{"id":76892,"date":"2016-01-17T12:25:38","date_gmt":"2016-01-17T15:25:38","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=76892"},"modified":"2016-01-17T12:25:38","modified_gmt":"2016-01-17T15:25:38","slug":"nacoes-de-lingua-portuguesa-poderao-ter-vocabulario-cientifico-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=76892","title":{"rendered":"Na\u00e7\u00f5es de l\u00edngua portuguesa poder\u00e3o ter vocabul\u00e1rio cient\u00edfico comum"},"content":{"rendered":"<p>Os pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa poder\u00e3o ter um vocabul\u00e1rio comum para as \u00e1reas da ci\u00eancia e tecnologia. O projeto \u00e9 do Instituto Internacional da L\u00edngua Portuguesa (IILP) e busca estimular o interc\u00e2mbio dos trabalhos desenvolvidos entre os pa\u00edses e facilitar a tradu\u00e7\u00e3o e a interpreta\u00e7\u00e3o de outros idiomas para o portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Com sede em Cabo Verde, o IILP \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o da Comunidade dos Pa\u00edses da L\u00edngua Portuguesa (CPLP). A entidade tem personalidade jur\u00eddica e autonomia cient\u00edfica, administrativa e patrimonial. Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guin\u00e9 Bissau, Guin\u00e9 Equatorial, Mo\u00e7ambique, Portugal, S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe e Timor Leste.<\/p>\n<p>Segundo a diretora executiva do IILP, Marisa Mendon\u00e7a, o instituto buscar\u00e1, ainda em janeiro, financiamento com os pa\u00edses da CPLP para tirar o projeto do papel. Para a primeira fase de execu\u00e7\u00e3o, s\u00e3o necess\u00e1rios 130 mil euros.<\/p>\n<p>Atualmente, cada pa\u00eds usa palavras cient\u00edficas pr\u00f3prias. O projeto pretende padronizar a linguagem. \u201cCada pa\u00eds est\u00e1 usando uma terminologia pr\u00f3pria, de acordo com a sua experi\u00eancia. O objetivo \u00e9 criar uma terminologia consensual nos diferentes trabalhos para que realmente possa ser usada na tradu\u00e7\u00e3o e na interpreta\u00e7\u00e3o, com termos mais homog\u00eaneos\u201d, explica Marisa.<\/p>\n<p>Segundo a diretora executiva do IILP, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 novidade. O projeto chegou a ser aprovado pelos pa\u00edses, mas falta financiamento. \u201cA primeira etapa j\u00e1 est\u00e1 desenhada \u00e9 muito chave. A partir dela, vamos ver como podemos caminhar e quais as capacidades que temos\u201d, diz.<\/p>\n<p>Na primeira etapa, a entidade pretende definir termos comuns para \u00e1reas priorit\u00e1rias dos pa\u00edses, como a agricultura. De acordo com Marisa, todos os pa\u00edses devem estar envolvidos.<\/p>\n<p>\u201cUma das primeiras a\u00e7\u00f5es \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de equipes nacionais. H\u00e1 uma diferen\u00e7a muito grande em recursos especializados em cada um dos pa\u00edses. Em alguns h\u00e1 muitos especialistas em terminologias. Em outros, n\u00e3o. Temos de come\u00e7ar por ai, formando equipes\u201d. O vocabul\u00e1rio definido ser\u00e1 oferecido gratuitamente pela internet.<\/p>\n<p><strong>Instabilidade e falta de recursos prejudicam implementa\u00e7\u00e3o de acordo<\/strong><\/p>\n<p>Em 1\u00ba de janeiro, as regras do Acordo Ortogr\u00e1fico da L\u00edngua Portuguesa tornaram-se obrigat\u00f3rias no Brasil. