{"id":75409,"date":"2015-12-26T12:18:43","date_gmt":"2015-12-26T15:18:43","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=75409"},"modified":"2016-01-22T15:23:39","modified_gmt":"2016-01-22T18:23:39","slug":"duvidas-sobre-presenca-de-metais-pesados-na-agua-do-rio-doce-impoem-precaucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=75409","title":{"rendered":"D\u00favidas sobre presen\u00e7a de metais pesados na \u00e1gua do Rio Doce imp\u00f5em precau\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Est\u00e1 longe de terminar o sossego dos moradores da Bacia do Rio Doce, em Minas e no Esp\u00edrito Santo, mergulhados h\u00e1 mais de um m\u00eas na d\u00favida: tem ou n\u00e3o tem metais pesados nessas \u00e1guas ap\u00f3s o rompimento da Barragem do Fund\u00e3o, da mineradora Samarco? Diante da falta de clareza quanto \u00e0 toxicidade e das an\u00e1lises conflitantes (na \u00e1gua e sedimentos) apresentadas pelo Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil (CPRM) e por um grupo de cientistas das universidades de Bras\u00edlia (UnB) e Federal de S\u00e3o Carlos (UFscar), de S\u00e3o Paulo, especialistas acreditam que ser\u00e3o necess\u00e1rios muitos estudos, por longo tempo, para se chegar a uma conclus\u00e3o. Precau\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o, indicam, s\u00e3o fundamentais no momento.<\/p>\n<p>&#8220;Quando n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia da aus\u00eancia de risco, deve-se agir como se houvesse risco&#8221;, afirma o relator da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para o direito humano \u00e0 \u00e1gua e ao esgotamento sanit\u00e1rio, Leo Heller, tamb\u00e9m pesquisador do Centro Ren\u00e9 Rachou, em Belo Horizonte. Ao citar o &#8220;princ\u00edpio da precau\u00e7\u00e3o&#8221;, Heller destaca que, em primeiro lugar, \u00e9 preciso pensar na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o e minimizar de todas as formas os riscos sobre ela. De pr\u00e1tico, acrescenta, n\u00e3o se deve interromper o abastecimento p\u00fablico, cuidando para que as pessoas n\u00e3o consumam \u00e1gua de baixa qualidade, como a proveniente de po\u00e7os, as engarrafadas sem confian\u00e7a na proced\u00eancia e outras fontes.<\/p>\n<p>Uma medida fundamental, segundo Heller, \u00e9 intensificar o monitoramento permanente, inclusive da \u00e1gua tratada, fazer mais an\u00e1lises e ampliar o conjunto de informa\u00e7\u00f5es para se ter uma vis\u00e3o mais clara da situa\u00e7\u00e3o. E informa que a ingest\u00e3o de metais pesados, como c\u00e1dmio, chumbo e mangan\u00eas, entre outros, pode causar intoxica\u00e7\u00e3o, no estado agudo, e ac\u00famulo no organismo, no estado cr\u00f4nico. \u201cO sistema de vigil\u00e2ncia deve ficar atento aos sintomas da popula\u00e7\u00e3o, pois, havendo qualquer altera\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso acender a luz amarela\u201d, diz o relator da ONU. A diverg\u00eancia dos resultados das an\u00e1lises pode decorrer, na sua avalia\u00e7\u00e3o, das t\u00e9cnicas usadas, locais de coleta e outros fatores.<\/p>\n<p>Para o ge\u00f3logo Adilson do Lago Leite, professor do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), a quest\u00e3o e a resposta n\u00e3o s\u00e3o simples, sendo necess\u00e1rias pesquisas, coletas, enfim, muito trabalho pela frente. Ele explica que o rejeito de min\u00e9rio de ferro \u00e9 inerte, n\u00e3o perigoso, e n\u00e3o causaria uma \u201clama t\u00f3xica\u201d no leito do Rio Doce. \u201cEsse curso d\u2019\u00e1gua est\u00e1 polu\u00eddo h\u00e1 muito tempo, tem garimpos abandonados, enfim, se encontra muito comprometido, conforme mostram pesquisas feitas pela Ufop e outras institui\u00e7\u00f5es. Uma possibilidade seria o acondicionamento de outros produtos na barragem da Samarco, o que demandaria investiga\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o h\u00e1 ind\u00edcios de que isso tenha ocorrido. N\u00e3o se pode afirmar nada, a n\u00e3o ser com apura\u00e7\u00e3o\u201d, pondera o professor. A respeito dos resultados conflitantes das institui\u00e7\u00f5es, o ge\u00f3logo tamb\u00e9m acha que pode haver diverg\u00eancias nas metodologias, nos locais de coleta ao longo do rio e outros fatores que interferem no resultado.