{"id":76786,"date":"2016-01-15T16:18:17","date_gmt":"2016-01-15T19:18:17","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=76786"},"modified":"2016-01-15T16:18:17","modified_gmt":"2016-01-15T19:18:17","slug":"desastre-em-bento-rodrigues-e-o-maior-acidente-mundial-com-barragens-em-100-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=76786","title":{"rendered":"Desastre em Bento Rodrigues \u00e9 o maior acidente mundial com barragens em 100 anos"},"content":{"rendered":"<p>O rompimento da barragem de rejeitos da Samarco em novembro de 2015 &#8211; que destruiu o distrito mineiro de Bento Rodrigues &#8211; \u00e9 o maior desastre do g\u00eanero da hist\u00f3ria mundial nos \u00faltimos 100 anos. Se for considerado o volume de rejeitos despejados &#8211; 50 a 60 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos (m\u00b3) &#8211; o acidente em Mariana (MG) equivale, praticamente, \u00e0 soma dos outros dois maiores acontecimentos do tipo j\u00e1 registrados no mundo &#8211; ambos nas Filipinas, um em 1982, com 28 milh\u00f5es de m\u00b3; e outro em 1992, com 32,2 milh\u00f5es de m\u00b3 de lama.  Os dados est\u00e3o presentes em estudo da Bowker Associates &#8211; consultoria de gest\u00e3o de riscos relativos \u00e0 constru\u00e7\u00e3o pesada, nos Estados Unidos &#8211; em parceria com o geof\u00edsico David Chambers.<\/p>\n<p>Apenas cinco acidentes com barragens de rejeitos excederam 10 milh\u00f5es de m\u00b3 de lan\u00e7amentos, at\u00e9 hoje, em todo o mundo.<\/p>\n<p><script id=\"infogram_0_acidente_de_mariana_mg\" title=\"Acidente de Mariana (MG)\" src=\"\/\/e.infogr.am\/js\/embed.js?Sq5\" type=\"text\/javascript\"><\/script><\/p>\n<div style=\"width:100%;padding:8px 0;font-family:Arial;font-size:13px;line-height:15px;text-align:center;\"><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/infogr.am\/acidente_de_mariana_mg\" style=\"color:#989898;text-decoration:none;\">Acidente de Mariana (MG)<\/a><br \/><a style=\"color:#989898;text-decoration:none;\" href=\"http:\/\/charts.infogr.am\/column-chart?utm_source=embed_bottom&#038;utm_medium=seo&#038;utm_campaign=column_chart\" target=\"_blank\">Create column charts<\/a><\/div>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 apenas nessa m\u00e9trica (volume de rejeitos) que a trag\u00e9dia mineira sai negativamente na frente. Em termos de dist\u00e2ncia percorrida pelos rejeitos de minera\u00e7\u00e3o, a lama vazada da Samarco quebra outro recorde. S\u00e3o 600 quil\u00f4metros (km) de trajeto seguidos pelo material, at\u00e9 o momento. No hist\u00f3rico deste tipo de acidente, em segundo lugar aparece um registro ocorrido na Bol\u00edvia, em 1996, com metade da dist\u00e2ncia do trajeto da lama, 300 quil\u00f4metros.<\/p>\n<p><script id=\"infogram_0_acidente_samarco\" title=\"Acidente Samarco\" src=\"\/\/e.infogr.am\/js\/embed.js?DaU\" type=\"text\/javascript\"><\/script><\/p>\n<div style=\"width:100%;padding:8px 0;font-family:Arial;font-size:13px;line-height:15px;text-align:center;\"><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/infogr.am\/acidente_samarco\" style=\"color:#989898;text-decoration:none;\">Acidente Samarco<\/a><br \/><a style=\"color:#989898;text-decoration:none;\" href=\"http:\/\/charts.infogr.am\/column-chart?utm_source=embed_bottom&#038;utm_medium=seo&#038;utm_campaign=column_chart\" target=\"_blank\">Create column charts<\/a><\/div>\n<p>O ineditismo num\u00e9rico continua em um terceiro quesito: o custo. O investimento necess\u00e1rio para reposi\u00e7\u00e3o das perdas ocasionadas pelo desastre, no caso brasileiro, est\u00e1 or\u00e7ado pela consultoria norte-americana em US$ 5,2 bilh\u00f5es at\u00e9 o momento. O maior valor contabilizado com a mesma finalidade, ap\u00f3s os anos 1990, foi de um acidente com perdas pr\u00f3ximas a US$ 1 bilh\u00e3o, na China. &#8220;Essas avalia\u00e7\u00f5es n\u00e3o levam em considera\u00e7\u00e3o a &#8216;limpeza&#8217; das \u00e1reas afetadas, nem a &#8216;corre\u00e7\u00e3o&#8217; de danos diversos os quais os reparos podem n\u00e3o ser economicamente vi\u00e1veis ou tecnicamente realiz\u00e1veis&#8221;, acrescenta o estudo da consultoria norte-americana.