{"id":80690,"date":"2016-03-03T12:04:04","date_gmt":"2016-03-03T15:04:04","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=80690"},"modified":"2016-03-03T12:04:04","modified_gmt":"2016-03-03T15:04:04","slug":"homicidio-contra-mulheres-e-desafio-em-minas-gerais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=80690","title":{"rendered":"Homic\u00eddio contra mulheres \u00e9 desafio em Minas Gerais"},"content":{"rendered":"<p>Se Minas Gerais fosse um pa\u00eds, ocuparia o s\u00e9timo lugar no mundo no ranking de homic\u00eddios de mulheres. Em 2013, o Estado registrou 4,2 mortes para cada grupo de 100 mil mulheres, \u00edndice pouco menor que a m\u00e9dia nacional, de 4,8, que coloca o Brasil no 5\u00ba lugar na escala mundial. Dados alarmantes sobre essa realidade foram apresentados nesta quarta-feira (2\/3\/16), na abertura do Ciclo de Debates Dia Internacional da Mulher \u2013 Mulheres contra a Viol\u00eancia: Autonomia, Reconhecimento e Participa\u00e7\u00e3o, realizado no Plen\u00e1rio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Os debates prosseguem nesta quinta-feira (3\/3).<\/p>\n<p>O Mapa da Viol\u00eancia 2015, com as estat\u00edsticas dos homic\u00eddios de mulheres no Brasil, foi apresentado pelo professor Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da \u00c1rea de Estudos sobre Viol\u00eancia da Faculdade Latino-Americana de Ci\u00eancias Sociais (Flacso). O documento \u00e9 amplo, usa informa\u00e7\u00f5es oficiais de v\u00e1rias fontes e revela, segundo o professor, uma \u201ccarnificina\u201d, com dados inaceit\u00e1veis. \u201cA epidemia de dengue n\u00e3o mata um d\u00e9cimo do que mata a viol\u00eancia. Mas n\u00e3o h\u00e1 a mesma mobiliza\u00e7\u00e3o e nem or\u00e7amento para conter isso\u201d, comparou.<\/p>\n<p>De acordo com o levantamento, Minas Gerais tamb\u00e9m reagiu de forma diferente \u00e0 de muitos estados ap\u00f3s a san\u00e7\u00e3o da Lei Federal 11.340, de 2006, a Lei Maria da Penha. No Sudeste, por exemplo, todas as demais unidades da federa\u00e7\u00e3o registraram quedas maiores de 10% nas taxas de homic\u00eddio, enquanto em Minas, a taxa subiu quase 6% entre 2006 e 2013. Na s\u00e9rie hist\u00f3rica ampliada, por\u00e9m, Minas deixa a 15\u00aa posi\u00e7\u00e3o, em 2003, para ocupar a 22\u00aa em 2013 no ranking da viol\u00eancia, mesmo com crescimento do \u00edndice de homic\u00eddios. \u201cOutros estados tiveram altas ainda maiores\u201d, observa Julio Waiselfisz.<\/p>\n<p>Belo Horizonte registrou, em 2013, taxa de homic\u00eddios maior que a m\u00e9dia do Estado. Mas o professor observa que os \u00edndices na Capital v\u00eam caindo na s\u00e9rie hist\u00f3rica \u2013 como em todo o Sudeste \u2013, revelando uma interioriza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia. Entre os munic\u00edpios mineiros, h\u00e1 um destaque negativo para Buritizeiro, no Norte de Minas, que aparece entre os dez com maior taxa de homic\u00eddios no Brasil. Foram considerados munic\u00edpios com mais de 10 mil mulheres. O ranking de Minas tem, na sequ\u00eancia, Concei\u00e7\u00e3o das Alagoas e S\u00e3o Joaquim de Bicas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/violencia_mulheres_almg.jpg\" alt=\"\" \/><em>Deputadas e demais participantes ressaltaram a campanha #N\u00e3oSeCale, adotado em 2016 para convocar todos a lutarem pelo fim da viol\u00eancia contra a mulher &#8211; Foto: Sarah Torres \/ ALMG<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Viol\u00eancia \u00e9 maior entre mulheres negras<\/strong><\/p>\n<p>O Mapa da Viol\u00eancia 2015 traz tamb\u00e9m informa\u00e7\u00f5es