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que as palavras em portugu\u00eas sejam escritas da mesma forma em qualquer um dos pa\u00edses que falam o idioma. A diretora executiva do IILP informa como est\u00e1 a implementa\u00e7\u00e3o do Acordo nos demais pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<p>\u201cOs pa\u00edses est\u00e3o em est\u00e1gios completamente diferentes. N\u00e3o s\u00f3 no que tange a decis\u00e3o das autoridades [respons\u00e1veis por ratificar e coordenar o processo de implementa\u00e7\u00e3o], mas nas possibilidades financeiras e de recursos humanos para apoiar esse processo\u201d, avalia Marisa Mendon\u00e7a.<\/p>\n<p>Leia os coment\u00e1rios feitos por Marisa sobre a implementa\u00e7\u00e3o do Acordo em cada um dos pa\u00edses da CPLP:<\/p>\n<p><strong>Guin\u00e9-Bissau<\/strong><br \/>\n\u00c9 um pa\u00eds que enfrenta problemas de instabilidade social e pol\u00edtica graves. Disputas internas pol\u00edtico-partid\u00e1rias travam projetos de governo e t\u00eam levado \u00e0 deposi\u00e7\u00e3o de parlamentares: \u201cPara a Guin\u00e9-Bissau, as prioridades devem ser outras neste momento. Permitir que o pa\u00eds encontre estabilidade para que isso possa servir de base para o cumprimento de protocolos e de processos com os quais o pa\u00eds se comprometeu, entre eles o acordo ortogr\u00e1fico.\u201d<\/p>\n<p><strong>Guin\u00e9 Equatorial<\/strong><br \/>\nTornou-se membro efetivo da CPLP em 2014. O pa\u00eds busca resgatar a l\u00edngua portuguesa no territ\u00f3rio, que tem como l\u00ednguas oficiais o franc\u00eas, o espanhol e o portugu\u00eas, falado na Ilha de Ano-Bom e que deu origem \u00e0 variante ano-bonense: \u201cA Guin\u00e9 Equatorial busca a reimplementa\u00e7\u00e3o da l\u00edngua portuguesa no territ\u00f3rio. A grafia que ser\u00e1 prevalecer\u00e1 ser\u00e1 a nova. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o completamente diferente da dos outros pa\u00edses.\u201d<\/p>\n<p><strong>Mo\u00e7ambique<\/strong><br \/>\nO acordo ainda n\u00e3o foi ratificado no pa\u00eds. Mo\u00e7ambique passou por novas elei\u00e7\u00f5es em 2014 e, segundo Marisa, h\u00e1 esperan\u00e7a que o acordo ganhe espa\u00e7o com os novos representantes: \u201cTemos agora no pa\u00eds um governo com prioridades muito demarcadas de n\u00edvel econ\u00f4mico, social e pol\u00edtico. Queremos crer que agora a implementa\u00e7\u00e3o do acordo ortogr\u00e1fico ser\u00e1 realizada, dentro daquilo que as autoridades mo\u00e7ambicanas acharem que \u00e9 confort\u00e1vel e de acordo com os recursos que o pa\u00eds possui.\u201d<\/p>\n<p><strong>Portugal<\/strong><br \/>\nO pa\u00eds terminou o processo de transi\u00e7\u00e3o no ano passado. As crian\u00e7as e os jovens est\u00e3o aprendendo nas escolas a nova ortografia. Ainda h\u00e1 resist\u00eancia por parte de setores da sociedade que encaram as mudan\u00e7as como perda de identidade. Para Marisa, esses grupos s\u00e3o minoria. \u201cAcho natural que haja pessoas que se oponham ao acordo: Os acordo provoca sempre desacordos, at\u00e9 nas coisas mais simples do cotidiano. Estamos falando de h\u00e1bitos, de forma de escrever. Muita gente j\u00e1 estava habituada [\u00e0s normas antigas]. Eu n\u00e3o consigo pensar em um retrocesso desse processo, nem em Portugal, nem no Brasil.\u201d<\/p>\n<p><strong>Timor-Leste<\/strong><br \/>\nO t\u00e9tum e o portugu\u00eas s\u00e3o as duas l\u00ednguas oficiais do pa\u00eds, enquanto o indon\u00e9sio e a l\u00edngua inglesa s\u00e3o consideradas l\u00ednguas de trabalho pela atual constitui\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, o portugu\u00eas n\u00e3o \u00e9 amplamente falado pela popula\u00e7\u00e3o: \u201cO grande objetivo do pa\u00eds \u00e9 ter a l\u00edngua portuguesa presente junto dos demais idiomas, ent\u00e3o eles n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o focados no preciosismo da grafia.