{"id":83005,"date":"2016-03-28T23:43:44","date_gmt":"2016-03-29T02:43:44","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=83005"},"modified":"2016-03-28T23:43:44","modified_gmt":"2016-03-29T02:43:44","slug":"contaminacao-de-peixes-do-rio-doce-e-140-vezes-maior-que-limite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=83005","title":{"rendered":"Contamina\u00e7\u00e3o de peixes do Rio Doce \u00e9 140 vezes maior que limite"},"content":{"rendered":"<p>A contamina\u00e7\u00e3o por metais de alguns peixes do Rio Doce ultrapassa os limites permitidos por legisla\u00e7\u00e3o em at\u00e9 140 vezes. Este, por exemplo, \u00e9 o n\u00edvel de ars\u00eanio encontrado no peixe roncador, quando o m\u00e1ximo tolerado seria 1. \u00c9 o que aponta o primeiro laudo produzido pelo Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) sobre pescados e mariscos da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O documento foi apresentado \u00e0 dire\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos \u2013 como Iema, Tamar, Ibama e o pr\u00f3prio ICMBio \u2013 e a pesquisadores em semin\u00e1rio realizado entre os dias 15 e 16 de mar\u00e7o. Mas ainda n\u00e3o foi divulgado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o por nenhum deles.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/contaminacao_peixes_2.jpg\" alt=\"\" \/><em>Peixe na lama de minera\u00e7\u00e3o em 12\/11\/2015 (Foto: Leonardo Mer\u00e7on \/ Instituto \u00daltimos Ref\u00fagios)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>O laudo faz parte de um conjunto de estudos que vem sendo desenvolvidos no Rio Doce  ap\u00f3s o desastre ambiental causado pelo rompimento de uma barragem da Samarco, na cidade mineira de Mariana. S\u00e3o executados por professores de v\u00e1rias universidades e v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos ligados a \u00e1rea ambiental. H\u00e1 expectativa de que o relat\u00f3rio dos pescados e outros sejam divulgados esta semana pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente.<\/p>\n<p><strong>ICMBio<\/strong><\/p>\n<p>Em nota, o Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) esclarece que &#8220;n\u00e3o divulgou nenhum relat\u00f3rio, mesmo que parcial, acerca do levantamento sobre a biodiversidade marinha, realizado no litoral do Esp\u00edrito Santo e da Bahia e nas unidades de conserva\u00e7\u00e3o federais sobre sua administra\u00e7\u00e3o \u2013 Rebio Comboios, APA Costa das Algas, REVIS de Santa Cruz e Parque Nacional Marinho de Abrolhos \u2013 em janeiro deste ano.  O relat\u00f3rio final consolidado, elaborado em parceria com as universidades que participaram das atividades cient\u00edficas na regi\u00e3o, ser\u00e1 divulgado no dia 17 de abril&#8221;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/contaminacao_peixes_1.jpg\" alt=\"\" \/><em>Relat\u00f3rio mostra presen\u00e7a de metais nos peixes e crust\u00e1ceos (Foto: Arte \/ A Gazeta)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Excessos<\/strong><\/p>\n<p>As conclus\u00f5es do documento n\u00e3o deixam d\u00favidas: \u201cH\u00e1 contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua com metais acima dos limites permitidos pela Resolu\u00e7\u00e3o 357, do Conama\u201d. E mais: \u201cH\u00e1 contamina\u00e7\u00e3o de pescados (peixes e camar\u00f5es) acima dos limites permitidos pela Resolu\u00e7\u00e3o 42, da Anvisa\u201d.