{"id":83038,"date":"2016-03-29T16:53:17","date_gmt":"2016-03-29T19:53:17","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=83038"},"modified":"2016-03-29T16:53:17","modified_gmt":"2016-03-29T19:53:17","slug":"pmdb-oficializa-rompimento-com-o-governo-dilma-rousseff","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=83038","title":{"rendered":"PMDB oficializa rompimento com o governo Dilma Rousseff"},"content":{"rendered":"<p>O Diret\u00f3rio Nacional do PMDB decidiu nesta ter\u00e7a-feira (29\/3), por aclama\u00e7\u00e3o, romper oficialmente com o governo da presidente Dilma Rousseff. Na reuni\u00e3o, a c\u00fapula peemedebista tamb\u00e9m determinou que os seis ministros do partido e os filiados que ocupam outros postos no Executivo federal entreguem seus cargos.<\/p>\n<p>O vice-presidente da Rep\u00fablica e presidente nacional do PMDB, Michel Temer, n\u00e3o participou da reuni\u00e3o que oficializou a ruptura com o governo sob o argumento de que n\u00e3o desejava &#8220;influenciar&#8221; a decis\u00e3o. No entanto, ele teve participa\u00e7\u00e3o ativa na mobiliza\u00e7\u00e3o pelo desembarque do partido e passou toda a segunda-feira (28) em reuni\u00f5es com parlamentares e ministros do PMDB em busca de uma decis\u00e3o \u201cun\u00e2nime\u201d.<\/p>\n<p>Comandada pelo primeiro vice-presidente do PMDB, senador Romero Juc\u00e1 (PMDB-RR), a reuni\u00e3o durou menos de cinco minutos. Ap\u00f3s consultar simbolicamente os integrantes do partido, Juc\u00e1 decretou o resultado da vota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A partir de hoje, nessa reuni\u00e3o hist\u00f3rica para o PMDB, o PMDB se retira da base do governo da presidente Dilma Rousseff e ningu\u00e9m no pa\u00eds est\u00e1 autorizado a exercer qualquer cargo federal em nome do PMDB&#8221;, enfatizou.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a reuni\u00e3o, Juc\u00e1 disse que, com a decis\u00e3o, o PMDB deixava bem clara a sua posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao governo e disse que quem quiser tomar uma decis\u00e3o individual ter\u00e1 que avaliar as consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>&#8220;A partir de agora, o PMDB n\u00e3o autoriza ningu\u00e9m a exercer cargo no governo federal em nome do partido. Se, individualmente, algu\u00e9m quiser tomar uma posi\u00e7\u00e3o, vai ter que avaliar o tipo de consequ\u00eancia, o tipo de postura perante a pr\u00f3pria sociedade. Para bom entendedor, meia palavra basta. Aqui, n\u00f3s demos hoje a palavra inteira&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o do PMDB aumenta a crise pol\u00edtica do governo e \u00e9 vista como fator importante no processo de impeachment de Dilma. H\u00e1 a expectativa de que, diante da sa\u00edda do principal s\u00f3cio do PT no governo federal, outros partidos da base aliada tamb\u00e9m desembarquem da gest\u00e3o petista.<\/p>\n<p>Atualmente, o PMDB det\u00e9m a maior bancada na C\u00e2mara, com 68 deputados federais. O apoio ao governo, por\u00e9m, nunca foi un\u00e2nime dentro da sigla e as cr\u00edticas contra Dilma se intensificaram com o acirramento da crise econ\u00f4mica e a deflagra\u00e7\u00e3o do processo de afastamento da presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>Resumo da reuni\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8211; Presen\u00e7as:<\/strong> o presidente nacional do partido e vice da Rep\u00fablica, Michel Temer, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e os seis ministros do partido n\u00e3o compareceram. O presidente da C\u00e2mara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), estava presente.