{"id":58159,"date":"2015-04-27T09:54:35","date_gmt":"2015-04-27T12:54:35","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=58159"},"modified":"2015-04-27T09:54:35","modified_gmt":"2015-04-27T12:54:35","slug":"falta-de-emprego-e-realidade-permanente-no-vale-do-jequitinhonha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=58159","title":{"rendered":"Falta de emprego \u00e9 realidade permanente no Vale do Jequitinhonha"},"content":{"rendered":"<h4><strong><em>Desemprego alto persiste no Jequitinhonha, depois do fracasso de projetos para tentar driblar a falta de oportunidades na regi\u00e3o implementados no in\u00edcio da d\u00e9cada de 2000<\/em><\/strong><\/h4>\n<p>Uma das principais cidades do Jequitinhonha, Ara\u00e7ua\u00ed, com 36 mil habitantes, iniciou o mil\u00eanio apostando na melhoria de vida. A esperan\u00e7a surgiu no rastro da instala\u00e7\u00e3o de dois projetos de uma cooperativa agr\u00edcola: um voltado para o processamento de frutas e outro, uma f\u00e1brica de cacha\u00e7a, ambos financiados com recursos p\u00fablicos e que tinham como objetivo gerar empregos e elevar a renda dos pequenos produtores da regi\u00e3o. Com a mesma perspectiva, foi iniciado um projeto de cria\u00e7\u00e3o de peixes na barragem do Calhauzinho. A alegria durou pouco, pois as tr\u00eas iniciativas fracassaram, provocando perdas de recursos p\u00fablicos e preju\u00edzos para os agricultores.<\/p>\n<p>H\u00e1 sete anos, o complexo agroindustrial da Cooperativa Fruta Boa est\u00e1 parado, com o maquin\u00e1rio depreciado pela a\u00e7\u00e3o do tempo. Parte da estrutura do empreendimento \u00e9 aproveitada como garagem e dep\u00f3sito de materiais descartados pela prefeitura, como carteiras quebradas, computadores velhos, al\u00e9m de m\u00e1quinas antigas e sucatas de carros.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/falta_emprego_jequi.jpg\" alt=\"\" \/><em>Maquin\u00e1rio para processar frutas abandonado em Ara\u00e7ua\u00ed: um dos projetos para gerar renda que deram em nada no Jequitinhonha &#8211; Foto: Jair Amaral \/ D.A. Press \/ Jornal Estado de Minas<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe ao certo o volume de recursos p\u00fablicos investidos nos dois empreendimentos instalados em a\u00e7\u00e3o coordenada pelo Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional. Consultada, a pasta n\u00e3o conseguiu localizar os arquivos sobre o projeto. Mas as empoeiradas placas na antiga sede da Fruta Boa informam que, somente na f\u00e1brica de cacha\u00e7a, foram aplicados recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) da ordem de R$ 2,8 milh\u00f5es, sendo R$ 1,5 milh\u00e3o para a unidade de produ\u00e7\u00e3o e R$ 1,3 milh\u00e3o no galp\u00e3o da parte de engarrafamento \u2013 que teve a cobertura derrubada por uma tempestade pouco depois de erguido \u2013 e na compra de um caminh\u00e3o-tanque que nunca chegou a rodar.<\/p>\n<p>O projeto da Unidade de Produ\u00e7\u00e3o, Homogeneiza\u00e7\u00e3o, Armazenagem, Engarrafamento e Comercializa\u00e7\u00e3o de Cacha\u00e7a de Alambique foi inaugurado em 16 de agosto de 2007, com a presen\u00e7a do ent\u00e3o ministro da Integra\u00e7\u00e3o Nacional, Geddel Vieira Lima. Na \u00e9poca, foi dado in\u00edcio ainda a um projeto de comercializa\u00e7\u00e3o de gemas (pedras preciosas) no aeroporto de Ara\u00e7ua\u00ed, que tamb\u00e9m n\u00e3o prosperou.<\/p>\n<p><strong>Preju\u00edzo <\/strong><\/p>\n<p>A proposta do Fruta Boa era banana, manga, abacaxi, coco e mam\u00e3o, estimulando essas culturas na regi\u00e3o. \u201cA expectativa era que as coisas em Ara\u00e7ua\u00ed mudariam porque a gente teria condi\u00e7\u00f5es de produzir e vender o nosso produto\u201d, afirma Ant\u00f4nio Nilton Almeida, um dos 100 agricultores de Ara\u00e7ua\u00ed que investiram no projeto e se deram mal. \u201cFizemos financiamentos para aumentar a nossa produ\u00e7\u00e3o. N\u00e3o vendemos quase nada e ficamos endividados\u201d, conta, acrescentando que se viu obrigado a vender suas vinte cabe\u00e7as de gado para pagar d\u00edvidas banc\u00e1rias. Ele aponta a falta de planejamento como motivo do fracasso.<\/p>\n<p>Um dos idealizadores da unidade de processamento de frutas e da produ\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7a da cooperativa Fruta Boa, Heiner Busselmann (alem\u00e3o, naturalizado brasileiro) afirma , por sua vez, que os projetos n\u00e3o tiveram \u00eaxito por causa da \u201cm\u00e1 gest\u00e3o\u201d por parte dos pr\u00f3prios agricultores que assumiram a dire\u00e7\u00e3o da cooperativa.