{"id":49589,"date":"2015-01-09T12:26:38","date_gmt":"2015-01-09T15:26:38","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=49589"},"modified":"2015-01-09T12:27:50","modified_gmt":"2015-01-09T15:27:50","slug":"pedreiro-do-vale-do-aco-que-passou-seis-anos-em-arvore-de-bh-arruma-emprego-e-deixa-o-local","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=49589","title":{"rendered":"Pedreiro do Vale do A\u00e7o que passou seis anos em \u00e1rvore de BH arruma emprego e deixa o local"},"content":{"rendered":"<h4><strong><em>Ap\u00f3s o per\u00edodo vivendo em rede no alto de uma mangueira perto da Pra\u00e7a da Liberdade, em BH, pedreiro consegue emprego com carteira assinada e se muda para uma casa alugada<\/em><\/strong><\/h4>\n<p>No meio da natureza, a um quarteir\u00e3o da pra\u00e7a mais nobre de Belo Horizonte, deitado em uma rede e de olho nas estrelas. Essa \u00e9 a vida que muita gente pediu a Deus e poucos conseguem, mesmo clamando aos c\u00e9us dia e noite. Mas o pedreiro Reginaldo de Souza Reis, de 40 anos, realizou tal sonho, embora de forma inusitada. Munido de coragem e aud\u00e1cia, ele passou os \u00faltimos seis anos no alto de uma \u00e1rvore, mais propriamente, sobre galhos de uma mangueira na Rua Bernardo Guimar\u00e3es, entre a Rua da Bahia e a Avenida Jo\u00e3o Pinheiro, no Bairro de Lourdes, Regi\u00e3o Centro-Sul. Ontem foi a despedida de Reginaldo de sua \u201ccobertura\u201d e ele promete voltar aos fins de semana. \u201cAqui \u00e9 bom demais, tenho de tudo\u201d, disse Tarzan, apelido carinhoso recebido dos amigos e moradores da regi\u00e3o. <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/pedreiro_fabri_bh.jpg\" alt=\"\" \/><em>&#8220;N\u00e3o sonho, n\u00e3o rolo na rede e n\u00e3o caio no passeio&#8221;, Reginaldo de Souza Reis, de 40 anos, que promete voltar \u00e0 mangueira na Rua Bernardo Guimar\u00e3es nos fins de semana &#8211; Foto: T\u00falio Santos \/ Estado de Minas<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Simp\u00e1tico e de papo bom, Reginaldo estudou at\u00e9 a \u201cterceira s\u00e9rie do curso prim\u00e1rio\u201d, o correspondente hoje ao quarto ano do ensino fundamental, \u00e9 separado \u2013 \u201cminha mulher mora nos Estados Unidos\u201d \u2013 e tem um casal de filhos que vive em Ipatinga, no Leste de Minas. \u201cEstou mudando, pois arrumei trabalho de carteira assinada e aluguei uma casa no Bairro S\u00e3o Gabriel, Regi\u00e3o Norte da capital\u201d, explicou o pedreiro, que, enquanto n\u00e3o tinha servi\u00e7o, tomava conta de carros na rua. Ao subir com habilidade no p\u00e9 de manga, faz quest\u00e3o de avisar ao rep\u00f3rter: \u201cN\u00e3o bebo nada de \u00e1lcool, viu?\u201d. <\/p>\n<p>Antes de se mudar para a mangueira da Bernardo Guimar\u00e3es, Reginaldo pensou em construir a sua \u201ccasinha\u201d em uma castanheira pr\u00f3xima \u00e0 Rua da Bahia. Desistiu, por ela ser muito alta, e escolheu um galho mais baixo da sua atual mangueira, hoje carregada de frutos da variedade coquinho. A transfer\u00eancia para o andar superior se deu quando o primeiro galho foi podado, impedindo necessidades b\u00e1sicas: que a rede de dormir ficasse amarrada ao tronco, a caixa de isopor para guardar as roupas se sustentasse nas cordas e a lona preta pudesse ficar esticada a fim de proteger da chuva. <\/p>\n<p>Imposs\u00edvel n\u00e3o admirar