<\/p>\n<p>&#8220;Embora os n\u00fameros exatos permane\u00e7am um pouco distorcidos, a diferen\u00e7a de magnitude em rela\u00e7\u00e3o a cat\u00e1strofes passadas torna inequivocamente claro que o caso da Samarco \u00e9 o pior registrado na hist\u00f3ria sobre essas tr\u00eas medidas de gravidade&#8221;, pontua Lindsay Newland Bowker, coordenadora da Bowker Associates. O estudo registra, de 1915 a 2015, um total de 129 eventos com barragens &#8211; de 269 conhecidos &#8211; e projeta, em m\u00e9dia, um acidente grave por ano no per\u00edodo de uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>At\u00e9 2015, foram registrados 70 eventos &#8220;muito graves&#8221; com barragens em todo o mundo. A classifica\u00e7\u00e3o leva em conta o fato de esses acidentes terem ocasionado o vazamento de, no m\u00ednimo, 1 milh\u00e3o de metros c\u00fabicos de rejeitos, cada. De acordo com a pesquisa, enquanto na d\u00e9cada que se encerra em 1965 havia sido contabilizado 6 milh\u00f5es de m\u00b3 vazados em desabamentos de barragens, na d\u00e9cada que termina em 2015, esse n\u00famero saltou para 107 milh\u00f5es de m\u00b3. <\/p>\n<p>O estudo prev\u00ea que a d\u00e9cada que se encerrar\u00e1 em 2025 registre 123 milh\u00f5es de m\u00b3 de vazamentos de barragens de rejeitos. Em termos de quilometragem, tamb\u00e9m \u00e9 registrada a tend\u00eancia de crescimento. Na primeira d\u00e9cada pesquisada, eram 126,7 quil\u00f4metros tomados por lama de rejeitos. Na \u00faltima d\u00e9cada, foram 722,2 quil\u00f4metros totais, j\u00e1 incluindo a falha da Samarco. A expectativa para os dez anos que se encerram em 2025 \u00e9 de 723,5 km.<\/p>\n<p>&#8220;Todas as cat\u00e1strofes na minera\u00e7\u00e3o s\u00e3o ocasionadas por erro humano e falhas ao n\u00e3o se seguir as melhores pr\u00e1ticas estabelecidas, o melhor conhecimento, a melhor ci\u00eancia&#8221;, pondera Lindsay.<\/p>\n<p><script id=\"infogram_0_samarco_e_mariana\" title=\"samarco e mariana\" src=\"\/\/e.infogr.am\/js\/embed.js?krz\" type=\"text\/javascript\"><\/script><\/p>\n<div style=\"width:100%;padding:8px 0;font-family:Arial;font-size:13px;line-height:15px;text-align:center;\"><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/infogr.am\/samarco_e_mariana\" style=\"color:#989898;text-decoration:none;\">samarco e mariana<\/a><br \/><a style=\"color:#989898;text-decoration:none;\" href=\"http:\/\/charts.infogr.am\/bar-chart?utm_source=embed_bottom&#038;utm_medium=seo&#038;utm_campaign=bar_chart\" target=\"_blank\">Create bar charts<\/a><\/div>\n<p>A consultora complementa que os acidentes s\u00e3o, tamb\u00e9m, &#8220;falhas dos parceiros p\u00fablicos&#8221;.&#8221;Uma das preocupa\u00e7\u00f5es \u00e9 que o Brasil permite a utiliza\u00e7\u00e3o de barragens \u00e0 montante, o m\u00e9todo menos est\u00e1vel de constru\u00e7\u00e3o, com barragens grandes. Trata-se de um desvio aos conhecimentos e pr\u00e1ticas globalmente aceitas&#8221;, explica. &#8220;No caso espec\u00edfico da Samarco, essa instabilidade inerente foi exacerbada por uma taxa de deposi\u00e7\u00e3o de rejeitos e uma taxa de aumento na barragem muito superiores aos melhores padr\u00f5es globais&#8221;, complementa Lindsay.<\/p>\n<p>O estudo lembra, ainda, outro acidente ocorrido com barragens no Brasil, em setembro de 2014, em Itabirito, tamb\u00e9m no estado de Minas Gerais. A Herculano Minera\u00e7\u00e3o \u00e9 a respons\u00e1vel pela obra. Na ocasi\u00e3o, dois trabalhadores morreram e um desapareceu.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2ZtegZZGo5s\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>&#8220;As falhas da Samarco e da Herculano s\u00e3o apenas os dois exemplos mais recentes de um Estado que tem falhado na pol\u00edtica nacional de minera\u00e7\u00e3o. Nenhuma a\u00e7\u00e3o foi tomada pelo governo em n\u00edvel estadual ou federal para a identificar quais foram os problemas e evitar a sua manifesta\u00e7\u00e3o com novas falhas repentinas&#8221;, conclui Lindsay.<\/p>\n<p>Esta semana, o subsecret\u00e1rio de Regulariza\u00e7\u00e3o Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais, Geraldo V\u00edtor de Abreu, em depoimento \u00e0 comiss\u00e3o da Assembleia Legislativa do Estado que investiga o desastre da barragem de Mariana, afirmou que Minas Gerais quer proibir o sistema de alteamento de barragens \u00e0 montante na unidade da Federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>(Ag\u00eancia Brasil)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O rompimento da barragem de rejeitos da Samarco em novembro de 2015 &#8211; que destruiu o distrito mineiro de Bento Rodrigues &#8211; \u00e9 o maior desastre do g\u00eanero da hist\u00f3ria mundial nos \u00faltimos 100 anos. 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