{"id":51468,"date":"2015-02-01T13:10:48","date_gmt":"2015-02-01T16:10:48","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=51468"},"modified":"2015-02-01T13:12:18","modified_gmt":"2015-02-01T16:12:18","slug":"seca-e-destruicao-da-natureza-fazem-mananciais-mineiros-desaparecerem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=51468","title":{"rendered":"Seca e destrui\u00e7\u00e3o da natureza provocam o desaparecimento de mananciais mineiros"},"content":{"rendered":"<h4><strong><em>Escassez de chuvas, corte de mata nativa, assoreamento e polui\u00e7\u00e3o s\u00e3o alguns dos motivos para a dr\u00e1stica situa\u00e7\u00e3o de seca que afeta o Estado.<\/em><\/strong><\/h4>\n<p>O agricultor Jos\u00e9 Soares Andrade Sobrinho, de 54 anos, se desloca com sua moto dentro do leito do Rio Gorutuba, que ele j\u00e1 viu correr cheio o ano inteiro e, agora, se resume a um filete. Ele est\u00e1 desolado, sem saber como manter sua propriedade se a \u00e1gua do manancial acabar de vez. O drama dos produtores rurais se estende \u00e0 popula\u00e7\u00e3o urbana. A 120 quil\u00f4metros da nascente do Gorutuba, em Jana\u00faba, no Norte de Minas, est\u00e1 a barragem do Bico da Pedra, que tamb\u00e9m abastece Nova Porteirinha e as planta\u00e7\u00f5es de 345 agricultores do Projeto de Irriga\u00e7\u00e3o do Gorutuba, de onde sai grande parte das frutas \u2013 principalmente banana \u2013 comercializadas na Central de Abastecimento (Ceasa), em Belo Horizonte. <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/mananciais_norte_mg.jpg\" alt=\"\" \/><em>Jos\u00e9 Soares percorre de moto o leito do Rio Gorutuba &#8211; Foto: Solon Queiroz \/ Estado de Minas<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Soares mora na regi\u00e3o do distrito de Catuni, em Francisco S\u00e1. Ainda perto de sua nascente, o Gorutuba parece mais uma grande estrada, onde corre como um filete de \u00e1gua, prestes a secar. Apesar de sua import\u00e2ncia para o abastecimento humano e produ\u00e7\u00e3o de alimentos, o manancial est\u00e1 degradado. O leito est\u00e1 completamente assoreado por bancos de areia e sedimentos. Junto a uma estrada, a 400 metros de Catuni, s\u00e3o vis\u00edveis os estragos causados pela extra\u00e7\u00e3o de areia.<\/p>\n<p>\u201cA gente fica com muita tristeza de ver o rio nesta situa\u00e7\u00e3o. Ele tinha muita \u00e1gua. Agora, \u00e9 um \u2018arei\u00e3o\u2019 s\u00f3\u201d, lamenta Jos\u00e9 Soares. Ele lembra que, em outubro do ano passado, depois de oito meses da estiagem rigorosa, o rio \u201ccortou\u201d e voltou a correr em novembro, mas com vaz\u00e3o muito reduzida. Hoje, segundo ele, o n\u00edvel deveria ser de um metro.<\/p>\n<p>Na mesma regi\u00e3o, o estudante Jo\u00e3o Marcos Ferreira da Silva, de 18, experimentou uma mudan\u00e7a radical: quando era crian\u00e7a, nadou no Gorutuba. Hoje, percorrendo o leito seco de moto. A lavradora Maria dos Reis Dur\u00e3es, de 40, tamb\u00e9m reclama. \u201cO rio chegou a esta situa\u00e7\u00e3o por causa do desmatamento e da retirada de areia\u201d. <\/p>\n<p>Por conta das agress\u00f5es \u00e0 natureza e das secas sucessivas, centenas de pequenos rios e c\u00f3rregos j\u00e1 desapareceram no Norte de Minas. Um deles \u00e9 o Rio Jacu, afluente do Gorutuba, que passa no fundo da casa de Maria dos Reis, na localidade de Santos Reis, pr\u00f3ximo de Catuni. \u201cO Rio Jacu secou tanto que n\u00e3o tem \u00e1gua nem para manter uma galinha\u201d, conta a mulher, acrescentando que a salva\u00e7\u00e3o das 15 fam\u00edlias da \u00e1rea rural \u00e9 um po\u00e7o tubular p\u00fablico.