{"id":58581,"date":"2015-05-03T10:39:21","date_gmt":"2015-05-03T13:39:21","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=58581"},"modified":"2015-05-03T10:46:31","modified_gmt":"2015-05-03T13:46:31","slug":"inflacao-o-corroi-bolsa-familia-e-acorda-fantasma-da-fome-no-vale-do-jequitinhonha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=58581","title":{"rendered":"Infla\u00e7\u00e3o corr\u00f3i o Programa Bolsa Fam\u00edlia e acorda fantasma da fome no Vale do Jequitinhonha"},"content":{"rendered":"<h4><strong><em>Eleva\u00e7\u00e3o do custo de vida j\u00e1 obriga moradores do Jequitinhonha dependentes do programa do governo a recorrer \u00e0 ajuda de conhecidos para complementar renda e comprar comida<\/em><\/strong><\/h4>\n<p>Com 13,97 milh\u00f5es de cadastrados, o Bolsa Fam\u00edlia \u2013 que envolve hoje a cifra de R$ 2,3 bilh\u00f5es mensais e ajudou a retirar da linha de pobreza 36 milh\u00f5es de brasileiros entre 2003 e 2013, como propaga o governo federal \u2013 come\u00e7a a sofrer os efeitos negativos da pol\u00edtica econ\u00f4mica do pr\u00f3prio Planalto. Os ataques do drag\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o j\u00e1 fazem estragos nos or\u00e7amentos de fam\u00edlias que precisam da ajuda do governo para sobreviver, especialmente daquelas que vivem em \u00e1reas mais carentes, como o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, onde a falta de oportunidades para melhorar de vida amplia a depend\u00eancia e reduz os \u00edndices de sa\u00edda do programa, constatou a reportagem do Estado de Minas, que percorreu 10 cidades na regi\u00e3o. Em boa parte das casas, o cart\u00e3o do programa \u00e9 guardado como o maior patrim\u00f4nio familiar, mas, com o aumento do custo de vida \u2013 especialmente da conta de luz \u2013, o sagrado dinheirinho recebido do governo j\u00e1 n\u00e3o d\u00e1 mais para comprar comida para o m\u00eas inteiro.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/fome_no_jequi.jpg\" alt=\"\" \/><em>Maria Jos\u00e9: &#8220;a gente passa necessidade sim&#8221; &#8211; Foto: Jair Amaral \/ EM \/ D.A. Press<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Pelo Vale afora, benefici\u00e1rios do programa repetem a mesma hist\u00f3ria: mesmo com o aux\u00edlio do governo, precisam agora recorrer \u00e0 ajuda de parentes e conhecidos para n\u00e3o passar fome. \u00c9 o caso de Teresa Fernandes Pessoa, de 59 anos, moradora de Itinga \u2013 um dos ber\u00e7os do programa de transfer\u00eancia de renda implantado ainda na primeira gest\u00e3o do PT na Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. O munic\u00edpio, que Luiz In\u00e1cio Lula da Silva visitou em 1993 \u2013 10 anos antes de ser eleito \u2013 e onde conheceu Teresa, que dividia um cub\u00edculo com oito filhos \u2013 foi escolhido pelo ex-presidente como uma das plataformas de lan\u00e7amento do Programa Fome Zero ao assumir seu primeiro mandato , em janeiro de 2003.<\/p>\n<p>Da primeira leva do programa, a mulher que impressionou Lula por sua pobreza diz que o Bolsa Fam\u00edlia \u201cmudou bastante\u201d sua vida, mas reclama da situa\u00e7\u00e3o atual. As despesas de \u00e1gua e luz representam cerca da metade dos R$ 140 que recebe. A outra parte n\u00e3o \u00e9 suficiente para comprar comida para o m\u00eas inteiro. Como n\u00e3o tem outra renda, o jeito \u00e9 pedir alimentos para os outros: \u201cChego na casa de fulano e pe\u00e7o um pouquinho de arroz, um pouquinho de farinha. Na casa de outro, ganho um pouquinho de feij\u00e3o. E a gente vai levando a vida\u201d, conta Teresa. \u201cTem hora que nem chego a pedir. As pessoas veem a situa\u00e7\u00e3o da gente e trazem (as coisas) pra gente. Mas, tem hora que a gente tem que pedir: \u2018\u00d4, fulano, me arranja isso, que l\u00e1 em casa n\u00e3o tem nada\u2019\u201d, completa.