{"id":70281,"date":"2015-10-01T17:58:22","date_gmt":"2015-10-01T20:58:22","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=70281"},"modified":"2015-10-01T17:58:31","modified_gmt":"2015-10-01T20:58:31","slug":"minas-gerais-cancela-programa-de-combate-a-infeccao-hospitalar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=70281","title":{"rendered":"Minas Gerais cancela programa de combate \u00e0 infec\u00e7\u00e3o hospitalar"},"content":{"rendered":"<p>A assessora da Subsecretaria de Estado de Vigil\u00e2ncia e Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade, Fernanda Carvalho, anunciou \u00e0 Comiss\u00e3o de Sa\u00fade da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) que o conv\u00eanio de utiliza\u00e7\u00e3o de software para controle e monitoramento de infec\u00e7\u00f5es hospitalares foi cancelado por n\u00e3o apresentar resultados satisfat\u00f3rios. A informa\u00e7\u00e3o foi dada em audi\u00eancia p\u00fablica realizada nesta quinta-feira (1\u00ba\/10\/15), a pedido do presidente da comiss\u00e3o, deputado Arlen Santiago (PTB), com o objetivo de debater o problema e os impactos da interrup\u00e7\u00e3o do projeto.<\/p>\n<p>Segundo ela, desde que os novos gestores assumiram a pasta no in\u00edcio deste ano, a Secretaria de Estado de Sa\u00fade (SES) vem reavaliando os projetos existentes. Diante disso, fez tratativas com a Sociedade Mineira de Infectologia e com os mais de 70 hospitais da rede estadual para entender o uso do programa e os benef\u00edcios para a sociedade.<\/p>\n<p>Fernanda Carvalho explicou que foram enviados question\u00e1rios para analisar essas informa\u00e7\u00f5es e que destes, apenas 18 disseram ter o software implantado e apenas nove alegaram que faziam uso das informa\u00e7\u00f5es. \u201cNenhum utiliza tudo o que est\u00e1 previsto no edital. Portanto, n\u00e3o h\u00e1 subs\u00eddios para saber o impacto do projeto para a popula\u00e7\u00e3o. Consideramos que h\u00e1 dificuldade de manuten\u00e7\u00e3o do programa pela falta de resultados. O conv\u00eanio est\u00e1 cancelado\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A gestora disse, ainda, que a SES tem as informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis no software e que j\u00e1 existe um sistema de vigil\u00e2ncia por parte do governo. \u201cSeria preciso qualificar os profissionais para o uso do software para que as informa\u00e7\u00f5es fossem repassadas efetivamente para o Estado, mas isso n\u00e3o foi feito\u201d, refor\u00e7ou.<\/p>\n<p>A coordenadora de Sa\u00fade do Trabalhador do Centro de Informa\u00e7\u00f5es Estrat\u00e9gicas em Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade da SES, Helo\u00edsa Duarte, ressaltou que as chamadas bact\u00e9rias multirresistentes, principais causadoras das infec\u00e7\u00f5es hospitalares, s\u00e3o problema de sa\u00fade p\u00fablica. Em sua interven\u00e7\u00e3o, garantiu que as equipes de vigil\u00e2ncia t\u00eam trabalhado em conjunto com as de assist\u00eancia. Para ela, de nada adianta ter o software se n\u00e3o houver a sensibiliza\u00e7\u00e3o e a capacita\u00e7\u00e3o dos profissionais que atuam nos hospitais.<\/p>\n<p>\u201cO programa n\u00e3o foi implantado adequadamente e n\u00e3o houve treinamento. Isso fez com que n\u00e3o tiv\u00e9ssemos os resultados esperados. O Estado faz o monitoramento e os dados s\u00e3o enviados para as esferas competentes. O software \u00e9 avan\u00e7ado, mas n\u00e3o se pode dizer que a vigil\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 feita. \u00c9 fal\u00e1cia\u201d, ponderou.<\/p>\n<p><strong>Parceria \u2013<\/strong>\u00a0A coordenadora de Investiga\u00e7\u00e3o e Preven\u00e7\u00e3o de Infec\u00e7\u00f5es e Eventos Adversos da SES, N\u00e1dia Dutra, relatou que, desde 2010, usa um formul\u00e1rio da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) para identificar os eventos de infec\u00e7\u00e3o hospitalar no Estado. Desde 2014, essa mesma ferramenta estaria fazendo um levantamento do perfil epidemiol\u00f3gico dos estabelecimentos de sa\u00fade mineiros.<\/p>\n<p>Segundo ela, h\u00e1 dificuldades provocadas pela rotatividade das equipes de controle de infec\u00e7\u00e3o hospitalar e da falta de empenho dos m\u00e9dicos, que deveriam fazer um uso mais racional dos antibi\u00f3ticos. Em rela\u00e7\u00e3o ao software, ela criticou o fato de o programa dar o perfil das infec\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o especificar o hospital onde a bact\u00e9ria foi identificada.<\/p>\n<p><strong>Especialistas pedem reavalia\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es de monitoramento<\/strong><\/p>\n<p>O m\u00e9dico infectologista e membro da Sociedade Mineira de Infectologia, Carlos Starling, fez uma extensa apresenta\u00e7\u00e3o sobre a gravidade das chamadas bact\u00e9rias multirresistentes ou \u201cintrat\u00e1veis\u201d, que, de acordo com ele, apresentam taxa de letalidade de at\u00e9 75%.