{"id":86068,"date":"2016-05-07T18:22:50","date_gmt":"2016-05-07T21:22:50","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=86068"},"modified":"2016-05-07T18:22:50","modified_gmt":"2016-05-07T21:22:50","slug":"maes-norte-mineiras-superam-a-dor-e-transformam-suas-historias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=86068","title":{"rendered":"M\u00e3es norte-mineiras superam a dor e transformam suas hist\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p>Fam\u00edlia reunida, casas cheias, cheirinho de almo\u00e7o farto, presentes e muito carinho. O Dia das M\u00e3es chega repleto de amor \u00e0 casa dos brasileiros neste domingo (8\/5), como manda a tradi\u00e7\u00e3o. A aura m\u00e1gica de felicidade e uni\u00e3o permanece, alheia \u00e0s crises econ\u00f4micas e recess\u00f5es de com\u00e9rcio. \u00c9 o amor incondicional destas mulheres, que encontram for\u00e7as para superar as dores da vida e ajudar o pr\u00f3ximo, a pauta principal das homenagens desta data.<\/p>\n<p>Casos de supera\u00e7\u00e3o de m\u00e3es que vencem diante das dificuldades est\u00e3o espalhados por toda parte do mundo, ainda que n\u00e3o registrados. Em Montes Claros, alguns deles, ainda recentes, chamam a aten\u00e7\u00e3o e emocionam. Para as norte-mineiras Silvia R\u00eago e Nice Souza, a dor de ter os filhos em situa\u00e7\u00e3o de risco serviu como est\u00edmulo para que dois projetos de amparo \u00e0s m\u00e3es com crian\u00e7as especiais fossem criadas: a &#8220;Casa de Apoio Miguel R\u00eago Alencar&#8221; e a associa\u00e7\u00e3o &#8220;Amor Down&#8221;.<\/p>\n<p>S\u00e3o hist\u00f3rias diferentes, de amores e dores distintas, mas que compreendem duas palavras de ordem: supera\u00e7\u00e3o e solidariedade. Para a m\u00e9dica S\u00edlvia R\u00eago, o sonho de ser m\u00e3e veio com a not\u00edcia de uma gravidez muito desejada e aparentemente tranquila, j\u00e1 que nenhum ultrassom indicava irregularidades com o anjo Miguel, que viria para revolucionar a vida dela.<\/p>\n<p>\u201cTive a gesta\u00e7\u00e3o toda normal. A \u00fanica coisa que deu, em um dos exames, \u00e9 que eu tinha um pouquinho de l\u00edquido amni\u00f3tico a mais, o que n\u00e3o indicava nenhum problema s\u00e9rio. Quando o Miguel nasceu, ele j\u00e1 tinha insufici\u00eancia respirat\u00f3ria. Para que se chegasse a um diagn\u00f3stico que explicasse que doen\u00e7a ele tinha, demorou mais ou menos uns 15 dias. Ele tinha a parte do tronco cerebral pequena, que comanda as fun\u00e7\u00f5es do corpo, inclusive o est\u00edmulo da respira\u00e7\u00e3o. Foi onde come\u00e7ou tudo\u201d, conta S\u00edlvia.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica explica que o quadro do filho se agravou muito e que sentia que, apesar das muitas complica\u00e7\u00f5es, o Miguel era alvo de milagres. \u201cO quadro de Miguel foi piorando. A insufici\u00eancia respirat\u00f3ria se agravou, por conta de uma s\u00e9rie de complica\u00e7\u00f5es, ele teve paradas card\u00edacas, precisou ser entubado e s\u00f3 depois que os m\u00e9dicos foram entender que tinha algo de errado no caso dele. O curioso \u00e9 que ele chegou a ter alta antes do diagn\u00f3stico. Ficamos com ele em casa respirando sozinho. Ainda n\u00e3o entendo como ele resistiu\u201d, diz.