{"id":50180,"date":"2015-01-16T13:10:02","date_gmt":"2015-01-16T16:10:02","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=50180"},"modified":"2015-01-16T13:11:15","modified_gmt":"2015-01-16T16:11:15","slug":"seca-mantem-nivel-do-rio-sao-francisco-baixo-e-prejudica-turismo-no-norte-de-minas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=50180","title":{"rendered":"Seca mant\u00e9m n\u00edvel do Rio S\u00e3o Francisco baixo e prejudica turismo no Norte de Minas"},"content":{"rendered":"<h4><strong><em>Em plena temporada que deveria ser de chuva, o Velho Chico n\u00e3o consegue mais garantir o turismo e a pesca. Popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 espera dias piores.<\/em><\/strong><\/h4>\n<p>O Rio S\u00e3o Francisco deveria estar com seu volume elevado ou pelo menos no seu leito normal nesta \u00e9poca do ano, mas a estiagem mant\u00e9m o n\u00edvel do manancial muito baixo. As consequ\u00eancias s\u00e3o dr\u00e1sticas em Pirapora, no Norte de Minas. Sempre muito movimentada no ver\u00e3o, desta vez, a cidade  sofre com a falta de  visitantes. O Balne\u00e1rio das Duchas do Velho Chico, principal atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica da cidade, est\u00e1 praticamente seco. Enquanto comerciantes e pescadores reclamam do preju\u00edzo, toda a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 preocupada, porque nunca viu o rio t\u00e3o vazio em janeiro, e espera dias piores no segundo semestre. Em plena temporada que deveria ser de chuva, a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 cr\u00edtica.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/pescador_pirapora.jpg\" alt=\"\" \/><em>Pescador Josu\u00e9 Reis da Costa caminha no leito seco do rio em Pirapora e mostra que o n\u00edvel deveria estar com pelo menos 1,5 metro de profundidade &#8211; Foto: Apar\u00edcio Mansur \/ Estado de Minas<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Josu\u00e9 Reis da Costa, de 73 anos, um dos mais antigos pescadores de Pirapora, est\u00e1 apreensivo: \u201cSe n\u00e3o chover, quando chegar setembro, a \u00e1gua do S\u00e3o Francisco vai diminuir mais ainda e ficar\u00e3o somente aqueles po\u00e7\u00f5es no meio do leito, sem condi\u00e7\u00f5es de navegar\u201d.<\/p>\n<p>Na semana passada, Josu\u00e9 percorreu o rio de barco por cerca de 70 quil\u00f4metros no sentido Pirapora\/Tr\u00eas Marias. \u201cTive de descer e andar dentro do rio, empurrando o barco, mais de cinco vezes\u201d, conta o pescador, depois de caminhar no leito seco, pr\u00f3ximo \u00e0 hist\u00f3rica Ponte Marechal Hermes, entre Pirapora e Buritizeiro. O local, hoje vazio, deveria ter um n\u00edvel de \u00e1gua com pelo menos 1,5 metro de profundidade nesta \u00e9poca do ano, segundo ele.<\/p>\n<p>Ele complementa a renda transportando barcos de pescadores e turistas pelo rio em janeiro, mas agora a realidade \u00e9  outra. \u201cEu mesmo estou deixando de fazer os passeios, falando \u00e0s pessoas que n\u00e3o compensa porque o rio est\u00e1 vazio.<\/p>\n<h4>Velhas<\/h4>\n<p>Pirapora, de 51 mil habitantes, a 375 quil\u00f4metros de Belo Horizonte, \u00e9 a primeira cidade abaixo da Usina Hidrel\u00e9trica de Tr\u00eas Marias e, por isso, sofre diretamente os efeitos da diminui\u00e7\u00e3o do volume de \u00e1gua liberado pela represa, cujo reservat\u00f3rio, hoje com 10,50% da capacidade, tem vaz\u00e3o de 122 metros c\u00fabicos por segundo.<\/p>\n<p>A 15 quil\u00f4metros de Pirapora, fica a foz do Rio das Velhas, que tamb\u00e9m \u00e9 abastecido pela chuva da Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte, onde come\u00e7a a ser formada a bacia. Mas o volume do Velhas pr\u00f3ximo ao seu ponto de encontro com o Velho Chico (distrito de Barra do Guaicu\u00ed, munic\u00edpio de V\u00e1rzea da Palma) tamb\u00e9m est\u00e1 reduzido.<\/p>\n<p>\u201cEstamos no per\u00edodo da piracema, \u00e9poca da reprodu\u00e7\u00e3o dos peixes. O problema \u00e9 que os peixes, para se reproduzir, precisam de grande volume de \u00e1gua, para que possam subir o rio e desovar. Como o n\u00edvel da \u00e1gua est\u00e1 muito baixo, eles n\u00e3o desovam\u201d, afirma o pescador Heberty Rodrigues Castro, de 35.