{"id":87056,"date":"2016-05-15T18:35:17","date_gmt":"2016-05-15T21:35:17","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=87056"},"modified":"2016-05-15T18:35:17","modified_gmt":"2016-05-15T21:35:17","slug":"baixa-produtividade-da-industria-e-entrave-ao-crescimento-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=87056","title":{"rendered":"Baixa produtividade da ind\u00fastria \u00e9 entrave ao crescimento do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Quando a economia brasileira deu sinais de recess\u00e3o, a ind\u00fastria de manufaturados j\u00e1 pedia socorro h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. A contribui\u00e7\u00e3o do setor para o Produto Interno Bruto (PIB) encolheu nos \u00faltimos quinze anos, de 15,1% em 2000 para 9% em 2015.<\/p>\n<p>A supervaloriza\u00e7\u00e3o do real em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar durante o boom das commodities causou um aumento no consumo de produtos importados, desestabilizando a balan\u00e7a comercial. Os custos de produ\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 eram altos ficaram ainda maiores. Os produtos brasileiros perderam competitividade e os especialistas come\u00e7aram a falar em desindustrializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com a crise econ\u00f4mica e a situa\u00e7\u00e3o internacional desfavor\u00e1vel, houve desvaloriza\u00e7\u00e3o significativa do real, o que deu \u00e0 ind\u00fastria algum espa\u00e7o para respirar. Mas o cen\u00e1rio negativo afetou os investimentos e causou uma queda na demanda por produtos industrializados. A crise pol\u00edtica tornou mais grave a situa\u00e7\u00e3o, gerando incerteza sobre a capacidade das lideran\u00e7as de colocar a economia nos eixos. \u201cA ind\u00fastria, j\u00e1 abatida, teve que se adaptar da pior forma poss\u00edvel: cortou gastos e demitiu funcion\u00e1rios\u201d, diz Luiz Fernando Furlan, ministro de Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio no governo Lula.<\/p>\n<p>A taxa de desemprego atingiu 10,9% no primeiro trimestre deste ano, um aumento de 3% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado. De acordo com o Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego, a ind\u00fastria manufatureira demitiu mais de 600 mil pessoas em 2015. Em segundo ficou o setor da constru\u00e7\u00e3o (416 mil demiss\u00f5es), seguido pelo setor de servi\u00e7os (276 mil demiss\u00f5es).<\/p>\n<p>Em fevereiro, a produ\u00e7\u00e3o industrial caiu 9,8% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado, a 23\u00aa queda consecutiva. O diretor de Pol\u00edticas e Estrat\u00e9gia da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), Jos\u00e9 Augusto Fernandes, diz que a maioria dos setores industriais foram afetados pela crise, com destaque para os setores de ve\u00edculos, bens de capital, computadores e produtos eletr\u00f4nicos. A ind\u00fastria de m\u00e1quinas e equipamentos, parte fundamental do setor de bens de capital, opera com apenas 65% da capacidade, o menor n\u00edvel desde 1999.<\/p>\n<p>Em 2015, 16,6% mais empresas foram \u00e0 fal\u00eancia no Brasil em compara\u00e7\u00e3o ao ano anterior, incluindo a ind\u00fastria, o com\u00e9rcio e o setor de servi\u00e7os. Este \u00e9 o maior aumento desde 2005, quando mudan\u00e7as foram introduzidas na Lei de Fal\u00eancias. A previs\u00e3o para este ano \u00e9 ainda pior: pesquisadores do Serasa Experian calculam que cerca de 1,8 mil firmas fechar\u00e3o as portas este ano, um aumento de 39% em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado.<\/p>\n<p>Dados da CNI mostram que a confian\u00e7a do empresariado caiu para 36,2 em abril, bem abaixo da m\u00e9dia hist\u00f3rica de 54,4 pontos. Para Fernandes, enquanto n\u00e3o houver clareza sobre as pol\u00edticas econ\u00f4micas a serem adotadas pelo governo, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o vai melhorar.<\/p>\n<p>Furlan enfatiza que problemas hist\u00f3ricos t\u00eam atrapalhado o crescimento da economia brasileira e n\u00e3o s\u00e3o segredo para ningu\u00e9m. \u201cS\u00e3o quest\u00f5es debatidas h\u00e1 d\u00e9cadas\u201d, diz. A redu\u00e7\u00e3o da burocracia no ambiente de neg\u00f3cios e a reforma do sistema tribut\u00e1rio est\u00e3o entre as prioridades na agenda do setor produtivo, que todos os anos encaminha para o Congresso Nacional um documento com as pautas importantes para o desenvolvimento do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio global Doing Business, publicado pelo Banco Mundial, o Brasil aparece na posi\u00e7\u00e3o 116 de 183 pa\u00edses analisados, o que significa que est\u00e1 entre os piores do mundo para se fazer neg\u00f3cios. Abrir uma empresa no Brasil requer 11 procedimentos diferentes e pode levar at\u00e9 tr\u00eas meses. De acordo com o relat\u00f3rio, companhias gastam em m\u00e9dia 2.600 horas por ano \u2013 10 horas por dia \u00fatil \u2013 preenchendo formul\u00e1rios, preparando pap\u00e9is e pagando impostos, que podem chegar a mais de 69% dos lucros.<\/p>\n<p>Outra grande barreira para a competitividade dos produtos brasileiros \u00e9 a infraestrutura. \u201cSe produz gr\u00e3os em Mato Grosso, voc\u00ea perde de 30% a 40% do que ganharia apenas para levar a mercadoria ao porto\u201d, diz Furlan. Mais de 60% da produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os no Brasil s\u00e3o transportadas por caminh\u00f5es e as m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es das rodovias contribuem para encarecer o frete.