<\/p>\n<p>Apesar da dor, a vontade de ter o filho nos bra\u00e7os n\u00e3o abandonava S\u00edlvia. Ela conta que, sem perceber direito o tempo passar, acompanhou o Miguel todos os dias, durante oito meses no CTI, onde ela, e a fam\u00edlia, praticamente moraram e puderam assistir o sofrimento de outras m\u00e3es que passavam por ainda mais dificuldades, a ponto de n\u00e3o terem onde dormir ou o que comer.<\/p>\n<p>\u201cNo come\u00e7o, foi muito dif\u00edcil. Ningu\u00e9m espera ter um filho para ficar no hospital, principalmente na gravidade em que ele ficou. Depois dos meses internado, montamos o aparato respirat\u00f3rio em casa, para que pud\u00e9ssemos ter condi\u00e7\u00f5es de lev\u00e1-lo. Foi uma das maiores alegrias que tive. A felicidade de poder t\u00ea-lo fora do hospital, de peg\u00e1-lo no colo, era algo muito especial para mim. Mas antes de ir para casa, eu j\u00e1 pensava que tinha, de alguma maneira, que ajudar aquelas m\u00e3es que n\u00e3o tinham amparo nenhum\u201d, afirma S\u00edlvia.<\/p>\n<p>O Miguel resistiu bravamente por mais oito meses, mas em junho de 2015 se despediu da S\u00edlvia e deixou uma miss\u00e3o eterna. A &#8220;Casa de Miguel&#8221; nasceu como uma forma de amor a ele e \u00e0s m\u00e3es que lutam pela sa\u00fade dos filhos, como conta S\u00edlvia. \u201cNo in\u00edcio, eu n\u00e3o entendi. N\u00e3o achava justo v\u00ea-lo daquele jeito. Cheguei a fazer jejum por mais de 60h, para que Deus me ouvisse e deixasse meu filho comigo. Hoje entendo que o Miguel fez parte de uma miss\u00e3o para que eu tivesse a maior demonstra\u00e7\u00e3o de amor do mundo e transformasse isso na &#8216;Casa de Miguel&#8217;, para amparar as m\u00e3es e os filhos delas, que tamb\u00e9m se tornaram meus\u201d, conclui.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/maes_moc.jpg\" alt=\"\" \/><em>Encontro de gera\u00e7\u00f5es na &#8220;Casa de Apoio Miguel R\u00eago Alencar&#8221;, com a fundadora S\u00edlvia R\u00eago e a m\u00e3e, Leila R\u00eago (Foto: S\u00edlvia R\u00eago \/ Arquivo pessoal)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Amor que move barreiras<\/strong><\/p>\n<p>O amor de m\u00e3e tamb\u00e9m chegou de maneira especial para a funcion\u00e1ria p\u00fablica Nice Souza. A fundadora da associa\u00e7\u00e3o &#8220;Amor Down&#8221; tamb\u00e9m se viu desamparada, assustada com a not\u00edcia de ter uma crian\u00e7a especial em casa, sem apoio ou informa\u00e7\u00e3o do que era necess\u00e1rio para receber o anjinho dela, a Maria Alice. \u201cEu tentava engravidar h\u00e1 muito tempo e n\u00e3o conseguia. A not\u00edcia de que teria uma filha veio em 2012 e me trouxe uma felicidade inexplic\u00e1vel. Foi uma gesta\u00e7\u00e3o muito tranquila. Depois do parto, que tamb\u00e9m transcorreu sem complica\u00e7\u00f5es, eu pedi informa\u00e7\u00f5es sobre a minha filha. Ainda n\u00e3o tinha a visto e ningu\u00e9m me dizia nada\u201d, lembra Nice.<\/p>\n<p>Segundo ela, mais um dia se passou e ningu\u00e9m tinha coragem de dizer o que se passava com a filha. \u201cEra como se minha beb\u00ea estivesse morta. J\u00e1 estava desesperada quando uma equipe m\u00e9dica entrou no quarto e com a maior frieza me disse que a Maria Alice tinha s\u00edndrome de Down. Cheguei a ouvir de uma m\u00e9dica que ela nunca andaria ou se desenvolveria. Eu n\u00e3o entendi bem, n\u00e3o conhecia ningu\u00e9m pr\u00f3ximo que tinha a altera\u00e7\u00e3o cromoss\u00f4mica e n\u00e3o recebi nenhuma orienta\u00e7\u00e3o sobre como receb\u00ea-la em casa. Ainda assim, sentia que precisava provar que ficaria tudo bem com ela\u201d, conta.