{"id":66172,"date":"2015-08-22T13:31:56","date_gmt":"2015-08-22T16:31:56","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=66172"},"modified":"2015-08-22T13:31:56","modified_gmt":"2015-08-22T16:31:56","slug":"mesmo-com-fim-do-maior-hospicio-do-brasil-barbacena-ainda-registra-171-pacientes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=66172","title":{"rendered":"Mesmo com fim do maior hosp\u00edcio do Brasil, Barbacena ainda registra 171 pacientes"},"content":{"rendered":"<p>No alto da serra, na fria e buc\u00f3lica cidade de Barbacena, em Minas Gerais, pessoas com transtornos mentais passeiam diariamente nos quintais dos pr\u00e9dios onde funcionava o maior hosp\u00edcio do Brasil, o Col\u00f4nia. Hoje, o local abriga o Centro Hospitalar Psiqui\u00e1trico de Barbacena e conta com 171 pacientes em regime de interna\u00e7\u00e3o de longa perman\u00eancia. Mesmo com o fim do manic\u00f4mio, eles continuaram internados porque n\u00e3o tinham v\u00ednculo familiar nem para onde ir.<\/p>\n<p>Chama a aten\u00e7\u00e3o no hospital a quantidade de pessoas que aproveitam o passeio no quintal para fumar. O v\u00edcio \u00e9 uma marca do passado no antigo hosp\u00edcio. O cigarro era usado como moeda de troca no Col\u00f4nia. O paciente que se comportasse ganhava o fumo para enrolar e tragar. Na \u00e9poca, dizia-se que o v\u00edcio era um poderoso rem\u00e9dio para acalmar. Outra heran\u00e7a do manic\u00f4mio \u00e9 o h\u00e1bito de ficar horas se arrastando pelo ch\u00e3o. Para eles \u00e9 muito dif\u00edcil perder esse costume depois de passar grande parte da vida em um lugar onde n\u00e3o havia cadeiras nem camas suficientes para todos.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que acontecia na \u00e9poca do hosp\u00edcio, quando os pacientes passavam o dia todo vagando nos p\u00e1tios, hoje cada um tem uma atividade. As preferidas s\u00e3o os trabalhos artesanais, principalmente de costura, tape\u00e7aria e desenho. Todos os dias, dona Eunice dos Santos vai ao Centro de Atendimento ao Paciente Asilar para fazer pe\u00e7as de tape\u00e7aria. Aos 56 anos, ela se orgulha em dizer que acorda antes das 6h para trabalhar. \u201cA minha vida \u00e9 essa, s\u00f3 bordar\u201d.<\/p>\n<p>O resultado dos trabalhos mostra que pessoas com transtornos mentais n\u00e3o s\u00e3o incapazes, mesmo quando existem ainda mais obst\u00e1culos a serem enfrentados. Aparecida Silva \u00e9 cega, surda e muda. Internada desde 1967, provavelmente sem dist\u00farbios mentais, ela faz o maior sucesso com sua habilidade em costurar colchas de retalhos. As pe\u00e7as s\u00e3o disputadas entre funcion\u00e1rios e visitantes do local.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/hospicio_barbacena.jpg\" alt=\"\" \/><em>Fachada do Col\u00f4nia, conhecido com o maior hosp\u00edcio do Brasil. Hoje, o local abriga o Centro Hospitalar Psiqui\u00e1trico de Barbacena e conta com 171 pacientes em regime de interna\u00e7\u00e3o de longa perman\u00eancia &#8211; Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/TV Brasil<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Em 1989, teve in\u00edcio o projeto dos m\u00f3dulos residenciais. O lugar recebe pacientes que se preparam para sair da interna\u00e7\u00e3o. No pr\u00f3prio terreno do hospital, cinco m\u00f3dulos que parecem casas abrigam hoje pouco mais de 100 pacientes.<\/p>\n<p>Wanda Darlu, que trabalha como assistente social no projeto, explica que os pacientes voltam, pouco a pouco, ao conv\u00edvio social. \u201cNessa prepara\u00e7\u00e3o est\u00e3o passeios na rua para se acostumarem com a popula\u00e7\u00e3o, porque eles perderam o v\u00ednculo com a comunidade. Vamos ao shopping, \u00e0 pastelaria, ao mercado e compramos roupas\u201d, explica Darlu.<\/p>\n<p>Donizete Silva, 65 anos, sai do hospital, com acompanhamento, para comprar os CDs e DVDs preferidos. Tamb\u00e9m gosta de dar umas voltinhas pela rua e ajudar o padre. \u201cEu vou \u00e0 missa e balan\u00e7o o sino do padre, eu ajudo mesmo\u201d, conta, todo orgulhoso, o senhor grisalho que n\u00e3o lembra quantos anos tem, mas j\u00e1 est\u00e1 internado h\u00e1 34 anos.<\/p>\n<p>Muitos deles j\u00e1 t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de morar em resid\u00eancias terap\u00eauticas, casas para pessoas com transtorno mental que ficam no meio da cidade.Nesses equipamentos, as pessoas t\u00eam acompanhamento de diversos profissionais.<\/p>\n<p>De acordo com o diretor do hospital psiqui\u00e1trico, Wander Lopes, o processo de alugar as casas, equip\u00e1-las, contratar os cuidadores, assistentes sociais e psic\u00f3logos \u00e9 lento. \u201cOs munic\u00edpios s\u00e3o respons\u00e1veis pelas resid\u00eancias terap\u00eauticas. Os pacientes s\u00f3 saem do hospital se as prefeituras fornecerem a estrutura necess\u00e1ria\u201d, afirma Lopes.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Ag\u00eancia Brasil)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No alto da serra, na fria e buc\u00f3lica cidade de Barbacena, em Minas Gerais, pessoas com transtornos mentais passeiam diariamente nos quintais dos pr\u00e9dios onde funcionava o maior hosp\u00edcio do Brasil, o Col\u00f4nia. Hoje, o local abriga o Centro Hospitalar Psiqui\u00e1trico de Barbacena e conta com 171 pacientes em regime de interna\u00e7\u00e3o de longa perman\u00eancia. 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