<\/p>\n<p>Diz ainda que a contamina\u00e7\u00e3o atingiu as unidades de conserva\u00e7\u00e3o e de preserva\u00e7\u00e3o ambiental no entorno da regi\u00e3o: o Arquip\u00e9lago de Abrolhos, a Costa das Algas e o Ref\u00fagio de Vida Silvestre de Santa Cruz.<\/p>\n<p>Em todas elas houve pontos de coleta de amostras para o estudo, assim como na Foz do   Rio Doce \u2013 Norte e Sul \u2013 e na regi\u00e3o de Barra Nova.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do ars\u00eanio, o roncador citado no in\u00edcio da mat\u00e9ria tamb\u00e9m est\u00e1 contaminado por c\u00e1dmio (12 vezes acima do limite) e chumbo (5 vezes a mais do que o permitido).<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 diferente com o camar\u00e3o: chega a ter 88 vezes o limite de ars\u00eanio (que \u00e9 de 1) &#8211; mas foram encontradas esp\u00e9cies superando o limite em 115 vezes -, al\u00e9m de 5 vezes mais c\u00e1dmio e 5 vezes mais chumbo do que a legisla\u00e7\u00e3o estabelece.<\/p>\n<p>O pero\u00e1 tamb\u00e9m supera os limites de ars\u00eanio em 34 vezes e tem quase 3 vezes mais c\u00e1dmio do que o permitido. \u00c9 acompanhado de perto pelo linguado, que ultrapassa os limites de ars\u00eanio em 43 vezes, 9 vezes o de c\u00e1dmio e 6 vezes o de chumbo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 complicada a situa\u00e7\u00e3o da \u00e1gua na regi\u00e3o. Os resultados apontam contamina\u00e7\u00e3o por chumbo total quase 10 vezes superior ao limite do Conama (que \u00e9 de 10). Tamb\u00e9m foi superado em 9 vezes o n\u00edvel de cobre dissolvido (que \u00e9 5) e duas vezes o de c\u00e1dmio total (5).<\/p>\n<p><strong>Rea\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Jo\u00e3o Carlos Thom\u00e9, o Joca, coordenador do Tamar e representante do ICMBio junto \u00e0s universidades e demais \u00f3rg\u00e3os, o estudo a que A Gazeta teve acesso foi desenvolvido pelo professor Adalto Bianchini, da Universidade Federal do Rio Grande (UFRG).<\/p>\n<p>\u00c9 uma pr\u00e9via, diz Thom\u00e9, de um relat\u00f3rio que trar\u00e1 mais detalhes sobre a situa\u00e7\u00e3o. \u201cO Bianchini possui o melhor laborat\u00f3rio de ecotoxicologia do pa\u00eds e ficou encarregado de analisar a situa\u00e7\u00e3o dos pescados e mariscos da regi\u00e3o\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Joca observa que \u00e9 exatamente pelos dados levantados pelo estudo que a pesca est\u00e1 proibida na Foz do Rio Doce entre Barra do Riacho, Aracruz, at\u00e9 Degredo\/Ipiranguinha, em Linhares. A decis\u00e3o partiu da Justi\u00e7a Federal, no final do m\u00eas passado, por tempo indeterminado.<\/p>\n<p>Os poucos detalhes j\u00e1 divulgados s\u00e3o considerados extremamente preocupantes, como destaca o consultor ambiental Marco Bravo. \u201c\u00c9 uma contamina\u00e7\u00e3o muito grave, por metais que v\u00e3o se acumulando no organismo destas esp\u00e9cies e que n\u00e3o s\u00e3o eliminados. E v\u00e3o comprometer a sa\u00fade. \u00c9 um risco para a comunidade. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas\u201d, diz.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da sa\u00fade, destaca Bravo, tamb\u00e9m a economia da regi\u00e3o ser\u00e1 afetada por tempo indeterminado. O estudo tamb\u00e9m aponta n\u00edveis de contamina\u00e7\u00e3o altos na \u00e1rea de Barra Nova, onde \u00e9 forte o sistema pesqueiro.