{"id":62402,"date":"2015-06-30T10:33:36","date_gmt":"2015-06-30T13:33:36","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=62402"},"modified":"2015-06-30T10:33:36","modified_gmt":"2015-06-30T13:33:36","slug":"crescimento-das-favelas-vira-um-problemao-para-cidades-do-interior-de-minas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=62402","title":{"rendered":"Crescimento das favelas vira um \u2018problem\u00e3o\u2019 para cidades do interior de Minas"},"content":{"rendered":"<h4><strong><em>Viol\u00eancia, tr\u00e1fico de drogas e a falta de saneamento b\u00e1sico, \u00e1gua e educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o alguns dos problemas enfrentados pelas fam\u00edlias de cidades de pequeno e m\u00e9dio porte que j\u00e1 convivem com o crescimento dos aglomerados.<\/em><\/strong><\/h4>\n<p>Elas j\u00e1 foram sin\u00f4nimo de \u00eaxodo rural e do crescimento desordenado das capitais e regi\u00f5es metropolitanas. Hoje, s\u00e3o uma das preocupa\u00e7\u00f5es das m\u00e9dias e pequenas cidades de Minas Gerais, que assistem, em muitos casos, ao avan\u00e7o das favelas e dos dramas vividos por quem mora em situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, pendurado nas encostas, em vielas e ruas sem asfalto \u2013 muitas vezes sem \u00e1gua tratada ou esgotamento sanit\u00e1rio \u2013 e \u00e0 merc\u00ea do tr\u00e1fico de drogas e da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Oficialmente, em Minas, s\u00f3 h\u00e1 favelas em 33 munic\u00edpios, a maioria delas concentrada em Belo Horizonte e regi\u00e3o metropolitana e em polos como Ipatinga, no Vale do A\u00e7o, Juiz de Fora, na Zona da Mata, Governador Valadares, no Rio Doce, e Montes Claros, no Norte do estado. Em cidades pequenas, com menos de 50 mil habitantes, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), elas s\u00f3 existem em 11 munic\u00edpios mineiros. Nos outros, s\u00e3o invis\u00edveis, j\u00e1 que, para o instituto, as favelas, ou, melhor, aglomerados urbanos subnormais, para usar a mesma terminologia do IBGE, precisam ter pelo menos um conjunto de 51 casas, independentemente do tamanho da cidade, para serem reconhecidas como tal.<\/p>\n<p>No entanto, para a Central \u00danica das Favelas (Cufa), entidade que em setembro ser\u00e1 premiada pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), favela \u00e9 qualquer aglomerado urbano com alto \u00edndice de exclus\u00e3o social. E elas existem em muitas das regi\u00f5es do estado, tanto que a Cufa j\u00e1 estendeu seu trabalho para cidades do interior do estado e de todo Brasil onde, oficialmente, n\u00e3o existem favelas. \u201cNo interior, o que tem acontecido \u00e9 a reprodu\u00e7\u00e3o, em menor escala, das favelas dos grandes centros, com todas as suas mazelas, como exclus\u00e3o social, falta de servi\u00e7os b\u00e1sicos e com\u00e9rcio de drogas com estruturas organizadas e disputa de gangues de traficantes\u201d, afirma Francis Henrique, de 36 anos, presidente da Cufa mineira e que assume em setembro o comando nacional da entidade. \u201cA favela avan\u00e7ou muito nos \u00faltimos anos em todo o Brasil. Se eu levar algu\u00e9m a uma favela de Mariana, cidade considerada patrim\u00f4nio hist\u00f3rico mundial, n\u00e3o vai ver muita diferen\u00e7a de uma favela da capital. \u00c0s vezes, essa situa\u00e7\u00e3o no interior \u00e9 at\u00e9 pior, porque as prefeituras pequenas t\u00eam menos recursos e em algumas situa\u00e7\u00f5es,  menos preocupa\u00e7\u00e3o com essa situa\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Francis. Segundo ele, muitos administradores p\u00fablicos, por preconceito, recha\u00e7am o termo favela. \u201cMas o que existe \u00e9 favela mesmo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A pequena Padre Para\u00edso \u00e9 um exemplo da faveliza\u00e7\u00e3o em munic\u00edpios do interior do estado. Cortada ao meio pela BR-116, a cidade, com cerca de 19 mil habitantes, chama a aten\u00e7\u00e3o de quem passa pela rodovia n\u00e3o por causa do portal que anuncia ser ali a entrada para o Vale do Jequitinhonha \u2013 uma das regi\u00f5es culturalmente mais ricas do estado, com uma popula\u00e7\u00e3o de quase 1 milh\u00e3o de habitantes, que sofre com a seca prolongada, que afeta a economia da regi\u00e3o \u2013, mas pela quantidade de casas incrustadas em dois morros. De longe, a imagem lembra os aglomerados dos grandes centros urbanos. De perto, a realidade n\u00e3o \u00e9 diferente. Muitas moradias s\u00e3o prec\u00e1rias, e l\u00e1 no topo de um dos dois morros, onde fica o mais recente conjunto habitacional da cidade, batizado de Bela Vista, as ruas s\u00e3o de terra e n\u00e3o h\u00e1 nenhum servi\u00e7o p\u00fablico, como creche ou escola. <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/favela_padre_paraiso.jpg\" alt=\"\" \/><em>Em Padre Para\u00edso, no Vale do Jequitinhonha, duas favelas foram erguidas entre dois morros na entrada da cidade de pequeno porte, com cerca de 19 mil habitantes &#8211; Foto: Gladyston Rodrigues \/ EM \/ D.A.Press<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<h4><strong><em>Sem infraestrutura<\/em><\/strong><\/h4>\n<p>O lix\u00e3o do munic\u00edpio fica a poucos metros de dist\u00e2ncia. N\u00e3o h\u00e1 nem mesmo transporte coletivo, o que contribui para a evas\u00e3o escolar e dificulta a vida da popula\u00e7\u00e3o, principalmente dos idosos. No dia em que a reportagem esteve na cidade, muitas crian\u00e7as n\u00e3o foram \u00e0 escola. A desculpa \u00e9 a ladeira \u00edngreme que consome 30 minutos de caminhada para ser vencida sob o sol do meio-dia. Consumidores de crack ficam zanzando pelo local e a cidade j\u00e1 registra casos de mendigos e moradores de rua. O Bela Vista \u00e9 controlado por uma gangue de traficantes, que rivaliza com os que comandam a distribui\u00e7\u00e3o e venda de drogas no Bairro Jo\u00e3o de Lino,  no morro do lado. A viol\u00eancia domina toda a cidade. Somente este ano, j\u00e1 foram 11 assassinatos. Ao todo, j\u00e1 foram registrados, at\u00e9 maio deste ano, 29 crimes violentos, contra cinco no mesmo per\u00edodo de 2012, quando essas estat\u00edsticas come\u00e7aram a ser divulgadas pelo governo do estado.<\/p>\n<p>Em outro bairro, o Caldeir\u00f5es, na regi\u00e3o mais plana da cidade, as casas n\u00e3o t\u00eam titula\u00e7\u00e3o, as ruas n\u00e3o s\u00e3o asfaltadas e a \u00e1gua n\u00e3o \u00e9 tratada. No local, moram cerca de 25 fam\u00edlias que se cotizaram e pagam uma taxa mensal para uma pessoa ligar a bomba que puxa \u00e1gua de uma mina tr\u00eas vezes ao dia. Ao lado desse pequeno aglomerado, novas ruas come\u00e7am a ser abertas para, segundo moradores, um conjunto que est\u00e1 sendo feito. Um dos moradores do local \u00e9 Arnaldo de Guerra Jesus, de 56, que comprou o terreno onde mora por R$ 3 mil. \u201cEstava vivendo de aluguel e n\u00e3o aguentava mais pagar, a\u00ed comprei este terreno e constru\u00ed esta casa\u201d, conta Arnaldo, que sobrevive transportando pessoas em um carro particular. Do lado dele, reside dona Jovina Rodrigues, 71 anos, que deixou a zona rural de Joa\u00edma, tamb\u00e9m no Vale, h\u00e1 cerca de oito anos e passou a viver de aluguel em Para\u00edso. Sem conseguir pagar, foi morar na casa que o filho, que mora e trabalha em Mato Grosso, construiu para ela. A prefeita de Padre Para\u00edso, Neia de Saulo, n\u00e3o foi localizada para comentar a situa\u00e7\u00e3o dos aglomerados da cidade.<\/p>\n<p>&#8211; 3,8% da popula\u00e7\u00e3o brasileira morava em favelas em 2000. Em 2010, esse percentual era de 6%, ou 11,4 milh\u00f5es de pessoas morando precariamente em todo o pa\u00eds;<\/p>\n<p>&#8211; Em 2010, existiam oficialmente 372 favelas em Minas Gerais, distribu\u00eddas em 33 munic\u00edpios, com uma popula\u00e7\u00e3o de 598,7 mil habitantes;<\/p>\n<p>&#8211; A menor cidade com registro de favela em Minas Gerais foi Bandeira, no Vale do Jequitinhonha, com 5,8 mil habitantes. \u00c9 um aglomerado de 167 casas com 585 moradores, batizado de Colina. A maior \u00e9 Belo Horizonte, com 87,7 mil habita\u00e7\u00f5es e 307 mil moradores em aglomerados.<\/p>\n<p><strong><em>(Fonte: Jornal Estado de Minas)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viol\u00eancia, tr\u00e1fico de drogas e a falta de saneamento b\u00e1sico, \u00e1gua e educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o alguns dos problemas enfrentados pelas fam\u00edlias de cidades de pequeno e m\u00e9dio porte que j\u00e1 convivem com o crescimento dos aglomerados. 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