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia recebeu alta e foi para casa. Os pais da Maria Alice ainda n\u00e3o sabiam que cuidados ela precisaria ter, at\u00e9 que ela precisou ir ao hospital por conta de uma gripe, j\u00e1 com seis meses. \u201cMinha filha pegou uma gripe. Teve um pouco de febre e a levamos em um hospital. L\u00e1, o m\u00e9dico me fez perguntas do tipo: \u2018Que fisioterapeuta a acompanha? Ela j\u00e1 vai ao fonoaudi\u00f3logo?\u2019 Eu confesso que n\u00e3o sabia nem para que eram as especialidades direito. Depois disso pesquisei, me informei, encontrei outras fam\u00edlias que me instru\u00edram e passei a amar cada dia mais a condi\u00e7\u00e3o que ela tem\u201d, diz Nice.<\/p>\n<p>O amor de m\u00e3e, mais uma vez gigante, teve vontade de abra\u00e7ar outros filhos. A Nice, quando percebeu que os portadores de Down precisavam de apoio em Montes Claros, se associou a outras m\u00e3es para que o dia 21 de mar\u00e7o de 2013, considerado o Dia da S\u00edndrome de Down, fosse celebrado um encontro. \u201cChamei a Fabiana e Saionara, que t\u00eam filhos com Down, para promovermos uma a\u00e7\u00e3o. De repente, a coisa foi crescendo. Conseguimos apoio de emissoras de TV e r\u00e1dio, patroc\u00ednios para camisetas, presentes, brinquedos. Quando a data chegou, v\u00e1rias m\u00e3es que ainda n\u00e3o conhec\u00edamos foram at\u00e9 o local. L\u00e1 nos unimos e decidimos que criar\u00edamos o &#8216;Amor Down&#8217;, que hoje compreende e apoia 56 fam\u00edlias\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Hoje, Maria Alice j\u00e1 tem tr\u00eas anos. \u00c9 graciosa, carinhosa, vai \u00e0 escola, tem se aprimorado na fala e ensaia os primeiros passos. A Nice celebra com muita emo\u00e7\u00e3o cada conquista da filha.<\/p>\n<p>Assim como Maria, a associa\u00e7\u00e3o &#8220;Amor Down&#8221; tamb\u00e9m cresceu. Segundo Nice, os encontros s\u00e3o mensais e, al\u00e9m de conhecimentos, eles compartilham as alegrias de terem filhos especiais. \u201cCada conquista destas crian\u00e7as lindas \u00e9 comemorada com muita alegria por n\u00f3s. Partilhamos novos conhecimentos para que cuidemos deles cada vez melhor, mas nossa maior miss\u00e3o \u00e9 acolher m\u00e3es que ainda est\u00e3o perdidas e com muito carinho e amor. Costumo dizer que se eu tivesse outro filho e ele viesse com s\u00edndrome de Down, teria certeza de que Deus me ama muito\u201d, brinca Nice.<\/p>\n<p>Para mais informa\u00e7\u00f5es dos projetos, o e-mail de contato do &#8220;Amor Down&#8221; \u00e9 grupoamordown2015@hotmail.com. A &#8220;Casa de Miguel&#8221;, que sobrevive atrav\u00e9s de doa\u00e7\u00f5es, tem a <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/casadeapoiomiguel\/?fref=ts\" target=\"_blank\">p\u00e1gina Miguel R\u00eago Alencar (www.facebook.com\/casadeapoiomiguel)<\/a> e fica na Rua Cassimiro de Abreu, 256C, C\u00e2ndida C\u00e2mara. O telefone \u00e9 (38) 3014-8001.<\/p>\n<p><em>(Fonte: G1 Grande Minas \/ Rep\u00f3rter: Juliana Gorayeb)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fam\u00edlia reunida, casas cheias, cheirinho de almo\u00e7o farto, presentes e muito carinho. O Dia das M\u00e3es chega repleto de amor \u00e0 casa dos brasileiros neste domingo (8\/5), como manda a tradi\u00e7\u00e3o. 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