{"id":55998,"date":"2015-03-29T12:05:11","date_gmt":"2015-03-29T15:05:11","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=55998"},"modified":"2015-03-29T12:05:11","modified_gmt":"2015-03-29T15:05:11","slug":"seca-do-rio-peruacu-intriga-pesquisadores-no-norte-de-minas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=55998","title":{"rendered":"Seca do Rio Perua\u00e7u intriga pesquisadores no Norte de Minas"},"content":{"rendered":"<h4><strong><em>Rio passa por um dos mais importantes conjuntos arqueol\u00f3gicos do Brasil<\/em><\/strong><\/h4>\n<p>Rio Perua\u00e7u, afluente do S\u00e3o Francisco, vem secando nos \u00faltimos anos, o que representa uma s\u00e9ria amea\u00e7a ao patrim\u00f4nio natural das grutas e cavernas do Vale do Perua\u00e7u, que abriga um dos mais importantes conjuntos de s\u00edtios arqueol\u00f3gicos do Brasil, nos munic\u00edpios de Janu\u00e1ria e Itacarambi, no Norte de Minas. A dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o do volume do manancial \u00e9 objeto de estudo desenvolvido desde 2010 por uma equipe de pesquisadores do Instituto de Geoci\u00eancias (IGC) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).<\/p>\n<p>O gerente do Parque Estadual Veredas do Perua\u00e7u, Jo\u00e3o Barbosa de Oliveira, que vive na regi\u00e3o h\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, diz que o rio come\u00e7ou a secar h\u00e1 10 anos. Segundo ele, o Perua\u00e7u est\u00e1 completamente vazio em um trecho de 40 quil\u00f4metros, que vai desde a nascente (que praticamente desapareceu) at\u00e9 o ponto onde recebe o Rio Forquilha, seu primeiro e principal afluente, a 15 quil\u00f4metros dos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos. \u201cHoje, a \u00e1gua que chega \u00e0s cavernas, na verdade, \u00e9 a do Rio Forquilha\u201d, explica Oliveira.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/rio_peruacu.jpg\" alt=\"\" \/><em>Regi\u00e3o se destaca pelas belezas naturais, que incluem forma\u00e7\u00f5es rochosas imponentes e espeleotemas de beleza \u00fanica &#8211; Foto: Manoel Freitas \/ Reprodu\u00e7\u00e3o Estado de Minas<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Ele salienta que, al\u00e9m de atingir as comunidades \u00e0s suas margens, o secamento do Perua\u00e7u representa um s\u00e9rio risco para o ecossistema da regi\u00e3o, que conta com duas importantes \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o: o pr\u00f3prio Parque Veredas de Perua\u00e7u (de 31,2 mil hectares, nos munic\u00edpios de Janu\u00e1ria, C\u00f4nego Marinho e Bonito de Minas) e o Parque Nacional Cavernas do Perua\u00e7u, que tem 56 mil hectares, com mais de 80 s\u00edtios arqueol\u00f3gicos catalogados, reunindo pinturas rupestres e registros da presen\u00e7a humana de 11 mil anos. Na \u00e1rea das cavernas, o rio corre subterr\u00e2neo por seis a sete quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 pontos no Rio Perua\u00e7u em que o espelho d\u2019\u00e1gua tinha de 400 a 500 metros de largura. Hoje, esses locais est\u00e3o completamente secos\u201d, diz, preocupado, Jo\u00e3o Barbosa Oliveira. \u201cO secamento do rio \u00e9 uma amea\u00e7a \u00e0 fauna da regi\u00e3o, provocando uma mudan\u00e7a de habitat dos animais, que precisam buscar \u00e1gua em outro lugar\u201d, observa, ressaltando que, mesmo com as chuvas dos \u00faltimos dias, a maior parte do leito do Perua\u00e7u permanece vazia, contando apenas com po\u00e7os em alguns pontos.