{"id":73861,"date":"2015-12-01T09:27:05","date_gmt":"2015-12-01T12:27:05","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=73861"},"modified":"2015-12-01T09:27:05","modified_gmt":"2015-12-01T12:27:05","slug":"a-barragem-de-rejeitos-e-os-problemas-do-meio-rural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=73861","title":{"rendered":"A BARRAGEM DE REJEITOS E OS PROBLEMAS DO MEIO RURAL"},"content":{"rendered":"<p>A lama de rejeitos da Samarco que insiste em descer o Rio Doce e o mar do Esp\u00edrito Santo, matando pessoas, matando os animais aqu\u00e1ticos, principalmente peixes e moluscos, deixando milh\u00f5es de pessoas sem \u00e1gua, pescadores sem trabalho, turismo comprometido, deixa tamb\u00e9m outra vitima: o produtor rural.  A bacia j\u00e1 passava pela pior seca de sua hist\u00f3ria recente. Um rio que tinha como registro de m\u00ednima hist\u00f3rica na vaz\u00e3o de \u00e1gua de 170 metros c\u00fabicos por segundo na regi\u00e3o de Governador Valadares, registrou neste per\u00edodo seco apenas 60 metros c\u00fabicos de \u00e1gua por segundo. Por conta desta baixa vaz\u00e3o do rio e de seus afluentes  v\u00e1rias outorgas de uso da \u00e1gua foram reduzidas ou tiveram de ser suspensas. O produtor rural aguardava ansioso pelo retorno das chuvas  para voltar a produzir alimentos e capim para o gado. Mas, antes que pudesse retornar a sua atividade, um mar de lama tomou conta do Rio Doce impedindo definitivamente o uso de suas \u00e1guas. Os elementos qu\u00edmicos que est\u00e3o presentes na \u00e1gua oriundos da lama de rejeitos da minera\u00e7\u00e3o tem caracter\u00edstica  pr\u00f3pria que n\u00e3o compromete a produ\u00e7\u00e3o de alimentos.  S\u00e3o \u00f3xidos de ferro e alum\u00ednio al\u00e9m de s\u00edlica, material que comp\u00f5em as areias; \u00f3timo por este aspecto, mas como a quantidade de material na \u00e1gua est\u00e1 muito elevado ele pode se depositar na superf\u00edcie do solo atuando como um cimento impermeabilizando o solo, comprometendo o desenvolvimento das plantas. Outro problema est\u00e1 nos equipamentos de irriga\u00e7\u00e3o e nas bombas. Estes materiais em suspens\u00e3o na \u00e1gua s\u00e3o muito abrasivos, ou seja causam um grande desgaste na bomba de \u00e1gua, nas tubula\u00e7\u00f5es e nos bicos de aspers\u00e3o entupindo a tubula\u00e7\u00e3o e reduzindo a vida \u00fatil do material rapidamente. <\/p>\n<p>E quando o produtor rural conseguir\u00e1 produzir novamente utilizando a sua irriga\u00e7\u00e3o?  Enquanto a Samarco n\u00e3o estancar aquele veio exposto de res\u00edduo no solo na regi\u00e3o de Mariana, a cada chuva forte mais material descer\u00e1 pelo Rio Doce comprometendo tudo, desde o abastecimento urbano at\u00e9 a irriga\u00e7\u00e3o.  Para culturas de pequenas \u00e1reas e a dessedenta\u00e7\u00e3o animal a abertura de po\u00e7os tubulares que captam \u00e1gua do len\u00e7ol fre\u00e1tico pode ser a solu\u00e7\u00e3o. Mesmo com este len\u00e7ol sendo abastecido pela \u00e1gua do rio, o solo funciona como um filtro purificando a \u00e1gua, tornando-a apta para irriga\u00e7\u00e3o, uso para animais e at\u00e9 mesmo para uso humano, desde que n\u00e3o exista na \u00e1rea grande uso de agrot\u00f3xicos ou fossas negras.<\/p>\n<p>Estamos vivendo uma situa\u00e7\u00e3o de guerra com uma crise econ\u00f4mica sem precedentes, associado a uma grande crise pol\u00edtica e social al\u00e9m, \u00e9 claro, da crise h\u00eddrica que j\u00e1 existia antes do rompimento da barragem de rejeitos da minera\u00e7\u00e3o. Acredito que com uma a\u00e7\u00e3o urgente da empresa na regi\u00e3o do rompimento com a conten\u00e7\u00e3o dos rejeitos e a sua estabiliza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do uso de vegeta\u00e7\u00e3o conseguiremos melhorar a qualidade da \u00e1gua do Rio Doce, afinal, s\u00e3o centenas de afluentes prim\u00e1rios e secund\u00e1rios que d\u00e3o vida ao rio e o problema aconteceu em apenas um destes afluentes. O problema \u00e9 que a empresa est\u00e1 demorando muito para agir, e isto preocupa a todos.<\/p>\n<h4><strong>Quem \u00e9 Alexandre Sylvio Vieira da Costa?<\/strong><\/h4>\n<p><center><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/alexandre_coluna_agro.jpg\" alt=\"\" \/><\/center><\/p>\n<p>&#8211; Nascido na cidade de Niter\u00f3i, RJ;<br \/>\n&#8211; Engenheiro Agr\u00f4nomo Formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro;<br \/>\n&#8211; Mestre em Produ\u00e7\u00e3o Vegetal pela Embrapa-Agrobiologia\/Universidade Federal Rural do<br \/>\nRio de Janeiro;<br \/>\n&#8211; Doutor em Produ\u00e7\u00e3o Vegetal pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa;<br \/>\n&#8211; P\u00f3s doutorado em Geoci\u00eancias pela Universidade Federal de Minas Gerais;<br \/>\n&#8211; Foi Coordenador Adjunto da C\u00e2mara Especializada de Agronomia e Coordenador da<br \/>\nComiss\u00e3o T\u00e9cnica de Meio Ambiente do CREA\/Minas;<br \/>\n&#8211; Foi Presidente da C\u00e2mara T\u00e9cnica de eventos Cr\u00edticos do Comit\u00ea da Bacia<br \/>\nHidrogr\u00e1fica do Rio Doce;<br \/>\n&#8211; Atualmente, professor Adjunto dos cursos de Engenharia da Universidade Federal dos<br \/>\nVales do Jequitinhonha e Mucuri, Campus Te\u00f3filo Otoni;<\/p>\n<p>&#8211; Blog: <a href=\"http:\/\/asylvio.blogspot.com.br\" target=\"_blank\">asylvio.blogspot.com.br<\/a><br \/>\n&#8211; E-mail: alexandre.costa@ufvjm.edu.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A lama de rejeitos da Samarco que insiste em descer o Rio Doce e o mar do Esp\u00edrito Santo, matando pessoas, matando os animais aqu\u00e1ticos, principalmente peixes e moluscos, deixando milh\u00f5es de pessoas sem \u00e1gua, pescadores sem trabalho, turismo comprometido, deixa tamb\u00e9m outra vitima: o produtor rural. 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