{"id":71663,"date":"2015-10-26T12:57:35","date_gmt":"2015-10-26T15:57:35","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=71663"},"modified":"2015-10-26T12:57:35","modified_gmt":"2015-10-26T15:57:35","slug":"estudo-que-indica-desertificacao-no-norte-de-minas-e-desqualificado-por-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=71663","title":{"rendered":"Estudo que indica desertifica\u00e7\u00e3o no Norte de Minas \u00e9 desqualificado por especialistas"},"content":{"rendered":"<p>O resultado de um estudo encomendado h\u00e1 cinco anos pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente praticamente condenou o Norte de Minas \u201c\u00e0 morte\u201d. Caso medidas urgentes \u2013 e caras \u2013 de contingenciamento da seca n\u00e3o fossem tomadas a partir de ent\u00e3o, os sert\u00f5es e veredas de Guimar\u00e3es Rosa evoluiriam para um deserto est\u00e9ril at\u00e9 2030. Faltando agora 15 anos para o \u201cju\u00edzo final\u201d, especialistas p\u00f5em areia nesse cen\u00e1rio catastr\u00f3fico.<\/p>\n<p>O primeiro argumento desmistificador est\u00e1 no fato de a regi\u00e3o ser a mais preservada do estado, com 57% da vegeta\u00e7\u00e3o original intacta. O Tri\u00e2ngulo Mineiro, por exemplo, tem em torno de 7%. \u201cA \u00e1rea apontada com risco de desertifica\u00e7\u00e3o \u00e9 onde se tem mais verde. Ent\u00e3o, existe uma controv\u00e9rsia nesse estudo\u201d, diz o secret\u00e1rio de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas (Sednor), Paulo Guedes.<\/p>\n<p>Em mesmo a estiagem prolongada \u00e9 vista como um sinal desse processo de esteriliza\u00e7\u00e3o do solo. A seca dos \u00faltimos quatro anos \u00e9 o \u00e1pice de um ciclo clim\u00e1tico, explica Reinaldo Nunes de Oliveira, coordenador-t\u00e9cnico regional da Emater.<\/p>\n<p>Segundo ele, em per\u00edodos que variam entre 80 e cem anos, a por\u00e7\u00e3o Norte do estado passa por estiagens extremas, influ\u00eancia da maior atividade solar e das correntes quentes provenientes do Atl\u00e2ntico. A \u00faltima, segundo ele, ocorreu em 1932. Portanto, espera-se que, em breve, a \u00e1gua volte a cair.<\/p>\n<p>\u201cA gente do Norte de Minas \u00e9 acostumado a conviver com a seca. \u00c9 um fen\u00f4meno que todos n\u00f3s j\u00e1 passamos. De uma forma ou de outra, resistimos\u201d, diz Oliveira.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/seca_norte_mg.jpg\" alt=\"\" \/><em>Agricultor se emociona ao se deparar com mais um animal morto (Foto: Geraldo Humberto \/ Inter TV)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Degrada\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O fato de o \u00eaxodo de 2,2 milh\u00f5es de habitantes ainda n\u00e3o ter come\u00e7ado nos 177 mil km\u00b2 de \u00e1rea do semi\u00e1rido mineiro, conforme prenunciou o relat\u00f3rio do MMA, tamb\u00e9m dep\u00f5e contra o cataclismo. \u201cQuando se tinha seca prolongada h\u00e1 20 anos, 30, 40 anos, era inevit\u00e1vel a fome e milhares de pessoas migrando. Temos quatro anos agora de seca seguidos, a maior da hist\u00f3ria, e as pessoas continuam onde est\u00e3o\u201d, afirma Guedes.<\/p>\n<p>Para o coordenador do Centro de Conviv\u00eancia com o Semi\u00e1rido, Expedito Jos\u00e9 Ferreira, o termo \u201cdesertifica\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 muito forte para ser usado. \u201cVejo que n\u00e3o se enquadra. Estamos, sim, num estado de degrada\u00e7\u00e3o acelerada, o que \u00e9 algo distinto. N\u00e3o alcan\u00e7amos a desertifica-\u00e7\u00e3o\u201d, acredita.<\/p>\n<p>Professor do Departamento de Geoci\u00eancias da Unimontes, Ferreira reconhece que essa devasta\u00e7\u00e3o ambiental, se continuada, potencializa a desertifica-\u00e7\u00e3o, mas deixa claro que a \u201ctransi\u00e7\u00e3o\u201d acontece em situa\u00e7\u00f5es bem mais cr\u00edticas. Por isso, diz ele, tanto se insiste na preserva\u00e7\u00e3o de nascentes, na despolui\u00e7\u00e3o de rios e na recupera\u00e7\u00e3o das matas ciliares.