{"id":64737,"date":"2015-08-02T13:24:59","date_gmt":"2015-08-02T16:24:59","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=64737"},"modified":"2015-08-02T13:29:27","modified_gmt":"2015-08-02T16:29:27","slug":"oficina-forma-trabalhadores-para-restaurar-piso-em-ruas-historicas-de-diamantina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=64737","title":{"rendered":"Oficina forma trabalhadores para restaurar piso em ruas hist\u00f3ricas de Diamantina"},"content":{"rendered":"<p>Pela primeira vez em sua hist\u00f3ria, Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, v\u00ea restaurado o piso de pedras do n\u00facleo tombado desde 1938 pelo patrim\u00f4nio nacional. A partir de uma oficina com 12 trabalhadores, que resultou num canteiro-escola, o servi\u00e7o foi feito inicialmente numa \u00e1rea de 120 metros quadrados em frente \u00e0 catedral, no Centro. A pr\u00f3xima etapa, segundo o secret\u00e1rio municipal de Cultura, Turismo e Patrim\u00f4nio, Walter Cardoso Fran\u00e7a J\u00fanior, ser\u00e1 recuperar trechos das ruas Esp\u00edrito Santo e Macau de Cima. \u201cTrata-se de um trabalho longo, ousado. Os lugares est\u00e3o muito danificados, s\u00e3o necess\u00e1rios cuidado e t\u00e9cnica\u201d, diz o secret\u00e1rio, explicando que tamb\u00e9m est\u00e1 no planejamento a Rua da Gl\u00f3ria, onde se encontra um dos cart\u00f5es-postais da cidade, o Passadi\u00e7o da Casa da Gl\u00f3ria, constru\u00e7\u00e3o do fim do s\u00e9culo 18.<\/p>\n<p>Para a primeira turma da Oficina de Calceteiros\/Acerta Pedra foram convocados trabalhadores, agora capacitados e diplomados, cujo trabalho tem conex\u00e3o direta com o servi\u00e7o nas ruas, e, portanto, com a manuten\u00e7\u00e3o do cal\u00e7amento: seis da prefeitura, que est\u00e1 \u00e0 frente da empreitada, e outro tanto da Copasa, patrocinadora da iniciativa. Tudo em parceria com o Projeto Acerta Pedra, criado pelo morador Ricardo Lopes Rocha, com supervis\u00e3o do Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan), respons\u00e1vel pelo tombamento do Centro Hist\u00f3rico. \u201c\u00c9 trabalho nota 10, realmente pioneiro e da maior import\u00e2ncia para a cidade\u201d, afirma o chefe do escrit\u00f3rio da institui\u00e7\u00e3o federal, arquiteto Junno Marins da Matta.<\/p>\n<p>As atividades inclu\u00edram aulas pr\u00e1ticas durante uma semana, com palestras de especialistas como o arquiteto Junno e orienta\u00e7\u00f5es de calceteiros experientes. E ainda a instala\u00e7\u00e3o do canteiro-escola, atividade a c\u00e9u aberto que permitiu o acompanhamento do trabalho pelos moradores. De forma in\u00e9dita, explica Walter, o projeto foi concebido como \u201cvitrine viva\u201d, sendo executadas a reposi\u00e7\u00e3o do cascalho e de areia fina, compacta\u00e7\u00e3o da rua, composi\u00e7\u00e3o dos tra\u00e7os, alinhamento e nivelamento. Em nenhum momento foi usado cimento.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/calceteiros_dtna_8.jpg\" alt=\"\" \/><em>Primeiro trabalho de restauro foi feito em uma \u00e1rea de 120 metros quadrados em frente \u00e0 catedral, no Centro da cidade &#8211; Foto: Ricardo Luizz \/ Divulga\u00e7\u00e3o Prefeitura de Diamantina<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>RESGASTE <\/strong><\/p>\n<p>\u201cNosso objetivo \u00e9 resgatar a t\u00e9cnica do cal\u00e7amento para formar m\u00e3o de obra jovem e possibilitar a recupera\u00e7\u00e3o do piso hist\u00f3rico de maneira gradual e cont\u00ednua. Os 12 profissionais que participaram s\u00e3o pessoas que est\u00e3o o tempo todo na rua. Com o curso de capacita\u00e7\u00e3o, ter\u00e3o outra vis\u00e3o do patrim\u00f4nio\u201d, acredita o secret\u00e1rio. Com 30 anos de prefeitura, o funcion\u00e1rio da Secretaria Municipal de Obras, o diamantinense Adilson Geraldo de Souza, de 48, conta que aprendeu muito.<\/p>\n<p>\u201cMais do que isso, aprimorei meu conhecimento. Gosto muito da minha cidade e quero zelar por ela. As informa\u00e7\u00f5es recebidas nas aulas, certamente, ser\u00e3o multiplicadas entre os colegas\u201d, disse Adilson.