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Local: <\/strong>o evento foi realizado no plen\u00e1rio 1 do Anexo 2, o maior da C\u00e2mara dos Deputados. O plen\u00e1rio, com capacidade para 138 pessoas sentadas, mas o n\u00famero de presentes era superior porque a maioria estava de p\u00e9.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Dura\u00e7\u00e3o:<\/strong> a reuni\u00e3o durou 4 minutos e 12 segundos. N\u00e3o houve discursos, somente um pronunciamento do senador Romero Juc\u00e1 (PMDB-RR), que presidiu a reuni\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>&#8211; A decis\u00e3o:<\/strong> a mo\u00e7\u00e3o aprovada prev\u00ea que o partido se desvincula imediatamente do governo e entrega todos os cargos que det\u00e9m na administra\u00e7\u00e3o federal.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Aprova\u00e7\u00e3o:<\/strong> a aprova\u00e7\u00e3o da sa\u00edda do governo se deu por aclama\u00e7\u00e3o, sem vota\u00e7\u00e3o. Todos os presentes levantaram as m\u00e3os sinalizando concord\u00e2ncia com a decis\u00e3o. Ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o, houve gritos de &#8220;Fora PT&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Ministros<\/strong><\/p>\n<p>Na reuni\u00e3o desta ter\u00e7a, os peemedebistas decidiram que os ministros da legenda que descumprirem a determina\u00e7\u00e3o de deixar o governo poder\u00e3o sofrer san\u00e7\u00f5es, como expuls\u00e3o do partido.<\/p>\n<p>Por meio da assessoria, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade informou que Marcelo Castro permanecer\u00e1 &#8220;por enquanto&#8221; tanto no cargo de ministro quanto no PMDB e aguardar\u00e1 os &#8220;pr\u00f3ximos passos do partido&#8221;, como o prazo que ser\u00e1 dado pela legenda para que os ocupantes de cargos no Executivo deixem as vagas. Pela decis\u00e3o aprovada pelo diret\u00f3rio, os peemedebistas devem sair &#8220;imediatamente&#8221;.<\/p>\n<p>At\u00e9 esta segunda-feira, o PMDB ocupava sete cadeiras no primeiro escal\u00e3o do governo Dilma. No entanto, Henrique Eduardo Alves, um dos peemedebistas mais pr\u00f3ximos de Michel Temer, se antecipou \u00e0 decis\u00e3o da c\u00fapula e entregou seu cargo a Dilma.<\/p>\n<p>Dilma tamb\u00e9m lan\u00e7ou m\u00e3o dos \u00faltimos esfor\u00e7os para tentar resgatar o apoio do partido. Na manh\u00e3 de segunda, ela chamou ao seu gabinete no Pal\u00e1cio do Planalto seis dos sete ministros do PMDB para avaliar o cen\u00e1rio. No entanto, no fim do dia, Henrique Alves, um dos presentes ao encontro, apresentou a sua carta de ren\u00fancia.<\/p>\n<p>Apesar do desembarque, Temer continuar\u00e1 na Vice-Presid\u00eancia da Rep\u00fablica sob o argumento de que foi eleito pela popula\u00e7\u00e3o na chapa de Dilma e de que n\u00e3o ocupa, portanto, cargo de submiss\u00e3o \u00e0 presidente.<\/p>\n<p><strong>Afastamento<\/strong><\/p>\n<p>A decis\u00e3o de afastamento j\u00e1 estava tomada, mas o PMDB decidiu dar uma esp\u00e9cie de \u201caviso pr\u00e9vio\u201d ao governo. Reuni\u00e3o da conven\u00e7\u00e3o nacional do PMDB no dia 12 de mar\u00e7o foi marcada por discursos em defesa do impeachment de Dilma e do rompimento com o governo.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, ficou decidido que o partido anunciaria em 30 dias se desembarcaria ou n\u00e3o do governo. Tamb\u00e9m ficou estabelecido que o PMDB n\u00e3o assumiria novos minist\u00e9rios at\u00e9 que o fosse definido se haveria o rompimento.<\/p>\n<p>No entanto, dias depois, a presidente Dilma ignorou a decis\u00e3o e empossou o deputado licenciado Mauro Lopes (PMDB-MG) como ministro da Secretaria de Avia\u00e7\u00e3o Civil. A nomea\u00e7\u00e3o foi vista como uma afronta pelo partido, que abriu um processo no seu Conselho de \u00c9tica para expuls\u00e1-lo da legenda. O epis\u00f3dio ajudou a agravar a crise e acelerou a decis\u00e3o do partido.