{"id":87447,"date":"2016-05-20T16:47:55","date_gmt":"2016-05-20T19:47:55","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=87447"},"modified":"2016-05-20T16:47:55","modified_gmt":"2016-05-20T19:47:55","slug":"pesquisa-mostra-que-86-das-mulheres-brasileiras-sofreram-assedio-em-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=87447","title":{"rendered":"Pesquisa mostra que 86% das mulheres brasileiras sofreram ass\u00e9dio em p\u00fablico"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisa divulgada pela organiza\u00e7\u00e3o internacional de combate \u00e0 pobreza ActionAid nesta sexta-feira (20\/5) mostra que 86% das mulheres brasileiras ouvidas sofreram ass\u00e9dio em p\u00fablico em suas cidades. O levantamento mostra que o ass\u00e9dio em espa\u00e7os p\u00fablicos \u00e9 um problema global, j\u00e1 que, na Tail\u00e2ndia, tamb\u00e9m 86% das mulheres entrevistadas, 79% na \u00cdndia, e 75% na Inglaterra j\u00e1 vivenciaram o mesmo problema.<\/p>\n<p>A pesquisa foi feita pelo Instituto YouGov no Brasil, na \u00cdndia, na Tail\u00e2ndia e no Reino Unido e ouviu 2.500 mulheres com idade acima de 16 anos nas principais cidades destes quatro pa\u00edses. No Brasil, foram pesquisadas 503 mulheres de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds, em uma amostragem que acompanhou o perfil da popula\u00e7\u00e3o brasileira feminina apontado pelo censo populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>Todas as estudantes afirmaram que j\u00e1 foram assediadas em suas cidades. Para a pesquisa, foram considerados ass\u00e9dio atos indesejados, amea\u00e7adores e agressivos contra as mulheres, podendo configurar abuso verbal, f\u00edsico, sexual ou emocional.<\/p>\n<p><strong>Formas de ass\u00e9dio<\/strong><\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s formas de ass\u00e9dio sofridas em p\u00fablico pelas brasileiras, o assobio \u00e9 o mais comum (77%), seguido por olhares insistentes (74%), coment\u00e1rios de cunho sexual (57%) e xingamentos (39%). Metade das mulheres entrevistadas no Brasil disse que j\u00e1 foi seguida nas ruas, 44% tiveram seus corpos tocados, 37% disseram que homens se exibiram para elas e 8% foram estupradas em espa\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 quase uma exce\u00e7\u00e3o rar\u00edssima que uma mulher n\u00e3o tenha sofrido ass\u00e9dio em um espa\u00e7o p\u00fablico. \u00c9 muito preocupante. A experi\u00eancia de medo, de ser assediada, de sofrer xingamento, olhares, serem seguidas, at\u00e9 estupro e assassinato. Os dados s\u00e3o impressionantes se pensarmos que a metade das mulheres diz que foi seguida nas ruas, metade diz que teve o corpo tocado\u201d, diz a representante da ONU Mulheres, Nadine Gasman.<\/p>\n<p><strong>Desigualdade de g\u00eaneros<\/strong><\/p>\n<p>Para a representante da ONU Mulheres no Brasil, os dados refletem a desigualdade entre homens e mulheres na sociedade. \u201c\u00c9 uma quest\u00e3o de g\u00eanero, de entender que na sociedade, qualquer que seja, as mulheres n\u00e3o s\u00e3o consideradas iguais aos homens. A ideia \u00e9 que a mulher est\u00e1 subordinada no lar, na casa, no trabalho. Dados [da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade] apontam que uma a cada tr\u00eas mulheres sofre viol\u00eancia dom\u00e9stica. Para os homens, os corpos e as vidas das mulheres s\u00e3o uma propriedade, est\u00e1 para ser olhada, tocada, estuprada\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo Nadine, \u00e9 necess\u00e1rio implementar pol\u00edticas p\u00fablicas que garantam a seguran\u00e7a da mulher em espa\u00e7os p\u00fablicos, com pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas, como a ilumina\u00e7\u00e3o adequada das ruas e transporte p\u00fablico exclusivo para mulheres.