<\/p>\n<p><strong>Cadeia alimentar comprometida<\/strong><\/p>\n<p>Outro ponto do estudo diz respeito \u00e0 cadeia alimentar. A conclus\u00e3o \u00e9 de que houve \u201cacumula\u00e7\u00e3o significativa de metais t\u00f3xicos na base da cadeia tr\u00f3fica (nos chamados zoopl\u00e2nctons).\u201d<\/p>\n<p>De acordo com o consultor ambiental Marco Bravo, a base da cadeia alimentar (tr\u00f3fica) s\u00e3o os fitopl\u00e2nctons (as algas). Depois vem os zoopl\u00e2nctons, que se alimentam das algas e servem de alimentos para peixes, que s\u00e3o alimentos de outros maiores. E assim sucessivamente at\u00e9 chegar ao homem.<\/p>\n<p>Quando h\u00e1 contamina\u00e7\u00e3o na base da cadeia alimentar, explica Bravo, todos acabam sendo contaminados. \u201cE o problema \u00e9 maior \u00e0 medida que a cadeia cresce. \u00c9 onde se come mais seres contaminados\u201d, detalha.<\/p>\n<p>O estudo utilizou como par\u00e2metro o zoopl\u00e2ncton porque ele foi encontrado em todos os pontos de coleta e com um volume significativo de acumula\u00e7\u00e3o de metais. Tamb\u00e9m foi identificado um n\u00edvel alto de contamina\u00e7\u00e3o nos corais da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A professora Sigrid Costa Valbon Freire, que leciona Ecologia e An\u00e1lise na Faculdade Pio XII, explica que ocorre na regi\u00e3o a chamada bioacumula\u00e7\u00e3o. \u201cAlgumas subst\u00e2ncias t\u00f3xicas que n\u00e3o s\u00e3o metabolizadas acabam se acumulando no organismos dos seres\u201d.<\/p>\n<p>O problema, explica ela, \u00e9 que os metais t\u00f3xicos atingem vias metab\u00f3licas de nosso corpo e reagem alterando rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas, nos causando problemas. \u201cOs metais t\u00f3xicos induzem a produ\u00e7\u00e3o de radicais livres, que prejudicam as nossas c\u00e9lulas e complicam a nossa sa\u00fade\u201d, diz, lembrando que em excesso eles podem causar v\u00e1rias doen\u00e7as, inclusive c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Uma outra expedi\u00e7\u00e3o foi realizada na regi\u00e3o com o navio Vital de Oliveira, da Marinha do Brasil. A pesquisa foi conclu\u00edda e entregue em janeiro, mas o governo do Esp\u00edrito Santo n\u00e3o divulgou o resultado.<\/p>\n<p><strong>Samarco diz que \u00e1gua \u00e9 monitorada<\/strong><\/p>\n<p>A Samarco informou em nota que ainda n\u00e3o teve acesso ao laudo do ICMBio e reitera que desenvolve a\u00e7\u00f5es de monitoramento da qualidade da \u00e1gua ao longo do Rio Doce. O monitoramento di\u00e1rio \u00e9 feito em 118 pontos.<\/p>\n<p>J\u00e1 foram feitas cerca de 500 mil an\u00e1lises. Segundo a empresa, a \u00e1gua tamb\u00e9m \u00e9 monitorada na foz e no oceano. Os laudos s\u00e3o enviados \u00e0s autoridades ambientais competentes. De maneira geral, h\u00e1 melhoria nos n\u00edveis de turbidez da \u00e1gua.<\/p>\n<p>A empresa afirma que an\u00e1lises recentes mostram que a presen\u00e7a de metais pesados est\u00e1 dentro dos padr\u00f5es da legisla\u00e7\u00e3o. Cabe ressaltar que o rejeito \u00e9 composto, basicamente, de s\u00edlica e \u00f3xido de ferro, material inerte e n\u00e3o perigoso. Estudos preliminares feitos com o pescado mostram que sua qualidade n\u00e3o se alterou.<\/p>\n<p><em>(Fonte: A Gazeta \/ G1)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A contamina\u00e7\u00e3o por metais de alguns peixes do Rio Doce ultrapassa os limites permitidos por legisla\u00e7\u00e3o em at\u00e9 140 vezes. 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