{"id":58156,"date":"2015-04-27T09:46:15","date_gmt":"2015-04-27T12:46:15","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=58156"},"modified":"2015-04-27T09:46:15","modified_gmt":"2015-04-27T12:46:15","slug":"moradores-do-vale-do-jequitinhonha-sofrem-com-escassez-de-agua-por-falta-de-investimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=58156","title":{"rendered":"Moradores do Vale do Jequitinhonha sofrem com escassez de \u00e1gua por falta de investimentos"},"content":{"rendered":"<h4><strong><em>Sem as prometidas barragens que ajudariam a armazenar \u00e1gua ou medidas de prote\u00e7\u00e3o das nascentes, centenas de comunidades do Jequitinhonha ainda dependem de caminh\u00f5es-pipa.<\/em><\/strong><\/h4>\n<p>Falta \u00e1gua. E, al\u00e9m da \u00e1gua, faltam a\u00e7\u00f5es efetivas para combater o agravamento da escassez de recursos h\u00eddricos no Vale do Jequitinhonha. Cursos d\u2019\u00e1gua da regi\u00e3o que j\u00e1 correram o ano inteiro hoje est\u00e3o por um fio. A cada ano, diminui o volume de c\u00f3rregos e pequenos rios, sem que nada \u2013 ou quase nada \u2013 seja investido em a\u00e7\u00f5es que poderiam salv\u00e1-los, como a prote\u00e7\u00e3o de nascentes. Promessas de constru\u00e7\u00e3o de barragens, que enfeitam os discursos pol\u00edticos, viram p\u00f3. Para piorar, at\u00e9 iniciativas levadas adiante terminaram dando errado, provocando desperd\u00edcio de recursos p\u00fablicos. O resultado \u00e9 um c\u00edrculo vicioso: para matar a sede, centenas de comunidades rurais dependem de caminh\u00f5es-pipa das prefeituras, que, combalidas pela falta de recursos, permanecem \u00e0 merc\u00ea da ajuda dos governos estadual e federal, muitas vezes transformada em isca para angariar votos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/falta_de_agua_jequi.jpg\" alt=\"\" \/><em>A fam\u00edlia de Adilson \u00e9 uma das que dependem de caminh\u00e3o-pipa em Berilo, onde barragens (no alto) terminaram assoreadas &#8211; Foto: Jair Amaral \/ D.A. Press \/ Jornal Estado de Minas<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>A pen\u00faria vivida pela popula\u00e7\u00e3o, submetida a uma crise h\u00eddrica eterna em meio \u00e0 pobreza extrema, foi constatada pela equipe do Estado de Minas ao longo dos 1.500 quil\u00f4metros percorridos na regi\u00e3o nesta s\u00e9rie sobre o Vale do Jequitinhonha. Em todo o percurso, a reportagem encontrou somente uma barragem de maior express\u00e3o conclu\u00edda nos \u00faltimos cinco anos e funcionando a contento, a do Rio Set\u00fabal, no munic\u00edpio de Jenipapo de Minas, inaugurada em fevereiro de 2010 pelo ent\u00e3o presidente Luiz In\u00e1cio da Lula da Silva (PT), em solenidade que contou com a presen\u00e7a de sua afilhada pol\u00edtica Dilma Rousseff \u2013 \u00e0 \u00e9poca ministra da Casa Civil \u2013, que disputaria as elei\u00e7\u00f5es presidenciais naquele ano. Antes dela, a a\u00e7\u00e3o mais importante foi a constru\u00e7\u00e3o da barragem da Usina de Irap\u00e9, pela Companhia Energ\u00e9tica de Minas Gerais (Cemig). Inaugurada em 2006, ela tem ajudado a controlar o volume do combalido Rio Jequitinhonha, impedindo que a situa\u00e7\u00e3o piore.<\/p>\n<p>Outros mananciais da regi\u00e3o, entretanto, n\u00e3o tiveram a mesma sorte. Em Berilo, munic\u00edpio de 12,4 mil habitantes, praticamente todos os c\u00f3rregos e pequenos rios est\u00e3o secos. Segundo a prefeitura local, 3,5 mil fam\u00edlias moradoras da zona rural t\u00eam que recorrer aos caminh\u00f5es-pipa para obter \u00e1gua. Um cen\u00e1rio que poderia ter sido evitado por meio da constru\u00e7\u00e3o, na d\u00e9cada de 1990, de cinco pequenas barragens, nas comunidades de \u00c1gua Limpa, Mamonas, C\u00f3rrego do Bem-Querer e  C\u00f3rrego do Buraco. Entretanto, somente a \u00faltima tem alguma serventia hoje, acumulando \u00e1gua que \u00e9 aproveitada para matar a sede de animais, ainda assim depois de passar por reforma, afirma a prefeitura.<\/p>\n<p><strong>Emerg\u00eancia <\/strong><\/p>\n<p>Implantados por meio do Programa Emergencial contra a Seca, coordenado pela Copasa, os barramentos foram assoreados pouco depois da conclus\u00e3o das obras, devido a um suposto erro de projeto,  e hoje acumulam mais terra e areia do que \u00e1gua, conta o secret\u00e1rio de Obras e Desenvolvimento Rural e Urbano de Berilo, Jo\u00e3o Nelson Pinto. Segundo a prefeitura, as obras teriam sido constru\u00eddas entre 1995 e 1998. Segundo nota da Copasa, os projetos foram feitos em parceria com o Instituto Mineiro de Gest\u00e3o das \u00c1guas (Igam), que teria sido \u201crespons\u00e1vel pela escolha dos locais e fiscaliza\u00e7\u00e3o das obras\u201d.  A companhia afirma ainda que cabia aos munic\u00edpios \u201ca opera\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o dessas barragens\u201d.