{"id":81581,"date":"2016-03-14T10:37:09","date_gmt":"2016-03-14T13:37:09","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=81581"},"modified":"2016-03-14T10:37:09","modified_gmt":"2016-03-14T13:37:09","slug":"pesquisa-afirma-que-habitante-de-pais-corrupto-tende-a-ser-mais-desonesto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=81581","title":{"rendered":"Pesquisa afirma que habitante de pa\u00eds corrupto tende a ser mais desonesto"},"content":{"rendered":"<p>O lugar em que voc\u00ea vive pode torn\u00e1-lo mais ou menos honesto? Segundo um estudo publicado na revista Nature, sim. Depois de analisar \u00edndices de corrup\u00e7\u00e3o em todo o mundo e realizar experimentos de laborat\u00f3rio com milhares de pessoas, os autores conclu\u00edram que quanto maior \u00e9 a viola\u00e7\u00e3o de regras em um pa\u00eds, mais altas s\u00e3o as chances de seus habitantes mentirem para obter um pequeno ganho financeiro. Em outras palavras, a sociedade influencia a honestidade intr\u00ednseca de seus membros.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/pesquisa_honestidade_1.jpg\" alt=\"\" \/><em>Cr\u00e9dito: CB \/ D.A Press<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Os respons\u00e1veis pelo trabalho explicam que o tema tem sido alvo da aten\u00e7\u00e3o de diferentes \u00e1reas \u2014 da antropologia \u00e0 economia \u2014, uma vez que a honestidade \u00e9 um tra\u00e7o valorizado em todo o mundo. \u201cO antrop\u00f3logo Joseph Henrich, da Universidade de Harvard, tem feito uma pesquisa intercultural, em sociedades pequenas, mostrando que a cultura e a sociedade exercem uma influ\u00eancia importante sobre as prefer\u00eancias e o comportamento das pessoas. Por isso, \u00e9 natural perguntar at\u00e9 que ponto isso \u00e9 v\u00e1lido tamb\u00e9m para as sociedades desenvolvidas\u201d, justifica Simon Gaechter, professor de psicologia da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, autor do estudo ao lado de Jonathan Schulz, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>O primeiro passo da dupla foi elaborar uma esp\u00e9cie de ranking global do respeito \u00e0s leis. Os cientistas analisaram dados p\u00fablicos como taxas de evas\u00e3o fiscal, corrup\u00e7\u00e3o e fraude pol\u00edtica de 159 pa\u00edses e criaram o \u00edndice PRV, sigla em ingl\u00eas para Preval\u00eancia de Viola\u00e7\u00e3o das Regras. As na\u00e7\u00f5es foram, ent\u00e3o, classificadas em um n\u00edvel de PRV baixo (menos desrespeito \u00e0s leis), mediano e alto (onde a corrup\u00e7\u00e3o parece ser maior). Nesse modelo, o Brasil foi apontado com um \u00edndice PRV mediano (veja mapa).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/pesquisa_honestidade_2.jpg\" alt=\"\" \/><em>Fa\u00e7a o teste: voc\u00ea j\u00e1 cometeu algumas dessas atitudes? &#8211; Cr\u00e9dito: EM \/ D.A Press<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Jogo de dados<\/strong><\/p>\n<p>Para verificar se o ambiente de maior ou menor desrespeito \u00e0s regras influencia a honestidade individual, os dois especialistas selecionaram 23 pa\u00edses que representavam distintos n\u00edveis de corrup\u00e7\u00e3o, como Reino Unido, Vietn\u00e3, China, Espanha, Su\u00e9cia, Guatemala e Col\u00f4mbia. Nesses lugares, jovens foram convidados para participar de um experimento simples que poderia lhes render algum dinheiro. Ao todo, 2.568 pessoas se envolveram no estudo.<\/p>\n<p>Depois de ficarem sozinhos em uma sala, os volunt\u00e1rios deviam jogar um dado duas vezes, memorizando os n\u00fameros que haviam tirado. O entrevistador voltava ent\u00e3o ao c\u00f4modo e perguntava apenas qual tinha sido o resultado do primeiro lan\u00e7amento. Essa resposta determinava o valor a ser pago ao volunt\u00e1rio. Quanto mais alto o n\u00famero do dado, maior a recompensa, com exce\u00e7\u00e3o do n\u00famero seis, que representava pagamento nenhum.