<\/p>\n<p><strong>Escalada da crise<\/strong><\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o do PMDB com o governo do PT tem se deteriorado nos \u00faltimos anos. Quando Dilma se preparava para disputar o segundo mandato, o partido deu mostras claras de que estava rachado quanto ao apoio \u00e0 petista.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, em junho de 2014, a manuten\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a foi aprovada pela conven\u00e7\u00e3o nacional do PMDB, mas recebeu mais de 40,8% de votos contr\u00e1rios. A ala dissidente reclamava que o partido n\u00e3o era ouvido pelo governo federal e que os ministros da legenda n\u00e3o tinham real poder de comando.<\/p>\n<p>Ao longo do primeiro ano do segundo mandato de Dilma, a crise se agravou. O primeiro embate entre PT e PMDB ocorreu na disputa pela presid\u00eancia da C\u00e2mara, quando o governo federal iniciou uma campanha ostensiva para que Arlindo Chinaglia (PT-SP) vencesse a elei\u00e7\u00e3o e derrotasse o candidato peemedebista Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que se elegeu em primeiro turno. <\/p>\n<p>Sob o comando Cunha, a C\u00e2mara derrotou o Planalto em diversas ocasi\u00f5es neste ano, com a vota\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias desfavor\u00e1veis ao governo. Al\u00e9m disso, no ano passado, houve na Casa a instala\u00e7\u00e3o da CPI da Petrobras, para investigar o esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o na estatal.<\/p>\n<p>Para tentar conter a rebeli\u00e3o na base, a presidente promoveu, em 2015, uma reforma ministerial para ampliar o espa\u00e7o do PMDB no governo, que chegou a ter sete minist\u00e9rios. No entanto, a estrat\u00e9gia n\u00e3o foi bem sucedida.<\/p>\n<p>Para agradar os parlamentares na C\u00e2mara, o governo entregou ao l\u00edder da bancada, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), a incumb\u00eancia de indicar nomes para duas pastas, incluindo a da Sa\u00fade, com o maior or\u00e7amento da Esplanada. Essa aproxima\u00e7\u00e3o descontentou ainda mais a ala rebelde do partido, que se voltou contra Picciani quando ele indicou integrantes menos cr\u00edticos a Dilma para a comiss\u00e3o do impeachment.<\/p>\n<p>Ele chegou a ser destitu\u00eddo do posto em dezembro por oito dias em uma articula\u00e7\u00e3o patrocinada diretamente por Temer e Cunha, mas conseguiu reaver o posto com o apoio da maioria.<\/p>\n<p>Para ser reeleito neste ano, foi preciso uma atua\u00e7\u00e3o direta do Planalto para garantir a ele votos suficientes, inclusive com a exonera\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria do ministro da Sa\u00fade, Marcelo Castro, para reassumir como deputado e votar a favor de Picciani.<\/p>\n<p>Apesar da entrega de cargos, a ala do PMDB descontente com o governo ganhou for\u00e7a com a queda continuada de popularidade da presidente, agravada pela escalada de den\u00fancias relacionadas \u00e0 Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato.<\/p>\n<p><strong>Assista ao v\u00eddeo<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/160789854\" width=\"600\" height=\"300\" frameborder=\"0\" webkitallowfullscreen mozallowfullscreen allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><em>(Fonte: G1 Pol\u00edtica \/ Rep\u00f3rteres: Nathalia Passarinho e Fernanda Calgaro)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Diret\u00f3rio Nacional do PMDB decidiu nesta ter\u00e7a-feira (29\/3), por aclama\u00e7\u00e3o, romper oficialmente com o governo da presidente Dilma Rousseff. 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