<\/p>\n<p>Teresa recorda da promessa feita por Lula em 1993: \u201cEle pediu que eu rezasse porque, se fosse eleito, iria me dar uma casinha\u201d. At\u00e9 hoje, ela continua na mesma moradia apertada, de um c\u00f4modo s\u00f3, separado apenas por meia parede. \u201cFoi uma separa\u00e7\u00e3o para a gente trocar de roupa\u201d, explica . O pequeno espa\u00e7o, que serve de sala, cozinha e quarto, \u00e9 dividido hoje com um filho e dois netos. A mulher reclama do n\u00e3o cumprimento da promessa do ex-presidente. Mas, resignada, diz: \u201cPe\u00e7o a Deus que continue iluminando ele\u201d.<\/p>\n<p>Segundo relat\u00f3rio do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social e do Combate \u00e0 Fome (MDS), atualmente h\u00e1 2.426 benefici\u00e1rios do Programa Bolsa Fam\u00edlia em Itinga. Considerando a m\u00e9dia de 3,1 de pessoas por domic\u00edlio, levantada na Pesquisa Nacional de Amostras por Domic\u00edlios (Pnad 2013), o n\u00famero de pessoas atingidas pelo programa na cidade chega a 7.520, o que corresponde \u00e0 metade da popula\u00e7\u00e3o de Itinga (15.012 habitantes).<\/p>\n<p><strong>Drama que se repete<\/strong><\/p>\n<p>O drama vivido por Teresa n\u00e3o \u00e9 \u00fanico em Itinga. Segundo a secret\u00e1ria municipal de A\u00e7\u00e3o Social, Deborah Ramalho Vieira, os pedidos de ajuda ao \u00f3rg\u00e3o s\u00e3o constantes. \u201cRecebemos pessoas que alegam que sua \u00fanica renda \u00e9 do Bolsa Fam\u00edlia, que n\u00e3o t\u00eam nada em casa nem dinheiro pra fazer a feira. Outros dizem que n\u00e3o t\u00eam nenhuma colher de arroz para fazer o almo\u00e7o e alimentar o filho para mand\u00e1-lo \u00e0 escola\u201d, conta Deborah. \u201cRecebemos constantemente pedidos variados de pessoas beneficiadas do Bolsa Fam\u00edlia. Ultimamente, o que tem chegado mais \u00e9 pedido de ajuda de custo para o pagamento da conta de luz\u201d, completa.<\/p>\n<p>Em Ara\u00e7ua\u00ed, a reportagem encontrou o mesmo problema. No Bairro S\u00e3o Jorge, uma das \u00e1reas mais carentes do munic\u00edpio, a dom\u00e9stica Maria Jos\u00e9 Lopes Pereira, de 30, reclama que os R$ 314 recebidos do Bolsa Fam\u00edlia j\u00e1 n\u00e3o d\u00e3o mais para o sustento, pois ela \u00e9 m\u00e3e de quatro filhos e o companheiro, Marcelo, ganha pouco como trabalhador bra\u00e7al. Para piorar, nem sempre ele encontra servi\u00e7o. Ultimamente, a situa\u00e7\u00e3o piorou muito, principalmente devido ao aumento da conta de luz, conta Maria Jos\u00e9. N\u00e3o \u00e9 todo dia que h\u00e1 mantimentos em casa e, volta e meia, o fantasma da fome bate \u00e0 porta, admite a dom\u00e9stica. A\u00ed, tem que recorrer \u00e0 solidariedade alheia. \u201cVou falar a verdade: a gente passa necessidade sim e precisa pedir ajuda para outros\u201d, afirma Maria Jos\u00e9. A fam\u00edlia mora num barrac\u00e3o de dois c\u00f4modos. Um deles \u00e9 o quarto do casal, cozinha e sala ao mesmo tempo. A moradia n\u00e3o tem banheiro. \u201cUsamos o da vizinha\u201d, explica Maria Jos\u00e9.