{"id":75492,"date":"2015-12-27T19:37:43","date_gmt":"2015-12-27T22:37:43","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=75492"},"modified":"2015-12-27T19:37:43","modified_gmt":"2015-12-27T22:37:43","slug":"familias-circenses-podem-se-tornar-patrimonio-imaterial-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=75492","title":{"rendered":"Fam\u00edlias Circenses podem se tornar patrim\u00f4nio imaterial brasileiro"},"content":{"rendered":"<p>Acrobacia, malabares, equil\u00edbrio, trap\u00e9zio, palha\u00e7os, mulher barbada, pirofagia, apresenta\u00e7\u00e3o de teatro e shows musicais s\u00e3o espet\u00e1culos de n\u00fameros circenses que integram\u00a0a\u00a0documenta\u00e7\u00e3o referente \u00e0 instaura\u00e7\u00e3o de processo de registro das fam\u00edlias circenses como patrim\u00f4nio imaterial brasileiro.<\/p>\n<p>O processo foi\u00a0solicitado\u00a0em novembro, junto ao\u00a0Instituto Estadual do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico\u00a0Nacional (Iphan), por Sula Mavrudis e Mayara Mattos,\u00a0membros\u00a0do\u00a0Conselho Estadual de Pol\u00edtica Cultural (Consec), do segmento Circo,\u00a0ligado \u00e0\u00a0Secretaria de Estado de Cultura. Elas requerem a\u00a0aprecia\u00e7\u00e3o e o registro para que seja realizada\u00a0salvaguarda da cultura circense no Brasil.<\/p>\n<p>Sula Mavrudis, que al\u00e9m de membro do Consec \u00e9 da Rede de Apoio ao Circo (RAC),\u00a0destaca a import\u00e2ncia da salvaguarda das\u00a0mais de 100 fam\u00edlias de circos tradicionais para preserva\u00e7\u00e3o cultural\u00a0das fam\u00edlias circenses\u00a0em Minas Gerais.<\/p>\n<p>\u201cEsta \u00e9 uma cultura que enriquece e contribui para a hist\u00f3ria cultural do pa\u00eds e\u00a0merece ser\u00a0preservada em Minas Gerais. Por isso, o reconhecimento como patrim\u00f4nio imaterial \u00e9 fundamental para realiza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de salvaguarda no estado&#8221;, diz a especialista.<\/p>\n<p>&#8220;O circense se sente circense por passar seu conhecimento de pai para filho;\u00a0por ter uma vida debaixo da lona,\u00a0onde tudo acontece nesse micro e macro cosmos ao mesmo tempo&#8221;, ilustra Sula.<\/p>\n<p>Segundo ela, a salvaguarda vai possibilitar que as fam\u00edlias circenses sejam reconhecidas\u00a0nos estados em que circulam para que possam receber atendimento de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia social e tamb\u00e9m\u00a0tenham um endere\u00e7o para que possam participar dos servi\u00e7os oferecidos \u00e0 comunidade.<\/p>\n<p>Sula ressalta,\u00a0ainda,\u00a0que a vida das fam\u00edlias circenses \u00e9 essencialmente n\u00f4made &#8211;\u00a0de aventuras,\u00a0riscos,\u00a0emo\u00e7\u00f5es\u00a0e sonhos &#8211; e esta carcarter\u00edstica fundamental precisa ser desestigmatizada e oficialmente reconhecida.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/4j-BubgcM1HgBjtAz_py48ifvmRTZ1Ghu8KqbmoAUzM.jpg\" alt=\"\" \/><em>N\u00famero do tecido, que integra a maioria dos espet\u00e1culos circenses &#8211; Foto: Rede de Apoio ao Circo<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Integra\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o secret\u00e1rio adjunto e superintendente de Interioriza\u00e7\u00e3o e A\u00e7\u00e3o Cultural, \u00f3rg\u00e3o tamb\u00e9m ligado \u00e0 SEC, Jo\u00e3o Miguel, a integra\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias circenses \u00e0 comunidade \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o do atual Governo. Segundo ele, o reconhecimento\u00a0como patrim\u00f4nio imaterial brasileiro traz \u00e0 cena da cultura do estado a visibilidade necess\u00e1ria para que esse povo seja integrado \u00e0 sociedade e tenham seus direitos atendidos.<\/p>\n<p>O processo para que as fam\u00edlias\u00a0sejam integradas \u00e0 sociedade e \u00e0s comunidades iniciou\u00a0no dia 5 de novembro \u2013 Dia Nacional da Cultura \u2013 com a assinatura do Protocolo de Inten\u00e7\u00f5es por mais de 40 prefeitos, at\u00e9 o momento, para que esta\u00a0manifesta\u00e7\u00e3o\u00a0cultural\u00a0possa entrar para o repert\u00f3rio\u00a0da cultura estadual.<\/p>\n<p>\u201cA superintend\u00eancia de Interioriza\u00e7\u00e3o e A\u00e7\u00e3o Cultural trabalha, agora, para que o circo e suas fam\u00edlias possam se instalar em espa\u00e7os pr\u00f3prios nos munic\u00edpios, reconhecidos como endere\u00e7o, visando o atendimento \u00e0 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia social, \u00e1gua, esgoto, luz que garantam o direito dessas fam\u00edlias para que o circo possa se instalar e circular pelo estado\u201d, diz Jo\u00e3o Miguel.<\/p>\n<p>O\u00a0secret\u00e1rio de Estado de Cultura, Angelo Oswaldo,\u00a0destaca a relev\u00e2ncia da iniciativa.