{"id":69626,"date":"2015-09-25T11:30:06","date_gmt":"2015-09-25T14:30:06","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=69626"},"modified":"2015-09-25T11:30:06","modified_gmt":"2015-09-25T14:30:06","slug":"penitenciaria-do-vale-do-aco-e-modelo-de-humanizacao-estudo-trabalho-e-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=69626","title":{"rendered":"Penitenci\u00e1ria do Vale do A\u00e7o \u00e9 modelo de humaniza\u00e7\u00e3o, estudo, trabalho e cultura"},"content":{"rendered":"<p>Humaniza\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 a palavra de ordem na Penitenci\u00e1ria D\u00eanio Moreira de Carvalho, no munic\u00edpio de Ipaba, no Vale do A\u00e7o. L\u00e1, os detentos condenados por crimes sexuais ou envolvidos em disputas de gangues n\u00e3o ficam separados dos demais, em celas \u2018de seguro\u2019, como acontece na maior parte do sistema prisional brasileiro. O estigma fica do lado de fora. Entre os muros da penitenci\u00e1ria, a regra \u00e9 a igualdade.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 apenas uma das peculiaridades de uma das mais organizados e produtivos estabelecimentos prisionais do Estado. H\u00e1 14 anos no posto, o diretor geral Ad\u00e3o dos Anjos conta que, enfrentando fortes resist\u00eancias dos presos, empenhou-se, logo que assumiu, em abolir aos poucos a segrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA partir do momento em que voc\u00ea separa presos por grupos distintos, voc\u00ea fortalece um e enfraquece o outro. Eu nunca permiti essa divis\u00e3o. Aqui dentro n\u00e3o faz diferen\u00e7a o artigo pelo qual o detento foi condenado. Todos s\u00e3o iguais e est\u00e3o pagando pelo crime que cometeram. N\u00e3o sou eu, os agentes ou outros presos quem deve julg\u00e1-los\u201d, argumenta Ad\u00e3o, tenente reformado da Pol\u00edcia Militar, com oito anos de estudos em semin\u00e1rio cat\u00f3lico, gradua\u00e7\u00e3o em Filosofia, que trabalha em pres\u00eddio desde 1970.<\/p>\n<p>Esse perfil ajuda a explicar por que a D\u00eanio Moreira t\u00eam 230 presos estudando, sendo 14 em cursos superiores a dist\u00e2ncia de administra\u00e7\u00e3o, ci\u00eancias cont\u00e1beis e turismo e 400 trabalhando. Mas as frentes de ressocializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limitam \u00e0 profissionaliza\u00e7\u00e3o e ao estudo. H\u00e1 oficinas culturais, grupos regulares de teatro e de m\u00fasica. Para as fam\u00edlias dos presos, comemora\u00e7\u00f5es preparadas com esmero pelos servidores em datas como o Dia das Crian\u00e7as e o Natal, com palha\u00e7os e distribui\u00e7\u00e3o de presentes.<\/p>\n<p>No campo da espiritualidade, nada menos do que 11 denomina\u00e7\u00f5es evang\u00e9licas, al\u00e9m dos cat\u00f3licos, atuam na penitenci\u00e1ria. Cada um dos quatro pavilh\u00f5es tem um espa\u00e7o pr\u00f3prio para os cultos e missas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/penitenciaria-denio-moreira-de-carvalho-e-modelo-de-humanizacao-estudo-trabalho-e-cultura.jpg\" alt=\"\" \/><em>Grupo Vozes da Cela existe desde 2012 &#8211; Foto: Marcelo Sant&#8217;Anna\/Imprensa MG<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Ensino e oportunidades<\/strong><\/p>\n<p>Nas seis salas de aula da escola estadual que funciona dentro D\u00eanio Moreira h\u00e1 oportunidades para todos. H\u00e1 um preso de 56 anos aprendendo a ler e jovens cursando a gradua\u00e7\u00e3o em Administra\u00e7\u00e3o de Empresas. A diretora da escola, Lila Martins, tem 49 anos de idade, dos quais 17 deles dedicados ao ensino dentro da penitenci\u00e1ria de Ipaba.