<\/p>\n<p>Numa estrada, perto de Baixa Quente (lugarejo de cerca de 50 casas), na zona rural de Ara\u00e7ua\u00ed, a reportagem encontrou tr\u00eas mulheres carregando  na cabe\u00e7a vasilhas, que refletiam os raios do sol forte que predomina na regi\u00e3o. Elas voltavam do Rio Calhauzinho, percorrendo a p\u00e9 uma dist\u00e2ncia de 1.500 metros. Neuza Fernandes Rodrigues, de 54 anos, uma das mulheres, explica: \u201cA gente tem que caminhar para lavar vasilhas no rio porque se lavar em casa n\u00e3o consegue pagar a conta de \u00e1gua. O que a gente ganha \u00e9 muito pouco\u201d. Os R$ 70 que recebe de ajuda do governo s\u00e3o a \u00fanica renda certa da fam\u00edlia de Neuza, m\u00e3es de seis filhos j\u00e1 criados. Segundo ela, o marido, Jos\u00e9 Francisco Cardoso, trabalha como lavrador, ro\u00e7ando pastos, a R$ 40 por dia. Mas, como costuma ocorrer no Vale, a oferta de trabalho \u00e9 escassa.<\/p>\n<p>Outra integrante do trio de Baixa Quente, Adriana Fernandes, de 32, m\u00e3e de sete filhos, revela que recebe R$ 313 do programa governamental e agradece por isso: \u201cSe n\u00e3o fosse o Bolsa Fam\u00edlia, eu n\u00e3o sei como a gente iria sobreviver\u201d. Por outro lado, reclama das condi\u00e7\u00f5es do lugar onde mora, sobretudo, da falta de saneamento b\u00e1sico. A casa onde mora n\u00e3o tem banheiro e as necessidades s\u00e3o feitas no mato. \u201cBanho, s\u00f3 de mangueira, no quintal\u201d, completa. \u201cQuero ir embora desse lugar. Vou me mudar para Belo Horizonte\u2019, anuncia Adriana. Em Ara\u00e7ua\u00ed, segundo dados do MDS, h\u00e1 4.662 cadastrados no Bolsa Fam\u00edlia, que, considerando a m\u00e9dia de 3,1 moradores por domic\u00edlio, alcan\u00e7a 14.452 pessoas, o equivalente a 38,9% da popula\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio (37.220 habitantes).<\/p>\n<p><strong>Corros\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><em>A alta da infla\u00e7\u00e3o \u2013 cuja proje\u00e7\u00e3o para 2015 \u00e9 de 8,3%, pelo \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) \u2013 afeta os brasileiros em geral, aponta Nora Raquel Zygielszyper, professora de economia da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas. Ela ressalta, entretanto, que entre os benefici\u00e1rios do Bolsa Fam\u00edlia ou mesmo quem ganha o sal\u00e1rio m\u00ednimo \u201ca redu\u00e7\u00e3o do poder aquisitivo \u00e9 dram\u00e1tica, pois  impossibilita at\u00e9 que comprem comida suficiente para o m\u00eas\u201d. Nora Zygielszyer lembra que o governo reajustou os benef\u00edcios do Bolsa Fam\u00edlia em 10% em 2014, o que representou ganho real. Mas ressalta: \u201cA escalada da infla\u00e7\u00e3o continuou e esse ganho j\u00e1 foi corro\u00eddo\u201d.<\/em><\/p>\n<p><strong>Atados \u00e0 ajuda do programa<\/strong><\/p>\n<p><em>Falta de oportunidades cr\u00f4nica perpetua depend\u00eancia de carentes no Jequitinhonha<\/em><\/p>\n<p>Al\u00e9m enfrentar a corros\u00e3o da renda provocada pela infla\u00e7\u00e3o, os benefici\u00e1rios do Bolsa Fam\u00edlia no Vale do Jequitinhonha t\u00eam pouca chance de reduzir sua depend\u00eancia da ajuda governamental. A falta de oportunidades \u00e9 cr\u00f4nica na regi\u00e3o \u2013 onde uma s\u00e9rie de projetos de gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda fracassou nos \u00faltimos anos, como mostrou reportagem do Estado de Minas realizada em 10 cidades do Vale e publicada no \u00faltimo fim de semana \u2013 e praticamente tranca a porta de sa\u00edda do programa. Levantamento feito pelo EM com base em dados do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social e de Combate \u00e0 Fome (MDS) sobre a revis\u00e3o de benef\u00edcios revela que, no Jequitinhonha, o percentual de desligamento do Bolsa Fam\u00edlia por quem obteve eleva\u00e7\u00e3o de renda \u00e9 de 2,3%, inferior \u00e0 m\u00e9dia nacional, de 3,2%, confirmando a pereniza\u00e7\u00e3o de uma pobreza apenas remediada. O \u00edndice de sa\u00edda no Jequitinhonha \u00e9 ainda mais distante da m\u00e9dia de Minas Gerais, de 4,45%.