\u00a0\u201cOs grupos familiares circenses se constituem, de fato, em not\u00e1vel n\u00facleo cultural guardi\u00e3o milenar das artes e saberes do mundo do circo. Reconhecer essa import\u00e2ncia, visando \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e \u00e0 salvaguarda da fam\u00edlia circense, torna-se\u00a0um dever das pol\u00edticas p\u00fablicas de cultura&#8221;,\u00a0enfatiza o secret\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Dossi\u00ea<\/strong><\/p>\n<p>O dossi\u00ea para reconhecimento como patrim\u00f4nio imaterial entregue ao Iphan\u00a0\u00e9 composto de um esbo\u00e7o hist\u00f3rico das fam\u00edlias tradicionais de circo que vieram para o Brasil e outras que se configuraram nesses \u00faltimos s\u00e9culos pela\u00a0produ\u00e7\u00e3o social e art\u00edsticas dos circenses em territ\u00f3rio nacional, um material jornal\u00edstico e um pequeno acervo fotogr\u00e1fico que registra a rotina circense em Minas Gerais.<\/p>\n<p>A documenta\u00e7\u00e3o traz a caracteriza\u00e7\u00e3o dos modos de vida e da express\u00e3o identit\u00e1ria das fam\u00edlias circenses, seus fazeres art\u00edsticos, assim como os mestres e mestras respons\u00e1veis pela perpetua\u00e7\u00e3o dessa tradi\u00e7\u00e3o t\u00e3o antiga e rica que se consolida a cada gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Origem das fam\u00edlias circenses\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Existem muitas hist\u00f3rias que confirmam as trajet\u00f3rias do circo e\u00a0elas v\u00eam de longe e est\u00e3o sempre em movimento. O surgimento do circo como local de manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas \u00e9 question\u00e1vel, mas h\u00e1 men\u00e7\u00f5es que remontam as origens da arte circense a pinturas encontradas na China, datadas de mais de 5.000 anos.<\/p>\n<p>Gravuras de malabaristas visualizadas nas pir\u00e2mides do Egito, objetos de barro e pedra na Ilha de Creta (1800 a.C.) e pain\u00e9is em tumbas eg\u00edpcias (1180 a.C.) tamb\u00e9m traziam representa\u00e7\u00f5es dessa arte \u2013 acrobacias, saltos, equil\u00edbrio, exibi\u00e7\u00e3o de for\u00e7a elasticidade, entre outros.<\/p>\n<p>O primeiro circo foi fruto da ideia empreendedora do militar brit\u00e2nico Philip Astley no s\u00e9culo XVIII, que compunha seus espet\u00e1culos, organizados e estruturados num picadeiro, \u00e0\u00a0base de apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas que inclu\u00edam o cavalo.<\/p>\n<p>J\u00e1 o circo moderno teve in\u00edcio com a delimita\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o pr\u00f3prio para este tipo de espet\u00e1culo, da estrutura empresarial que passou\u00a0a ser criada e da incorpora\u00e7\u00e3o pelas fam\u00edlias de saltimbancos a valores e rituais pr\u00f3prios da aristocracia militar do s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<p>No Brasil, o circo foi itinerante desde sua origem. Ao chegarem as primeiras fam\u00edlias, ainda n\u00e3o se conhecia a estrutura americana, mais pr\u00e1tica e que permitia maior facilidade nas montagens e desmontagens.<\/p>\n<p>Contando com os conhecimentos t\u00e9cnicos e a tradi\u00e7\u00e3o que traziam de seus pa\u00edses de origem, os circenses que chegaram ao Brasil e\u00a0rapidamente adaptaram-se \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es encontradas no pa\u00eds. No in\u00edcio do processo de imigra\u00e7\u00e3o dos artistas e suas<em>troupes\u00a0<\/em>se reproduziu\u00a0a forma original de apresenta\u00e7\u00e3o herdada dos saltimbancos: a pra\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>Costumes e resist\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Reunindo em torno de seus espet\u00e1culos as novidades ou atra\u00e7\u00f5es com que se deparavam em suas viagens constantes, o circense incorporou l\u00ednguas, costumes, saberes e foi construindo suas tradi\u00e7\u00f5es que s\u00e3o constantemente reinventadas.<\/p>\n<p>Diferentes grupos foram se integrando como os adestradores e ourives ciganos, os equilibristas chineses e japoneses, os contorcionistas indianos, al\u00e9m dos v\u00e1rios artistas provindos de diferentes pa\u00edses da Europa.<\/p>\n<p>Estas circunst\u00e2ncias deram ao circo a capacidade de sobreviver a qualquer situa\u00e7\u00e3o, podendo deslocar-se com facilidade de acordo com as necessidades ou as possibilidades que se apresentassem.<\/p>\n<p>Desse modo, a tradi\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias circenses foi se consolidando, e apesar das grandes dificuldades, os circenses resistem at\u00e9 hoje. (Ag\u00eancia Minas)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acrobacia, malabares, equil\u00edbrio, trap\u00e9zio, palha\u00e7os, mulher barbada, pirofagia, apresenta\u00e7\u00e3o de teatro e shows musicais s\u00e3o espet\u00e1culos de n\u00fameros circenses que integram\u00a0a\u00a0documenta\u00e7\u00e3o referente \u00e0 instaura\u00e7\u00e3o de processo de registro das fam\u00edlias circenses como patrim\u00f4nio imaterial brasileiro. 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