{"id":67939,"date":"2015-09-08T18:30:24","date_gmt":"2015-09-08T21:30:24","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=67939"},"modified":"2015-09-08T18:30:24","modified_gmt":"2015-09-08T21:30:24","slug":"sec-abre-edital-para-valorizar-a-cultura-indigena-em-minas-gerais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=67939","title":{"rendered":"SEC abre edital para valorizar a cultura ind\u00edgena em Minas Gerais"},"content":{"rendered":"<p>A\u00a0Secretaria de Estado de Cultura (SEC)\u00a0lan\u00e7ou, nesta ter\u00e7a-feira (8\/9), na Cidade Administrativa, o edital de Premia\u00e7\u00e3o das Festas Tradicionais das Comunidades Ind\u00edgenas ou Grupos Tribais. Ser\u00e3o oferecidos R$ 195 mil em recursos, num processo desburocratizado e democr\u00e1tico. O montante ser\u00e1 distribu\u00eddo levando em considera\u00e7\u00e3o os povos ind\u00edgenas aldeados, localizados nas diferentes regi\u00f5es de Minas. As inscri\u00e7\u00f5es est\u00e3o abertas de 9 de setembro a 9 de outubro de 2015.<\/p>\n<p>Durante o lan\u00e7amento do edital, o secret\u00e1rio de Estado de Cultura, Angelo Oswaldo, destacou a import\u00e2ncia da cultura para os povos ind\u00edgenas. \u201cAcreditamos que pela for\u00e7a e energia da cultura, povos ind\u00edgenas, como os Patax\u00f3s, podem resgatar seus valores e ganhar a cada dia o devido e leg\u00edtimo lugar. Este edital \u00e9 apenas o in\u00edcio do nosso trabalho em prol a esses, que trouxeram independ\u00eancia e identidade ao nosso pa\u00eds\u201d, disse o secret\u00e1rio.<\/p>\n<p>J\u00e1 o secret\u00e1rio de\u00a0Trabalho e Desenvolvimento Social, Andr\u00e9 Quint\u00e3o, reafirmou o total apoio do Governo Pimentel \u00e0s comunidades ind\u00edgenas, em todas as \u00e1reas, desde educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade \u00e0 inclus\u00e3o produtiva. \u201cDesde o in\u00edcio desta gest\u00e3o temos refor\u00e7ado o di\u00e1logo com as comunidades ind\u00edgenas e grupos tribais para enfim encontrar os caminhos corretos para o atendimento t\u00e3o urgente \u00e0s suas necessidades. Parabenizo a Secretaria de Cultura por encontrar, em uma forma democr\u00e1tica e sem burocracias, a maneira ideal de enaltecer essas manifesta\u00e7\u00f5es culturais t\u00e3o enraizadas na nossa hist\u00f3ria\u201d, considerou o secret\u00e1rio.<\/p>\n<p>O cacique Mezaque Silva de Jesus, da etnia Patax\u00f3, enalteceu a postura do Governo. \u201cHoje percebemos realmente como o Governo mudou. H\u00e1 tempos buscamos ajuda, incentivo e apoio do Estado para nossas a\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o havia di\u00e1logo, principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s nossas express\u00f5es culturais, que mant\u00eam viva at\u00e9 hoje a tradi\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas. Este edital prova como o di\u00e1logo prop\u00edcia a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e programas efetivos, como o Pr\u00eamio Comunidades Ind\u00edgenas\u201d, finalizou o cacique.