<\/p>\n<p>\u201cQuando se pensa que quase todas as mulheres t\u00eam a experi\u00eancia com abusos, n\u00e3o se tem a ideia do ass\u00e9dio. Isso tem um impacto, isso limita de andar na rua com seguran\u00e7a e direitos como educa\u00e7\u00e3o e trabalho\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Falta repress\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A professora de direito civil da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), Suzana Borges, avalia que n\u00e3o h\u00e1 repress\u00e3o adequada ao ass\u00e9dio \u00e0 mulher em espa\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma quest\u00e3o social porque, em fun\u00e7\u00e3o de uma posi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica inferiorizada, a mulher foi objeto de repress\u00e3o, viol\u00eancia, n\u00e3o s\u00f3 nos espa\u00e7os p\u00fablicos, mas privados, dentro da fam\u00edlia, em casa, no trabalho\u201d, disse.<\/p>\n<p>Suzana Borges diz que h\u00e1 necessidade das mulheres denunciarem as situa\u00e7\u00f5es de ass\u00e9dio que vivenciam no cotidiano. \u201cPor se tratar de uma quest\u00e3o de g\u00eanero, a den\u00fancia \u00e9 um mecanismo que refor\u00e7a a prote\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>Ass\u00e9dio por regi\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>A Regi\u00e3o Centro-Oeste \u00e9 onde as mulheres mais sofreram ass\u00e9dio nas ruas, com 92% de incid\u00eancia do problema. Em seguida, v\u00eam Norte (88%), Nordeste e Sudeste (86%) e Sul (85%).<\/p>\n<p>No levantamento, as mulheres tamb\u00e9m foram questionadas sobre em quais situa\u00e7\u00f5es elas sentiram mais medo de serem assediadas. 70% responderam que ao andar pelas ruas; 69%, ao sair ou chegar em casa depois que escurece e 68% no transporte p\u00fablico.<\/p>\n<p>Na compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses, 43% das mulheres ouvidas na Inglaterra e 62% na Tail\u00e2ndia disseram que se sentiam mais inseguras nas ruas de suas cidades, enquanto que, na \u00cdndia, o espa\u00e7o de maior inseguran\u00e7a era o transporte p\u00fablico, apontado por 65% das entrevistadas.<\/p>\n<p><strong>Campanha<\/strong><\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o publicados no lan\u00e7amento do Dia Internacional de Cidades Seguras para as Mulheres, uma iniciativa da organiza\u00e7\u00e3o para chamar a aten\u00e7\u00e3o para os problemas de ass\u00e9dio e viol\u00eancia enfrentados pelas mulheres nas cidades de todo o mundo.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 bastante preocupante que n\u00e3o haja uma perspectiva de g\u00eanero nas cidades, um planejamento que n\u00e3o leve isso em conta, como hor\u00e1rios, transportes e abordagem de ensino nas escolas. Isso gera e perpetua uma cultura de viol\u00eancia, normatizada e normalizada, de fazer parte do desenvolvimento masculino assediar mulheres e isso n\u00e3o \u00e9 questionado. A pesquisa mostra a naturaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia como uma pr\u00e1tica bastante arraigada. H\u00e1 a necessidade urgente e setorial de se enfrentar isso\u201d, disse a coordenadora da campanha Cidades Seguras para as Mulheres no Brasil, Glauce Arzua.<\/p>\n<p>A campanha Cidades Seguras para as Mulheres foi lan\u00e7ada pela ActionAid no Brasil em 2014. O objetivo \u00e9 promover uma melhoria da qualidade dos servi\u00e7os p\u00fablicos nas cidades para tornar os espa\u00e7os urbanos mais receptivos a mulheres e meninas.<\/p>\n<p>Glauce aponta a educa\u00e7\u00e3o como aspecto fundamental para que seja poss\u00edvel reverter o quadro de ass\u00e9dio ao redor do mundo. \u201cA abordagem educacional \u00e9 uma chave para o enfrentamento. Medidas como acontecem no Brasil, de vag\u00f5es de trem separados, s\u00e3o paliativas, transit\u00f3rias. Temos que quebrar essa cultura, que passa por campanhas, treinamento dos gestores, sobretudo criar espa\u00e7os para que o planejamento das cidades tenha essa perspectiva de g\u00eanero\u201d, diz.<\/p>\n<p>(Ag\u00eancia Brasil)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa divulgada pela organiza\u00e7\u00e3o internacional de combate \u00e0 pobreza ActionAid nesta sexta-feira (20\/5) mostra que 86% das mulheres brasileiras ouvidas sofreram ass\u00e9dio em p\u00fablico em suas cidades. 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