{"id":54443,"date":"2015-03-05T21:01:06","date_gmt":"2015-03-06T00:01:06","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=54443"},"modified":"2015-03-05T21:01:51","modified_gmt":"2015-03-06T00:01:51","slug":"a-dependencia-da-producao-agricola-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=54443","title":{"rendered":"A DEPEND\u00caNCIA DA PRODU\u00c7\u00c3O AGR\u00cdCOLA BRASILEIRA"},"content":{"rendered":"<p>O pa\u00eds est\u00e1 passando por uma crise. Crise nos diversos setores como o econ\u00f4mico, o social e o campo n\u00e3o est\u00e1 imune a isto. O d\u00f3lar disparou atingindo a casa dos tr\u00eas reais. Bom para um pa\u00eds que quer exportar, mas ruim para quem depende das importa\u00e7\u00f5es. Para a agricultura, a pecu\u00e1ria e a silvicultura o aumento do d\u00f3lar pode provocar um grande aumento no produto final ao consumidor. Apesar de produzirmos praticamente tudo que consumimos como a carne, o leite, o arroz, o feij\u00e3o e as hortali\u00e7as, o Brasil depende, e muito, da importa\u00e7\u00e3o dos fertilizantes, um dos principais e mais caros insumos para a produ\u00e7\u00e3o no campo. Para termos ideia desta depend\u00eancia externa, em 2014 o Brasil produziu 8,8 milh\u00f5es de toneladas de fertilizantes e importou 24 milh\u00f5es de toneladas, ou seja, produzimos apenas 26,8% de todo o fertilizante que precisamos no ano passado. Quando comparamos os anos de 2013 com 2014, a situa\u00e7\u00e3o piora. Na compara\u00e7\u00e3o destes dois anos houve uma queda na produ\u00e7\u00e3o de fertilizantes no pa\u00eds de 5,4%, enquanto as importa\u00e7\u00f5es cresceram 11%, segundo as informa\u00e7\u00f5es da Associa\u00e7\u00e3o Nacional para Difus\u00e3o de Adubos, a ANDA.<\/p>\n<p>Desta forma, analisamos o seguinte: como podemos crescer no setor que n\u00f3s sabemos fazer melhor, os alimentos, se n\u00e3o somos capazes de suprir a demanda b\u00e1sica do principal insumo do sistema de produ\u00e7\u00e3o no campo, dependendo quase que totalmente das importa\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>O Brasil investe em ci\u00eancia e tecnologia para o desenvolvimento de novos insumos agr\u00edcolas, principalmente os fertilizantes, mas ainda \u00e9 pouco. Temos que explorar o m\u00e1ximo poss\u00edvel todas as fontes de fertilizantes dispon\u00edveis, principalmente as n\u00e3o convencionais. Temos uma grande quantidade de ind\u00fastrias que produzem res\u00edduos que s\u00e3o descartados, mas que apresentam um grande potencial para uso como fertilizantes, desde que sejam adequadamente transformados, mas para isto precisamos desenvolver a tecnologia de reaproveitamento. <\/p>\n<p>Somos um dos maiores exportadores de pedras ornamentais do planeta como o granito e o m\u00e1rmore.  O processamento destas rochas nas empresas gera uma quantidade enorme de res\u00edduos de rocha que s\u00e3o descartados no ambiente, muitas vezes de forma inadequada, mas que apresentam grandes quantidades de nutrientes para as plantas. E os lixos das grandes cidades? Metade dele \u00e9 composto de material org\u00e2nico e tamb\u00e9m rico em nutrientes. Cidades que implantaram a coleta seletiva apresentam estes res\u00edduos org\u00e2nicos mais puros, pois grande parte do material n\u00e3o recicl\u00e1vel foi retirado. Estes materiais quando enterrados nos aterros sanit\u00e1rios produzem gases, principalmente o metano, gerador de energia. Ap\u00f3s alguns meses ou anos, o material org\u00e2nico estabiliza gerando o h\u00famus, sem contaminante biol\u00f3gico e rico em nutrientes. E as nossas esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgoto? Geram materiais estabilizados ao final do processo que tamb\u00e9m s\u00e3o ricos em nutrientes.<\/p>\n<p>Apesar de, nas palavras tudo ser maravilhoso, sabemos que na pr\u00e1tica n\u00e3o \u00e9, pois a complexidade da log\u00edstica \u00e9 enorme, mas isto n\u00e3o \u00e9 motivo para desistir e sim estimular o desenvolvimento da pesquisa cient\u00edfica no setor.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 clara: ou desenvolvemos tecnologia para reduzir a depend\u00eancia da importa\u00e7\u00e3o dos fertilizantes ou a atividade agropecu\u00e1ria continuar\u00e1 a merc\u00ea deste d\u00f3lar bipolar.<\/p>\n<h4><strong>Quem \u00e9 Alexandre Sylvio Vieira da Costa?<\/strong><\/h4>\n<p><center><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/alexandre_coluna_agro.jpg\" alt=\"\" \/><\/center><\/p>\n<p>&#8211; Nascido na cidade de Niter\u00f3i, RJ;<br \/>\n&#8211; Engenheiro Agr\u00f4nomo Formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro;<br \/>\n&#8211; Mestre em Produ\u00e7\u00e3o Vegetal pela Embrapa-Agrobiologia\/Universidade Federal Rural do<br \/>\nRio de Janeiro;<br \/>\n&#8211; Doutor em Produ\u00e7\u00e3o Vegetal pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa;<br \/>\n&#8211; P\u00f3s doutorado em Geoci\u00eancias pela Universidade Federal de Minas Gerais;<br \/>\n&#8211; Foi Coordenador Adjunto da C\u00e2mara Especializada de Agronomia e Coordenador da<br \/>\nComiss\u00e3o T\u00e9cnica de Meio Ambiente do CREA\/Minas;<br \/>\n&#8211; Foi Presidente da C\u00e2mara T\u00e9cnica de eventos Cr\u00edticos do Comit\u00ea da Bacia<br \/>\nHidrogr\u00e1fica do Rio Doce;<br \/>\n&#8211; Atualmente, professor Adjunto dos cursos de Engenharia da Universidade Federal dos<br \/>\nVales do Jequitinhonha e Mucuri, Campus Te\u00f3filo Otoni;<\/p>\n<p>&#8211; Blog: <a href=\"http:\/\/asylvio.blogspot.com.br\" target=\"_blank\">asylvio.blogspot.com.br<\/a><br \/>\n&#8211; E-mail: alexandre.costa@ufvjm.edu.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pa\u00eds est\u00e1 passando por uma crise. 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