<\/p>\n<p>O edital respeita os princ\u00edpios da legalidade, isonomia e impessoalidade, uma vez que o mesmo estar\u00e1 aberto para todos os povos ind\u00edgenas aldeados existentes em Minas Gerais e suas comunidades. Ser\u00e3o premiadas festas tradicionais das comunidades ind\u00edgenas, de acordo com os crit\u00e9rios estabelecidos no edital, dando visibilidade \u00e0s express\u00f5es culturais destes povos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/valorizacao_indios_mg.jpg\" alt=\"\" \/><em>SEC abre edital para valorizar a cultura ind\u00edgena &#8211; Foto: Marcelo SantAnna\/Imprensa-MG<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Os povos ind\u00edgenas aldeados<\/strong><\/p>\n<p><strong>Xacriab\u00e1<\/strong><\/p>\n<p>O Povo Xakriab\u00e1 est\u00e1 localizado no Munic\u00edpio de S\u00e3o Jo\u00e3o das Miss\u00f5es, Norte de Minas Gerais, no Vale do Rio S\u00e3o Francisco, entre os rios Itacarambi e Perua\u00e7u, na diocese de Janu\u00e1ria. Sua popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 estimada em aproximadamente 8.000 ind\u00edgenas, distribu\u00eddos em 31 aldeias. Com uma extens\u00e3o de aproximadamente 51.900 hectares, o territ\u00f3rio ind\u00edgena Xakriab\u00e1 est\u00e1 dividido em duas \u00e1reas distintas. Situados na regi\u00e3o do semi-\u00e1rido, os maiores problemas dos Xakriab\u00e1 s\u00e3o a conviv\u00eancia com a seca e a car\u00eancia de alternativas de sobreviv\u00eancia auto-sustent\u00e1veis. Parte da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena mora na cidade e reivindicam da Funai\/Governo Federal\u00a0 a revis\u00e3o dos limites do seu territ\u00f3rio tradicional.<\/p>\n<p><strong>Patax\u00f3<\/strong><\/p>\n<p>Os Patax\u00f3 vivem na regi\u00e3o Leste de Minas, nos munic\u00edpios de Carm\u00e9sia, Guanh\u00e3es, A\u00e7ucena e em Itapecerica, na regi\u00e3o Centro-Oeste. Sua popula\u00e7\u00e3o \u00e9 de aproximadamente 350 ind\u00edgenas, distribu\u00eddos em 06 aldeias.\u00a0 O maior territ\u00f3rio ind\u00edgena Pataxo Carm\u00e9sia, uma fazenda constitu\u00edda de 3.270 hectares, com tr\u00eas comunidades. A \u00e1rea ind\u00edgena chamada de Fazenda Guarani possui clima frio e terra de boa qualidade, por\u00e9m esgotada pelo plantio sucessivo de caf\u00e9. A \u00e1rea de matas preservada pelos \u00edndios foi destru\u00edda no final do ano de 2003 por um inc\u00eandio florestal. Isto levou a um comprometimento das fontes de \u00e1gua e a oferta de mat\u00e9rias-primas para a produ\u00e7\u00e3o de artesanato, principal fonte de renda do grupo.<\/p>\n<p><strong>Maxacali<\/strong><\/p>\n<p>Localizados na regi\u00e3o do Vale do Mucuri, os Maxakali vivem nos munic\u00edpios de Bert\u00f3polis, Ladainha, Te\u00f3filo Otoni e Santa Helena de Minas, com uma popula\u00e7\u00e3o de aproximadamente 1.700 pessoas. O territ\u00f3rio tradicional est\u00e1 confinado numa \u00e1rea de 5.293 hectares, totalmente devastada. \u00c9 dividido em duas aldeias: \u00c1gua Boa e Pradinho, nos munic\u00edpios de Bert\u00f3polis e Santa Helena. O povo Maxakali, s\u00edmbolo de resist\u00eancia, \u00e9 o que mais sofre com o empobrecimento compuls\u00f3rio. Para os Maxakali de cultura semin\u00f4made, a perda da sua base de sustenta\u00e7\u00e3o e de suas terras \u00e9 o fator principal do seu empobrecimento, constituindo hoje o maior problema para sua sobreviv\u00eancia f\u00edsica e cultural.<\/p>\n<p><strong>Krenak<\/strong><\/p>\n<p>O povo Krenak tem uma trajet\u00f3ria hist\u00f3rica de andan\u00e7as entre os Estados de Minas e Esp\u00edrito Santo, perseguidos pelos colonizadores, mas sempre habitando a margem esquerda do Rio Doce. Com uma \u00e1rea de 4.000 hectares, os Krenak vivem no munic\u00edpio de Resplendor. Sua popula\u00e7\u00e3o \u00e9 de aproximadamente 250 pessoas, marcada pela forte presen\u00e7a de jovens e crian\u00e7as. Os Krenak obtiveram em 1997 o direito a ocuparem parte do seu antigo territ\u00f3rio e, atualmente, buscam criar condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia nesta \u00e1rea. Atualmente, reivindicam a devolu\u00e7\u00e3o de parte do seu territ\u00f3rio, transformado em Parque Estadual dos Sete Sal\u00f5es, criado pelo decreto do Governo de Minas Gerais.