<\/p>\n<p>Os baixos percentuais de desligamento do programa s\u00e3o verificados no Brasil inteiro, mas de forma mais acentuada nas\u00b4\u00e1reas mais pobres, confirma a professora Nora Raquel Zygielszyper, da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV). \u201cInfelizmente, o programa n\u00e3o parece ter sido desenhado com a preocupa\u00e7\u00e3o de ter uma porta de sa\u00edda\u201d, critica a especialista. Ela frisa, por\u00e9m, que a ajuda financeira aos mais pobres \u00e9 importante e necess\u00e1ria, mas, sem conjuga\u00e7\u00e3o com projetos para gerar renda, \u201cdemonstra uma vis\u00e3o de curto prazo\u201d. \u201cO que se percebe no Vale do Jequitinhonha \u00e9 resultado dessa pol\u00edtica, que merece reparos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para o professor Geraldo Ant\u00f4nio dos Reis, do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), entretanto, \u00e9 preciso levar em conta os impactos de outras pol\u00edticas do governo sobre \u00e1reas menos desenvolvidas. Ele cita os efeitos positivos da valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo. \u201cRendimentos de aposentados, pensionistas e servidores p\u00fablicos municipais est\u00e3o fortemente atrelados ao m\u00ednimo nesses locais\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Contudo, o professor defende \u201cmais arrojo nas pol\u00edticas de infraestrutura\u201d, inclusive em \u00e2mbito estadual. Como exemplo cita a pavimenta\u00e7\u00e3o de rodovias estaduais que permitir\u00e3o superar o hist\u00f3rico isolamento do Jequitinhonha e do Mucuri. \u201cNo que diz respeito \u00e0 melhoria da rede vi\u00e1ria, o Governo federal tamb\u00e9m poder\u00e1 ter um papel essencial\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Morador da cidade de Jequitinhonha, o mototaxista Olinto Ant\u00f4nio Viana acredita que a n\u00e3o pavimenta\u00e7\u00e3o da BR-367 impede o crescimento da regi\u00e3o e resume: \u201cAqui \u00e9 o vale da mis\u00e9ria porque n\u00e3o existem condi\u00e7\u00f5es de transporte. Se tivesse pelo menos estrada, poderia ter movimento. O povo poderia plantar colher e distribuir as mercadorias. O Governo s\u00f3 cobra impostos e deixa de fazer aquilo que presta. Essa regi\u00e3o est\u00e1 esquecida.<\/p>\n<p><strong>S\u00f3 2.333 desligamentos<\/strong><\/p>\n<p>Dados do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social e de Combate \u00e0 Fome (MDS) referentes \u00e0 revis\u00e3o cadastral do Bolsa Fam\u00edlia em todo o pa\u00eds apontam que 449.546 benefici\u00e1rios sa\u00edram do programa ap\u00f3s ter sua renda elevada. Eles representam 3,2% do bolo de 13,97 milh\u00f5es beneficiados em todo o territ\u00f3rio nacional, de acordo com os n\u00fameros, atualizados em mar\u00e7o. Dos que deixaram o programa, 238.493 informaram renda familiar superior a R$ 154,00 por pessoa \u2013 o valor m\u00e1ximo para receber a ajuda \u2013 e 211.055 n\u00e3o renovaram o cadastro. Tamb\u00e9m foram contabilizadas 197.704 fam\u00edlias que deixaram de receber benef\u00edcio b\u00e1sico por declarar ganhos acima do limite da extrema pobreza (R$ 77 per capita). Ainda segundo os dados do MDS, em Minas Gerais, 49 mil cadastrados no Bolsa Fam\u00edlia informaram aumento de renda, o que correspondente a 4,45% do 1,1 milh\u00e3o de benef\u00edcios pagos nos 853 munic\u00edpios do estado, que somam R$ 173,4 milh\u00f5es mensais.