{"id":57260,"date":"2015-04-13T18:22:44","date_gmt":"2015-04-13T21:22:44","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=57260"},"modified":"2015-04-13T18:22:44","modified_gmt":"2015-04-13T21:22:44","slug":"mulheres-na-construcao-civil-mudam-cultura-do-canteiro-de-obras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=57260","title":{"rendered":"Mulheres na constru\u00e7\u00e3o civil mudam cultura do canteiro de obras"},"content":{"rendered":"<p>O projeto M\u00e3o na Massa abriu hoje (13) inscri\u00e7\u00f5es para mulheres que queiram fazer cursos gratuitos na \u00e1rea da constru\u00e7\u00e3o civil no Rio de Janeiro. S\u00e3o ao todo 140 vagas para cursos de pedreira, encanadora, pintora e eletricista. As aulas come\u00e7am no dia 27.<\/p>\n<p>Haver\u00e1 duas turmas nos per\u00edodos da manh\u00e3 e tarde, durante seis meses. Nos \u00faltimos sete anos, quase mil mulheres foram capacitadas no projeto. As aulas de qualifica\u00e7\u00e3o social s\u00e3o dadas no Abrigo Maria Imaculada, no Rocha, zona norte da cidade. As inscri\u00e7\u00f5es v\u00e3o at\u00e9 o dia 15.<\/p>\n<p>A idealizadora do projeto, a engenheira civil Deise Gravina, disse que mais de 60% das mulheres formadas pelo M\u00e3o na Massa est\u00e3o empregadas no mercado formal. Entre as mudan\u00e7as promovidas pela presen\u00e7a feminina no canteiro de obras, a engenheira disse que as mulheres s\u00e3o mais econ\u00f4micas, mais organizadas e tamb\u00e9m mais atentas em rela\u00e7\u00e3o ao uso de equipamentos de seguran\u00e7a do trabalho.<\/p>\n<p>\u201cElas conseguem mudar a cultura do canteiro porque os homens tendem a se comportar melhor, a ter melhores atitudes. Como elas entram como t\u00e9cnicas, muitos homens voltaram a estudar. H\u00e1 um aumento da escolaridade, melhoria da postura\u201d. Segundo Deise, n\u00e3o existe preconceito dos homens quanto \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de mulheres nas obras.<\/p>\n<p>Pesquisa efetuada pelos organizadores do projeto com 216 mulheres da Comunidade Rato Molhado, no Engenho Novo, zona norte da capital fluminense, mostrou que quase 80% das entrevistadas consideraram que a constru\u00e7\u00e3o civil seria uma op\u00e7\u00e3o de aprendizagem, pois j\u00e1 faziam pequenos servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Deise explicou que, nas comunidades, os homens est\u00e3o acostumados que suas m\u00e3es, irm\u00e3s e mulheres fa\u00e7am servi\u00e7os de obras para ajud\u00e1-los a erguer, por exemplo, um quarto na casa. \u201cSempre foi a mulher que fez esse papel de servente de obra em pequenos consertos, pinturas, batendo uma laje\u201d.<\/p>\n<p>Para se inscrever no projeto, as candidatas de baixa renda devem ter entre  18 e 45 anos e ter, pelo menos, o 5\u00ba ano do ensino fundamental e passam por entrevistas no momento da inscri\u00e7\u00e3o. Nos dois primeiros meses, elas recebem aulas te\u00f3ricas de cidadania, portugu\u00eas e matem\u00e1tica voltados para a constru\u00e7\u00e3o civil, postura, gin\u00e1stica laboral, nutri\u00e7\u00e3o, direitos, seguran\u00e7a do trabalho e sobre a Lei Maria da Penha.<\/p>\n<p>Na segunda fase do curso, elas t\u00eam aulas pr\u00e1ticas no canteiro de obras no Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) ou na Funda\u00e7\u00e3o de Apoio \u00e0 Escola T\u00e9cnica (Faetec), quando t\u00eam contato com a obra em si. Na \u00faltima fase, de est\u00e1gio, elas v\u00e3o fazer obras de verdade em entidades beneficentes, \u201cpara devolver para a sociedade o que a sociedade investiu nelas\u201d. Nesta etapa, elas s\u00e3o acompanhadas por engenheiros, arquitetos e t\u00e9cnicos de edifica\u00e7\u00f5es que d\u00e3o os \u00faltimos toques para que elas estejam prontas para o mercado.