<\/p>\n<p>O Instituto de Geoci\u00eancias da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) fez an\u00e1lise das \u00e1guas e sedimentos, depois do estouro da barragem, com pontos de coleta em afluentes como o Gualaxo do Norte e no Rio Doce, no distrito de Paracatu, em Mariana, e nas cidades de Rio Doce e Barra Longa, ambas na Zona da Mata. Os resultados apontaram a presen\u00e7a de metais pesados nos sedimentos, e n\u00e3o nas \u00e1guas. Segundo o coordenador do Projeto Manuelz\u00e3o\/UFMG, m\u00e9dico Marcus Vin\u00edcius Polignano, a quest\u00e3o \u00e9 se esses elementos qu\u00edmicos v\u00e3o se desprender e se tornar sol\u00faveis, sendo, portanto, carreados pelas \u00e1guas. \u201cOs estudos tentar\u00e3o desvendar se haver\u00e1 comprometimento da bacia por metais pesados\u201d, afirma o m\u00e9dico.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/rio_doce_morto.jpg\" alt=\"\" \/><em>Lama dizimou fauna aqu\u00e1tica do rio Doce &#8211; Foto: Leonardo Morais\/Hoje em Dia<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>An\u00e1lises s\u00e3o conflitantes<\/strong><\/p>\n<p>Os \u00faltimos dados levantados pelo CPRM, divulgados na segunda-feira, demonstram eleva\u00e7\u00e3o nos n\u00edveis de metais na \u00e1gua nos oito pontos de monitoramento localizados em cidades mineiras onde foi poss\u00edvel fazer uma compara\u00e7\u00e3o com registros de 2010. No entanto, nos dois pontos situados em munic\u00edpios do Esp\u00edrito Santo, foram encontradas varia\u00e7\u00f5es para cima e para baixo na concentra\u00e7\u00e3o para diferentes metais. Segundo o CPRM, as an\u00e1lises s\u00e3o feitas desde 6 de novembro, sendo o monitoramento da qualidade da \u00e1gua realizado a cada dois dias e o dos sedimentos, a cada quatro.<\/p>\n<p>J\u00e1 an\u00e1lises realizadas por um grupo de cientistas da UnB e da UFscar, de S\u00e3o Paulo, em amostras de \u00e1gua e sedimentos coletados em 10 pontos ao longo do Rio Doce e afluentes, indicaram a presen\u00e7a de metais pesados acima dos limites admitidos pela Resolu\u00e7\u00e3o 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) em alguns locais, inclusive em \u00e1gua coletada para abastecimento humano. Esses pesquisadores formam o Grupo Independente de An\u00e1lise de Impacto Ambiental (Giaia), que avalia os problemas causados pelo rompimento da Barragem do Fund\u00e3o. A coleta foi feita entre os dias 4 e 8 deste m\u00eas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das \u00e1reas afetadas pelo desastre, o cont\u00e1gio foi detectado em n\u00edveis superiores ao indicado pela legisla\u00e7\u00e3o nacional em pontos acima daqueles a que os res\u00edduos de minera\u00e7\u00e3o contidos na barragem chegaram e na \u00e1gua captada em Governador Valadares, na Regi\u00e3o Leste. O valor encontrado em cada litro, de 0,04mg, \u00e9 quatro vezes maior que o toler\u00e1vel. O m\u00e1ximo permitido \u00e9 de 0,01mg\/l, de acordo com os crit\u00e9rios de potabilidade estabelecidos na Portaria 2.914, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/p>\n<p><strong>Sem danos<\/strong><\/p>\n<p>Em nota, a Samarco informa que ,\u201cproveniente do processo de beneficiamento do min\u00e9rio de ferro, o rejeito \u00e9 composto basicamente de \u00e1gua, part\u00edculas de \u00f3xidos de ferro e s\u00edlica (ou quartzo) e n\u00e3o apresenta nenhum elemento qu\u00edmico que seja danoso \u00e0 sa\u00fade. \u00c9 classificado como material inerte e n\u00e3o perigoso, conforme norma brasileira de c\u00f3digo NBR 10004-04, o que significa que n\u00e3o apresenta riscos \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica e ao meio ambiente\u201d.<\/p>\n<p>A mineradora esclarece ainda que \u201claudos do Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil (CPRM) e de empresa especializada SGS Geosol atestaram que os rejeitos n\u00e3o oferecem riscos \u00e0 sa\u00fade humana e ao meio ambiente. An\u00e1lises dos sedimentos do Rio Doce e do rejeito proveniente da Barragem do Fund\u00e3o, operada pela Samarco, mostram que em nenhum dos materiais h\u00e1 aumento da presen\u00e7a de metais que poderiam contaminar a \u00e1gua\u201d.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Estado de Minas \/ Rep\u00f3rter:  Gustavo Werneck)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 longe de terminar o sossego dos moradores da Bacia do Rio Doce, em Minas e no Esp\u00edrito Santo, mergulhados h\u00e1 mais de um m\u00eas na d\u00favida: tem ou n\u00e3o tem metais pesados nessas \u00e1guas ap\u00f3s o rompimento da Barragem do Fund\u00e3o, da mineradora Samarco? 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