<\/p>\n<p>Furlan observa que a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar ajuda a reduzir o impacto dos altos custos de produ\u00e7\u00e3o e \u00e9 fundamental para garantir a recupera\u00e7\u00e3o da economia. \u201cMuitas multinacionais que deixaram o Brasil est\u00e3o voltando a olhar para o pa\u00eds como uma poss\u00edvel base exportadora na Am\u00e9rica Latina\u201d, observa. Embora a exporta\u00e7\u00e3o de produtos manufaturados ainda n\u00e3o tenha apresentado melhora significativa, ele acredita que uma rea\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria deve acontecer at\u00e9 o fim do ano.<\/p>\n<p>Furlan acrescenta que, para a economia funcionar, \u00e9 importante restaurar o di\u00e1logo entre o governo e o empresariado que, segundo ele, foi perdido durante o governo de Dilma Rousseff. \u201cAlguns instrumentos que estavam dispon\u00edveis h\u00e1 anos, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial, foram deixados de lado neste per\u00edodo e n\u00e3o havia muita vontade do governo de interagir com o setor produtivo.\u201d<\/p>\n<p>Para o ex-diretor do Banco Mundial e professor adjunto da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral, Carlos Primo Braga, a economia deve reagir positivamente assim que o pa\u00eds retomar a estabilidade pol\u00edtica. Mas se o Brasil quiser alcan\u00e7ar um crescimento sustentado, diz ele, ter\u00e1 que promover as reformas adiadas h\u00e1 d\u00e9cadas. \u201cTemos que qualificar a nossa m\u00e3o de obra para as necessidades de uma economia moderna. Criar incentivos para que as ind\u00fastrias possam investir em pesquisa e desenvolvimento e precisamos de um ambiente de neg\u00f3cios que valorize a competitividade, com menos burocracia, menos custos e melhor condi\u00e7\u00f5es de infraestrutura.\u201d<\/p>\n<p><strong>Criatividade para superar a crise<\/strong><\/p>\n<p>Em tempos de recess\u00e3o e desemprego, os brasileiros perderam a confian\u00e7a na economia e pararam de gastar dinheiro. Depois de anos em alta, o consumo das fam\u00edlias foi atingido pela crise e caiu 4% em 2015, afetando os neg\u00f3cios em todo o pa\u00eds, de grandes ind\u00fastrias a pequenos empreendimentos. A fisioterapeuta Caroline Oliveira, 37 anos, viu o n\u00famero de clientes diminuir em 30% nos \u00faltimos 12 meses. \u201cMuitos dos meus clientes desistiram dos tratamentos porque o custo de vida subiu muito\u201d, diz.<\/p>\n<p>Para conseguir pagar as contas, a fisioterapeuta decidiu diversificar: quando n\u00e3o est\u00e1 atendendo, faz caixas e outros produtos de artesanato para anivers\u00e1rios, casamentos e ocasi\u00f5es especiais. Embora a demanda para estes produtos tamb\u00e9m seja pequena, ela conta que d\u00e1 para fazer um dinheiro extra que ajuda a equilibrar o or\u00e7amento no fim do m\u00eas.<\/p>\n<p>Assim como Caroline, milhares de brasileiros est\u00e3o usando a criatividade para lutar contra a crise. De acordo com pesquisadores do Serasa Experian, muitas pessoas que perderam o emprego por causa da recess\u00e3o est\u00e3o se tornando pequenos empreendedores. Quase 2 milh\u00f5es de novas empresas foram abertas no Brasil no ano passado, 5,3% a mais que em 2014. Cerca de 76% delas s\u00e3o constitu\u00eddas por microempreendedores individuais. S\u00e3o profissionais como manicure, cabeleireiro, mec\u00e2nico ou costureiro que formalizaram seus neg\u00f3cios por meio de um esquema que oferece menos burocracia e impostos reduzidos.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m o empreendedor que v\u00ea na crise uma oportunidade. \u00c9 o caso de Marcelo Ciampolini, que n\u00e3o teve medo de lan\u00e7ar, em julho, a plataforma de empr\u00e9stimos pessoais Lendico no Brasil. \u201cQuando as pessoas est\u00e3o endividadas a tend\u00eancia \u00e9 que busquem um empr\u00e9stimo para pag\u00e1-las. A gente veio para oferecer uma alternativa melhor para essas pessoas e a demanda n\u00e3o para de crescer\u201d, diz.<\/p>\n<p>A plataforma oferece empr\u00e9stimos online a taxas de juros que podem chegar a menos da metade das cobradas pelos bancos brasileiros. Em menos de um ano de funcionamento, a Lendico recebeu pedidos totalizando R$ 1,8 bilh\u00e3o, mas aprovou apenas R$ 10 milh\u00f5es em empr\u00e9stimos. \u201cSomos muito restritivos na aprova\u00e7\u00e3o dos pedidos\u201d, diz Ciampolini.<\/p>\n<p>O diretor da Lendico no Brasil est\u00e1 otimista com o futuro da companhia, que tem apresentado taxas de crescimento mensais de dois d\u00edgitos. \u201cA ideia agora \u00e9 estabilizar o neg\u00f3cio e a partir da metade do ano que vem come\u00e7ar um processo de expans\u00e3o, plugando novos parceiros.\u201d<\/p>\n<p>(Ag\u00eancia Brasil)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a economia brasileira deu sinais de recess\u00e3o, a ind\u00fastria de manufaturados j\u00e1 pedia socorro h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. A contribui\u00e7\u00e3o do setor para o Produto Interno Bruto (PIB) encolheu nos \u00faltimos quinze anos, de 15,1% em 2000 para 9% em 2015. 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