{"id":60528,"date":"2015-06-05T09:48:48","date_gmt":"2015-06-05T12:48:48","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=60528"},"modified":"2015-06-05T09:48:48","modified_gmt":"2015-06-05T12:48:48","slug":"alimentos-como-a-batata-frita-ativam-o-cerebro-de-forma-parecida-com-a-cocaina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=60528","title":{"rendered":"Alimentos como a batata frita ativam o c\u00e9rebro de forma parecida com a coca\u00edna"},"content":{"rendered":"<h4><strong><em>Pesquisa conclui que alimentos com uma combina\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de carboidrato e gordura tem composi\u00e7\u00e3o viciante<\/em><\/strong><\/h4>\n<p>\u201cImposs\u00edvel comer um s\u00f3.\u201d O conhecido slogan de uma companhia de salgadinhos desafia o consumidor: quem \u00e9 capaz de guardar o pacote de guloseimas para terminar depois? Se voc\u00ea \u00e9 uma das v\u00edtimas da tenta\u00e7\u00e3o cal\u00f3rica, saiba que a ci\u00eancia explica a falta de controle que sentimos diante de uma por\u00e7\u00e3o de batatas fritas. Uma pesquisa publicada na Nature Sicentific Reports mostra como a combina\u00e7\u00e3o de carboidrato e gordura que comp\u00f5e essas del\u00edcias crocantes \u00e9 praticamente irresist\u00edvel para o c\u00e9rebro. Em um experimento com ratos, uma ra\u00e7\u00e3o feita a partir de composi\u00e7\u00e3o semelhante causou efeito similar ao do v\u00edcio na mente das cobaias, inibindo o sinal que avisa ao corpo que est\u00e1 na hora de parar de comer.<\/p>\n<p>O grupo de pesquisadores da Universidade de Erlangen-Nuremberga (FAU), na Alemanha, come\u00e7ou a estudar o efeito viciante das batatas fritas em animais de laborat\u00f3rio h\u00e1 alguns anos. Em outro artigo, os cientistas demonstraram como os bichos que comiam o salgadinho se comportavam como se estivessem dependentes, movendo-se constantemente em busca de mais comida. Mesmo com o est\u00f4mago cheio, os animais que tinham acesso ao alimento cal\u00f3rico continuavam comendo, e ganharam peso rapidamente.<\/p>\n<p>No novo trabalho, os cientistas queriam verificar se a fissura dos animais em laborat\u00f3rio pelas batatas fritas era resultado da densidade energ\u00e9tica do alimento \u2014 isto \u00e9, a concentra\u00e7\u00e3o de calorias por por\u00e7\u00e3o \u2014, ou se era a composi\u00e7\u00e3o que os levava a procurar a guloseima compulsivamente. Os pesquisadores desenvolveram ent\u00e3o uma ra\u00e7\u00e3o com receita similar \u00e0 da batata frita industrializada: 35% de gordura e 65% de carboidratos.<\/p>\n<p>Parte das cobaias teve a op\u00e7\u00e3o de escolher entre o novo alimento e outras comidas com diferentes propor\u00e7\u00f5es de gordura e carboidratos, enquanto o restante dos roedores foi mantido na dieta tradicional e equilibrada. O teste mostrou que os animais tinham uma prefer\u00eancia pelo alimento cuja composi\u00e7\u00e3o imitava a do salgadinho, embora outras receitas tivessem teores cal\u00f3ricos semelhantes. A ra\u00e7\u00e3o que tinha mais gordura, por exemplo, foi deixada de lado.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m monitoraram o efeito da guloseima no c\u00e9rebro das cobaias. \u201cO consumo das batatas fritas ativa os circuitos de recompensa no c\u00e9rebro delas. Esses circuitos s\u00e3o acionados por v\u00e1rios est\u00edmulos naturais e estimulam a repeti\u00e7\u00e3o de determinado comportamento\u201d, explica Monkia Pischetstrieder, pesquisadora da FAU e principal autora do estudo. \u201cEnt\u00e3o, no nosso exemplo, voc\u00ea n\u00e3o consegue parar de comer, mesmo que queira, como para perder peso. N\u00f3s achamos que petiscos podem ativar essa rea\u00e7\u00e3o, mesmo que n\u00e3o estejamos com fome\u201d, descreve a pesquisadora.<\/p>\n<p><strong>Evolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O efeito dos salgadinhos observado nos ratos pode ser comparado com a rea\u00e7\u00e3o causada no c\u00e9rebro pela coca\u00edna. \u201cEssas subst\u00e2ncias exigem uma resposta da insulina, o horm\u00f4nio que transforma esses alimentos em glicose para serem estocados na forma de energia. O c\u00e9rebro precisa, ent\u00e3o, liberar essas subst\u00e2ncias chamadas opioides, que s\u00e3o as mesmas liberadas quando voc\u00ea faz uso de alguma droga viciante\u201d, descreve Roberta Cassani, membro da Diretoria da Sociedade Brasileira de Alimenta\u00e7\u00e3o e Nutri\u00e7\u00e3o (Sban).<\/p>\n<p>A compuls\u00e3o pela comida n\u00e3o chega a ser classificada como um v\u00edcio como a rea\u00e7\u00e3o relacionada ao consumo de drogas, que \u00e9 muito mais forte. Mas o prazer alcan\u00e7ado com os alimentos pode afetar aqueles com for\u00e7a de vontade mais fraca, como indiv\u00edduos ansiosos. \u201cA partir do momento em que a pessoa ingere muito, tem esse efeito repetitivo, com a possibilidade da situa\u00e7\u00e3o viciante. Por isso \u00e9 importante ter consci\u00eancia sobre isso. N\u00e3o quer dizer que a pessoa est\u00e1 condenada para o resto da vida\u201d, alerta Cassani.