<\/p>\n<p><strong>Dif\u00edcil acesso <\/strong><\/p>\n<p>Uma delas foi feita na comunidade de \u00c1gua Suja, em c\u00f3rrego de mesmo nome, a nove quil\u00f4metros da sede do munic\u00edpio, em um local de dif\u00edcil acesso. O agricultor Ad\u00e3o Fernandes Rodrigues, de 47 anos, que mora a 200 metros da barragem, conta que, na \u00e9poca da constru\u00e7\u00e3o, percebeu o erro no projeto. \u201cEu disse que daquele jeito, sem deixar um vertedouro, a barragem iria se encher de terra e areia. Mas o engenheiro n\u00e3o quis me ouvir\u201d, afirma Ad\u00e3o.<\/p>\n<p>Como a obra praticamente nunca funcionou, mesmo morando perto da barragem, o agricultor, casado e pai de dois filhos, continua na depend\u00eancia do caminh\u00e3o-pipa da prefeitura, levado \u00e0 comunidade somente a cada tr\u00eas meses. Nesse meio-tempo, os gastos s\u00e3o inevit\u00e1veis. Ad\u00e3o afirma que, \u00e0s vezes,  para n\u00e3o ficar com sede, vai \u201cat\u00e9 a rua\u201d (\u00e1rea urbana) e compra \u00e1gua, pagando R$ 150 pelo caminh\u00e3o-pipa de 7,5 mil litros.  <\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o piorou ainda mais nos \u00faltimos tr\u00eas anos, quando houve redu\u00e7\u00e3o do volume de chuvas. Neste ano, segundo o secret\u00e1rio de Obras de Berilo, a estiagem foi t\u00e3o intensa que muitas das cisternas para a capta\u00e7\u00e3o da chuva (com capacidade para 16 mil litros), instaladas nas casas da zona rural dentro de programa do governo federal j\u00e1 estavam praticamente vazias em mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Moradores da zona rural do munic\u00edpio passaram a usar as pr\u00f3prias cisternas para armazenar a \u00e1gua do caminh\u00e3o-pipa da prefeitura. \u201cA demanda \u00e9 muito grande e a gente n\u00e3o consegue atender todo mundo. Alguns choram de alegria no dia que o caminh\u00e3o-pipa chega \u00e0s casas deles\u201d, conta Jo\u00e3o Nelson.<\/p>\n<p>A reportagem acompanhou a chegada de caminh\u00e3o-pipa na casa do lavrador Adilson Ferreira, na comunidade rural de Brejo, a oito quil\u00f4metros da \u00e1rea urbana de Berilo. O nome  indica que o lugar j\u00e1 teve muita \u00e1gua, que, com o passar do tempo e a degrada\u00e7\u00e3o ambiental, desapareceu completamente. \u201c\u00c1gua aqui \u00e9 muito dif\u00edcil. Quando o caminh\u00e3o-pipa demora a chegar, temos que pegar \u00e1gua emprestada, na casa da minha m\u00e3e, de balde\u201d, relata Adilson, casado com Adriana Gomes da Cruz, com quem tem dois filhos.<\/p>\n<p><strong>Rio sob amea\u00e7a de morte em cinco anos <\/strong><\/p>\n<p>A \u00e1gua levada pelos caminh\u00f5es-pipa a comunidades de Berilo \u00e9 captada no Rio Ara\u00e7ua\u00ed, que est\u00e1 com a vaz\u00e3o reduzida e ainda sofre com os efeitos da minera\u00e7\u00e3o. O secret\u00e1rio municipal de Administra\u00e7\u00e3o e Planejamento, Charles Amaral, calcula que, no ritmo que se encontra e se nada for feito, o curso d\u2019\u00e1gua vai secar de vez dentro de cinco a seis anos. Ele lembra que h\u00e1 pelo menos oito anos se ouve falar na regi\u00e3o de projetos de constru\u00e7\u00e3o de barragens dos governos estadual e federal (Cemig e Furnas), nas localidades de Santa Rita, no munic\u00edpio de Chapada do Norte, e de Funil, na divisa de Berilo e Virgem da Lapa. \u201cO problema \u00e9 que as barragens nunca saem do papel e o povo continua passando sede\u201d, protesta Amaral.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de barragens tamb\u00e9m \u00e9  o sonho de Itinga. No munic\u00edpio, o Rio Itinguinha se resume hoje a um largo leito cheio de  areia, cercado de mata ciliar, ind\u00edcio de que, no passado,  foi caudaloso. \u201cHoje, o rio s\u00f3 corre mesmo quando chove\u201d, conta o pequeno agricultor Jos\u00e9 da Rocha Teixeira, de 58 anos.<\/p>\n<p>Segundo o prefeito de Itinga, Adhemar Marcos Filho (PSDB), a constru\u00e7\u00e3o de uma barragem vem sendo prometida h\u00e1 mais de 10 anos pela Funda\u00e7\u00e3o Rural Mineira (Ruralminas) e beneficiaria tamb\u00e9m o munic\u00edpio de Comercinho. Procurada, a dire\u00e7\u00e3o da Ruralminas disse que aguarda verbas para a elaborar o projeto executivo da obra.<\/p>\n<p><strong><em>(Fonte: Jornal Estado de Minas)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem as prometidas barragens que ajudariam a armazenar \u00e1gua ou medidas de prote\u00e7\u00e3o das nascentes, centenas de comunidades do Jequitinhonha ainda dependem de caminh\u00f5es-pipa. Falta \u00e1gua. E, al\u00e9m da \u00e1gua, faltam a\u00e7\u00f5es efetivas para combater o agravamento da escassez de recursos h\u00eddricos no Vale do Jequitinhonha. 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