<\/p>\n<p>O gerente do Parque Veredas do Perua\u00e7u disse que a redu\u00e7\u00e3o da quantidade do volume de \u00e1gua \u00e9 cercada de certo mist\u00e9rio, j\u00e1 que, como est\u00e1 em \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o permanente, o rio n\u00e3o sofre com o desmatamento e o assoreamento, problemas que mais afetam as nascentes na regi\u00e3o. Mas, para ele, o problema \u00e9 conseq\u00fc\u00eancia da explora\u00e7\u00e3o descontrolada de \u00e1gua do subsolo. \u201cTudo indica que a causa maior \u00e9 a perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os na regi\u00e3o ao longo dos anos, principalmente, por empresas que fizeram o plantio de eucalipto para a produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Para refor\u00e7ar essa hip\u00f3tese, o gestor da \u00e1rea ambiental lembra que h\u00e1 15 anos, tr\u00eas pesquisadores estrangeiros, dois da B\u00e9lgica e um da Fran\u00e7a, realizaram estudos na \u00e1rea do Perua\u00e7u e disseram que os rios pequenos da regi\u00e3o, situados acima de 750 metros de altitude, corriam s\u00e9rio risco de desaparecimento, devido ao rebaixamento do len\u00e7olfre\u00e1tico.<\/p>\n<p><strong>Estudiosos sugerem interven\u00e7\u00e3o urgente<\/strong><\/p>\n<p>A professora Cristina Helena Ribeiro Augustin, do Instituto de Geoci\u00eancias (ICG) da UFMG, que realiza estudos sobre a redu\u00e7\u00e3o do fluxo da \u00e1gua do Rio Perua\u00e7u desde 2010, afirma que h\u00e1 tr\u00eas hip\u00f3teses poss\u00edveis para o problema. A primeira, segundo ela, \u00e9 a geomorfologia, que assume as mudan\u00e7as como um processo normal de evolu\u00e7\u00e3o da paisagem. A segunda possibilidade \u00e9 o impacto humano, decorrente de uso e manejo incorretos, com excessiva retirada de \u00e1gua, queimadas e outras formas de interfer\u00eancia. A combina\u00e7\u00e3o desses fen\u00f4menos \u00e9 apontada pela pesquisa como outra poss\u00edvel causa do processo de desaparecimento do rio de um dos mais importantes conjuntos arqueol\u00f3gicos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cMesmo considerando a hip\u00f3tese geomorfol\u00f3gica como principal, o manejo e o uso incorretos agravam a situa\u00e7\u00e3o. E, sendo Minas Gerais uma importante zona de cabeceiras, na qual nascem rios como Jequitinhonha, Doce, Mucuri, das Velhas e S\u00e3o Francisco, cabe a ado\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00e3o imediatas do governo, em v\u00e1rias frentes\u201d, considera Cristina Augustin, que integra o Departamento de Geografia da UFMG. Ela sugere a ado\u00e7\u00e3o de medidas urgentes para a recupera\u00e7\u00e3o do Perua\u00e7u, como est\u00edmulo ao replantio de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, o fim das queimadas e a garantia de sustentabilidade em atividades como pecu\u00e1ria e agricultura.<\/p>\n<p>A pesquisadora ressalta que s\u00e3o necess\u00e1rias medidas para favorecer a penetra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua no solo. Nesse sentido, lembra que experi\u00eancias realizadas durante os estudos na \u00e1rea do Perua\u00e7u demonstram que a infiltra\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o \u00e9 lenta. Ainda segundo ela, a falta de chuvas dos \u00faltimos dois anos somente acentuou o problema, j\u00e1 que o processo de secamento do rio come\u00e7ou h\u00e1 mais tempo.<\/p>\n<p>Cristina Augustin ressalta que h\u00e1 tr\u00eas maneiras de um rio secar: pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica, pelo uso excessivo da \u00e1gua do len\u00e7ol fre\u00e1tico, mesmo mantida a reposi\u00e7\u00e3o natural, e pela diminui\u00e7\u00e3o do volume, \u201cn\u00e3o porque esteja chovendo menos, mas pela redu\u00e7\u00e3o da infiltra\u00e7\u00e3o\u201d. Nesse cen\u00e1rio, observa, a \u00e1gua tende a escoar superficialmente, especialmente em \u00e1reas com pouca cobertura vegetal, provocando enchentes.