental para a produ\u00e7\u00e3o de energia de baixo carbono em combina\u00e7\u00e3o com outras fontes limpas\u201d, declarou.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/usina_nuclear.jpg\" alt=\"\" \/><em>Usina Nuclear Gera\u00e7ao III em Novovoronezh, R\u00fassia (Fl\u00e1via Villela\/Ag\u00eancia Brasil)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Seguran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>O congresso coincide com o anivers\u00e1rio de 30 anos do acidente de Chernobyl, na Ucr\u00e2nia, o maior desastre nuclear da hist\u00f3ria, que causou a morte de cerca de 4 mil pessoas, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, e contaminou \u00e1reas da Ucr\u00e2nia, Bielorr\u00fassia e R\u00fassia. Um em cada cinco bielorrussos vive em solo contaminado, e a zona de exclus\u00e3o de 30 km ao redor de Chernobyl permanece at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>O vazamento na usina de Fukushima, h\u00e1 quatro anos, foi o segundo maior acidente da hist\u00f3ria e causou uma reviravolta no setor. Pa\u00edses como a Alemanha, o Jap\u00e3o e a Su\u00ed\u00e7a decidiram abandonar o projeto nuclear gradualmente depois do acidente, que devastou o Nordeste do Jap\u00e3o e deixou quase 100 mil desabrigados.<\/p>\n<p>As confer\u00eancias dos participantes do AtomExpo destacaram os avan\u00e7os na \u00e1rea de seguran\u00e7a desde Chernobyl e Fukushima, tornando as usinas nucleares mais seguras do que andar de avi\u00e3o ou viajar de carro. Os conferencistas lembraram, v\u00e1rias vezes, que a energia nuclear n\u00e3o emite gases causadores do efeito estufa e que algumas gramas de ur\u00e2nio fornecem a mesma quantidade de energia que cerca de 1 tonelada de carv\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com o f\u00edsico nuclear e ambientalista Bruno Comby, que participou do evento, as energias solar e e\u00f3lica n\u00e3o s\u00e3o suficientes para salvar o planeta do aquecimento global por serem intermitentes. \u201cA energia nuclear \u00e9 barata e abundante para abastecer f\u00e1bricas, cidades e nosso mundo cada vez mais industrial, em que os carros el\u00e9tricos ser\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o para o futuro\u201d, disse ele, que minimizou os riscos da radia\u00e7\u00e3o. \u201cO lixo at\u00f4mico \u00e9 m\u00ednimo. As pessoas t\u00eam medo de radia\u00e7\u00e3o, mas ela est\u00e1 por todos os lados na natureza. Radia\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um problema, mas uma solu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A defesa da energia nuclear como limpa e segura n\u00e3o ficou apenas no discurso. A estatal Rosatom patrocinou a viagem de dezenas de jornalistas de v\u00e1rios pa\u00edses para a cidade Novovoronezh, a 500 quil\u00f4metros ao sul de Moscou. Os jornalistas eram, sobretudo, de na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento, como a \u00cdndia, Nig\u00e9ria, o Brasil, a Argentina, Bol\u00edvia, onde boa parte da popula\u00e7\u00e3o v\u00ea com desconfian\u00e7a e temor a constru\u00e7\u00e3o de usinas nucleares.<\/p>\n<p><strong>Usinas na R\u00fassia<\/strong><\/p>\n<p>Em um pa\u00eds em que as temperaturas alcan\u00e7am menos 40 graus no inverno e a energia el\u00e9trica n\u00e3o \u00e9 apenas \u00fatil como tamb\u00e9m vital para a popula\u00e7\u00e3o, as usinas nucleares s\u00e3o tema pouco pol\u00eamico para a sociedade russa. Al\u00e9m de garantir calor e luz a boa parte de seus habitantes, as 35 usinas em funcionamento e oito em constru\u00e7\u00e3o s\u00e3o fontes de centenas de milhares de empregos dentro e fora da R\u00fassia, de renda para as cidades onde est\u00e3o localizadas e de pesquisa para acad\u00eamicos e estudantes. A Rosatom responde por todas as empresas civis nucleares e institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas da R\u00fassia e emprega mais de 250 mil pessoas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os desastres nucleares de Chernobyl e Fukushima parecem ter ficado no passado e os dejetos radioativos superados pelo avan\u00e7o da tecnologia. Residente na cidade de Murmansky, no Noroeste da R\u00fassia, onde est\u00e1 localizada a Central Nuclear Kola, a int\u00e9rprete Natalia Antufieva, 34 anos, disse acreditar na seguran\u00e7a das usinas russas. \u201cO sistema de seguran\u00e7a \u00e9 de alto n\u00edvel, n\u00e3o permite mais interven\u00e7\u00e3o humana durante todo o processo. Por isso, ningu\u00e9m tem medo\u201d, afirmou. \u201cAl\u00e9m disso, as usinas ajudam a desenvolver as cidades e melhorar a qualidade de vida dos seus moradores\u201d.<\/p>\n<p>Quando Lena Merkova nasceu, sua cidade natal, Novovoronezh, j\u00e1 tinha a primeira das seis usinas nucleares do munic\u00edpio. Hoje, aos 47 anos, ela trabalha no Centro de Cultura Municipal e comemora a exist\u00eancia da planta na regi\u00e3o. &#8220;Gosto muito de morar aqui. H\u00e1 muito verde, a cidade \u00e9 linda, pequena. Rosatom gera emprego, organiza e melhora a cidade&#8221;, comentou.