detalhadas por ra\u00e7a e revele uma viol\u00eancia ainda maior contra as negras. Em todo o Pa\u00eds, a taxa de homic\u00eddios contra brancas caiu 11,9% entre 2003 e 2013, mas o mesmo \u00edndice para negras aumentou 19,5%. Em Minas, a situa\u00e7\u00e3o se repete, com queda de 2,1% para homic\u00eddios de mulheres brancas e eleva\u00e7\u00e3o de 9,6% para negras. \u201cA pol\u00edcia est\u00e1 nos bairros abastados, predominantemente brancos, que tamb\u00e9m t\u00eam seguran\u00e7a privada\u201d, observa o pesquisador Julio Waiselfisz.<\/p>\n<p>Vanessa Beco, do Coletivo Negras Ativas, tamb\u00e9m abordou a viol\u00eancia racial em um painel espec\u00edfico. Ela listou tr\u00eas pontos de aten\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o as viol\u00eancias que persistem, o descomprometimento social e as resist\u00eancias encontradas nessa luta. \u201cAs mulheres negras s\u00e3o a maioria das v\u00edtimas. \u00c9 preciso pensar nisso todo o tempo quando discutimos a viol\u00eancia\u201d, afirmou. Vanessa falou sobre a viol\u00eancia institucionalizada, na forma de racismo, e citou como exemplo a carga at\u00e9 cinco vezes menor de anestesia aplicada \u00e0s negras no servi\u00e7o de sa\u00fade para os partos e cirurgias.<\/p>\n<p>\u201cTivemos avan\u00e7os com a lei das dom\u00e9sticas. Mas ainda temos maioria de negras nesse lugar de subalternidade, pouco reconhecido socialmente\u201d, completou. A palestrante citou dados preliminares de uma pesquisa publicada em 2015 que aponta a exist\u00eancia de milhares de crian\u00e7as e adolescentes exploradas no trabalho dom\u00e9stico no Brasil, em uma situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade e com atraso nos estudos, entre outras quest\u00f5es. \u201cN\u00e3o h\u00e1 cumplicidade e solidariedade de outras mulheres em rela\u00e7\u00e3o ao que as mulheres negras enfrentam\u201d, completou.<\/p>\n<p>Para Julio Waiselfisz, todos esses dados colocam em d\u00favida n\u00e3o as pol\u00edticas do Estado, mas a sufici\u00eancia delas. \u201cH\u00e1 pouca avalia\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas realizadas. Estamos fazendo muita coisa no escuro, porque temos dados fajutos. E n\u00e3o adotamos medidas para ter a clareza\u201d, definiu.<\/p>\n<p><strong>Conselho <\/strong>\u2013 Durante a reuni\u00e3o, a subsecret\u00e1ria de Pol\u00edticas para as Mulheres da Secretaria de Direitos Humanos, Participa\u00e7\u00e3o Social e Cidadania, Larissa Amorim Borges, anunciou a reconstitui\u00e7\u00e3o, pelo Governo de Minas, do Conselho Estadual de Pol\u00edticas para Mulheres. &#8220;O governo tem considerado as mulheres em sua diversidade, nos diferentes espa\u00e7os e com viv\u00eancias distintas&#8221;, salientou, acrescentando que todas pol\u00edticas nessa \u00e1rea est\u00e3o sendo constru\u00eddas coletivamente. Larissa citou tamb\u00e9m a participa\u00e7\u00e3o do Executivo em quase 500 a\u00e7\u00f5es relativas \u00e0s mulheres neste m\u00eas de mar\u00e7o, em mais de 200 munic\u00edpios.<\/p>\n<p><strong>Participantes cobram aprova\u00e7\u00e3o da PEC 16\/15<\/strong><\/p>\n<p>Uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o em prol da aprova\u00e7\u00e3o da Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) 16\/15 na ALMG foi incentivada durante o evento. A PEC garante a presen\u00e7a de pelo menos uma mulher na Mesa da Assembleia. A coordenadora da Rede Estadual de Enfrentamento \u00e0 Viol\u00eancia contra a Mulher, Ermelinda Ireno Melo, afirmou que esse deve ser o foco dos movimentos para este m\u00eas de mar\u00e7o. \u201cAinda h\u00e1 resist\u00eancias porque estamos mexendo com as rela\u00e7\u00f5es de poder nesta Casa. Eu acredito na responsabilidade e sensibilidade dos deputados, mas acredito mais na nossa organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o para pression\u00e1-los\u201d, conclamou.