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 preciso uma trag\u00e9dia para secar um sistema. Bastam a\u00e7\u00f5es como as que est\u00e3o sendo levadas a cabo h\u00e1 v\u00e1rios anos nessas bacias e que estimulam as enxurradas, como a retirada de cobertura vegetal, o plantio indiscriminado de eucalipto, a cria\u00e7\u00e3o de gado e o uso excessivo da \u00e1gua do len\u00e7ol fre\u00e1tico\u201d, afirma Cristina Augustin. Ela alerta ainda que o Rio S\u00e3o Francisco corre o risco de, em longo prazo, ter partes expressivas do seu trecho soterradas pela quantidade de sedimentos levada pelos seus afluentes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Cristina Augustin, integram a equipe de pesquisa na regi\u00e3o do Perua\u00e7u os professores Rubens Martin Moreira, do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), F\u00e1bio de Oliveira, do Departamento de Geografia, e Paulo Roberto Antunes Aranha, do Departamento de Geologia da UFMG. Os pesquisadores Bruno Debien e Walter Viana Neves tamb\u00e9m tentam responder por que o Perua\u00e7u est\u00e1 secando.<\/p>\n<p><strong><em>(Fonte: Jornal Estado de Minas)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio passa por um dos mais importantes conjuntos arqueol\u00f3gicos do Brasil Rio Perua\u00e7u, afluente do S\u00e3o Francisco, vem secando nos \u00faltimos anos, o que representa uma s\u00e9ria amea\u00e7a ao patrim\u00f4nio natural das grutas e cavernas do Vale do Perua\u00e7u, que abriga um dos mais importantes conjuntos de s\u00edtios arqueol\u00f3gicos do Brasil, nos munic\u00edpios de Janu\u00e1ria [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":55999,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"amp_status":"","footnotes":""},"categories":[1236],"tags":[39580,39593,39585,39577,39588,39590,39592,39586,39591,39589,39581,1705,205,39583,39582,39579,39578,39576,39587,39595,39584,39594],"class_list":["post-55998","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-norte_de_minas","tag-afluente-do-sao-francisco","tag-bruno-debien","tag-cristina-helena-ribeiro-augustin","tag-desaparecimento-de-rio-que-corta-regiao-de-grutas-e-cavernas-intriga-pesquisadores-no-norte-de-minas","tag-do-centro-de-desenvolvimento-da-tecnologia-nuclear-cdtn","tag-do-departamento-de-geografia","tag-do-departamento-de-geologia-da-ufmg","tag-do-instituto-de-geociencias-icg-da-ufmg","tag-e-paulo-roberto-antunes-aranha","tag-fabio-de-oliveira","tag-grutas-e-cavernas-do-vale-do-peruacu","tag-itacarambi","tag-januaria","tag-joao-barbosa-de-oliveira","tag-parque-estadual-veredas-do-peruacu","tag-rio-peruacu","tag-rio-peruacu-passa-por-um-dos-mais-importantes-conjuntos-arqueologicos-do-brasil","tag-rio-peruacu-passa-por-um-dos-mais-importantes-conjuntos-arqueologicos-do-pais","tag-rubens-martin-moreira","tag-seca-do-rio-peruacu","tag-seca-do-rio-peruacu-intriga-pesquisadores-no-norte-de-minas","tag-walter-viana-neves"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/55998","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=55998"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/55998\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/55999"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=55998"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=55998"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=55998"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}