<\/p>\n<p>Segundo Deise, hoje h\u00e1 mulheres que, ap\u00f3s deixarem o projeto, t\u00eam sal\u00e1rio de R$ 3 mil e algumas s\u00e3o encarregadas de obras. Ela diz que o projeto \u00e9 um cart\u00e3o de apresenta\u00e7\u00e3o no mercado, um diferencial.<\/p>\n<p>Ana Carla Silva Braz fez a primeira edi\u00e7\u00e3o do curso, em 2008. Para ela, a experi\u00eancia foi muito importante. \u201cO M\u00e3o na Massa me abriu as portas, porque eu estava h\u00e1 cinco anos desempregada, mesmo sendo professora. Depois disso, n\u00e3o fiquei mais sem emprego. At\u00e9 hoje estou trabalhando em obra\u201d. Atualmente, Ana Carla presta servi\u00e7o em uma empreiteira terceirizada da construtora Odebrecht como bombeira hidr\u00e1ulica.<\/p>\n<p>Segundo a profissional, ainda hoje causa espanto no sexo masculino a presen\u00e7a de mulheres nos canteiros de obras. \u201cTem homem que ainda n\u00e3o caiu a ficha. Eles ficam muito surpresos\u201d. Ela acredita, por\u00e9m, que, aos poucos, os homens v\u00e3o se acostumar e que o n\u00famero de mulheres vai ser cada vez maior.<\/p>\n<p>Ana Carla continua estudando. Acabou de fazer o curso de desenho de arquitetura em edifica\u00e7\u00f5es e faz, no momento, o \u00faltimo m\u00f3dulo de edifica\u00e7\u00f5es. \u201cO meu objetivo \u00e9 me aprofundar mais dentro da minha \u00e1rea\u201d.<\/p>\n<p>Ivaneide Barbosa dos Santos qualificou-se como pedreira na \u00faltima turma do projeto, no ano passado. \u201cPara mim foi a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho. Estou aprendendo cada vez mais\u201d. Ela trabalha na construtora MRV e n\u00e3o tem d\u00favidas de que a mulher est\u00e1 capacitada para a atividade. No primeiro m\u00eas de trabalho, Ivaneide foi eleita funcion\u00e1ria padr\u00e3o. \u201cDou tudo de mim, do que eu aprendi, e tenho muito mais ainda que aprender. Com certeza, a mulher est\u00e1 a\u00ed para arrasar na constru\u00e7\u00e3o civil\u201d.<\/p>\n<p>O exemplo de Ana Carla e Ivaneide motivou Maria Lucilene Costa de Paula e Priscila Soares Pereira Agra. Elas est\u00e3o entre as centenas de mulheres que se inscreveram hoje para participar do projeto. Lucilene disse ter experi\u00eancia em obra, por necessidade. Ela construiu a casa da filha e est\u00e1 agora buscando aprimoramento e investir mais em sua capacidade, com o objetivo de construir a casa da m\u00e3e \u201ce reformar a minha\u201d.<\/p>\n<p>Lucilene est\u00e1 desempregada e quer ter uma nova profiss\u00e3o. Tem curso de hotelaria e, enquanto aguarda contrata\u00e7\u00e3o, vende roupas. Priscila v\u00ea o projeto como uma oportunidade de se profissionalizar e voltar aos estudos, que n\u00e3o concluiu. Atualmente, \u00e9 dona de casa. Caso seja aprovada para fazer o curso, pretende ser pedreira. \u201cQuem tiver for\u00e7a de vontade, consegue. Tem que querer, ter confian\u00e7a no que a gente faz e tem que ter seguran\u00e7a tamb\u00e9m, que \u00e9 muito importante\u201d. (Ag\u00eancia Brasil)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O projeto M\u00e3o na Massa abriu hoje (13) inscri\u00e7\u00f5es para mulheres que queiram fazer cursos gratuitos na \u00e1rea da constru\u00e7\u00e3o civil no Rio de Janeiro. S\u00e3o ao todo 140 vagas para cursos de pedreira, encanadora, pintora e eletricista. As aulas come\u00e7am no dia 27. 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