<\/p>\n<p>Outro conflito que envolve os Krenak \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica Aimor\u00e9s, que trouxe s\u00e9rios preju\u00edzos ao ecossistema local, bem como a repara\u00e7\u00e3o de danos causados pela constru\u00e7\u00e3o da estrada ferrovi\u00e1ria Vit\u00f3ria-Minas, que atravessa suas terras.<\/p>\n<p><strong>Kaxix\u00f3<\/strong><\/p>\n<p>Localizados no vale do Rio Par\u00e1, Centro Oeste de Minas, este Povo h\u00e1 vinte anos vem lutando pelo reconhecimento de suas terras tradicionais. Com uma popula\u00e7\u00e3o de 480 pessoas, os Kaxix\u00f3 est\u00e3o dispersos pelos munic\u00edpios de Pomp\u00e9u e Martinho Campos. A principal reivindica\u00e7\u00e3o \u00e9 a demarca\u00e7\u00e3o de suas terras e a melhoria das suas condi\u00e7\u00f5es de vida, marcada pelo sub- emprego em fazendas da regi\u00e3o que ocupam suas terras.<\/p>\n<p><strong>Pankarar\u00fa<\/strong><\/p>\n<p>Oriundo do Estado de Pernambuco, este povo percorreu os Estados de Goi\u00e1s, Tocantins, Bras\u00edlia e finalmente Minas Gerais. O Povo Pankararu em Minas \u00e9 composto por um grupo familiar que foi retirado de seu territ\u00f3rio tradicional pela FUNAI para dar lugar a uma hidrel\u00e9trica. Nos anos 80 vieram para Minas e foram morar na Fazenda Guarani com o Povo Patax\u00f3. Hoje, localizados no munic\u00edpio de Coronel Murta, est\u00e3o situados em duas \u00e1reas distintas. Parte do grupo vive numa \u00e1rea doada pela Diocese de Ara\u00e7ua\u00ed e em uma reserva comprada no ano de 2006. A outra parte criou a aldeia Cinta Vermelha Jundiba, formada com a presen\u00e7a do povo Patax\u00f3, \u00e0s margens do Rio Jequitinhonha, no munic\u00edpio de Ara\u00e7ua\u00ed. A popula\u00e7\u00e3o atual \u00e9 de 89 pessoas nas duas aldeias.<\/p>\n<p><strong>Xucuru-Kariri<\/strong><\/p>\n<p>Origin\u00e1rios de Pernambuco, os Xukuru-Kariri conquistaram em 2001 uma faixa de terra no munic\u00edpio de Caldas, Sul de Minas. A popula\u00e7\u00e3o \u00e9 de aproximadamente 120 pessoas, sendo a maioria formada por jovens. Esta \u00e1rea era uma fazenda experimental do Minist\u00e9rio da Agricultura que foi doada \u00e0 FUNAI para usufruto deste povo.<\/p>\n<p><strong>Mukurim<\/strong><\/p>\n<p>Os Mukurim vivem em pequenas \u00e1reas rurais localizadas no munic\u00edpio de Itambacuri e Campan\u00e1rio, regi\u00e3o do antigo aldeamento mission\u00e1rio dos Capuchinhos. S\u00e3o descendentes de v\u00e1rios povos ind\u00edgenas da fam\u00edlia Botocudo, que foram aldeados no s\u00e9culo XVII e XVIII. Calcula-se que cerca de 200 ind\u00edgenas est\u00e3o se organizando para ter direito a demarca\u00e7\u00e3o desta \u00e1rea como reserva ind\u00edgena, bem como o reconhecimento por parte do Governo Federal da sua identidade \u00e9tnica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A\u00a0Secretaria de Estado de Cultura (SEC)\u00a0lan\u00e7ou, nesta ter\u00e7a-feira (8\/9), na Cidade Administrativa, o edital de Premia\u00e7\u00e3o das Festas Tradicionais das Comunidades Ind\u00edgenas ou Grupos Tribais. Ser\u00e3o oferecidos R$ 195 mil em recursos, num processo desburocratizado e democr\u00e1tico. O montante ser\u00e1 distribu\u00eddo levando em considera\u00e7\u00e3o os povos ind\u00edgenas aldeados, localizados nas diferentes regi\u00f5es de Minas. 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