<\/p>\n<p>Como as pessoas estavam sozinhas no momento de lan\u00e7ar os dados, elas podiam mentir facilmente para sair do experimento com um pouco mais de dinheiro. E, de fato, era imposs\u00edvel para os pesquisadores apontarem quem havia mentido ou falado a verdade. Por\u00e9m, como o resultado era fruto do acaso, todas as respostas de cada pa\u00eds deveriam ficar distribu\u00eddas mais ou menos igualmente entre os seis n\u00fameros do dado. Se a grande maioria fosse de n\u00fameros altos, os pesquisadores tinham como afirmar que, naquele pa\u00eds, as pessoas tinham mentido com mais frequ\u00eancia. E onde isso foi mais comum? Justamente nas na\u00e7\u00f5es com o \u00edndice PRV mais alto, embora em todo lugar tenha sido observada alguma distor\u00e7\u00e3o dos resultados.<\/p>\n<p><strong>Transmiss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Dois detalhes s\u00e3o importantes para entender os resultados. Primeiro: por que os participantes foram estimulados a lan\u00e7ar o dado duas vezes se o resultado que interessava era apenas o inicial? O estudo optou por esse modelo porque, segundo an\u00e1lises anteriores, as pessoas gostam de acreditar que, de certa forma, falam parte da verdade quando mentem. Assim, em vez de simplesmente inventar um resultado qualquer, muitos podiam escolher o n\u00famero mais alto dos dois que tinham tirado. Por exemplo, um participante que tirasse dois na primeira tentativa e tr\u00eas na segunda tenderia a dizer que o resultado v\u00e1lido para receber a recompensa era tr\u00eas.<\/p>\n<p>O segundo aspecto \u00e9 a idade dos volunt\u00e1rios. Os cientistas escolheram pessoas que s\u00e3o muito jovens para terem influenciado o n\u00edvel de corrup\u00e7\u00e3o institucional do pa\u00eds em que vivem \u2014 a m\u00e9dia de idade era 21 anos. Isso permitiu \u00e0 dupla de autores afirmar que \u00e9 a corrup\u00e7\u00e3o da sociedade que influencia a honestidade dos indiv\u00edduos, e n\u00e3o o contr\u00e1rio. \u201cUtilizamos jovens que provavelmente s\u00e3o influenciados pelo que veem ao seu redor, mas devido \u00e0 juventude ainda n\u00e3o podem ter contribu\u00eddo para a corrup\u00e7\u00e3o em suas sociedades. \u00c9 claro que, futuramente, os jovens ser\u00e3o adultos e estar\u00e3o em posi\u00e7\u00f5es de poder e influ\u00eancia, podendo ser propensos a suborno, sonega\u00e7\u00e3o de impostos etc., mas nossos resultados sugerem que a desonestidade de quebrar uma regra vem de seu ambiente social\u201d, diz Gaechter.<\/p>\n<p>Para o psic\u00f3logo, o estudo mostra que a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 um problema maior do que se imaginava, pois, al\u00e9m dos preju\u00edzos econ\u00f4micos, ela pode corromper a conduta da popula\u00e7\u00e3o. Os dados, contudo, tamb\u00e9m trazem esperan\u00e7a. \u201cOs resultados sugerem que, a longo prazo, a honestidade intr\u00ednseca pode melhorar, mas seria necess\u00e1ria uma pesquisa futura para mostrar como isso ocorreria\u201d, afirma o autor, antecipando que j\u00e1 planeja o desenrolar da pesquisa.<\/p>\n<p>Para Shaul Shalvi, especialista do Centro de Pesquisa em Economia Experimental e Pol\u00edtica de Tomada de Decis\u00e3o (Creed, em ingl\u00eas) da Universidade de Amsterdam, na Holanda, pesquisas do tipo s\u00e3o fundamentais. \u201cA corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 um problema grave em todo o mundo. Para a Uni\u00e3o Europeia, ela custa anualmente um montante igual ao seu or\u00e7amento anual\u201d, diz o cientista, que n\u00e3o participou da nova pesquisa, mas investiga h\u00e1 anos o tema da honestidade. \u201cEm um artigo recente que fiz com um colega, descobrimos que, em experimentos nos quais a honestidade \u00e9 posta \u00e0 prova, as pessoas mentem mais quando est\u00e3o acompanhadas do que quando realizam as atividades sozinhas. Com base nesses achados, podemos criar interven\u00e7\u00f5es organizacionais que reduziriam a corrup\u00e7\u00e3o, mas ainda h\u00e1 um longo caminho pela frente\u201d, avalia.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Correio Braziliense \/ Rep\u00f3rter: Vilhena Soares)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O lugar em que voc\u00ea vive pode torn\u00e1-lo mais ou menos honesto? Segundo um estudo publicado na revista Nature, sim. 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