<\/p>\n<p>Em sua participa\u00e7\u00e3o, ele explicou que a incid\u00eancia desses microrganismos se d\u00e1 por aspectos econ\u00f4micos, sociais e at\u00e9 mesmo clim\u00e1ticos, e que o arsenal terap\u00eautico \u00e9 limitado. \u201cA dissemina\u00e7\u00e3o dos microrganismos de resist\u00eancia \u00e9 global, o que impede eliminar a situa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m do alto valor dos custos de combate. Ser\u00e3o mais de 50 mil \u00f3bitos at\u00e9 2050 e gastos de quase US$ 100 trilh\u00f5es em todo o mundo\u201d, alertou.<\/p>\n<p>Ainda segundo o especialista, em Minas Gerais, a proje\u00e7\u00e3o anual de infec\u00e7\u00f5es \u00e9 de 131 mil casos. O custo pode ser de at\u00e9 R$ 1,8 bilh\u00e3o por ano e morrem entre 3 mil e 10 mil pacientes no Estado por essa raz\u00e3o. \u201cAs op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas n\u00e3o mostram o surgimento de um medicamento para o combate dessas infec\u00e7\u00f5es em pelo menos 12 anos. As bact\u00e9rias n\u00e3o surgem nos hospitais, que apenas evidenciam o problema\u201d, disse.<\/p>\n<p>Ao fazer um hist\u00f3rico do surgimento das bact\u00e9rias multirresistentes, Carlos Starling lembrou que os genes t\u00eam sido encontrados na \u00cdndia, que produz aproximadamente metade dos antibi\u00f3ticos no mundo. Ele explicou que as ind\u00fastrias depositam seus rejeitos nos rios e a polui\u00e7\u00e3o ambiental produz muta\u00e7\u00f5es que se tornam bact\u00e9rias quase intrat\u00e1veis. A dissemina\u00e7\u00e3o em escala global se d\u00e1, segundo ele, por meio dos turistas e do transporte de produtos pelo mundo.<\/p>\n<p>Os riscos de infec\u00e7\u00e3o hospitalar est\u00e3o nas interna\u00e7\u00f5es por mais de cinco dias, assim como no compartilhamento de ambientes com pacientes infectados. Para resolver esse problema, o m\u00e9dico sugere o uso racional de antibi\u00f3ticos e uma revis\u00e3o do uso do software de monitoramento.<\/p>\n<p>Ao criticar a atua\u00e7\u00e3o do governo na implanta\u00e7\u00e3o, repasse de recursos, divulga\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o dos hospitais, ele destacou que o processo \u00e9 lento e n\u00e3o pode parar de forma precoce. \u201cO software \u00e9 in\u00e9dito e eficiente, o que falta \u00e9 preparo dos profissionais para us\u00e1-lo. \u00c9 uma ilus\u00e3o achar que conseguir\u00edamos implant\u00e1-lo adequadamente em quatro anos\u201d, completou.<\/p>\n<p>O presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Estev\u00e3o Urbano Silva, fez coro \u00e0s palavras de Carlos Starling, al\u00e9m de destacar que o objetivo da entidade \u00e9 auxiliar no monitoramento dos eventos de infec\u00e7\u00e3o hospitalar. Segundo ele, para que se tenha uma boa vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria, \u00e9 necess\u00e1rio multiplicar as informa\u00e7\u00f5es, assim como incentivar a pesquisa e capacitar as equipes nos hospitais.<\/p>\n<p><strong>Hospital de Contagem apresenta caso de sucesso<\/strong><\/p>\n<p>O diretor t\u00e9cnico do Hospital Municipal de Contagem, Rodirley Duarte Diniz, testemunhou \u00e0 comiss\u00e3o o legado positivo da institui\u00e7\u00e3o na supera\u00e7\u00e3o de surto de infec\u00e7\u00e3o hospitalar registrado em agosto deste ano. De acordo com ele, o problema foi detectado na UTI, obrigando o hospital a interditar o local, notificar a Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria e a Funda\u00e7\u00e3o Ezequiel Dias, al\u00e9m de promover a capacita\u00e7\u00e3o de profissionais. \u201cEstamos h\u00e1 10 dias sem qualquer evento de infec\u00e7\u00e3o hospitalar. A experi\u00eancia dessa crise nos mostra que o conhecimento cient\u00edfico deve superar o pol\u00edtico, e que o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental\u201d, defendeu.<\/p>\n<p>Ao final, o deputado Arlen Santiago (PTB) mostrou-se preocupado com a quantidade de contratos e conv\u00eanios da SES que v\u00eam sendo interrompidos. Ele citou os exemplos de Minas Novas (Vale do Jequitinhonha), em que um programa para hemodi\u00e1lise est\u00e1 paralisado, e de Curvelo (Regi\u00e3o Central do Estado), onde o servi\u00e7o de oncologia que tamb\u00e9m n\u00e3o tem funcionado.<\/p>\n<p>Diante do que foi debatido na audi\u00eancia, o parlamentar solicitou \u00e0 SES que defina as estrat\u00e9gias para voltar a pagar os contratos que est\u00e3o pendentes e um relat\u00f3rio t\u00e9cnico com as raz\u00f5es pelas quais o conv\u00eanio de monitoramento das infec\u00e7\u00f5es hospitalares foi cancelado. \u201cN\u00e3o podemos simplesmente encerrar o trabalho sem que nada seja pensado. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 grave e precisa de medidas de combate\u201d, concluiu.<\/p>\n<p><em>(Fonte: ALMG)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A assessora da Subsecretaria de Estado de Vigil\u00e2ncia e Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade, Fernanda Carvalho, anunciou \u00e0 Comiss\u00e3o de Sa\u00fade da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) que o conv\u00eanio de utiliza\u00e7\u00e3o de software para controle e monitoramento de infec\u00e7\u00f5es hospitalares foi cancelado por n\u00e3o apresentar resultados satisfat\u00f3rios. 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