a destreza de Tarzan ao escalar o tronco e chegar \u00e0 rede, que fica a quatro metros do ch\u00e3o e est\u00e1 na \u00e1rea de metro quadrado mais caro da capital \u2013 cerca de R$ 12 mil para im\u00f3veis novos e R$ 7 mil para usados. Satisfeito, o pedreiro, nascido em Coronel Fabriciano, tamb\u00e9m no Leste do estado, est\u00e1 h\u00e1 17 anos em BH e se orgulha ao contar que, na cobertura, n\u00e3o tem mosquito, n\u00e3o faz calor, h\u00e1 muita sombra, transborda de seguran\u00e7a e, \u00e0 noite, s\u00f3 se ouve mesmo o som do sil\u00eancio. \u201cN\u00e3o sonho, n\u00e3o rolo na rede e n\u00e3o caio no passeio\u201d, afirma, com convic\u00e7\u00e3o. Num minuto, sorri com mal\u00edcia ao declarar que teve encontro \u00edntimo entre as folhas. \u201cE deu tudo certo, pois ningu\u00e9m estava vendo.\u201d <\/p>\n<h4>Como um menino<\/h4>\n<p>O amor pela vida ao ar livre, longe de multid\u00f5es e perto da natureza, vem da inf\u00e2ncia. \u201cEu era menino e gostava de subir em \u00e1rvores. Se pudesse hoje, moraria num lugar cheio de bicho e sem gente. N\u00e3o precisaria nem de sal\u00e1rio, trabalharia pela comida. O ser humano \u00e9 muito dif\u00edcil\u201d, raciocina Reginaldo, enquanto estica o bra\u00e7o e colhe a manga, mostrando que, mesmo na ebuli\u00e7\u00e3o urbana, mora no centro da natureza.<\/p>\n<p>Ao passar pela rua e ver Tarzan no seu h\u00e1bitat, o t\u00e9cnico em inform\u00e1tica Iago Ferreira, de 20, morador do Bairro Candel\u00e1ria, em Venda Nova, fez uma foto com seu telefone celular e comentou: \u201cTer uma casa na \u00e1rvore \u00e9 o sonho de toda crian\u00e7a\u201d. Perto dali, a estudante Larissa Xavier, de 21, considerou \u201cinteressante e ousado\u201d o modo de viver desse \u201cTarzan da cidade\u201d. J\u00e1 o amigo de longa data, o lavador de carros Renato L\u00facio, de 43, confessou que nem ter\u00e1 tempo para saudade. \u201cJ\u00e1 dividimos uma casa e esta aqui ser\u00e1 de veraneio\u201d, brincou apontando para o galho.<\/p>\n<p>Sempre sorridente, Reginaldo enumera outras vantagens de viver na \u00e1rvore. Como est\u00e1 a um quarteir\u00e3o da Pra\u00e7a da Liberdade, pode ver a ilumina\u00e7\u00e3o de Natal antes de todo mundo e tamb\u00e9m se deliciar primeiro com as mangas. \u201cO movimento nesse peda\u00e7o vai das 7h \u00e0s 23h. J\u00e1 vi muitas cenas aqui do alto, casais namorando, brigas, assaltos, corre-corre. Mas ningu\u00e9m nunca me incomodou. Para tomar banho e demais necessidades, vou ao posto de gasolina, onde tamb\u00e9m assisto aos jogos de futebol. Como n\u00e3o gosto de novela, o meu companheiro \u00e0 noite \u00e9 um r\u00e1dio de pilha.\u201d E o endere\u00e7o?, pergunta o rep\u00f3rter. \u201cN\u00e3o tenho nem dou, ali\u00e1s, nem tenho celular\u201d, responde Tarzan, que recebe habitualmente a visita de passarinhos, micos e at\u00e9 morcegos, \u201cque n\u00e3o me incomodam\u201d.<\/p>\n<p><strong><em>(Fonte: Estado de Minas)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s o per\u00edodo vivendo em rede no alto de uma mangueira perto da Pra\u00e7a da Liberdade, em BH, pedreiro consegue emprego com carteira assinada e se muda para uma casa alugada No meio da natureza, a um quarteir\u00e3o da pra\u00e7a mais nobre de Belo Horizonte, deitado em uma rede e de olho nas estrelas. 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