{"id":58257,"date":"2015-04-28T21:09:26","date_gmt":"2015-04-29T00:09:26","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=58257"},"modified":"2015-04-28T21:09:26","modified_gmt":"2015-04-29T00:09:26","slug":"revolta-medo-e-perigo-se-misturam-na-hora-de-atravessar-as-estradas-do-vale-do-jequitinhonha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=58257","title":{"rendered":"Revolta, medo e perigo se misturam na hora de atravessar as estradas do Vale do Jequitinhonha"},"content":{"rendered":"<p>Medo e revolta se misturam quando os moradores do Vale do Jequitinhonha circulam pelos trechos de terra e atravessam as perigosas pontes de madeira da BR-367, como testemunhou a reportagem do Estado de Minas ao percorrer a rodovia. Entre Minas Novas e Chapada do Norte, h\u00e1 uma altern\u00e2ncia entre asfalto e estrada de terra, com 13 quil\u00f4metros de ch\u00e3o. Na sequ\u00eancia, v\u00eam mais 48 quil\u00f4metros de terra at\u00e9 Virgem da Lapa, passando por Berilo (a 20km de Chapada do Norte). Entre Almenara e Jacinto, h\u00e1 12 quil\u00f4metros de terra de um total de 51 quil\u00f4metros. Outros 50 quil\u00f4metros, entre Jacinto e Salto da Divisa, tamb\u00e9m continuam sem asfalto.<\/p>\n<p>As pontes, malconservadas, s\u00e3o  estreitas, dando passagem para um ve\u00edculo da cada vez, e n\u00e3o t\u00eam prote\u00e7\u00e3o lateral. Al\u00e9m disso, pe\u00e7as de madeira est\u00e3o soltas, resultando em buracos. A primeira ponte fica sobre o Rio Capivari, perto da sa\u00edda de Chapada do Norte para Berilo. No local, a reportagem encontrou Jos\u00e9 Roberto Alves  (DEM), vereador em Berilo. \u201cUma ponte nessas condi\u00e7\u00f5es \u00e9 ruim para a nossa cidade e para a regi\u00e3o\u201d, lamentou Alves. Uma empresa que fazia a linha de \u00f4nibus entre Berilo de Virgem da Lapa (28 quil\u00f4metros) suspendeu o servi\u00e7o h\u00e1 mais de um ano. \u201cPara viajar de uma cidade para outra agora, quem n\u00e3o tem carro ou moto, tem que pedir carona\u201d, reclama o aposentado Jos\u00e9 Cloves Gon\u00e7alves Silva, de 66.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ponte_berilo.jpg\" alt=\"\" \/><em>Ponte na estrada de Berilo, com t\u00e1buas soltas e sem prote\u00e7\u00e3o &#8211; Foto: Jair Amaral \/ D.A. Press \/ EM<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Por causa de seus neg\u00f3cios, o comerciante de Jord\u00e2nia Justiniano Primo de Souza sempre percorre o  trecho de 62 quil\u00f4metros sem asfalto entre Almenara e Salto da Divisa. \u201cCada viagem \u00e9 um tormento. Toda vez que pego a estrada rezo para poder voltar\u201d, revela Justiniano. \u201cO governo n\u00e3o olha para a gente. A regi\u00e3o est\u00e1 abandonada.\u201d O mototaxista Olindo Viana, de 55, que mora no munic\u00edpio de Jequitinhonha, tamb\u00e9m confessa que sente muito medo ao percorrer o trecho entre Almenara e Jacinto, principalmente quando passa pela ponte sobre o Rio Rubim, a mais perigosa do percurso, que tem 71,6 metros de extens\u00e3o sem grade de prote\u00e7\u00e3o. \u201cParece que o governo n\u00e3o gosta do Jequitinhonha. Isso aqui est\u00e1 esquecido\u201d, diz Viana.<\/p>\n<p>A condi\u00e7\u00e3o ruim da estrada de terra e a falta de seguran\u00e7a nas pontes j\u00e1 favoreceram a ocorr\u00eancia de  v\u00e1rios acidentes, com mortos e feridos na regi\u00e3o. Moradora de Jacinto, a pensionista Neuzi Rodrigues Pinheiro, de 60, disse que s\u00f3 viaja na BR-367 at\u00e9 Almenara porque n\u00e3o tem outro jeito. Em 15 de abril de 2012, um dos filhos dela, Jos\u00e9 Renilson, de 32, morreu de acidente no trecho, quando retornava do corte de cana no interior de S\u00e3o Paulo, para o vel\u00f3rio do pai, Jos\u00e9 Pinheiro, de 58, que quase quatro meses antes havia sofrido um acidente na mesma BR-367 e ficou tetrapl\u00e9gico. \u201cSe tivesse outro caminho, eu n\u00e3o passaria na ponte onde meu filho morreu. \u00c9 dor de cortar o cora\u00e7\u00e3o. A ferida sara, mas a cicatriz fica para sempre\u201d, disse Neuzi.<\/p>\n<p><strong>INTERDI\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 7, ap\u00f3s vistoria, a Defesa Civil Estadual emitiu um laudo, recomendando a \u201cinterdi\u00e7\u00e3o imediata\u201d da ponte para a circula\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos e pedestres, \u201cat\u00e9 que seja feita an\u00e1lise t\u00e9cnica por especialistas em pontes e sejam realizados os esfor\u00e7os estruturais necess\u00e1rios\u201d. Ainda conforme o resultado da vistoria, a constru\u00e7\u00e3o apresenta rachadura em um dos pilares e conta com v\u00e1rias pe\u00e7as de madeira soltas e pregos mal fixados. Recentemente, foi feito um desvio dentro do leito do rio. O aterro foi levado pela primeira chuva.<\/p>\n<p>O trecho da BR-367 entre Almenara e Salto da Divisa, mesmo com as m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de tr\u00e1fego e inseguran\u00e7a nas pontes, \u00e9 muito usado para \u201cencurtar caminho\u201d do mineiro at\u00e9 o mar de Porto Seguro (BA). Em dire\u00e7\u00e3o ao litoral baiano, muitas pessoas seguem pela BR-251 (partindo de Montes Claros) at\u00e9 Salinas, onde entram pela MG-342 (sentido Rubelita\/Coronel Murta), alcan\u00e7ando a BR-367 a cinco quil\u00f4metros de Ara\u00e7ua\u00ed.<\/p>\n<p><strong><em>(Fonte: Jornal Estado de Minas)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Medo e revolta se misturam quando os moradores do Vale do Jequitinhonha circulam pelos trechos de terra e atravessam as perigosas pontes de madeira da BR-367, como testemunhou a reportagem do Estado de Minas ao percorrer a rodovia. 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