<\/p>\n<p>O av\u00f4 de Ana Burakova, 32 anos, ajudou na constru\u00e7\u00e3o da primeira usina de Novovoronezh. Ela e o marido trabalham na central nuclear e n\u00e3o cogitam um potencial acidente. \u201cMinha m\u00e3e queria que eu fosse advogada ou economista, mas eu queria trabalhar com tecnologia nuclear. Queria ser operadora, mas como \u00e9 um trabalho muito dura para mulheres, sou guia nas visitas \u00e0 usina e meu marido \u00e9 engenheiro na parte de defesa civil. Me sinto muito segura\u201d, completou. Novovoronezh tem cerca de 35 mil habitantes. Al\u00e9m de empregar uma grande parcela dos moradores com sal\u00e1rios acima da m\u00e9dia do restante da regi\u00e3o, a empresa investe em equipamentos e atividades culturais e esportivas, educa\u00e7\u00e3o e lazer, entre outras interven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Usinas nucleares no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil tem dois reatores nucleares funcionando e um em constru\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro. A energia nuclear representa quase 3% da matriz energ\u00e9tica no pa\u00eds. A constru\u00e7\u00e3o de um terceiro reator teve in\u00edcio em junho de 2010, por\u00e9m est\u00e1 parada devido a irregularidades.<\/p>\n<p>A fonte nuclear responde por cerca de 3% da gera\u00e7\u00e3o de energia no Brasil. Antes da crise econ\u00f4mica e da instabilidade pol\u00edtica, o governo chegou a anunciar que o Plano Nacional de Energia contemplaria a constru\u00e7\u00e3o de pelo menos quatro usinas nucleares at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>De acordo com o representante do Greenpeace no Brasil para a \u00e1rea energ\u00e9tica, Thiago Almeida, a combina\u00e7\u00e3o das fontes e\u00f3lica, solar, biomassa e hidroel\u00e9trica \u00e9 capaz de atender \u00e0 demanda nacional se houver investimento.<\/p>\n<p>\u201cO custo total de Angra 3 foi or\u00e7ado em R$18 bilh\u00f5es, mas n\u00e3o inclui o pre\u00e7o para descomissionar a usina, ou seja, deslig\u00e1-la e desmont\u00e1-la, que \u00e9 de cerca de US$1 bilh\u00e3o\u201d, disse. \u201cSem incentivos do governo, essas usinas n\u00e3o s\u00e3o competitivas. Se tivermos um parque el\u00e9trico bem dimensionado com usinas solar e e\u00f3lica, energia solar domiciliar e biomassa, poderemos economizar \u00e1gua, recuperar reservat\u00f3rios e usar as hidrel\u00e9tricas como grande bateria para quando as outras fontes estiverem com pouca gera\u00e7\u00e3o de energia\u201d.<\/p>\n<p>Uma usina dura em m\u00e9dia 40 anos, mas a vida \u00fatil de algumas tem sido estendida para 60 anos ou mais, afirmou. \u201cSomente pelos riscos envolvidos, a energia nuclear nem deveria ser uma op\u00e7\u00e3o. As estimativas que se t\u00eam s\u00e3o de cerca de R$1,5 trilh\u00e3o com Chernobyl e mais de R$300 bilh\u00f5es para Fukushima em gastos com acidente, assim como o descomissionamento das usinas, ao final da vida \u00fatil delas. S\u00e3o custos que n\u00e3o est\u00e3o embutidos nos custos vendidos pela ind\u00fastria do setor. Outra coisa \u00e9 o lixo at\u00f4mico, que gera um preju\u00edzo social, ambiental e econ\u00f4mico por dezenas de gera\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>Ainda segundo Almeida, de 1946 a 2013 ocorreram 174 acidentes nucleares no mundo. \u201cCada acidente desse poderia ter virado um desastre&#8221;. Para ele, os defensores das usinas nucleares t\u00eam uma vis\u00e3o estritamente focada em seu potencial produtivo e tecnol\u00f3gico. \u201cPor um lado, h\u00e1 aquela f\u00e9 de que a energia nuclear \u00e9 a tecnologia do futuro e de que temos que domin\u00e1-la, que \u00e9 estrat\u00e9gica. O n\u00edvel de aceita\u00e7\u00e3o do risco de acidentes por parte desses especialistas \u00e9 inaceit\u00e1vel&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Almeida tamb\u00e9m ressaltou que a constru\u00e7\u00e3o de usinas leva muitos anos e envolve muitos atores e grandes obras com grande investimento p\u00fablico, o que facilita superfaturamento e corrup\u00e7\u00e3o. &#8220;Quanto maior a obra, maior espa\u00e7o para corrup\u00e7\u00e3o. A pr\u00f3pria Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato tem evidenciado isso&#8221;, disse ele. &#8220;Usinas nucleares e investimento em energia solar distribu\u00edda [para cidad\u00e3os] n\u00e3o valem a pena no esquema de corrup\u00e7\u00e3o, pois o retorno \u00e9 muito pequeno\u201d.<\/p>\n<p>(Ag\u00eancia Brasil)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo tem atualmente 450 reatores nucleares para fins pac\u00edficos operando em 33 pa\u00edses e 50 em constru\u00e7\u00e3o. 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