<\/p>\n<p>Com base nos dados individuais dos 57 munic\u00edpios do Vale do Jequitinhonha registrados pelo MDS, o Estado de Minas identificou a sa\u00edda de 2.333 benefici\u00e1rios do Bolsa Fam\u00edlia na regi\u00e3o, onde o programa alcan\u00e7a 97.654 domic\u00edlios. Considerada a m\u00e9dia de 3,1 pessoas por casa apontada na Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad 2013), o total de pessoas atingidas pelo programa chega a 302.702, contingente equivalente a 38,8% dos 785.182 habitantes do Vale.<\/p>\n<p>Em algumas cidades a situa\u00e7\u00e3o o \u00edndice de sa\u00edda do programa \u00e9 ainda mais baixo que a m\u00e9dia de 2,3% da regi\u00e3o. Em S\u00e3o Gon\u00e7alo do Rio Preto (3.180 moradores), por exemplo, somente quatro das 399 fam\u00edlias que recebem o benef\u00edcio foram convocadas para a revis\u00e3o cadastral e nenhuma delas saiu do Bolsa Fam\u00edlia. Mata Verde (8,36 mil habitantes) teve um \u00edndice de sa\u00edda do programa de apenas 0,2% \u2013 tr\u00eas entre 1.222 fam\u00edlias benefici\u00e1rias. Outras cidades que tiveram percentuais \u00ednfimos de sa\u00edda foram: Alvorada de Minas (0,4%), Felisburgo (0,5%), Serra Azul de Minas (0,6%), Joa\u00edma (0,7%), Ponto dos Volantes (0,7%), Padre Para\u00edso (0,7%), Berilo (0,8%), Jos\u00e9 Gon\u00e7alves de Minas (0,8%) e Itinga (0,9%).<\/p>\n<p><strong><em>(Fonte: Jornal Estado de Minas \/ Luiz Ribeiro)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eleva\u00e7\u00e3o do custo de vida j\u00e1 obriga moradores do Jequitinhonha dependentes do programa do governo a recorrer \u00e0 ajuda de conhecidos para complementar renda e comprar comida Com 13,97 milh\u00f5es de cadastrados, o Bolsa Fam\u00edlia \u2013 que envolve hoje a cifra de R$ 2,3 bilh\u00f5es mensais e ajudou a retirar da linha de pobreza 36 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":58582,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"amp_status":"","footnotes":""},"categories":[120],"tags":[186,43614,259,43613,43617,43615,43611,43610,43619,43608,43620,43623,43609,43607,189,14124,43618,43621,43612,43622,43616],"class_list":["post-58581","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-jequi","tag-aracuai","tag-ataques-do-dragao-da-inflacao","tag-bolsa-familia","tag-complementar-renda-e-comprar-comida","tag-deborah-ramalho-vieira","tag-dragao-da-inflacao","tag-elevacao-do-custo-de-vida","tag-elevacao-do-custo-de-vida-ja-obriga-moradores-do-jequitinhonha-dependentes-do-programa-do-governo-a-recorrer-a-ajuda-de-conhecidos-para-complementar-renda-e-comprar-comida","tag-falta-de-oportunidades-cronica-perpetua-dependencia-de-carentes-no-jequitinhonha","tag-fantasma-da-fome-no-vale-do-jequitinhonha","tag-fome-no-vale-do-jequitinhonha","tag-inflacao-corroi-o-programa-bolsa-familia-e-acorda-fantasma-da-fome-no-vale-do-jequitinhonha","tag-inflacao-o-corroi-bolsa-familia","tag-inflacao-o-corroi-bolsa-familia-e-acorda-fantasma-da-fome-no-vale-do-jequitinhonha","tag-itinga","tag-luiz-inacio-lula-da-silva","tag-maria-jose-lopes-pereira","tag-miseria-no-vale-do-jequitinhonha","tag-moradores-do-jequitinhonha-dependentes-do-programa-bolsa-familia","tag-pessoas-passando-necessidade-no-vale-do-jequitinhonha","tag-teresa-fernandes-pessoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/58581","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=58581"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/58581\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/58582"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=58581"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=58581"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=58581"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}