{"id":65762,"date":"2015-08-17T10:53:46","date_gmt":"2015-08-17T13:53:46","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=65762"},"modified":"2015-08-17T10:53:46","modified_gmt":"2015-08-17T13:53:46","slug":"igreja-do-sagrado-coracao-de-jesus-em-biribiri-sera-restaurada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=65762","title":{"rendered":"Igreja do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, em Biribiri, ser\u00e1 restaurada"},"content":{"rendered":"<p>Fechada h\u00e1 quase 20 anos por causa do risco de desabamento, a Igreja do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus em Biribiri, um buc\u00f3lico povoado de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, enfim ser\u00e1 restaurada. O templo, erguido em 1876 e cercado por palmeiras imperiais, \u00e9 tido como uma rel\u00edquia da arquitetura no Brasil, com caracter\u00edsticas dos estilos rococ\u00f3 e ecl\u00e9tico.<\/p>\n<p>A obra ser\u00e1 feita em duas fases. A primeira, de cunho emergencial, come\u00e7a hoje, quando ocorrer\u00e1 o escoramento interno da estrutura. At\u00e9 o fim do ano, o telhado ser\u00e1 reconstru\u00eddo e interven\u00e7\u00f5es no solo e subsolo v\u00e3o eliminar o risco de infiltra\u00e7\u00e3o, a principal causa do risco de desabamento. \u201cDrenagens v\u00e3o conter o curso d\u2019\u00e1gua superficial e o profundo\u201d, explicou Soraia Aparecida Martins Farias, diretora de Conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o do Instituto Estadual do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico de Minas Gerais (Iepha).<\/p>\n<p>Essa fase est\u00e1 prevista para ser conclu\u00edda no fim de 2015 e foi or\u00e7ada em R$ 200 mil. O investimento ser\u00e1 bancado pela Associa\u00e7\u00e3o dos Moradores da Vila de Biribiri e pela Estamparia S.A., a empresa de tecidos propriet\u00e1ria do templo e de mais duas das 33 constru\u00e7\u00f5es do povoado. \u201cA igreja precisa urgentemente de interven\u00e7\u00f5es. H\u00e1 poucos dias, um peda\u00e7o do telhado caiu\u201d, alertou o presidente da associa\u00e7\u00e3o, Juscelino Brasiliano Roque, que nasceu no dia da inaugura\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia e cujo nome homenageia Juscelino Kubitschek (1902-1976), natural de Diamantina, e o pr\u00f3prio Brasil.<\/p>\n<p>Anteontem, o xar\u00e1 do ex-presidente da Rep\u00fablica se reuniu com a diretora do Iepha e representantes da Estamparia. A segunda fase da obra est\u00e1 prevista para come\u00e7ar no primeiro trimestre de 2016, mas sua conclus\u00e3o est\u00e1 condicionada a recurso em caixa. O valor ainda n\u00e3o foi calculado. A expectativa \u00e9 que seja conclu\u00edda em at\u00e9 18 meses ap\u00f3s o in\u00edcio das interven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O projeto arquitet\u00f4nico \u00e9 de autoria da arquiteta e urbanista Rafaele Bogatzky. Toda a obra precisa ser supervisionada pelo Iepha, pois o conjunto arquitet\u00f4nico do lugarejo \u00e9 tombado pelo \u00f3rg\u00e3o desde 1998. O Minist\u00e9rio P\u00fablico de Minas Gerais (MPMG) tamb\u00e9m deve acompanhar os procedimentos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/reforma_igrejinha_biribiri_1.jpg\" alt=\"\" \/><em>Com caracter\u00edsticas dos estilos rococ\u00f3 e ecl\u00e9tico, a Igreja do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus come\u00e7a a ser restaurada hoje com escoramento emergencial &#8211; Foto: T\u00falio Santos \/ EM \/ D.A.Press<\/em><br \/>\n<\/br> <\/p>\n<p>O acervo do templo \u2013 imagens sacras, casti\u00e7ais, bancos, documentos e um \u00f3rg\u00e3o \u2013 foram levados para Diamantina, onde ficar\u00e3o durante a restaura\u00e7\u00e3o. J\u00e1 o sino, constru\u00eddo em 1888, e o rel\u00f3gio, doado pela fam\u00edlia real no fim do s\u00e9culo 18, continuam na fachada da constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre a porta principal e o cercado que protege o templo, o \u00fanico t\u00famulo do lugarejo. Nele, encontra-se sepultado o corpo do senador Joaquim Fel\u00edcio dos Santos (1822-1895), um dos autores do C\u00f3digo