<\/p>\n<p>Outro morador impressionado com a baixa vaz\u00e3o do rio \u00e9 o aposentado Adalberto Nunes Santos, de 52, que durante mais de duas d\u00e9cadas trabalhou no rio como funcion\u00e1rio da antiga Companhia de Navega\u00e7\u00e3o do S\u00e3o Francisco (Franave). Ele recorda que o rio ficou muito baixo durante a grande estiagem de 1971 e 1972. \u201cMas, desta vez, est\u00e1 pior. Nunca imaginei que o S\u00e3o Francisco fosse chegar numa situa\u00e7\u00e3o dessa, ainda mais nesta \u00e9poca do ano. O aposentado chama a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de conten\u00e7\u00e3o da retirada de matas ciliares para interrup\u00e7\u00e3o do assoreamento do S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<h4>Navegar n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel<\/h4>\n<p>\u00danica embarca\u00e7\u00e3o no mundo movida a lenha, o vapor Benjamin Guimar\u00e3es ficou conhecido como uma esp\u00e9cie de vitrine das maravilhas do Rio S\u00e3o Francisco. Por meio dos passeios na embarca\u00e7\u00e3o, era poss\u00edvel conferir as belezas do rio. Mas agora \u00e9 um triste exemplo da dura realidade do manancial, que sofre os efeitos de uma das piores secas da hist\u00f3ria. Devido \u00e0 falta de condi\u00e7\u00f5es de navegabilidade, desde agosto de 2014, os passeios na embarca\u00e7\u00e3o, feitos em curso de 15 quil\u00f4metros at\u00e9 a foz do Rio das Velhas, em Barra do Guaicu\u00ed, foram suspensos. <\/p>\n<p>Um dos trabalhadores do Benjamin Guimar\u00e3es, Carlos Henrique da Silva Souto, de 61, diz que, al\u00e9m da tristeza de ver o vapor parado, fica muito desolado com a situa\u00e7\u00e3o em que se encontra o Velho Chico. \u201cO rio est\u00e1 muito baixo. A gente fica pensando como ficar\u00e1 este rio quando chegar setembro, na \u00e9poca da seca brava mesmo. Somente Deus para dar jeito e mandar chuva\u201d, afirma Carlos Henrique.<\/p>\n<p>O marinheiro disse que n\u00e3o apenas pessoas que trabalham em embarca\u00e7\u00f5es, como ele, mas todos os moradores ribeirinhos est\u00e3o chocados com a redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica do n\u00edvel da \u00e1gua no Velho Chico. \u201cJ\u00e1 vi muitas pessoas chorando por causa dessa situa\u00e7\u00e3o triste do S\u00e3o Francisco. \u00c9 muito do\u00eddo a gente ver o rio t\u00e3o vazio\u201d, reclama Carlos Henrique, que trabalha na bacia h\u00e1 mais de 30 anos.<\/p>\n<h4>Cidade desolada sem o turismo<\/h4>\n<p>Al\u00e9m do Vapor Benjamin Guimar\u00e3es, que est\u00e1 atracado pela falta de navegabilidade do Rio S\u00e3o Francisco, outra atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica de Pirapora est\u00e1 comprometida. Um dos locais mais procurados nesta \u00e9poca do ano \u00e9 o Balne\u00e1rio das Duchas, abaixo da Ponte Marechal Hermes. A seca transformou a atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica em um cen\u00e1rio desolado. Nascido em Pirapora, Vermano Gon\u00e7alves, de 45 anos, mora em Esmeraldas, na Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte, onde \u00e9 gerente de fazenda. Nesta semana, ele voltou \u00e0 terra natal e levou o casal de amigos Celso do Nascimento e Francilene, para conhecer o balne\u00e1rio do Velho Chico.<\/p>\n<p>Vermano conta que levou um susto quando se deparou com as duchas vazias. \u201cNunca imaginei que fosse ver uma coisa dessa. Para mim, isso \u00e9 conseq\u00fc\u00eancia da a\u00e7\u00e3o do homem, que destr\u00f3i a natureza e provoca um desastre dessse\u201d, disse o gerente. Ali perto, numa pedra, algu\u00e9m escreveu a frase: \u201cDeus \u00e9 fiel\u201d. Vermano se apegou ao letreiro na esperan\u00e7a de que um dia o Velho Chico volte a correr caudaloso como j\u00e1 foi no passado.<\/p>\n<p>Dono de um restaurante pr\u00f3ximo ao ponto das duchas, o comerciante M\u00e1rcio Ribeiro Lessa, de 70, revela que o movimento teve uma redu\u00e7\u00e3o de 50% neste m\u00eas em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado. M\u00e1rcio disse que sua preocupa\u00e7\u00e3o maior, no entanto, \u00e9 com o pr\u00f3prio futuro do Velho Chico. \u201cComo o rio n\u00e3o est\u00e1 cheio, os bares e restaurantes tamb\u00e9m est\u00e3o vazios. O problema maior \u00e9 que n\u00e3o est\u00e1 chovendo na cabeceira do rio. Se n\u00e3o chover logo, vamos viver uma situa\u00e7\u00e3o terr\u00edvel\u201d. Na mesma linha, o morador Rubens Lopes Morais completa: \u201cSe continuar baixando, o S\u00e3o Francisco vai ter \u00e1gua somente no canal do lado de Buritizeiro, como se fosse apenas um c\u00f3rrego\u201d.<\/p>\n<p>O prefeito de Pirapora, Heliomar Valle da Silveira (PSB), o L\u00e9o Silveira, destaca que a redu\u00e7\u00e3o do volume do rio \u201cafeta o astral\u201d da cidade. \u201cPirapora \u00e9 uma cidade que vive em fun\u00e7\u00e3o do S\u00e3o Francisco. \u00c0 medida que o volume do rio baixou muito, numa \u00e9poca que deveria estar cheio, a popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m sente muito com isso\u201d, comenta L\u00e9o Silveira.<\/p>\n<p><strong><em>(Fonte: Estado de Minas)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em plena temporada que deveria ser de chuva, o Velho Chico n\u00e3o consegue mais garantir o turismo e a pesca. Popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 espera dias piores. 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