<\/p>\n<p>A expectativa da Prefeitura de Diamantina \u00e9 disseminar cada vez mais a arte dos calceiteiros, nome do profissional encarregado de fazer o servi\u00e7o, e formar novas turmas, destsa vez com moradores. \u201cOs alunos ter\u00e3o oportunidade de abrir microempresas, e, para tanto, temos o apoio do Sebrae Minas\u201d, prev\u00ea Walter.<\/p>\n<p>Restaurar piso como o de Diamantina exige m\u00e3o de obra qualificada e gente capacitada. Na \u00e1rea trabalhada em frente \u00e0 catedral, a equipe encontrou emendas, peda\u00e7os de cimentos, cacos e outros material que desvituavam completamente o desenho original. E fez descobertas. \u201cRecuperamos, por exemplo, o formato de cruz com o resplendor formado pelas pedras, que ningu\u00e9m via com clareza\u201d, disse o secret\u00e1rio. Ele destacou que, de maneira ampla, as pedras formam um tabuleiro de xadrez, com uma linha (longa) e os matac\u00f5es, pedras menores que preenchem o espa\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>BANCO DE PEDRAS<\/strong><\/p>\n<p>A Oficina de Calceteiros\/Acerta Pedra marca um novo tempo em Diamantina, cidade com 320 anos de hist\u00f3ria e expoente do Circuito Estrada Real. O arquiteto Junno ressalta que \u00e9 fundamental a cria\u00e7\u00e3o de um banco de pedras \u2013 no projeto, foi usado quartzito \u2013 para execu\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o. \u201cN\u00e3o \u00e9 muito f\u00e1cil conseguir esse material de uma hora para outra, ent\u00e3o todas as empresa e \u00f3rg\u00e3os, incluindo a prefeitura, que fizerem algum servi\u00e7o no cal\u00e7amento devem ter uma reserva de pedra para reposi\u00e7\u00e3o\u201d, explica o chefe do escrit\u00f3rio do Iphan. Da mesma forma, ser\u00e1 necess\u00e1rio, em cada equipe, um funcion\u00e1rio que tenha feito o curso. \u201cFoi muito bom a popula\u00e7\u00e3o ver o pessoal aprendendo e trabalhando. Assim, poder\u00e1 exigir sempre um servi\u00e7o benfeito\u201d, concluiu Junno.<\/p>\n<p><strong>INSPIRA\u00c7\u00c3O VEM DE ROMA<\/strong><\/p>\n<p>Um dos \u00edcones de Diamantina, cantado em prosa e verso, o cal\u00e7amento comp\u00f5e o conjunto arquitet\u00f4nico do Centro e marca a hist\u00f3ria. Nos prim\u00f3rdios, as ruas foram recobertas por pedras vindas do garimpo \u2013 roli\u00e7as e parecendo um doce comum na regi\u00e3o, o p\u00e9 de moleque. Em meados do s\u00e9culo passado, de 1940 a 1960, o cal\u00e7amento foi substitu\u00eddo pelo atual, denominado romano ou recunhado.<\/p>\n<p>O novo estilo, praticamente \u00fanico no Brasil e inspirado nas cal\u00e7adas da Roma antiga, se caracteriza por ter as pedras perfeitamente encaixadas, sem espa\u00e7os entre elas, sendo que as pr\u00f3prias pedras d\u00e3o a estabilidade ao conjunto. Elas s\u00e3o colocadas apertadas umas \u00e0s outras, da\u00ed o nome \u201crecunhado\u201d, numa alus\u00e3o \u00e0s cunhas de pedra que as apertam.<\/p>\n<p>Entre as pedras-laje, as \u201ccapistranas\u201d se destacam por ser mais largas e estar enfileiradas no meio da rua. Conforme a mem\u00f3ria oral, elas serviam para as damas passarem mais confortavelmente com seus saltos. As linhas ou tra\u00e7os s\u00e3o pedras-laje lapidadas para demarcar as vias de tr\u00e1fego. O entrecruzamento das linhas forma os canteiros, espa\u00e7os geralmente de dois por dois metros que s\u00e3o preenchidos por matac\u00f5es \u2013 pedras-laje sem forma definida, que preenchem os \u201ccanteiros\u201d para depois ser recunhadas com as lascas de pedra, provenientes do pr\u00f3prio processo de lapida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/calceteiros_dtna_1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/calceteiros_dtna_2.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/calceteiros_dtna_3.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/calceteiros_dtna_4.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/calceteiros_dtna_5.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/calceteiros_dtna_6.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><strong><em>(Fonte: Jornal Estado de Minas)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela primeira vez em sua hist\u00f3ria, Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, v\u00ea restaurado o piso de pedras do n\u00facleo tombado desde 1938 pelo patrim\u00f4nio nacional. 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