Civil que vigorou at\u00e9 2003. Ele foi um dos fundadores da vila. <\/p>\n<p><strong>ORIGEM<\/strong><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, constru\u00edda com \u201cas melhores pedras do solo de Diamantina\u201d, como muita gente faz quest\u00e3o de ressaltar, confunde-se com a de Biribiri, cujo nome em tupi-guarani \u00e9 buraco fundo. A vila, a 12 quil\u00f4metros do Centro Hist\u00f3rico de Diamantina e a 300 de Belo Horizonte, foi constru\u00edda para abrigar uma f\u00e1brica de tecidos e seus funcion\u00e1rios. <\/p>\n<p>O local contava com moradias, escola, armaz\u00e9m, barbearia etc. No augue da produ\u00e7\u00e3o, mais de 1 mil pessoas trabalharam no lugar. Havia at\u00e9 imigrantes, que manuseavam alguns dos mais de 100 teares movidohs pela energia el\u00e9trica produzida numa usina constru\u00edda no pr\u00f3prio povoado. <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/reforma_igrejinha_biribiri_2.jpg\" alt=\"\" \/><em>Instala\u00e7\u00f5es da f\u00e1brica de tecidos que deu origem \u00e0 vila: fechamento em 1973 transformou o local numa cidade-fantasma, hoje em recupera\u00e7\u00e3o &#8211; Foto: T\u00falio Santos \/ EM \/ D.A.Press<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>O alto custo da linha de montagem e o da distribui\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, inviabilizaram as atividades na f\u00e1brica em 1973. As fam\u00edlias migraram para outras bandas em raz\u00e3o da falta de emprego. No in\u00edcio dessa d\u00e9cada, por exemplo, apenas quatro pessoas residiam no lugarejo: dois caseiros e a mulher e a filha de um deles. <\/p>\n<p>Os quatro cuidavam do Mequetrefe, um vira-lata que apareceu por l\u00e1. Naquela \u00e9poca, Biribiri era carinhosamente lembrada como \u201ccidade-fantasma\u201d. Em 2013, a Estamparia decidiu negociar os 33 im\u00f3veis, devido ao alto custo de manuten\u00e7\u00e3o da vila. Apenas a igreja, a casa que servia de abrigo para a fam\u00edlia do gerente da f\u00e1brica e o galp\u00e3o dela n\u00e3o foram negociados. <\/p>\n<p>Um dos compradores foi Juscelino, o presidente da associa\u00e7\u00e3o dos moradores: \u201cCelebra\u00e7\u00f5es religiosas voltar\u00e3o a ocorrer na igreja\u201d. O templo continuar\u00e1 em sua cor original, branca. Ali\u00e1s, uma das regras no lugarejo \u00e9 preservar a fachada e a cor original das constru\u00e7\u00f5es, que t\u00eam portas e janelas azuis. <\/p>\n<p>O local desperta com frequ\u00eancia a aten\u00e7\u00e3o de escritores e produtores culturais. L\u00e1 foram gravados os filmes Dan\u00e7a dos bonecos, de Helv\u00e9cio Raton; Xica da Silva, de Cac\u00e1 Diegues; e A hora e a vez de Augusto Matraga, de Vin\u00edcius Coimbra. Na tev\u00ea, cenas da novela Irm\u00e3os coragem. <\/p>\n<p>O lugarejo tamb\u00e9m foi homenageado pela literatura. Em 1893, a ent\u00e3o adolescente Helena Caldeira Brant escreveu em seu di\u00e1rio que \u201cn\u00e3o teria pressa de ir para o c\u00e9u se morasse em Biribiri\u201d. Quase cinco d\u00e9cadas depois, sob o pseud\u00f4nimo de Helena Morley, ela transformou suas lembran\u00e7as de juventude no best-seller Minha vida de menina. <\/p>\n<p><strong>O NOVO PERFIL DO POVOADO<\/strong><\/p>\n<p>Biribiri surgiu para sediar uma f\u00e1brica de tecidos e ao mesmo tempo garantir emprego para mo\u00e7as carentes do Vale do Jequitinhonha. Depois de rotulada carinhosamente de cidade- fantasma, o lugarejo atrai recursos. Os novos propriet\u00e1rios dos im\u00f3veis do local d\u00e3o uma guinada na economia de l\u00e1. Biribiri agora tem pousada e dois restaurantes. Daqui a alguns meses, ganhar\u00e1 um hotel, uma loja, uma vin\u00edcola e um museu.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Jornal Estado de Minas)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fechada h\u00e1 quase 20 anos por causa do risco de desabamento, a Igreja do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus em Biribiri, um buc\u00f3lico povoado de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, enfim ser\u00e1 restaurada. 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