<\/p>\n<p>Tal mudan\u00e7a de olhar sobre o Norte de Minas n\u00e3o representa menos investimentos, garante a Sednor. Conforme a secretaria, ser\u00e3o constru\u00eddas 962 barragens na regi\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos, a um custo de R$ 101 milh\u00f5es, a partir de conv\u00eanio com o governo federal. O intuito \u00e9 beneficiar pequenos produtores e comunidades. A primeira etapa deve ser licitada at\u00e9 o fim de 2015.<\/p>\n<p>Est\u00e1 em curso tamb\u00e9m a implanta\u00e7\u00e3o de 516 sistemas de abastecimento de \u00e1gua nos munic\u00edpios mais castigados pela seca, localizados na Serra Geral, como Porteirinha e Jana\u00faba. O investimento \u00e9 de R$ 83 milh\u00f5es, numa parceria entre o Estado e Secretaria de Integra\u00e7\u00e3o Nacional.<\/p>\n<p>\u201cSabemos da escassez h\u00eddrica e da necessidade de uma s\u00e9rie de investimentos para recuperar nascentes e matas ciliares, construir barragens, controlar melhor do uso da \u00e1gua. Por\u00e9m, \u00e9 um tanto apressado falar em desertifica\u00e7\u00e3o\u201d, refor\u00e7a Guedes.<\/p>\n<p><strong>Resposta<\/strong><\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio do Meio Ambiente informou que o Plano Estadual de Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o, de 2011, foi elaborado de forma participativa, com a coordena\u00e7\u00e3o do governo de Minas. No momento, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) realiza um mapeamento que possibilitar\u00e1 ajustes territoriais das \u00e1reas mapeadas em 2011.<\/p>\n<p><strong>Estiagem eterniza drama de produtores rurais<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo para o sertanejo mais calejado, a seca dos \u00faltimos quatro anos tem sido dif\u00edcil de suportar. A lavoura sucumbiu h\u00e1 tempos. \u201cA chuva foi embora cedo. J\u00e1 chegou a hora de ela voltar e at\u00e9 agora, nada\u201d, lamenta o trabalhador rural S\u00e1vio Soares, de 58 anos.<\/p>\n<p>Na zona rural de Montes Claros, ele tentou plantar milho, feij\u00e3o e at\u00e9 arroz, cultura que exige justamente muita \u00e1gua. \u201cUsei uma \u00e1rea perto do rio, mas ele secou\u201d. A expectativa \u00e9 a de que o longo per\u00edodo de estiagem cesse neste ano. \u201cO povo fala que essa seca toda \u00e9 culpa do desmatamento\u201d, diz Soares, que neste ano, por insist\u00eancia, prepara a terra para plantar mais uma vez.<\/p>\n<p>O estudo do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente prev\u00ea um aumento consider\u00e1vel nas temperaturas do Norte de Minas nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, variando de 1,3\u00b0C a 3,8\u00b0C, em m\u00e9dia, o suficiente para alterar ainda mais o regime de chuvas.<\/p>\n<p>Para a especialistas, n\u00e3o h\u00e1 outro caminho sen\u00e3o o de preservar o verde que resta. \u201cSe voc\u00ea pega uma pequena \u00e1rea para recuperar, vai resolver localmente e ainda vai sair car\u00edssimo. Ent\u00e3o, \u00e9 melhor preservar e, em caso de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, fazer de maneira sustent\u00e1vel\u201d, afirma a professora do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Cear\u00e1, Vl\u00e1dia Oliveira.<\/p>\n<p>Para ela, que acompanhou de perto a elabora\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio sobre desertifica\u00e7\u00e3o no Nordeste, a crise econ\u00f4mica no pa\u00eds afetar\u00e1 investimentos em projetos ambientais. \u201c\u00c9 onde se corta primeiro\u201d.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Jornal Hoje em Dia)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O resultado de um estudo encomendado h\u00e1 cinco anos pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente praticamente condenou o Norte de Minas \u201c\u00e0 morte\u201d. Caso medidas urgentes \u2013 e caras \u2013 de contingenciamento da seca n\u00e3o fossem tomadas a partir de ent\u00e3o, os sert\u00f5es e veredas de Guimar\u00e3es Rosa evoluiriam para um deserto est\u00e9ril at\u00e9 2030. 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