{"id":68032,"date":"2015-09-09T12:02:16","date_gmt":"2015-09-09T15:02:16","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=68032"},"modified":"2015-09-09T12:02:16","modified_gmt":"2015-09-09T15:02:16","slug":"educacao-de-genero-pode-evitar-casamento-na-infancia-e-adolescencia-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=68032","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o de g\u00eanero pode evitar casamento na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p>Estimular o envolvimento paterno na vida das filhas de forma ativa \u00e9 uma das principais maneiras de evitar o casamento na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia. A estrat\u00e9gia faz parte das recomenda\u00e7\u00f5es do relat\u00f3rio Ela vai no meu barco &#8211; Casamento na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia no Brasil, que ser\u00e1 lan\u00e7ado hoje (9) pelo Instituto Promundo. Segundo pesquisa apresentada no relat\u00f3rio, a idade m\u00e9dia de casamento e de nascimento do primeiro filho de meninas entrevistadas \u00e9 15 anos. Os homens s\u00e3o, em m\u00e9dia, nove anos mais velhos. O trabalho do Promundo tem o objetivo de promover o direito de as meninas decidirem, livre e plenamente, quando e com quem se casar.<\/p>\n<p>Segundo a coordenadora da pesquisa, Alice Taylor, as meninas com a presen\u00e7a do pai na educa\u00e7\u00e3o t\u00eam maior autoestima e escolhem parceiros com comportamentos e atitudes mais igualit\u00e1rias em termos de g\u00eanero. Elas tamb\u00e9m vivenciam menos viol\u00eancia sexual ou a atividade sexual precoce e indesejada.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma recomenda\u00e7\u00e3o muito importante trabalhar as normas de g\u00eaneros sobre a pr\u00e1tica [relacionada ao casamento]. Trabalhar com homens, meninos, meninas, lideran\u00e7as religiosas e comunit\u00e1rias, redes de prote\u00e7\u00e3o sobre os direitos e escolhas poss\u00edveis para meninos e meninas, as suas possibilidades dentro de relacionamentos, seus direitos sexuais\u201d, disse Alice.<\/p>\n<p>De acordo com dados de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), pouco mais de 88 mil meninas e meninos, entre 10 e 14 anos, est\u00e3o em uni\u00f5es consensuais, civis e\/ou religiosas, no Brasil. Na faixa et\u00e1ria de 15 a 17, o n\u00famero chega a 567 mil, e com 18 ou 19 anos, mais de 1 milh\u00e3o de pessoas j\u00e1 est\u00e3o em uma uni\u00e3o formal ou informal.<\/p>\n<p>Alice disse ainda que essa \u00e9 uma reflex\u00e3o que deve envolver toda a comunidade, de desconstru\u00e7\u00e3o desse modelo de comportamento em que os homens acabam se casando com meninas mais novas, porque as acham \u201cmais atraentes e f\u00e1ceis de controlar\u201d. Acrescentou que as meninas, desejando sair da casa dos pais, se casam para ter sua liberdade, mas acabam desapontadas e vivendo experi\u00eancias de controle ainda maior por parte do marido. \u201cUma coisa \u00e9 o casamento em si, outra \u00e9 a din\u00e2mica que existe diante da diferen\u00e7a de poder, do homem com mais experi\u00eancia&#8221;. Para a pesquisadora, isso tem impacto sobre as meninas, que tendem a deixar a escola ou engravidar mais cedo.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio apresenta os resultados de uma pesquisa, feita de 2013 a 2015, sobre atitudes e pr\u00e1ticas envolvendo casamento na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia nas regi\u00f5es metropolitanas de Bel\u00e9m, no Par\u00e1, e de S\u00e3o Lu\u00eds, no Maranh\u00e3o. Segundo dados do IBGE, os dois estados t\u00eam alto n\u00famero de casamentos infantis (de meninos e meninas com idade entre 10 e 18 anos).