<\/p>\n<p>\u201cA PEC \u00e9 importante para marcar nosso espa\u00e7o na Mesa\u201d, afirmou tamb\u00e9m a deputada Ros\u00e2ngela Reis (Pros), presidente da Comiss\u00e3o Extraordin\u00e1ria das Mulheres e coordenadora do debate. Ela lembrou que o Brasil ocupa a 131\u00aa posi\u00e7\u00e3o no mundo e a \u00faltima na Am\u00e9rica Latina em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a de mulheres nos Parlamentos. J\u00e1 a deputada Geisa Teixeira (PT) pediu que as participantes acompanhem a vota\u00e7\u00e3o da PEC. \u201cQueremos ter mais um canal pra dar voz \u00e0s mulheres de Minas Gerais\u201d, defendeu.<\/p>\n<p>O mesmo apelo foi feito pela deputada Celise Laviola (PMDB), vice-presidente da Comiss\u00e3o Extraordin\u00e1ria das Mulheres. \u201cNo ano passado, discutimos o empoderamento das mulheres. Precisamos do apoio para aprovar a PEC\u201d, salientou. A ex-deputada Maria Elvira Sales Ferreira lembrou que, quando chegou \u00e0 ALMG, n\u00e3o havia banheiro para as mulheres na \u00e1rea do Plen\u00e1rio. \u201cIsso \u00e9 s\u00f3 um s\u00edmbolo do que tivemos e ainda temos que enfrentar\u201d, apontou. \u201cA PEC \u00e9 vista como uma cota. N\u00e3o ser\u00e1 uma luta pequena\u201d, comparou a deputada Mar\u00edlia Campos (PT).<\/p>\n<p>As parlamentares e convidadas lembraram tamb\u00e9m que, apesar de avan\u00e7os como a Lei Maria da Penha, a estrutura\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de atendimento \u00e0 mulher e a Lei do Feminic\u00eddio, sancionada em 2015, a viol\u00eancia de g\u00eanero ainda assombra. \u201cMais de 1,2 milh\u00e3o mulheres sofrem viol\u00eancia a cada ano e s\u00f3 52 mil denunciam. Temos que encorajar essas mulheres\u201d, apontou Ione Pinheiro (DEM). \u201cAs parlamentares dessa Casa querem rigor nas medidas protetivas para as mulheres e o fim da impunidade\u201d, reiterou Ros\u00e2ngela Reis.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o se cale<\/strong> \u2013 Mar\u00edlia Campos ressaltou a campanha #N\u00e3oSeCale, adotada neste ano para convocar as mulheres \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o. \u201cAinda somos destaque no mapa da viol\u00eancia. E ainda querem tirar nossas conquistas\u201d, afirmou. Ela criticou as mudan\u00e7as consideradas insuficientes nas regras de financiamento de campanhas pol\u00edticas, que continuam privilegiando homens, e o Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, que acabou n\u00e3o abrangendo a quest\u00e3o de g\u00eanero.<\/p>\n<p>A defensora p\u00fablica geral de Minas Gerais, Christiane Malard, reiterou que a viol\u00eancia contra as mulheres \u00e9 real e di\u00e1ria. Desde 1987, segundo ela, a Defensoria j\u00e1 atuava na defesa das mulheres dentro das delegacias, 19 anos antes da Lei Maria da Penha. \u201cEm 2005 instalamos a defensoria especializada. E no ano passado fizemos 4.667 atendimentos\u201d, apontou.<\/p>\n<p><em>(Fonte: ALMG)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se Minas Gerais fosse um pa\u00eds, ocuparia o s\u00e9timo lugar no mundo no ranking de homic\u00eddios de mulheres. Em 2013, o Estado registrou 4,2 mortes para cada grupo de 100 mil mulheres, \u00edndice pouco menor que a m\u00e9dia nacional, de 4,8, que coloca o Brasil no 5\u00ba lugar na escala mundial. 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