<\/p>\n<p>No momento, o prefeito de Ara\u00e7ua\u00ed, Armando Paix\u00e3o (PT) diz que est\u00e1 fazendo gest\u00f5es junto ao BNDES e \u00f3rg\u00e3os federais para  a reativa\u00e7\u00e3o dos projetos. Ele tamb\u00e9m disse que os empreendimentos foram paralisados por m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o e prometeu \u201cuma gest\u00e3o mais eficiente\u201d, aproveitando, por exemplo, a grande produ\u00e7\u00e3o de banana na regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Mais fracassos <\/strong><\/p>\n<p>Em 2007, foi implantado em Ara\u00e7ua\u00ed um projeto de cria\u00e7\u00e3o de peixes na barragem de Calhauzinho, iniciativa da Funda\u00e7\u00e3o Rural Mineira (Ruralminas), que atraiu 23 pequenos produtores num sistema de associativismo. O projeto fracassou e os tanques, redes, barcos e outros equipamentos ficaram sem nenhuma utilidade, empoeirados em um dep\u00f3sito. Hoje, a constru\u00e7\u00e3o onde seria a unidade de abatedouro dos peixes, est\u00e1 abandonada, entregue \u00e0 a\u00e7\u00e3o do tempo, em um terreno no meio do mato, perto da barragem, na zona rural do munic\u00edpio (20 quil\u00f4metros da \u00e1rea urbana).<\/p>\n<p>O presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Aquicultores de Ara\u00e7ua\u00ed, Jos\u00e9 Afonso Silva, lembra que, na \u00e9poca da instala\u00e7\u00e3o do projeto, os produtores envolvidos se encheram de esperan\u00e7a de que teriam uma mudan\u00e7a de vida. No entanto, um ano depois do in\u00edcio das atividades, um  choque t\u00e9rmico nos tanques-redes provocou uma grande mortandade de peixes \u2013 cerca de 30 toneladas. Depois disso, o projeto entrou em decad\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Migra\u00e7\u00e3o em massa m busca de vagas<\/strong><\/p>\n<p>Nos pequenos munic\u00edpios do Vale do Jequitinhonha, o sofrimento provocado pela seca se soma ao desemprego, baixa gera\u00e7\u00e3o de renda e \u00e0 sa\u00edda em massa dos homens para as colheitas de caf\u00e9 no Sul de Minas e para o corte de cana no interior de S\u00e3o Paulo.Na manh\u00e3 de uma ter\u00e7a-feira, em pleno hor\u00e1rio comercial, a reportagem do Estado de Minas se deparou com dezenas de homens sentados nas portas de casas e bares em torno da pra\u00e7a onde est\u00e1 localizada a Prefeitura de Berilo. A cena na pra\u00e7a \u2013 a mesma em que o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva foi recebido por uma multid\u00e3o ao passar pela cidade em outubro de 1995 \u2013 demonstra a falta de ocupa\u00e7\u00e3o provocada pela inexist\u00eancia de op\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente, as pessoas aqui n\u00e3o t\u00eam como arrumar emprego. Ent\u00e3o, o \u00fanico jeito \u00e9 sair para colher caf\u00e9 ou cortar cana\u201d, explicou, o secret\u00e1rio de Administra\u00e7\u00e3o e Planejamento de Berilo, Charles Amaral. Segundo ele, a previs\u00e3o \u00e9 que, neste ano, em torno de 4 mil pessoas deixem a regi\u00e3o para trabalhar nos cafezais do Sul de Minas e nos canaviais do interior paulista. Entretanto, a sa\u00edda para o corte de cana, que atinge o seu auge em maio, est\u00e1 amea\u00e7ada pela automa\u00e7\u00e3o, lembra Amaral.<\/p>\n<p>Os trabalhadores tempor\u00e1rios ser\u00e3o afetados ainda pelas mudan\u00e7as no seguro-emprego, adotadas pelo governo da presidente Dilma Rousseff dentro das medidas para conter os gastos do governo. \u201cAntes, a gente sa\u00eda, trabalhava seis meses, voltava e requeria o seguro-emprego. Agora, n\u00e3o podemos mais fazer isso, pois o tempo m\u00ednimo para pedir o seguro-desemprego \u00e9 de um ano e seis meses de trabalho. N\u00e3o sei como a gente vai fazer\u2019, lamentou o lavrador Adilson Ferreira, morador da comunidade de Brejo, na zona rural de Berilo, que se prepara para viajar ainda este m\u00eas com a mulher e dois filhos para uma fazenda de caf\u00e9 no Sul de Minas. \u201cL\u00e1 na fazenda tem creche para a gente deixar as crian\u00e7as\u201d, conta Adriana Gomes, mulher de Adilson.<\/p>\n<p>No dia em que recebeu a reportagem, o agricultor Ad\u00e3o Fernandes Rodrigues, da localidade de \u00c1gua Suja, tamb\u00e9m na zona rural de Berilo, estava \u00e0s v\u00e9speras de viajar para o trabalho no corte de cana na \u00e1rea de uma usina em S\u00e3o Manuel, na regi\u00e3o de Ribeir\u00e3o Preto (SP). H\u00e1 29 anos ele repete a mesma rota, deixando para tr\u00e1s a mulher, Sueli Fernandes Rodrigues, de 42 anos, j\u00e1 acostumada, como outras centenas de mulheres do Jequitinhonha, a ser chamada de \u201cvi\u00fava de marido vivo\u201d ou \u201cvi\u00fava da seca\u201d.<\/p>\n<p><strong><em>(Fonte: Jornal Estado de Minas)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desemprego alto persiste no Jequitinhonha, depois do fracasso de projetos para tentar driblar a falta de oportunidades na regi\u00e3o implementados no in\u00edcio da d\u00e9cada de 2000 Uma das principais cidades do Jequitinhonha, Ara\u00e7ua\u00ed, com 36 mil habitantes, iniciou o mil\u00eanio apostando na melhoria de vida. 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