{"id":80985,"date":"2016-03-07T14:32:38","date_gmt":"2016-03-07T17:32:38","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=80985"},"modified":"2016-03-07T14:32:38","modified_gmt":"2016-03-07T17:32:38","slug":"doces-mantem-identidade-e-tradicao-da-culinaria-mineira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=80985","title":{"rendered":"Doces mant\u00eam identidade e tradi\u00e7\u00e3o da culin\u00e1ria mineira"},"content":{"rendered":"<p>Alto Parana\u00edba, Tri\u00e2ngulo, Noroeste, Sul, Central, Leste, Norte&#8230; Cada regi\u00e3o, com sua especificidade e voca\u00e7\u00e3o, conta em seus sabores, a hist\u00f3ria do estado. E os doces s\u00e3o parte importante dessa identidade gastron\u00f4mica. A tradicional produ\u00e7\u00e3o artesanal das receitas mant\u00e9m, ainda hoje, o fazer familiar como legado cultural de gera\u00e7\u00f5es. Com a profissionaliza\u00e7\u00e3o, a atividade passou ainda a gerar mais emprego, conquistando o mercado nacional e fazendo a alegria dos turistas.<\/p>\n<p>A ambrosia, por exemplo, \u00e9 um dos doces mais antigos de Minas Gerais. Chegou ao Brasil no s\u00e9culo XVII, com a vinda das fam\u00edlias portuguesas, principalmente das mulheres que eram habituadas a essa receita. O nome do doce \u00e9 tamb\u00e9m cheio de simbolismo. Por causa do sabor, tido como divinal, a ambrosia \u00e9 chamada, em grego, de manjar dos deuses do olimpo.<\/p>\n<p><strong>Receita de fam\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/doces_compota_2.jpg\" alt=\"\" \/><em>A tradicional produ\u00e7\u00e3o artesanal das receitas preserva o fazer familiar &#8211; Foto: Cyro Almeida<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>A ambrosia de Arax\u00e1, no Alto Parana\u00edba, \u00e9 famosa. A refer\u00eancia \u00e9 a receita da dona Joana D\u2019Arc, de 83 anos, mais conhecida como dona Joaninha. O jeito de fazer ela aprendeu no passado, com uma amiga, e passou para o filho Luiz Augusto de Almeida e a nora. Os dois comandam uma doceria, em Arax\u00e1, neg\u00f3cio iniciado por dona Joaninha.<\/p>\n<p>Luiz Augusto conta que o segredo est\u00e1 na paci\u00eancia. O leite n\u00e3o \u00e9 talhado e sim cozido durante 8 ou 9 horas. \u201cO tempo \u00e9 fundamental para refinar o gosto e suavizar a presen\u00e7a dos ovos. A maioria das pessoas come e n\u00e3o sabe se eles s\u00e3o ingredientes\u201d, afirma o herdeiro de dona Joaninha, acrescentando que a receita artesanal j\u00e1 recebeu v\u00e1rios pr\u00eamios.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m est\u00e1 na lista das receitas de dona joaninha a \u201cameixinha de queijo\u201d, uma massa feita com ovos e queijo. Famosos na regi\u00e3o ainda s\u00e3o os doces de leite, de goiaba, de figo, ab\u00f3bora com coco e de jabuticaba.<\/p>\n<p>\u201cO processo de produ\u00e7\u00e3o continua o mesmo, h\u00e1 mais de 40 anos, quando dona Joaninha come\u00e7ou a fazer os doces\u201d, afirma Luiz Augusto. Ele acrescenta que as adapta\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias e das instala\u00e7\u00f5es f\u00edsicas buscaram preservar o jeito artesanal de fazer os doces.<\/p>\n<p><strong>Do pomar para as compotas<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/doces_compota_3.jpg\" alt=\"\" \/><em>Ambrosia, doce que segue a receita tradicional de dona Joaninha &#8211; Foto: Cyro Almeida<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Em Itaguara, no Centro-Oeste de Minas, dona Ana Maria Martins, 61 anos, utiliza as receitas que aprendeu com a m\u00e3e para fabricar doces artesanais de frutas. Goiaba, laranja da terra, figo, lim\u00e3o tahite, jabuticaba em caldas, manga, abacaxi. S\u00e3o mais de 20 variedades de compotas. A produ\u00e7\u00e3o mensal chega a 1,4 mil potes e j\u00e1 conta com uma clientela certa: mercados em Belo Horizonte, aeroportos, restaurantes e chefes de cozinha.<\/p>\n<p>A agroind\u00fastria familiar fica na zona rural e \u00e9 comandada por Ana Maria e pelo marido. L\u00e1 eles tamb\u00e9m cultivam as frutas utilizadas na produ\u00e7\u00e3o dos doces. \u201cS\u00e3o doces diferenciados pelo jeito artesanal de fazer, sem conservantes e com o doce da pr\u00f3pria fruta tirada do pomar. S\u00f3 compramos o abacaxi\u201d, conta Ana Maria..