<\/p>\n<p>\u201cA minha tarefa \u00e9 conscientiz\u00e1-los da import\u00e2ncia do aprendizado. A escola pode ser linda, toda pintada e organizada, mas se n\u00e3o tiver o interesse do aluno e um bom projeto pedag\u00f3gico, de nada adianta. Preocupo-me com a qualidade do ensino. Tenho muito orgulho do meu trabalho. Tenho ex-aluno que foi aprovado em concurso p\u00fablico e que aprendeu a ler aqui dentro\u201d, conta a pedagoga.<\/p>\n<p>Os alunos da Escola Estadual D\u00eanio Moreira de Carvalho participam de diversos projetos educacionais, concursos de reda\u00e7\u00e3o e olimp\u00edadas escolares. Em 2015, alunos da quarta s\u00e9rie receberam medalha de ouro e alunos da oitava s\u00e9rie, de bronze, na Olimp\u00edada Internacional Matem\u00e1tica Sem Fronteiras, realizada no m\u00eas de abril.<\/p>\n<p><strong>Grupo musical Vozes da Cela<\/strong><\/p>\n<p>Edmilson Alves Lanes, de 45 anos, est\u00e1 preso h\u00e1 sete. Ele \u00e9 o \u00fanico remanescente da forma\u00e7\u00e3o original do grupo Vozes da Cela, formado em 2012. De l\u00e1 pra c\u00e1, muitos presos passaram pela banda de m\u00fasica gospel. Os ensaios acontecem \u00e0s quartas-feiras e duram tr\u00eas horas. No repert\u00f3rio da banda h\u00e1 m\u00fasicas de autoria dos pr\u00f3prios integrantes que trabalham cuidadosamente nos arranjos.<\/p>\n<p>\u201cA gente n\u00e3o faz barulho. Quem entende sabe que fazemos m\u00fasica de verdade. A harmonia \u00e9 bem feita\u201d, orgulha-se Edmilson, vocalista do grupo. Ele lembra que o Vozes da Cela come\u00e7ou com um solit\u00e1rio viol\u00e3o e muita vontade. Hoje, o grupo atua com v\u00e1rios instrumentos e \u00e9 reconhecido na regi\u00e3o, gra\u00e7as a apresenta\u00e7\u00f5es em igrejas, escolas, universidades, em audi\u00eancias p\u00fablicas e outros eventos p\u00fablicos al\u00e9m dos muros da penitenci\u00e1ria.<\/p>\n<p>Casado h\u00e1 trinta anos, com seis filhos e nove netos, Edmilson diz que se emociona toda vez que sobe ao palco. A fam\u00edlia j\u00e1 assistiu v\u00e1rias vezes \u00e0s apresenta\u00e7\u00f5es e isso, segundo o preso, contribuiu em muito para suportar em paz os sete anos de encarceramento.<\/p>\n<p><strong>Humanizar a pena \u00e9 o segredo do sucesso<\/strong><\/p>\n<p>\u201cQuando o preso chega aqui, geralmente ele vem de um ambiente de briga e discuss\u00e3o. Se ele vier com bomba e a gente retrucar com bomba, teremos uma guerra. Aqui a gente trabalha oferecendo oportunidades. Se der errado, a gente tenta de novo. A regra \u00e9 nunca desistir do preso\u201d, explica o agente penitenci\u00e1rio Arlan Gomes Ferreira, que trabalha na unidade h\u00e1 um ano e meio.<\/p>\n<p>Para Ad\u00e3o dos Anjos o ambiente saud\u00e1vel dentro da unidade \u00e9 poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 aten\u00e7\u00e3o ofertada ao preso. Tratar o preso com dignidade, independentemente do crime que ele cometeu, faz com que todos se sintam respeitados. E, neste caso, a rec\u00edproca \u00e9 verdadeira. (Ag\u00eancia Minas)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Humaniza\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 a palavra de ordem na Penitenci\u00e1ria D\u00eanio Moreira de Carvalho, no munic\u00edpio de Ipaba, no Vale do A\u00e7o. L\u00e1, os detentos condenados por crimes sexuais ou envolvidos em disputas de gangues n\u00e3o ficam separados dos demais, em celas \u2018de seguro\u2019, como acontece na maior parte do sistema prisional brasileiro. 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