<\/p>\n<p>A pesquisa foi feita em parceria com a Universidade Federal do Par\u00e1, a Plan International Brasil, no Maranh\u00e3o, e o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef), com o apoio da Funda\u00e7\u00e3o Ford.<\/p>\n<p>Embora os dois g\u00eaneros vivenciem casamentos infantis, as meninas s\u00e3o mais afetadas pela pr\u00e1tica. De acordo com o relat\u00f3rio, entre os meninos, 18 anos \u00e9 o padr\u00e3o de idade ao se casar, enquanto o das meninas \u00e9 15 anos. Existem diferentes fatores que levam aos casamentos infantis, mas a principal quest\u00e3o, na Am\u00e9rica Latina, segundo o relat\u00f3rio, \u00e9 que eles s\u00e3o considerados consensuais, n\u00e3o s\u00e3o arranjos como em outros pa\u00edses. \u201cExistem formas de press\u00e3o sim, e o importante \u00e9 identificar em qual contexto as meninas fazem essa escolha\u201d, afirmou Alice Taylor.<\/p>\n<p>As quest\u00f5es socioecon\u00f4micas, as op\u00e7\u00f5es de trabalho, a escolariza\u00e7\u00e3o, o controle da sexualidade, a gravidez indesejada s\u00e3o fatores que, para a coordenadora do trabalho, podem levar ao casamento infantil. O relat\u00f3rio tamb\u00e9m mostra que os meninos adolescentes, da mesma idade que as meninas casadas, s\u00e3o desprezados como parceiros por causa da percep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o s\u00e3o respons\u00e1veis nem provedores.<\/p>\n<p>Alice Taylor informou que o Promundo trabalha em diversos pa\u00edses pela igualdade de g\u00eanero, a preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra as mulheres e, h\u00e1 cerca de dois anos, com direitos das crian\u00e7as e adolescentes. Ela lembrou que, no Brasil, h\u00e1 trabalhos importantes e avan\u00e7os sobre temas como gravidez na adolesc\u00eancia, evas\u00e3o escolar, explora\u00e7\u00e3o sexual e infantil, mas ainda n\u00e3o havia sido explorada a quest\u00e3o do casamento e como esses relacionamentos de crian\u00e7as e adolescentes est\u00e3o ligados a outras quest\u00f5es. \u201c\u00c9 importante que o tema tenha visibilidade e seja discutido em v\u00e1rios ambientes da sociedade civil. A primeira etapa \u00e9 dialogar, \u00e9 um tema que existe e \u00e9 preciso pensar como deve ser articulado dentro de pol\u00edticas p\u00fablicas, quais os tipos de sistema e direitos que poderiam ser melhorados\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da abordagem a homens e meninos, como pais e futuros maridos, Alice acrescentou que \u00e9 preciso melhorar a legisla\u00e7\u00e3o, para n\u00e3o ter tantas ambiguidades. \u201cA legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o abrange tudo, poque nem todos os casamentos s\u00e3o civis ou religiosos. Mas os casamentos informais t\u00eam os mesmos tipos de consequ\u00eancias que os formais\u201d.<\/p>\n<p>Conforme estimativa apresentada no relat\u00f3rio, o Brasil ocupa o quarto lugar no mundo em n\u00fameros absolutos de mulheres casadas at\u00e9 os 15 anos. S\u00e3o 877 mil mulheres, com idade entre 20 e 24 anos, que se casaram at\u00e9 os 15 anos (11%). Entre mulheres com idade de 20 a 24 anos, estima-se que 36% (aproximadamente 3 milh\u00f5es)  se casaram aos 18 anos. Em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, os n\u00edveis de ocorr\u00eancia s\u00e3o maiores apenas na Rep\u00fablica Dominicana e Nicar\u00e1gua. (Ag\u00eancia Brasil)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estimular o envolvimento paterno na vida das filhas de forma ativa \u00e9 uma das principais maneiras de evitar o casamento na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia. A estrat\u00e9gia faz parte das recomenda\u00e7\u00f5es do relat\u00f3rio Ela vai no meu barco &#8211; Casamento na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia no Brasil, que ser\u00e1 lan\u00e7ado hoje (9) pelo Instituto Promundo. 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