<\/p>\n<p>A fissura por comidas ricas em a\u00e7\u00facar e gordura \u00e9 considerada uma das causas do crescente \u00edndice de obesidade no mundo, considerado o sinal de uma epidemia pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). De acordo com a entidade, o mundo tem meio bilh\u00e3o de pessoas obesas, das quais 2,8 milh\u00f5es morrem todos os anos devido a doen\u00e7as causadas pelo sobrepeso. A preval\u00eancia de obesos praticamente dobrou nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, e um dos respons\u00e1veis por esse fen\u00f4meno \u00e9 o crescente consumo de alimentos industrializados. O Centro de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as dos EUA, por exemplo, recomenda a prefer\u00eancia por comidas in natura como parte da \u201ccura\u201d da obesidade.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 recente, mas ao menos uma das causas \u00e9 primitiva. O c\u00e9rebro humano \u00e9 uma v\u00edtima das comidas hipercal\u00f3ricas devido a um mecanismo evolutivo de sobreviv\u00eancia, desenvolvido muito antes de a humanidade ter acesso a salgadinhos e supermercados, ou mesmo da certeza de uma refei\u00e7\u00e3o di\u00e1ria. \u201cEm v\u00e1rios momentos, a humanidade chegou \u00e0 beira da extin\u00e7\u00e3o, quando a disponibilidade de alimentos era muito escassa. Ent\u00e3o, praticamente s\u00f3 sobreviveram os organismos que conseguiam lidar com o m\u00ednimo de nutrientes poss\u00edvel\u201d, explica Jos\u00e9 Donato J\u00fanior, professor do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas (ICB) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>O organismo foi ent\u00e3o \u201ctreinado\u201d a evitar a perda de peso a todo custo, dando prefer\u00eancia a alimentos mais cal\u00f3ricos e moldando o comportamento em fun\u00e7\u00e3o do consumo desse tipo de comida. \u201cO nosso c\u00e9rebro nos premia quando obtemos um alimento muito cal\u00f3rico, que \u00e9 o caso da gordura e de alimentos com muito a\u00e7\u00facar. Ele interpreta como uma coisa boa, mas, num contexto atual, em que as pessoas n\u00e3o fazem muita atividade f\u00edsica e h\u00e1 abund\u00e2ncia desse tipo de alimento, a pessoa pode comer al\u00e9m daquilo que precisa e favorecer o ganho de peso\u201d, pondera o especialista brasileiro.<\/p>\n<p><strong>Toque especial<\/strong><\/p>\n<p>Os autores do trabalho alertam que n\u00e3o podem confirmar se os resultados desse experimento se aplicam aos humanos. Al\u00e9m de terem um organismo diferente do humano, os ratos n\u00e3o d\u00e3o tanta import\u00e2ncia ao sabor, outro fator que pode influenciar o consumo compulsivo de comida. Contudo, h\u00e1 diversos alimentos no mercado que seguem a receita preferida pelos animais, e que tamb\u00e9m fazem sucesso com as pessoas. Al\u00e9m de batata frita, chocolate, salgadinhos de amendoim e cremes de avel\u00e3 com cacau cont\u00eam ao menos 50% de carboidratos e cerca de 35% de gordura.<\/p>\n<p>Outro ponto que separa os experimentos de laborat\u00f3rio do verdadeiro fasc\u00ednio popular pelas comidas cal\u00f3ricas \u00e9 a complexa receita dos alimentos artificiais. A influ\u00eancia da ra\u00e7\u00e3o sobre o c\u00e9rebro dos roedores n\u00e3o foi t\u00e3o forte quanto a registrada no estudo anterior, feito com batatas fritas reais. Embora a ra\u00e7\u00e3o cal\u00f3rica tenha causado uma rea\u00e7\u00e3o oito vezes maior no centro de recompensa dos animais do que a comum, o efeito ainda \u00e9 duas vezes menor do que o observado quando as cobaias comeram o salgadinho mesmo. A rea\u00e7\u00e3o causada pelo alimento industrializado ativou cerca de 30 \u00e1reas neurais a mais do que a comida feita em laborat\u00f3rio, incluindo a estrutura respons\u00e1vel pela sensa\u00e7\u00e3o de saciedade.<\/p>\n<p>Os cientistas acreditam que o comportamento dos bichos que comeram a batata pode ter sido influenciado tamb\u00e9m por outros componentes do salgadinho, que n\u00e3o estavam presentes na comida produzida em laborat\u00f3rio. \u201cAcredito que um alimento que desencadeia esse consumo em particular tenha pouca \u00e1gua. Mas isso \u00e9 uma hip\u00f3tese que n\u00e3o confirmamos\u201d, especula Pischetstrieder.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Correio Braziliense)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa conclui que alimentos com uma combina\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de carboidrato e gordura tem composi\u00e7\u00e3o viciante \u201cImposs\u00edvel comer um s\u00f3.\u201d O conhecido slogan de uma companhia de salgadinhos desafia o consumidor: quem \u00e9 capaz de guardar o pacote de guloseimas para terminar depois? 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