\u201d<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe<\/strong><br \/>\nFoi o quarto pa\u00eds a ratificar o acordo. Ele est\u00e1 sendo aplicado desde janeiro de 2012 e j\u00e1 \u00e9 usado nos documentos do Estado e de demais organismos oficiais.<\/p>\n<p><strong>Angola<\/strong><br \/>\nO pa\u00eds ainda n\u00e3o ratificou o acordo. No entanto, foi um dos que mais contribuiu financeiramente para a elabora\u00e7\u00e3o do vocabul\u00e1rio comum, que re\u00fane todas as palavras da l\u00edngua e \u00e9 ferramenta imprescind\u00edvel para uma melhor aplica\u00e7\u00e3o do acordo: \u201cAs institui\u00e7\u00f5es do Estado est\u00e3o trabalhando para a ratifica\u00e7\u00e3o do Acordo. N\u00e3o cabe a n\u00f3s pressionar nem Angola nem nenhum dos demais pa\u00edses.\u201d<\/p>\n<p><strong>No Brasil<\/strong><br \/>\nApesar de terem se tornado obrigat\u00f3rias apenas este ano, as novas regras do Acordo Ortogr\u00e1fico da L\u00edngua Portuguesa j\u00e1 est\u00e3o presentes em livros, ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, comunicados oficiais do governo e materiais did\u00e1ticos usados pelas escolas em todo o pa\u00eds. Segundo o integrante da Academia Brasileira de Letras, Evanildo Bechara, acad\u00eamico, professor e fil\u00f3logo, o que faltava ao Brasil era a obrigatoriedade.<\/p>\n<p>\u201cO que estava faltando era entrar em vigor, todo mundo passar a usar. Quando todos usarem as novas regras, as defici\u00eancias ser\u00e3o ressaltadas e, ent\u00e3o, se imp\u00f5e algumas mudan\u00e7as\u201d, diz Bechara. Ele exemplifica o que ocorreu no Brasil h\u00e1 alguns anos. At\u00e9 agora, o Brasil usava um sistema definido em 1943. Em 1971, o pa\u00eds fez algumas mudan\u00e7as. Retirou do idioma escrito, por exemplo os acentos diferenciais: antes, escrevia-se \u00eale e gov\u00earno, palavras hoje sem acento.<\/p>\n<p>Assinado em 1990 com outros Estados-Membros da CPLP para padronizar as regras ortogr\u00e1ficas, o acordo foi ratificado pelo Brasil em 2008 e implementado sem obrigatoriedade em 2009. De acordo com o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, o acordo alterou 0,8% dos voc\u00e1bulos da l\u00edngua portuguesa no Brasil e 1,3% em Portugal.<\/p>\n<p>O portugu\u00eas, explica Bechara, era a \u00fanica l\u00edngua com grafias diferentes, o que dificulta a publica\u00e7\u00e3o de documentos de organismos internacionais no idioma, que tinham de ser adequados \u00e0 grafia de Portugal e do Brasil. \u201cIsso dificulta a difus\u00e3o e a expans\u00e3o da l\u00edngua no mundo. Como a l\u00edngua portuguesa est\u00e1 entre as mais faladas, exige maturidade pol\u00edtica e uma decis\u00e3o cient\u00edfica no sentido de chegar a um acordo\u201d, comenta. \u201cEssa unifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa unificar a l\u00edngua. Portugal e Brasil continuar\u00e3o com as respectivas pron\u00fancias. A reforma \u00e9 na l\u00edngua, para resolver um problema ortogr\u00e1fico.\u201d<\/p>\n<p><em>(Fonte: Ag\u00eancia Brasil \/ Rep\u00f3rter: Mariana Tokarnia)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa poder\u00e3o ter um vocabul\u00e1rio comum para as \u00e1reas da ci\u00eancia e tecnologia. O projeto \u00e9 do Instituto Internacional da L\u00edngua Portuguesa (IILP) e busca estimular o interc\u00e2mbio dos trabalhos desenvolvidos entre os pa\u00edses e facilitar a tradu\u00e7\u00e3o e a interpreta\u00e7\u00e3o de outros idiomas para o portugu\u00eas. 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