<\/p>\n<p>O cultivo das frutas e a fabrica\u00e7\u00e3o dos doces t\u00eam refor\u00e7ado a renda familiar de dona Ana e do marido, que s\u00e3o aposentados. Al\u00e9m disso, a atividade gerou quatro empregos para pessoas do povoado onde est\u00e1 localizada a agroind\u00fastria. \u201c\u00c9 uma renda a mais que a gente tem\u201d, afirma dona Ana, que possui uma clientela consolidada e pretende expandir ainda mais mercado.<\/p>\n<p><strong>Culin\u00e1ria \u00e9 identidade mineira<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a superintendente de Gastronomia da Secretaria de Estado de Turismo (Setur), Nath\u00e1lia Farah, a gastronomia representa o resgate da hist\u00f3ria do estado e tem impactado o turismo em Minas Gerais. Ela cita pesquisas realizadas pela Setur: em 2013, a gastronomia era a imagem de Minas Gerais para 24% dos turistas, em 2014, o \u00edndice subiu para 33%.<\/p>\n<p>A valoriza\u00e7\u00e3o dos saberes e sabores regionais inclui a agroind\u00fastria artesanal de alimentos. O segmento \u00e9 estimado em 1.153 estabelecimentos em Minas Gerais, a maioria formada de agricultores familiares. Destes, 37,2% processam leite, 24,6% cana de a\u00e7\u00facar e outros 24% frutas e vegetais.<\/p>\n<p><strong>Qualidade e tradi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O est\u00edmulo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de doces est\u00e1 vinculado ao trabalho da Emater-MG e do IMA com as agroind\u00fastrias familiares. As a\u00e7\u00f5es s\u00e3o voltadas para orienta\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas sobre o plantio da fruticultura, processo de produ\u00e7\u00e3o dos alimentos, boas pr\u00e1ticas, etapas para a certifica\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00f5es que devem conter o r\u00f3tulo e participa\u00e7\u00e3o em feiras.<\/p>\n<p>Para a coordenadora t\u00e9cnica regional de Bem Estar Social da Emater-MG, Eug\u00eania Mara Gon\u00e7alves, o mercado exige novas posturas do produtor. \u201cHoje o p\u00fablico quer ter seguran\u00e7a alimentar, quer saber a origem do produto, se \u00e9 certificado. As informa\u00e7\u00f5es precisam estar claras no r\u00f3tulo. Ent\u00e3o a gente trabalha com o produtor no sentido de mostrar as exig\u00eancias do mercado e da legisla\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>Ainda segundo Eug\u00eania Mara, o papel do t\u00e9cnico \u00e9 ajudar o produtor fazer as adequa\u00e7\u00f5es do processo de fabrica\u00e7\u00e3o, preservando uma receita que \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o. \u201cDefendemos uma cozinha mineira mais profissional, valorizando as tradi\u00e7\u00f5es e a qualidade do produto\u201d, conclui a t\u00e9cnica da Emater-MG.<\/p>\n<p>Os fabricantes de quitandas e doces tamb\u00e9m recebem informa\u00e7\u00f5es sobre as formas de colocar os produtos no mercado seja por iniciativa individual ou por meio de cooperativa.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/doces_compota_1.jpg\" alt=\"\" \/><em>Frutas d\u00e3o origem a diversos doces de compota &#8211; Foto: Cyro Almeida<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Para se profissionalizar<\/strong><\/p>\n<p>A assist\u00eancia aos agricultores familiares interessados em orienta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para fabrica\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o dos doces \u00e9 oferecida gratuitamente pela Emater-MG. Basta o interessado procurar o escrit\u00f3rio local mais pr\u00f3ximo da sua casa. Endere\u00e7os e telefones est\u00e3o no site: <a href=\"http:\/\/www.emater.mg.gov.br\" target=\"_blank\">www.emater.mg.gov.br<\/a>. (Ag\u00eancia Minas)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alto Parana\u00edba, Tri\u00e2ngulo, Noroeste, Sul, Central, Leste, Norte&#8230; Cada regi\u00e3o, com sua especificidade e voca\u00e7\u00e3o, conta em seus sabores, a hist\u00f3ria do estado. E os doces s\u00e3o parte importante dessa identidade gastron\u00f4mica. A tradicional produ\u00e7\u00e3o artesanal das receitas mant\u00e9m, ainda hoje, o fazer familiar como legado cultural de gera\u00e7\u00f5es. 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