<\/p>\n<h4>Corte de mata nativa<\/h4>\n<p>A regi\u00e3o onde o Gorutuba nasce foi altamente afetada pela derrubada da mata nativa para dar lugar a reflorestamentos de eucalipto, que passaram a ocupar grandes extens\u00f5es de terra no Norte de Minas e no Vale do Jequitinhonha na d\u00e9cada de 1970. \u201cA diminui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua no Gorutuba mostra que pagamos o pre\u00e7o do desmatamento. Com a retirada da mata nativa, foi eliminada tamb\u00e9m a permeabilidade natural da \u00e1gua da chuva, ocasionando o assoreamento das nascentes do Gorutuba e outros rios\u201d, observa o ambientalista Soter Magno do Carmo, de Montes Claros.<\/p>\n<p>Ele diz que a dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o da vaz\u00e3o do Gorutuba \u00e9 amea\u00e7a a barragem do Bico da Pedra, maior reservat\u00f3rio do Norte de Minas, constru\u00eddo na d\u00e9cada de 1970. \u201cA barragem do Bico da Pedra tamb\u00e9m \u00e9 abastecida por \u00e1gua da chuva de uma grande bacia. Mas est\u00e1 muito assoreada\u201d, alerta Magno. A barragem est\u00e1 10,9 metros abaixo do n\u00edvel m\u00e1ximo, com aproximadamente 30% de sua capacidade, que \u00e9 de 560 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos. <\/p>\n<p>Conforme especialistas, se tivesse chovido normalmente em dezembro e janeiro, o reservat\u00f3rio deveria estar acima de 50% de sua capacidade. O fornecimento de \u00e1gua para Jana\u00faba (75 mil habitantes) e Nova Porteirinha (7,4 mil habitantes) est\u00e1 regularizado. J\u00e1 os 345 pequenos agricultores do projeto de irriga\u00e7\u00e3o do Gorutuba sofrem como racionamento, recebendo \u00e1gua a cada dois dias.<\/p>\n<p>A degrada\u00e7\u00e3o ambiental afeta outros mananciais do Norte de Minas, caso do Rio Pardo, onde \u00e9 feita a capta\u00e7\u00e3o da \u00e1gua consumida pelos moradores de Taiobeiras, de 30,9 mil habitantes. Entre os problemas est\u00e3o desmatamento, retirada das matas ciliares e extra\u00e7\u00e3o de areia. Assim como o Gorutuba, o Pardo foi duramente afetado pela retirada da vegeta\u00e7\u00e3o nativa para plantio de eucalipto para produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o vegetal, que acabou com nascentes do rio.<\/p>\n<p>Apesar da baixa vaz\u00e3o do Pardo, o fornecimento de \u00e1gua para a \u00e1rea urbana ainda est\u00e1 normalizado, mas dezenas de fam\u00edlias da zona rural obrigadas a esperar a chegada do caminh\u00e3o-pipa. Morador de Taiobeiras, o t\u00e9cnico em ambiente Amarildo Freitas conta que, somada aos danos provocados no passado pela monocultura do eucalipto e a derrubada de matas nativas para forma\u00e7\u00e3o de pastagens, o rio passou a sofrer danos provocados pelos chacreamentos ilegais. \u201cTodo mundo se sente no direito de desmatar, acabando com a matas ciliares\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Ele diz que o Pardo teve sua vaz\u00e3o reduzida na d\u00e9cada de 1970, quando o Ribeir\u00e3o Santana, um dos principais afluentes, parou de correr. Ele diz que o Ribeir\u00e3o Santana foi degradado pelo projeto Pro \u2013 V\u00e1rzeas, do governo federal, cujo objetivo era eliminar \u00e1reas de v\u00e1rzeas, justamente os terrenos que contribuem para a manuten\u00e7\u00e3o dos rios. \u201cAcabaram com os \u00e1reas \u00famidas, as lagoas e reservat\u00f3rios, que foram drenados. Foi o maior desastre ambiental da regi\u00e3o\u201d, conta Amarildo, lembrando que o ribeir\u00e3o secou completamente, prejudicando centenas de pequenos produtores de Taiobeiras e Rio Pardo de Minas.<\/p>\n<h4><strong><em>(Fonte: Jornal Estado de Minas)<\/em><\/strong><\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escassez de chuvas, corte de mata nativa, assoreamento e polui\u00e7\u00e3o s\u00e3o alguns dos motivos para a dr\u00e1stica situa\u00e7\u00e3o de seca que afeta o Estado. 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